domingo, 29 de janeiro de 2012

Lanciano, o Milagre Eucarístico

Este milagre ocorreu no século VIII, mais precisamente no ano 750, e a prova do milagre está patente aos olhos de quem quiser ver na igreja de São Legociano, na cidade de Lanciano, perto de Pescara.

Como ocorreu o milagre?
Um monge daquele convento começou a duvidar se na Hóstia estaria verdadeiramente o Corpo de Cristo e no Cálice, o Seu Sangue. Certo dia, celebrando a Santa Missa e sendo acometido da mesma dúvida, viu que, de repente, de modo milagroso, a Hóstia consagrada se transformou num pedaço de carne e o vinho consagrado se coagulou e se transformou em pedaços de sangue. O monge, atônito, ainda pensou em esconder o prodígio, mas, perante a realidade do fato extraordinário, confessou a sua falta de fé e o milagre com que o Senhor viera confirmá-lo.

Hoje, a 1.200 anos de distância, as relíquias sagradas mantém-se praticamente intactas. A Carne, guar¬dada entre dois cristais, tem a forma de Hóstia Redonda, com seis centímetros de diâmetro, mais grossa nos bordos que no centro, onde há um pequeno espaço vazio. A Carne aparece de cor castanho-escuro, que se torna rosada quando se coloca uma luz por trás do reli¬cário. O Sangue, coagulado, tem uma cor vermelho-escura e é for¬mado por cinco gotas diferentes e separadas.

Repetidas vezes, no decorrer dos séculos, fizeram-se exames e reconhecimentos das Sagradas Relíquias. Em 1970, por exemplo, o Arcebispo de Lanciano e o Provincial dos Frades Conventuais de Abruzzo, autorizados por Roma, pediram ao doutor Edoardo Linoli, diretor do hospital de Arezzo e professor de Anatomia, Histologia, Química e Microscopia Clínica, uma minuciosa análise científica das Relíquias de um Milagre de doze séculos atrás. No dia 4 de março de 1971, o professor apresentou um relatório detalhado dos estudos realizados. Eis as conclusões:
1. A “Carne milagrosa” é verdadeiramente carne do tecido muscular fibroso do miocárdio.

2. O “Sangue milagroso” é verdadeiro sangue, demonstrado, com certeza absoluta, pela análise cromatográfica.

3. O estudo imunológico manifesta seguramente que a carne e o sangue são humanos e a prova imunológica revela com segurança que ambos pertencem ao grupo sangüíneo AB, o mesmo grupo do homem do Santo Sudário e característico das populações do Oriente Médio. Esta identidade do grupo sangüíneo indica ou que a Carne e o Sangue são da mesma pessoa ou que pertencem a dois indivíduos do mesmo grupo sangüíneo.

4. As proteínas contidas no Sangue estão normalmente distribuídas numa percentagem idêntica às de um sangue fresco normal.

5. Nenhuma sessão de histologia revelou traços de infiltrações de sais ou de conservantes utilizados nas antigas civilizações para mumificar corpos.


O seu relatório foi publicado nos “Quaderni Sclavo in Diagnostica (fasc. 3, Gráfica Meini, Sena, 1971) e causou um grande interesse no mundo científico.

Em 1973 o Conselho Superior da Organização Mundial da Saúde, organismo da ONU, nomeou uma comissão científica para verificar as conclusões do médico italiano. Os trabalhos duraram 15 meses e foram feitos 500 exames. Realizaram-se as mesmas pesquisas feitas pelo professor Linoli e outras complementares.

Os exames confirmaram que os fragmentos retirados em Lanciano não são semelhantes a tecidos mumificados. A comissão declarou que a Carne é um tecido vivo porque responde a todas as reações clínicas próprias dos seres vivos. A Carne e o Sangue milagrosos de Lanciano têm as mesmas características de carne e sangue recém extraídos de um ser vivo. Esse relatório confirma as conclusões do professor Linoli. As conclusões do pequeno resumo dos trabalhos científicos da Comissão Médica da OMS e da ONU, publicado em dezembro de 1976 em Nova York e em Genebra declaram que a ciência, consciente dos seus limites, não é capaz dar uma explicação natural ao fenômeno.

Que este milagre sirva para alimentar a nossa fé na presença de Jesus Cristo na Hóstia consagrada e no Sacrário das igrejas.


Fonte: www.comshalom.org

Teu sou!


TEU SOU
(Intérprete: Davidson Silva)

Eu não sou nada e do pó nasci,
mas Tu me amas e morrestes por mim.
Diante da cruz só posso exclamar:
teu sou, teu sou.

Toma minhas mãos, te peço.
Toma meus lábios, te amo.
Toma minha vida, ó Pai, teu sou.

Quando de joelhos te olho, ó Jesus,
vejo tua grandeza e minha pequenez.
Que posso dar-te eu? Só meu ser.
Teu sou, teu sou.

Toma minhas mãos, te peço.
Toma meus lábios, te amo.
Toma minha vida, ó Pai, Teu sou.

sábado, 28 de janeiro de 2012

O único Jesus que eu conheci!


«Pregue o Evangelho sempre, se(quando) necessário, use palavras»
(Francisco de Assis)

Há alguns anos um prisioneiro branco morreu de ataque cardíaco em Montgomery, no Alabama. Na prisão tivera uma profunda experiência de conversão e construído um relacionamento autêntico com Jesus. O presidiário da cela ao lado, um negro enorme, era cínico. Todas as noites o prisioneiro branco falava por entre as barras da prisão e falava ao seu companheiro sobre o amor de Jesus. O negro troçava dele; dizia que ele estava doente da cabeça, que a religião era o último refúgio dos insanos. Apesar disso, o prisioneiro branco passava-lhe passagens das Escrituras e repartia com ele os doces que recebia de algum parente. Durante o funeral do homem branco, quando o padre falou a respeito da vitória de Jesus na Páscoa, o robusto prisioneiro negro ergueu-se a meio do sermão, apontou para o caixão e disse: "Esse é o único Jesus que eu conheci".

Do Livro "A assinatura de Jesus", Brennan Manning

Irmãos, sejamos como aquele prisioneiro, sejamos como Madre Teresa de Calcutá, sejamos Jesus na vida daqueles que não O conhecem, na vida daqueles que não sabem da Sua existência no meio de nós, nos conduzindo, nos guiando... A esses, levemos a Palavra de Deus, repartamos o pouco que temos, o pouco que sabemos, falemos sobre o amor de Deus por nós. Então, seremos o Jesus para aqueles que não sabem que Ele venceu na Páscoa ;)

(CIC) A Tradição apostólica

"Cristo Senhor, em quem se consuma a revelação do Sumo Deus, ordenou aos Apóstolos que o Evangelho, prometido antes pelos profetas, completado por ele e por sua própria boca promulgado, fosse por eles pregado a todos os homens como fonte de toda a verdade salvífica e de toda a disciplina de costumes, comunicando-lhes os dons divinos."

A transmissão do Evangelho, segundo a ordem do Senhor, fez-se de duas maneiras:
- oralmente - "pelos apóstolos, que na pregação oral, por exemplos e instituições, transmitiram aquelas coisas que ou receberam das palavras, da convivência e das obras de Cristo ou aprenderam das sugestões do Espírito Santo";
- por escrito - "como também por aqueles apóstolos e varões apostólicos que, sob inspiração do mesmo Espírito Santo, puseram por escrito a mensagem da salvação"

"Para que o Evangelho sempre se conservasse inalterado e vivo na Igreja, os apóstolos deixaram como sucessores os bispos, a eles 'transmitindo seu próprio encargo de Magistério." Com efeito, "a pregação apostólica, que é expressa de modo especial nos livros inspirados, devia conservar-se por uma sucessão contínua até a consumação dos tempos".

Esta transmissão viva, realizada no Espírito Santo, é chamada de Tradição enquanto distinta da Sagrada Escritura, embora intimamente ligada a ela. Por meio da Tradição, "a Igreja, em sua doutrina, vida e culto, perpetua e transmite a todas as gerações tudo o que ela é, tudo o que crê". "O ensinamento dos Santos Padres testemunha a presença vivificante desta Tradição, cujas riquezas se transfundem na praxe e na vida da Igreja crente e orante."

Assim, a comunicação que o Pai fez de si mesmo por seu Verbo no Espírito Santo permanece presente e atuante na Igreja: "O Deus que outrora falou mantém um permanente diálogo com a esposa de seu dileto Filho, e o Espírito Santo, pelo qual a voz viva do Evangelho ressoa na Igreja e através dela no mundo, leva os crentes à verdade toda e faz habitar neles abundantemente a palavra de Cristo"

Catecismo da Igreja Católica, §§ 75-79

Estampa de Jesus Misericordioso

Nos idos dos anos 80 – século passado! – participei, em um período de um ano e meio, de dois roubos. Não foram roubos comuns, como esses que a gente vê por aí, mas roubos especiais, conforme conto a seguir.

     Em 1979, quando a imagem de Jesus Misericordioso revelada à Irmã Faustina era, ainda praticamente desconhecida no Brasil, ganhei de um amigo com quem servia os pobres, no Pirambu, um santinho de papel, vindo de fora, com o belo rosto da imagem, sob a qual se lia, em inglês: ‘Olhe para mim’. Fiquei muito impressionada com a beleza daquele olhar e coloquei o santinho na minha carteira para que pudesse, de fato, olhá-lo com mais freqüência. Era, para mim, um tesouro.

     No ano seguinte, minha filha recém nascida, eu estava em processo de afastamento do serviço aos pobres, mas estava na missa na Paróquia do Cristo Redentor, no Pirambu, na metade da longa fila da comunhão, na qual cada um retira uma hóstia e a imerge no sangue sagrado, quando alguém bateu no meu ombro, muito afogueado e disse: ‘Estão roubando o teu carro!’ Fiquei entre ir comungar e interferir no roubo do carro. Percebi, por graça de Deus, que receber Jesus uma só vez que fosse era mais importante do que a Parati marrom do ano, que havia estacionado em frente à Igreja, com a carteira e todos os documentos dentro. Calmamente, disse que veria isso depois e fui comungar. Optei pelo mais importante (como queria ter cultivado mais essa fé!).

     Ao sair da missa, formou-se ao meu redor um bolo de curiosos, pois, pelo jeito, havia-se espalhado a notícia. Quando cheguei no local, o carro estava lá. Estavam lá, também, a bolsa, a carteira, os documentos e o pouco dinheiro que tinha. Só me tinham levado... a pequena estampa de Jesus Misericordioso! Algumas testemunhas disseram que haviam sido uns ‘meninos drogados’ que haviam arrombado o carro. Pensei nos adolescentes aditos de drogas com quem havíamos trabalhado, no adolescente adito acompanhado pelo nosso grupo morto a paulada pelos traficantes, nas crianças da escola que meu marido, eu e alguns casais havíamos construído, passaram pela minha mente dezenas de rostos. Poderia ter sido qualquer um, mas o mais provável era que não fosse nenhum deles. Eles não fazem isso com pessoas que se colocam ao seu lado.

    As pessoas ao redor davam mil sugestões: chamar a polícia, identificar os meninos, ir procurar nos arredores. Eu, entretanto, nem ouvia. Só me vinha a pergunta: ‘Por que será que só tiraram o santinho de Jesus Misericordioso?’ E, enquanto dava partida no carro, rezei pedindo à misericórdia de Deus que fosse ao alcance daqueles adolescentes que o haviam escolhido acima de tudo o que haviam encontrado em minha bolsa e no carro, exatamente porque precisavam dele acima de todas aquelas coisas. No fundo, eles haviam feito a mesma opção que eu, ao decidir comungar tranqüilamente e só sair depois da bênção final: haviam escolhido o mais importante. Pedi ao Senhor que os socorresse e que, como um sinal de que eles seriam alcançados pela misericórdia de Deus, me fizesse chegar às mãos uma outra estampa daquela, o que era dificílimo na época.

    Em 1981, em Roma, durante o Congresso Mundial da RCC, a Irmã Briege McKenna rezou por mim e profetizou uma pequena lista do que Deus queria de mim. O item final, veio em forma de pergunta: ‘E os meus pobres? Por que você abandonou os meus pobres?’ Foi uma facada! Teria ficado por aí se, no dia seguinte, um missionário na Índia não tivesse me abordado enquanto eu escrevia alguma coisa no saguão do hotel: ‘Desculpe, mas Jesus insistiu que eu lhe interrompesse para entregar-lhe algo’, disse, enquanto manuseava um envelope grande nas mãos. ‘Trabalho em um hospital em Bombaim, na Índia e sempre mostro isso às pessoas que estão sofrendo ou morrendo e elas entram em grande paz. Tenho visto, também, muitas pessoas mudarem de vida. Trago isso sempre comigo e, sinceramente, não entendo porque Jesus manda que eu lhe dê.’ Abriu o grande envelope e tirou de dentro o mesmo rosto, da mesma imagem, com os mesmos dizeres da pequena estampa ‘roubada’. Só que, desta vez, impressa em papel mais grosso, brilhoso, muito, muito bonita.

    Emocionada, contei-lhe minha história e tentei, em vão, fazer com que ele ficasse com a estampa. Ele recusou, impressionado com o sinal que aquela estampa era para mim. Naturalmente, não caberia mais em minha carteira. Teria que colocá-la sobre a mesa e trazê-la no coração, junto com a esperança de que o Senhor, um dia, me fará voltar a servir os pobres, com a certeza de que os meninos (hoje homens!) encontraram a misericórdia de Deus e a confiança absoluta de que essa misericórdia não se rouba, porque ela se entrega, inteira e livremente, pelos meios mais insondáveis, a quem dela precisa!

Maria Emmir Nogueira.
Publicado na Revista Shalom Maná, 2004

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Para Deus sonhar em mim preciso me esvaziar

A frase que intitula essa matéria está no final de uma linda música interpretada pela cantora católica Eliana Ribeiro, e, em outras palavras, diz assim: que quando decidimos deixar tudo para a Deus seguir não temos noção de onde Ele vai nos levar; que a vida passa a ser apenas o hoje, pois o amanhã dEle depende, só nos resta confiar; que devemos estar abertos ao novo a cada dia e amar os que Deus quer ao nosso lado, e seguir, pois se Deus é o nosso tudo, nada há de faltar! ...

Quem é que não almeja algo em sua vida? Seja se dar bem nos estudos, conseguir um(a) namorado(a), ter sucesso profissional, adquirir isso ou aquilo... É através dos nossos sonhos que vamos dando impulso à nossa vida. Mas o que significa “Deus sonhar em mim (em você)”? Existe uma passagem bíblica que diz que “o que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e o coração do homem não percebeu, foi isso que Deus preparou para aqueles que o amam. A nós, porém, Deus o revelou pelo Espírito Santo. Pois o Espírito sonda todas as coisas, até mesmo as profundidades de Deus” (1Cor 2,9-10). Ou seja, Deus sonha por nós e não é sonho pequeno, não! Precisamos descobrir quais são os sonhos de Deus para nós e para isso Ele também nos dá a receita, enviando o Espírito Santo para nos auxiliar nesse discernimento.

Precisamos nos esvaziar de toda e qualquer coisa que nos impeça de descobrir quais os sonhos que Deus tem para nós e um dos fatores que não nos permite tomar essa decisão é o medo de perder coisas, pessoas, posição... Esse medo tem fundamento, pois para seguir os planos de Deus temos que realmente nos desligarmos de algumas coisas e pessoas. Em nosso meio, vemos tantos jovens que procuram a Deus, vão a um encontro de oração, se sentem tocados, mas, enquanto mantém “um pé na Igreja”, deixam o outro junto com a turminha das festas regadas a bebedeiras, prostituição, drogas.  Isso faz com que eles não consigam discernir o que o Espírito Santo deseja tanto lhes revelar, faz com que os sonhos de Deus para suas vidas não sejam concretizados.

Aí você pode até perguntar: mas que sonhos são esses que sobrepõem uma vida de festas, amigos, diversão? E eu te respondo que a alegria que cada momento desses vivido proporciona é momentânea, não passa daquela noite, daquela festa; após passar o “efeito”, deixa um vazio enorme. Por muitas vezes vejo nas mídias sociais as pessoas falarem de um alguém que “arrasou” em tal festa e, pouco tempo depois, vejo esse alguém falando que tá de mal com a vida, com os amigos, que nada mais faz sentido... Faço agora uma comparação com algumas pessoas que decidiram largar fardos pelo caminho, decidiram se esvaziar e seguir a Deus. Essas pessoas além de estarem vencendo diariamente os obstáculos da vida, ainda conseguem levar outras para o caminho da Salvação. São pessoas que também passam por dificuldades, mas conseguem encarar essas dificuldades com mais confiança. São vencedores no plano de Deus.

Tomemos como exemplo o próprio Jesus, que decidiu esvaziar-se de si mesmo para se tornar Cristo, que deixou o mundo da glória – é isso mesmo, ele estava se tornando famoso por causa dos seus milagres, da sua pregação! – para se entregar na cruz, para sonhar os sonhos do Pai. O resultado desses sonhos: a remissão dos nossos pecados.

Sonhar o sonho de Deus é confiar plenamente na Sua ação e abandonar-se em Suas mãos, acreditando que Ele jamais nos abandonará, que Ele deseja o melhor para nós!
Que o Senhor nos abençoe na caminhada rumo à concretização dos planos que Ele tem para nós.
Amém!

Texto também postado no blog gocarnaubadosdantasrcc.blogspot.com

Assim é o Reino de Deus

No Evangelho de hoje (27/01/2012), temos duas pequenas parábolas, a primeira própria de Marcos e a segunda compartilhada por Mateus (13,21ss) e Lucas (13,18ss).

Na parábola da semente, Jesus indica que o Reino tem uma força intrínseca que independe dos trabalhadores. Na segunda parábola, Ele indica que o Reino, minúsculo no tempo de Cristo, expandir-se-á de modo a se estender pelo mundo inteiro. Vejamos alguns versículos:

E dizia: “Assim é o Reino do Deus, como se um homem lançasse a semente sobre a terra” (v. 26). Que significa “Reino de Deus”? No Antigo Testamento Javé, o Deus de Israel, era o verdadeiro Rei e Seu Reino abrangia todo o universo. Os juízes eram praticamente os Seus representantes. Por isso, o Seu profeta Samuel, último juiz, escutou estas palavras: “Não é a ti que te rejeitam, mas a mim, porque não querem mais que eu reine sobre eles” (I Sm 8,7). A partir de Davi, o Reino de Deus tem como representante um rei humano, mas a experiência terminou em fracasso, e o Reino de Deus acabou por ser um reino futuro-escatológico como final dos tempos e transcendente, como sendo Deus mesmo o que seria ou escolheria o novo rei. Esse Reino está chegando e tem seu representante na pessoa de Jesus e dos apóstolos. Nada tem de material ou geográfico, e é formado pelos que aceitam Jesus como Senhor, caminho, verdade e vida. Por isso, dirá Jesus que “o Reino está dentro de vocês”.

A Igreja fundada por Jesus é a parte visível desse Reino, que não é como os do mundo, mas tem sua base em servir e não em ser servido (Lc 22,27). O oposto do amor, que é serviço no Reino, é o amor ao dinheiro (Mt 6,24), de modo que podemos afirmar que o dinheiro é o verdadeiro deus deste mundo.

“E durma e se levante noite e dia; e a semente germine e cresça de um modo que ele não tem conhecido” (v. 27). É importante unir este versículo ao anterior para obter o sentido completo da parábola. O agricultor faz sua vida independente e a semente nasce e cresce sem ter nada a ver com o agricultor, fora o fato de ser semeada por ele no início. Deste modo, Paulo pode afirmar: “Eu plantei, Apolo regou; mas era Deus quem fazia crescer. Aquele que planta nada é; aquele que rega nada é; mas importa somente Deus, que dá o crescimento” (1 Cor 3,6-7). Assim, na continuação dirá Jesus: “Pois por si mesma a terra frutifica primeiramente a erva, depois a espiga, depois o trigo pleno na espiga” (v. 28).

“Como com a semente da mostarda, a qual quando sendo semeada na terra é a menor de todas as sementes sobre a terra” (v.31). A mostarda é uma planta da família da couve ou repolho, de grandes folhas, flores amarelas e pequenas sementes, que tem duas espécies principais: branca e preta. A branca chega até atingir 1,2 m de altura e a preta pode chegar até 3m e 4m de altura. As sementes não são as menores entre as conhecidas, mas parece que eram modelo, na época, de coisas insignificantes. “E quando está semeada surge e se torna maior do que todas as hortaliças e produz galhos grandes de modo que podem, sob sua sombra, as aves do céu habitar” (v. 32).

Na primeira destas parábolas temos a exposição de como o Reino se expande com uma força que não depende dos homens, mas do próprio Deus. Poderíamos dizer que descreve a força interna do Reino.

Na segunda parábola encontramos a visão externa do Reino. Seu crescimento seria espetacular desde um pequeno grupo insignificante como é a semente da mostarda – que se parece com a cabeça de um alfinete – até uma árvore que nada tem a invejar os carrascos da Palestina.

Uma certeza é evidente: o Reino é uma realidade que não se pode ignorar. Em que consiste? Jesus não revela sua essência, mas, devido ao nome, estamos inclinados a afirmar que o Reino, como nova instituição, é uma irrupção da presença de Deus na história humana, que seria uma revolução e uma conquista – não violenta mas interior do homem – e que deveria mudar a religião em primeiro lugar e as relações sociais em segundo termo.

Texto extraído da homilia diária do Padre Bantu Mendonça, site Canção Nova