quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Destinados à glória

Penso, com efeito, que os sofrimentos do tempo presente não têm proporção com a glória que deverá revelar-se em nós. Pois a criação em expectativa anseia pela revelação dos filhos de Deus. De fato, a criação foi submetida à vaidade – não por seu querer, mas por vontade daquele que a submeteu – na esperança de ela também ser libertada da escravidão da corrupção para entrar na liberdade da glória dos filhos de Deus.
Pois sabemos que a criação inteira geme e sofre as dores de parto até o presente. E não somente ela. Mas também nós, que temos as primícias do Espírito, gememos interiormente, suspirando pela redenção do nosso corpo. Pois nossa salvação é objeto de esperança; e ver o que se espera, não é esperar. Acaso alguém espera o que vê? E se esperamos o que não vemos, é na perseverança que o aguardamos.

Assim também o Espírito socorre a nossa fraqueza. Pois não sabemos o que pedir como convém; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis, e aquele que perscruta os corações sabe qual o desejo do Espírito: pois é segundo Deus que ele intercede pelos santos.

Eclesiástico 2,1-6

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Amizade é conquista e cultivo

Todos os anos nas nossas férias, meu pai levava a gente para um hotel fazenda no sul de Minas Gerais. Eu achava formidável porque havia um cavalo à disposição para quando eu quisesse andar.

Eu devia ter uns 9 anos, quando, numa dessas férias, fui banido do grupo pelos garotos com quem eu costumava brincar, nem me lembro do motivo, mas, com certeza, do jeito que eu era, devia ter merecido. Mas para minha surpresa, quando aqueles meninos me deram a ordem para não acompanhá-los, enquanto se distanciavam de mim, do meio daquele grupo uma criança decidiu ficar ao meu lado. Aquele menino escolheu a minha companhia em vez da de todos os outros, e o mais interessante é que ele nem me conhecia direito.

A partir daquele dia ficamos muito próximos, tomávamos café da manhã, almoçávamos e jantávamos todos os dias na mesma mesa. Tudo o que fazíamos, a partir de então, era juntos. Foram as melhores férias que eu já tinha passado naquele lugar, tinha ganhado um amigo.

Do nome daquele menino não me lembro, mas de sua fisionomia me recordo até hoje, porque quando eu fui embora vi seus olhos cheios d’água olhando o carro do meu pai partir. Não sei o que o levou a optar por mim, só sei que ele salvou minhas férias.

Por algum tempo, amizade para mim teve um conceito exigente demais, eu achava que amigo era somente aquele que soubesse até quantas colheres de açúcar você gostava no café, mas não demorou para esse conceito mudar.

Hoje eu sei que amizade é escolher o outro e salvá-lo dele mesmo, é optar por ele, mesmo sabendo que a partida será inevitável. Amizade é escolher aquele que seu coração já escolheu.

Amizade está longe de resumir-se em encontros diários, mas de certo, quando o encontro acontece, mesmo que tenham se passado anos, a sensação é como se tivessem estado juntos no dia anterior. Amizade é dom de Deus, não funciona quando "se força a barra", é Deus quem aproxima, quem une.

Por outro lado, amizade também é tempo, é conquista e cultivo, exige de nós um comprometimento. Naquele dia, o menino do hotel fazenda comprometeu-se mesmo correndo o risco de ter que brincar sozinho quando eu fosse embora.

A amizade é o lugar privilegiado que Deus escolhe para se revelar. “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor, mas vos chamo amigos” (Jo 15,15). Deus é o primeiro a permutar reinos por nós (cf. Is 43, 4c), a nos envolver com laços humanos (cf. Is 49).

Jesus é aquele que também escolhe Pedro, Tiago e João para estar com Ele em momentos únicos, que só aos amigos pertencem. Aprendamos com o Senhor a dinâmica da amizade, então, ensaiaremos com os irmãos a grande e definitiva amizade com Deus.

Tiba Camargo, Missionário da Comunidade Canção Nova

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

(CIC) A resposta do homem a Deus


Por sua Revelação, "o Deus invisível, levado por seu grande amor, fala aos homens como a amigos, e com eles se entretém para os convidar à comunhão consigo e nela os receber". A resposta adequada a este convite é a fé.

Pela fé, o homem submete completamente sua inteligência e sua vontade a Deus. Com todo o seu ser, o homem dá seu assentimento a Deus revelador. A Sagrada Escritura denomina "obediência da fé" esta resposta do homem ao Deus que revela.

A OBEDIÊNCIA DA FÉ
Obedecer ("ob-audire") na fé significa submeter-se livremente à palavra ouvida, visto que sua verdade é garantida por Deus, a própria Verdade. Desta obediência, Abraão é o modelo que a Sagrada Escritura nos propõe, e a Virgem Maria, sua mais perfeita realização.


* Abraão – “o pai de todos os crentes”
A Epístola aos Hebreus, no grande elogio à fé dos antepassados, insiste particularmente na fé de Abraão: "Foi pela fé que Abraão, respondendo ao chamado, obedeceu e partiu para uma terra que devia receber como herança, e partiu sem saber para onde ia" (Hb 11,8). Pela fé, viveu como estrangeiro e como peregrino na Terra Prometida. Pela fé, Sara recebeu a graça de conceber o filho da promessa. Pela fé, finalmente, Abraão ofereceu seu filho único em sacrifício.

Abraão realiza, assim, a definição da fé dada pela Epístola aos Hebreus: "A fé é uma posse antecipada do que se espera, um meio de demonstrar as realidades que não se veem" (Hb 11,1). "Abraão creu em Deus, e isto lhe foi levado em conta de justiça" (Rm 4,3). Graças a esta "fé poderosa" (Rm 4,20), Abraão tornou-se "o pai de todos os que haveriam de crer" (Rm 4,1 1.18)

O Antigo Testamento é rico em testemunhos desta fé. A Epístola aos Hebreus proclama o elogio da fé exemplar dos antigos, "que deram o seu testemunho" (Hb 11,2.39). No entanto, "Deus previa para nós algo melhor": a graça de crer em seu Filho Jesus, "o autor e realizador da fé, que a leva à perfeição" (Hb11,40; 12,2).

* Maria – “Bem-Aventurada a que acreditou”

A Virgem Maria realiza da maneira mais perfeita a obediência da fé. Na fé, Maria acolheu o anúncio e a promessa trazida pelo anjo Gabriel, acreditando que "nada é impossível a Deus" (Lc 1,37) e dando seu assentimento: "Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lc 1,38). Isabel a saudou: "Bem-aventurada a que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido" (Lc 1,45). É em virtude desta fé que todas as gerações a proclamarão bem-aventurada.

Durante toda a sua vida e até sua última provação, quando Jesus, seu filho, morreu na cruz, sua fé não vacilou. Maria não deixou de crer "no cumprimento" da Palavra de Deus. Por isso a Igreja venera em Maria a realização mais pura da fé.

Catecismo da Igreja Católica, §§ 142-149

Cristoval 2012: O Senhor é meu pastor, nada me faltará

Conduzir com segurança, propiciar os melhores pastos e proteger contra ameaças. Isso faz o bom pastor que ama suas ovelhas. O Cristo disse: “Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas e elas conhecem a mim”. As  ovelhas pastando, não se mordem, não dão coices e não se agridem. É uma completa paz, tudo acontecendo sob o olhar atento e reflexivo do bom pastor. “Um só rebanho e um só pastor”. É uma imagem forte de um simbolismo ímpar. Uma lição de vida em paz e harmonia que talvez dê caminhos para a construção de uma sociedade justa, equilibrada, respeitosa, harmônica, igualitária e cooperativa.

São as ovelhas o motivo do grande sacrifício de Jesus: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas”. “Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou”.

Será que o sentimento de separatividade e de grandeza pessoal, por menores ou por quaisquer razões que sejam, podem dar condições de ver e reconhecer o bom pastor? É preciso aprender a viver com a mensagem das ovelhas. Vivendo como irmãos, igualitariamente, amando e seguindo o bom pastor podemos encontrar e entrar pela porta das ovelhas do senhor.
   
Um só rebanho, um só pastor e um só pasto. Encontre o bom pastor. Encontrará, também, as ovelhas irmãs e muita paz. Sendo assim você hoje é convidado a ter um encontro pessoal com o BOM PASTOR... vindo participar conosco (suas irmãs ovelhas) do CRISTOVAL 2012, pois certamente você conhecerá ou quem sabe se reconciliará com o BOM PASTOR e tenho certeza que será um (re)encontro inesquecível!

Que o fogo do Espírito Santo aqueça o seu coração e você atenda ao chamado do BOM PASTOR... e viva uma alegria que definitivamente não tem fim.

Thays de Souza Alves
(vice coordenadora da RCC e coordenadora de Formação de Carnaúba dos Dantas)

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Fidelidade a toda prova



Meu filho, se você se apresenta para servir ao Senhor, prepare-se para a provação
Tenha coração reto, seja constante e não se desvie no tempo da adversidade. 
Una-se ao Senhor e não se separe, para que você no último dia seja exaltado. 
Aceite tudo o que lhe acontecer, e seja paciente nas situações dolorosas, 
porque o ouro é provado no fogo, e as pessoas escolhidas, no forno da humilhação. 
Confie no Senhor, e ele o ajudará; seja reto o seu caminho, e espere no Senhor.

Eclesiástico 2,1-6



Foi por você


FOI POR VOCÊ
(Anjos de Resgate)

Encontrei-me com Jesus num jardim.
Nunca vi nada tão lindo assim.
Minhas dores entreguei em suas mãos!
E Jesus foi falando pra mim:
Das feridas que eu recebi não saíram sangue nem dor.
Foi por isso que o mal eu venci,
Porque delas só saía amor foi sempre o meu amor!

Foi por você que eu me deixei ser tão chagado e ferido.
Por isso sinta-se amado e querido
Pois é o meu amor que cura sua dor.
Foi por você que na cruz meu sangue foi derramado
Por isso sinta-se querido e amado
Pois é o meu amor que cura sua dor que cura sua dor!

Então Jesus pediu-me assim
Que as mágoas que estivessem em mim
Que delas não saíssem mais dor.
Que de hoje em diante só saísse amor.
Que seja sempre assim!!!!

Foi por você que eu me deixei ser tão chagado e ferido
Por isso sinta-se amado e querido
Pois é o meu amor que cura sua dor
Foi por você que na cruz meu sangue foi derramado
Por isso sinta-se querido e amado
Pois é o meu amor que cura sua dor que cura sua dor!
O meu amor que cura sua dor!

Estou sofrendo. E agora?

Quantos de nós tivemos uma infância perfeita? Quantos de nós tivemos uma família perfeita? Quantos de nós tivemos pais perfeitos? E para que ninguém se sinta excluído dessa lista de perguntas a última é: Quantos de nós temos uma história perfeita, na qual tudo sempre deu certo?

Cada vez mais tenho a convicção de que esse tipo de pessoa não existe. Por isso se você teve ou tem problemas na sua história, se você tem traumas e feridas, que parecem eternas, porque não cicatrizam nunca, e se carrega dentro ou fora de si as lágrimas de um passado-presente que teimam em escorrer afogando esperanças e felicidade… então quero dizer que você não está sozinho e, assim como você, muitas pessoas passam por isso agora, e que, felizmente, existe uma forma para fazê-lo feliz mesmo que você tenha tido uma história tão difícil assim.

Se você tivesse a oportunidade de mudar alguma coisa na sua história, o que você mudaria? Com certeza, mudaríamos muitas coisas… Quem sabe aquela pessoa não tivesse morrido? Que eu não tivesse sido rejeitado… violentado… Queria ter recebido mais amor… Enfim, você conhece bem melhor que eu as cenas tristes desse filme. Se observarmos um pouco melhor vamos ver que, mesmo na vida de Jesus, aconteceram coisas que não foram assim muito boas; por exemplo; lembra o que José fez no primeiro instante quando soube que Maria estava grávida? “José, (…) resolveu rejeitá-la secretamente” (Mt 1,19).

E Jesus que estava no ventre de sua mãe também foi rejeitado (mesmo que isso tenha passado logo no coração de José (cf. Mt 1,20). Depois o Senhor sofreu o perigo do “infanticídio” ou mesmo de um “aborto” (pois se Herodes soubesse que Ele iria nascer e onde, certamente o mataria: cf. Mt 2,3). E quanto ao nascimento do Senhor nem preciso comentar… Viveu a pobreza tendo que fugir para o Egito (cf. Mt 2,14) e depois de ter amado “os Seus” sem reservas (cf. Jo 13,1), foi abandonado mais uma vez. Se a sua história não foi fácil saiba que a de Cristo também não o foi.

Jesus viveu em tudo a condição humana (exceto o pecado) (cf. Hb 4, 15), significa que Ele sabe o que é sofrer, significa que Ele sabe o que você sente. E mais: nas cenas mais assustadoras da sua história, se você observar um pouco melhor, vai descobrir que não estava sozinho (a). É verdade que você não é responsável pelo que fizeram com você no seu passado, mas é responsável pelo que vai fazer com isso no seu presente e no seu futuro.

Sabe o que mais? A sua história possui um Autor (com A maiúsculo); o autor é aquele que escreve, por isso determina como as coisas vão acontecer, como um filme, um teatro, uma novela, entre outros. Ainda que durante algum tempo “outros” tenham roubado o lugar do “Autor” e por isso essa história tenha começado de uma forma triste ou sombria, se você deixar o verdadeiro Autor tomar o lugar, que é d’Ele, tenha certeza de uma coisa: essa história não vai terminar como começou, a sua história vai ter final feliz!

O filme triste, que passava na sua cabeça das lembranças e pesadelos, ao qual você assistia com os olhos abertos, precisa, como vilões e os bandidos dos filmes a que assistimos, ser preso e destruído, colocado onde não possa mais lhe fazer mal. Por isso, denuncie para o verdadeiro Autor quem são os vilões da sua história, entregue-Lhe as feridas emocionais que ainda não foram cicatrizadas, entregue-Lhe aquelas situações que estão roubando a cena da sua vida.

Não permita que as coisas ruins, que as pessoas que o machucaram ou mesmo você, tomem o lugar do Autor, porque isso acabaria estragando a história que, mesmo com calvário e cruz, é chamada a ser história de ressurreição, apesar de todo sofrimento que Jesus viveu. Ele ressuscitou, exatamente porque o Pai (Deus-Pai), era e é o grande Autor da sua história; tenha certeza de que o mesmo Autor quer transformar de uma vez por todas sua história de terror em história de final feliz.

Padre Sóstenes Vieira, Comunidade Canção Nova