segunda-feira, 5 de março de 2012

«Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso»

Que um homem se ponha a julgar outro é coisa perigosa e arriscada. Cada um deve fazer por se guardar deste pecado, porque assim disse Aquele que é a Verdade: «A medida que usardes com os outros será usada convosco.» Sendo assim, se fores muito misericordioso alcançarás grande misericórdia; se o fores pouco, à míngua a encontrarás; se nunca a praticares, de nenhuma poderás estar certo. A misericórdia deve ser apreciada e exercida do interior, do fundo da vontade de cada um, de tal sorte que sintamos sincera e profunda compaixão seja por quem for que sofra, e de tal modo que peçamos pelos outros a Deus, de todo o coração, para que Se digne socorrê-los.

Se entretanto puderes ir em seu auxílio do exterior, com conselhos ou com os teus próprios dons, por palavras tuas ou atitudes, assim farás na medida das tuas possibilidades. Se não puderes fazer muito, não deixes pelo menos de lhes fazer uma dessas obras de misericórdia, quer interior, quer exterior. Dirige-lhes nem que seja uma palavra amiga. Assim terás cumprido com a tua obrigação e poderás contar com a misericórdia de Deus.

Jean Tauler (c. 1300-1361), dominicano de Estrasburgo

domingo, 4 de março de 2012

Em santidade sobre a terra eu devo andar

A liberdade sempre foi algo precioso, um dom divino que nasceu do amor imenso de Deus por nós. Deus, com sua sabedoria inalcançável nos fez livres para podermos escolher nossos caminhos e decidirmos qual rumo nossa vida vai tomar. Nem sempre escolhemos o caminho certo, às vezes nossa visão nos engana e o caminho que parece bom e prazeroso pode nos levar a uma vida de desamor e sofrimento.

Muitos caminhos nos são oferecidos, é necessário muito discernimento para saber qual caminho seguir. Quando ouvimos a voz de Deus que nos chama a viver uma vida cheia de amor e paz, percebemos que o melhor caminho é o da SANTIDADE! Ao optarmos por uma vida de santidade assumimos o propósito que Deus tem para cada um de nós, o propósito de nos fazer cada vez mais santos. Não é porque vivemos nesse mundo que não podemos ser santos, a graça de Deus supera todo pecado e toda cultura de morte. Talvez você pense que por estar muito tempo afastado de Deus é tarde demais para começar a trilhar os caminhos da santidade, mas Deus diz hoje pra você que Ele está contando as horas, os minutos e os segundos para te acolher e te encher de coragem para então te conduzir em Suas veredas. Como já disse, somos livres e podemos escolher aonde nossos passos nos levarão, mas tenho que te confessar que mesmo nos fazendo livres, Deus chora e sofre quando vê Seus filhos trilhando caminhos que não são Seus.

Meus amados irmãos, a santidade é a porta que nos leva até o coração de Deus. Sei que é difícil viver a santidade, também estou lutando para conquistar meu lugarzinho lá no céu e, por mais difícil que seja sei que vale a pena. Podemos usar várias armas para lutar contra tudo que nos afasta dos caminhos do Senhor, a oração e a presença de Deus viva na palavra, a Eucaristia, e uma mãe maravilhosa e cheia de santidade que é Maria, a mãe de Jesus e nossa mãe. Maria é cheia do Espírito Santo e é exemplo para aqueles que desejam também viver o que Ela vive: uma vida inteira em Deus. Maria está sempre disposta a nos ajudar com sua intercessão, com sua atenção e seu amor capaz de nos levar até Deus. Ela sabe das nossas dificuldades, que muitas vezes as feridas do nosso coração nos levam a tropeçar, mas sabendo disso ela nos ampara com todo seu cuidado de mãe. A santidade é para os corajosos, é para aqueles que conseguem enxergar além, que podem ver que no final desse caminho divino está uma vida eterna junto de Deus. Não vamos permitir que o mundo nos engane com suas falsas alegrias, a alegria verdadeira está em viver em Deus, em acolher a Sua vontade em nossas vidas. Santidade também exige renúncia, sofrimento, assim como Jesus fala no evangelho de Mateus: “Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me.” (Mt 16,24). Nos caminhos do Senhor também passamos por tribulações, mas o céu é o lugar aonde esses caminhos vão nos conduzir, e viveremos na santidade, junto de Deus, contemplando-O face a face.

Que o Espírito Santo de Deus nos impulsione a vivermos a graça da santidade. Precisamos viver uma vida repleta do amor de Deus, só assim seremos felizes de verdade. O sentido da vida está em acreditar no propósito de Deus para Seus filhos, e confiar que na nossa fraqueza Ele pode nos fazer fortes. Se você está na lama, permita que Deus te dê a mão, te levante, limpe suas vestes e te faça recomeçar uma vida de santidade. O AMOR DE DEUS SUPERA TUDO! Peço que ao ler essa partilha você reze um Pai-Nosso e uma Ave-Maria por aqueles que se encontram distantes dos caminhos de Deus, e ore por você também, para que seu olhar esteja sempre fixo nos caminhos do céu. Estamos unidos pela graça e pela oração! Deus nos cubra com sua santidade, Maria Santíssima nos ensine a viver a vontade de Deus, Amém!
      
João Pedro Dantas Silva - Coordenador do Ministério de Música da RCC de Carnaúba dos Dantas

Texto original publicado no blog www.gocarnaubadosdantasrcc.blogspot.com

sábado, 3 de março de 2012

(CIC) Os anjos

A EXISTÊNCIA DOS ANJOS – UMA VERDADE DE FÉ
A existência dos seres espirituais, não-corporais, que Sagrada Escritura chama habitualmente de anjos, é uma verdade de fé. O testemunho da Escritura a respeito é tão claro quanto a unanimidade da Tradição.

QUEM SÃO OS ANJOS?
Santo Agostinho diz a respeito deles: Anjo (mensageiro) é designação de encargo, não de natureza. Se perguntares pela designação da natureza, é um espírito; se perguntares pelo encargo, é um anjo: é espírito por aquilo que é, é anjo por aquilo que faz". Por todo o seu ser, os anjos são servidores e mensageiros de Deus. Porque contemplam "constantemente a face de meu Pai que está nos céus" (Mt 18,10), são "poderosos executores de sua palavra, obedientes ao som de sua palavra" (Sl 103,20).

Como criaturas puramente espirituais, são dotados de inteligência e de vontade: são criaturas pessoais e imortais. Superam em perfeição todas as criaturas visíveis. Disto dá testemunho o fulgor de sua glória.

CRISTO "COM TODOS OS SEUS ANJOS"
Cristo é o centro do mundo angélico. São seus os anjos: "Quando o Filho do homem vier em sua glória com todos os seus anjos..." (Mt 25,31). São seus porque foram criados por e para Ele: "Pois foi nele que foram criadas todas as coisas, nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis: Tronos, Dominações, Principados, Potestades; tudo foi criado por Ele e para Ele" (Cl 1,16). São seus, mais ainda, porque Ele os fez mensageiros de seu projeto de salvação. "Porventura não são todos eles espíritos servidores, enviados ao serviço dos que devem herdar a salvação?" (Hb 1,14).

Eles aí estão, desde a criação e ao longo de toda a História da Salvação, anunciando de longe ou de perto esta salvação e servindo ao desígnio divino de sua realização: fecham o paraíso terrestre, protegem Lot, salvam Agar e seu fi1ho, seguram a mão de Abraão, comunicam a lei por seu ministério, conduzem o povo de Deus, anunciam nascimentos e vocações, assistem os profetas, para citarmos apenas alguns exemplos. Finalmente, é o anjo Gabriel que anuncia o nascimento do Precursor e o do próprio Jesus.

Desde a Encarnação até a Ascensão, a vida do Verbo Encarnado é cercada da adoração e do serviço dos anjos. Quando Deus "introduziu o Primogênito no mundo, disse: - Adorem-no todos os anjos de Deus -" (Hb 1,6). O canto de louvor deles ao nascimento de Cristo não cessou de ressoar no louvor da Igreja: "Glória a Deus..." (Lc 2,14). Protegem a infância de Jesus, servem a Jesus no deserto, reconfortam-no na agonia, embora tivesse podido ser salvo por eles da mão dos inimigos, como outrora fora Israel. São ainda os anjos que "evangelizam", anunciando a Boa Nova da Encarnação e da Ressurreição de Cristo. Estarão presentes no retorno de Cristo, que eles anunciam serviço do juízo que o próprio Cristo pronunciará.

OS ANJOS NA VIDA DA IGREJA
Do mesmo modo, a vida da Igreja se beneficia da ajuda misteriosa e poderosa dos anjos.
Em sua Liturgia, a Igreja se associa aos anjos para adora o Deus três vezes Santo; ela invoca a sua assistência (assim em In Paradisum deducant te Angeli... - Para o Paraíso te levem os anjos, da Liturgia dos defuntos, ou ainda no "hino querubínico" da Liturgia bizantina). Além disso, festeja mais particularmente a memória de certos anjos (São Miguel, São Gabriel, São Rafael, os anjos da guarda).


Desde o início até a morte, a vida humana é cercada por sua proteção e por sua intercessão. "Cada fiel é ladeado por um anjo como protetor e pastor para conduzi-lo à vida." Ainda aqui na terra, a vida cristã participa na fé da sociedade bem-aventurada dos anjos e dos homens, unidos em Deus.

Catecismo da Igreja Católica, §§ 328-336

sexta-feira, 2 de março de 2012

Revesti-vos do amor

“Sobretudo, revesti-vos do amor,
que une a todos na perfeição”

(Colossenses 3,14)

*****************


O Amor de Deus por você é incondicional e eterno. Acolha essa verdade em seu coração para que Ele entre em sua vida com seu amor ímpar, ininteligível; basta permitir que Ele entre e, então, comece a experimentar uma nova vida, plena de amor, paz, alegria.

Deus, em sua infinita misericórdia, ama você, meu irmão, minha irmã, como você é, na situação em que se encontra. Então, transmita esse amor a todos os que se aproximarem neste dia e nos outros que virão.






Do Livro “Deus Fala com Você”, de Marina Adamo

Como colocar os prazeres dessa vida terrena em primeiro lugar e deixar Deus em segundo plano?

Alguns rejeitam Deus, mas ainda vivem uma vida de diversão e alegria. Suas ambições carnais aparentam render-lhes uma existência gratificante e tranquila. A Bíblia diz que há um certo gozo que pode ser desfrutado do pecado (Hebreus 11,25). O problema é que tudo passa, é temporário; a vida nesse mundo é curta (Salmo 90,3-12). Mais cedo ou mais tarde, o homem que pensa apenas que essa vida terrena é tudo, assim como o filho pródigo da parábola, percebe que os prazeres desse mundo não sustentam sua alma (Lucas 15,13-15).

Estamos vivendo a Quaresma, podemos pensar como está nossa vida com Deus. Busquemos viver a Sua Palavra. Viver verdadeiramente o amor de Deus é muito mais importante do que viver os amores prazeirosos dessa vida terrena.

Deus te ama, busque-o enquanto é tempo...

Juçara Medeiros – Ministério de Intercessão da RCC de Carnaúba dos Dantas/RN


quinta-feira, 1 de março de 2012

Imitemos o exemplo de Cristo como pastor

Se quereis parecer-vos com Deus porque fostes criados à sua imagem, imitai o seu exemplo. Se sois cristãos, nome que já é uma proclamação de caridade, imitai o amor de Cristo.

Considerai as riquezas de sua bondade. Estando para vir como homem ao meio dos homens, enviou à sua frente João, como pregoeiro e exemplo de penitência; e antes de João, tinha enviado todos os profetas para ensinarem aos homens o arrependimento, a volta ao bom caminho e a conversão a uma vida melhor.

Vindo, pouco depois, ele mesmo em pessoa, proclamou coma sua voz: Vinde a mim, todos vós que estais cansados e fatigados e eu vos darei descanso (Mt 11,28). Como acolheu ele os que ouviram a sua voz? Concedeu-lhes sem dificuldade o perdão dos pecados e a imediata libertação de seus sofrimentos. O Verbo os santificou, o Espírito os confirmou; o velho homem foi sepultado nas águas do batismo e o novo, regenerado, resplandeceu pela graça.

Que conseguimos ainda? De inimigos de Deus, nos tornamos amigos; de estranhos, filhos; e de pagãos, santos e piedosos.

Imitemos o exemplo de Cristo como pastor. Contemplemos os evangelhos e vendo neles, como num espelho, o exemplo de sua solicitude e bondade, aprendamos a praticá-las.

Vejo ali, em parábolas e figuras, um pastor de cem ovelhas que, ao verificar que uma delas se afastara do rebanho e andava sem rumo, não permaneceu com as outras que pastavam tranquilamente. Saiu à sua procura, atravessando vales e florestas, transpondo altos e escarpados montes, percorrendo desertos, num esforço incansável até encontrá-la.

Tendo-a encontrado, não a castigou nem a obrigou com violência a voltar para o rebanho; pelo contrário, tomando-a nos ombros e tratando-a com doçura, levou-a para o aprisco, alegrando-se mais por esta única ovelha recuperada do que por todas as outras. Consideremos a realidade oculta na obscuridade da parábola. Nem esta ovelha nem este pastor são propriamente uma ovelha e um pastor; são imagem de uma realidade mais profunda.

Há nesses exemplos um ensinamento sagrado: nunca devemos considerar os homens como perdidos e sem esperança de salvação, nem deixar de ajudar com todo empenho os que se encontram em perigo nem demorar em prestar-lhes auxílio. Pelo contrário, reconduzamos ao bom caminho os que se afastaram da verdadeira vida e alegremo-nos com a sua volta à comunhão daqueles que vivem reta e piedosamente.

Das Homilias de Santo Astério de Amaséia, bispo, séc. V

Sempre alegres


Certo dia, estando de passagem pela Bahia, vi numa praia um velho pescador que pescava com vara. Parei e fiquei assistindo.

Durante mais de meia hora o pescador ficou controlando um peixe que já estava fisgado; o peixe era grande e estava se debatendo. Se o pescador quisesse puxar a linha imediatamente, não conseguiria pescá-lo; o peixe iria escapar do anzol ou a sua boca iria se rasgar.

O pescador foi controlando, soltando a linha e deixando o peixe se debater; depois puxava de novo a linha... Isso durou mais de meia hora. No momento certo ele trouxe o peixe para fora da água: era um peixe enorme. Vi toda a arte daquele pescador... seu sorriso quando puxou o peixe. Pude ver a sua realização... Para mim foi uma lição maravilhosa.

Deus procede assim conosco. Somos indóceis e rebeldes como o peixe, achando que somos donos do mundo. Só que estamos sob o controle de Deus. Deus nos ama e não irá deixar de nos amar, mesmo se rejeitamos o seu amor, pois já estamos fisgados. Ele sabe que cedo ou tarde iremos ao seu encontro. Quanto mais o peixe se debate mais sofre e se machuca. Nós somos assim, também. Acabamos nos ferindo pela nossa própria rebeldia.

Temos que nos lançar nos braços de Deus. Precisamos dar graças, mesmo não entendendo, porque Deus é mais artista do que aquele pescador.

Eu estava ao lado do pescador, contemplando tudo. Não entendia da arte de dominar um peixe daquele tamanho, pego numa linha por um anzol. Eu não podia dar nenhum palpite, mas estava ao lado, torcendo por aquele pescador. É assim que ficamos ao lado de Deus.

Diante das situações mais intrincadas, por nossas forças, não conseguimos nada, mas se estamos ao lado de Deus, tudo é possível.

A primeira coisa que acontece, quando estamos afastados de Deus é perder a alegria. Aí não se realiza o ''estai sempre alegres''. E a tristeza nos pega. Mas no momento em que fazemos as pazes com Deus, a alegria nos invade o coração.

A palavra de Deus nos afirma que ''a alegria é um inesgotável tesouro de santidade. A alegria do homem torna mais longa a sua vida''. Esta é uma verdade.

A conseqüência das decepções e tristezas é a morte. A palavra de Deus nos ordena:
''Afasta a tristeza para longe de ti, pois a tristeza matou a muitos'' (cf. Eclo 30, 22-27).

Do Livro “Combatentes na Alegria”, de Monsenhor Jonas Abib