terça-feira, 27 de março de 2012

(CIC) “Um para o outro” – “Uma unidade a dois”

Criados conjuntamente, Deus quer o homem e a mulher um para o outro. A Palavra de Deus dá-nos a entender isto por meio de diversas passagens do texto sagrado. Não é bom que o homem esteja só. Vou fazer uma auxiliar que lhe corresponda" (Gn 2,18). Nenhum dos animais pode ser este "vis-à-vis" do varão . A mulher que Deus "modela" da costela tirada do varão e que leva a ele provoca da parte do homem um grito de admiração, uma exclamação de amor e de comunhão: "É osso de meus e carne de minha carne" (Gn 2,23). O homem descobre a mulher como um outro "eu" da mesma humanidade.

O homem e a mulher são feitos "um para o outro": não que Deus os tivesse feito apenas "pela metade" e "incompletos"; criou-os para uma comunhão de pessoas, na qual cada um dos dois pode ser "ajuda" para o outro, por serem ao mesmo tempo iguais enquanto pessoas ("osso de meus ossos...") e complementares enquanto masculino e feminino. No matrimônio, Deus os une de maneira que, formando "uma
só carne" (Gn 2,24), possam transmitir a vida humana: "Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra" (Gn 1,28). Ao transmitir a seus descendentes a vida humana, o homem e a mulher, como esposos e pais, cooperam de forma única na obra do Criador.

No desígnio de Deus, o homem e a mulher têm a vocação de "submeter" a terra como
"intendentes" de Deus. Esta soberania não deve ser uma dominação arbitrária e destrutiva. À imagem do Criador "que ama tudo o que existe" (Sb 11,24), o homem e a mulher são chamados a participar da Providência divina em relação às demais criaturas. Daí a responsabilidade deles para com o mundo que Deus lhes confiou.

Catecismo da Igreja Católica, §§ 371-373

«Quando tiverdes erguido ao alto o Filho do homem, então ficareis a saber que Eu sou»

Cristo nosso Senhor foi crucificado para libertar a humanidade do naufrágio deste mundo. No Antigo Testamento, Moisés tinha erigido, no meio dos hebreus que morriam, uma serpente de bronze amarrada a uma estaca, instando o povo a pôr a sua esperança de cura neste sinal (Nm 21,6 s), do qual retirou remédio de tal poder contra as picadas das serpentes, que o ferido, voltando-se para a serpente em cruz, se enchia de esperança e recuperava rapidamente a saúde. O Senhor não deixa de recordar este episódio no Evangelho quando diz: «Assim como Moisés ergueu a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do Homem seja erguido ao alto» (Jo 3,14).

A serpente é pois a primeira a ser crucificada, e é-o por Moisés. É justo que assim seja, já que o diabo foi o primeiro a pecar aos olhos do Senhor (Gn 3). Ela é crucificada numa vara, o que é justo, dado que o homem foi enganado por via da árvore do desejo; doravante, é salvo por uma vara pregada a outra árvore. Depois da serpente, foi o homem que foi crucificado no Salvador, sem dúvida para punir, não só o responsável, mas também o crime. A primeira cruz vinga a serpente, a segunda o seu veneno: o veneno que a sua persuasão incutiu no homem foi rejeitado e sanado. Eis o que o Senhor fez com a Sua natureza humana: Ele o inocente, sofreu; n'Ele a desobediência, causada pela famosa mentira do diabo, foi corrigida; libertado da sua culpa, o homem foi libertado da morte.

Uma vez que temos como Senhor aquele Jesus que nos libertou pela Sua Paixão, mantenhamos permanentemente os olhos fixos n'Ele, na esperança de encontrarmos neste sinal a cura para as nossas feridas. Se o veneno da avareza se espalhou dentro de nós, olhemos para a cruz, ela nos livrará; se o desejo, esse escorpião, nos corrói, imploremos-lhe e ela curar-nos-á; se as mordeduras dos pensamentos deste mundo nos dilaceraram, oremos e viveremos. Estas são as serpentes espirituais da nossa alma: o Senhor foi crucificado para as espezinhar. Ele mesmo diz: «Olhai que vos dou poder para pisar aos pés serpentes e escorpiões, nada vos poderá causar dano» (Lc
10,9).

São Máximo de Turim (?-c. 420), bispo

domingo, 25 de março de 2012

O caminho da salvação

Bem que eu poderia pôr minha confiança na carne. Se algum outro pensa que pode confiar na carne, eu mais ainda: fui circuncidado no oitavo dia, sou da raça de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu filho de hebreus; quanto à observância da Lei, fariseu; no tocante ao zelo, perseguidor da Igreja; quanto à justiça que vem da Lei, irrepreensível.

Mas essas coisas, que eram ganhos para mim, considerei-as prejuízo por causa de Cristo. Mais que isso, julgo que tudo é prejuízo diante deste bem supremo que é o conhecimento do Cristo Jesus, meu Senhor. Por causa dele, perdi tudo e considero tudo como lixo, a fim de ganhar Cristo e ser encontrado unido a ele. E isto, não com a minha justiça que vem da Lei, mas com a justiça que vem pela fé em Cristo, a justiça que vem de Deus, com base na fé. 

É assim que eu conheço Cristo, a força da sua Ressurreição e a comunhão com os seus sofrimentos, tornando-me semelhante a ele na sua morte, para ver se chego até a Ressurreição dentre os mortos. Não que eu já tenha recebido tudo isso, ou já me tenha tornado perfeito. Mas continuo correndo para alcançá-lo, visto que eu mesmo fui alcançado pelo Cristo Jesus.

Irmãos, eu não julgo já tê-lo alcançado. Uma coisa, porém, faço: esquecendo o que fica para trás, lanço-me para o que está à frente. Lanço-me em direção à meta, para conquistar o prêmio que, do alto, Deus me chama a receber no Cristo Jesus.

Filipenses 3,4-14

Escolhas que saram

Quando um homem se entrega a Deus, não só suas orações, mas também suas escolhas e atitudes cooperam para sua cura. Depois de nos dar uma garantia, a Palavra de Deus nos manifesta uma ordem: “O Senhor conhece os que são seus. Renuncie a iniquidade todo aquele que pronuncia o nome do Senhor” (II Tm 2,19).

O Senhor conhece os que são seus. Deus conhece você. Sabe para quê você foi feito e até onde você aguenta. Ele sabe suas necessidades e conhece uma maneira saudável de supri-las.

Há sempre mais de um caminho para se alcançar um objetivo. Renuncie ao modo ruim, você que pronuncia o nome do Senhor. Nosso erro é ficar olhando para o modo como agem os outros que não se comprometeram com Deus. Os outros são os outros. Deixe que eles se entendam com Deus.

Quanto a nós, queremos o que é bom, o que presta, o que vale a pena. De que vale ser rico à custa de roubo? De que vale ser aprovado tendo copiado as respostas de alguém? Qual a vantagem de se dar bem à custa dos outros? Mais cedo ou mais tarde, tudo isso vem à tona.

A conquista só tem valor quando nos torna melhores. A Escritura nos compara compara com vasos (cf. II TM 2,20-21). Que tipo de vaso você é? Para que você serve? O que você traz dentro de si? Quem o usa? O maligno também tem seus vasos e costuma abastecê-los com tudo que é nocivo. Não devemos ser vasos envenenados, cheios de toda espécie de perversidade.

Para apontar o caminho, Timóteo avisa: “Foge das paixões da mocidade” (IITm 2,22). As paixões são nossas inclinações e emoções desequilibradas. Elas são mais fortes na juventude. O segredo para vencê-las é fugir delas. Fazemos isso de duas maneiras: ao buscar a justiça, a fé, o amor e a paz com aqueles que invocam a Deus, e ao rejeitar as discussões tolas e absurdas que geram contendas.

Numa família, entre amigos, na Igreja, dificilmente as pessoas brigam por coisas importantes. Em geral, desentendem-se por ninharias. Como insiste Timóteo, não convém a um homem de bem se meter em brigas e discussões nervosas. O caminho que nos torna serenos e equilibrados é outro.

Há um caminho para quem quer curar suas emoções e viver com mais saúde. Você quer percorrer esse caminho? Então, vamos viver bem um dia de cada vez, vamos ser bons com todos que cruzarem nosso caminho, manifestar-lhes um amor terno e paciente. Com doçura e firmeza, vamos ensinar e ajudar a sair do erro aquele que se perdeu. Mas, para isso, também teremos que ser pacientes em aceitar as chateações, as contrariedades, as decepções. E, se vamos ter que suportar tudo isso, de uma forma ou de outra, de que adianta ficar amuado e aborrecido? É com brandura que corrigimos nossos adversários para livrá-los do erro e dos laços do demônio (cf. II Tm 2,24-26).

Faça a experiência. Você perceberá que o primeiro beneficiado em suas escolhas será você. O bem que sai do seu coração não chega ao outro sem antes abençoar a sua vida.

Do Livro “O Dom da Cura”, de Márcio Mendes

sábado, 24 de março de 2012

Aprendendo a ser um servo fiel e manso

No tempo em que não havia automóveis, na cocheira de um famoso palácio real, um burro de carga curtia imensa amargura, em vista das pilhérias dos companheiros de apartamento.

Reparando-lhe o pêlo maltratado, as fundas cicatrizes do lombo e a cabeça tristonha e humilde, aproximou-se formoso cavalo árabe que se fizera detentor de muitos prêmios, e disse, orgulhoso: - Triste sina a que recebeste! Não invejas minha posição em corridas? Sou acariciado por mãos de princesas e elogiado pela palavra dos reis!

- Pudera! - exclamou um potro de fina origem inglesa - como conseguirá um burro entender o brilho das apostas e o gosto da caça? O infortunado animal recebia os sarcasmos, resignadamente.

Outro soberbo cavalo, de procedência húngara, entrou no assunto e comentou: - Há dez anos, quando me ausentei de pastagem vizinha, vi este miserável sofrendo rudemente nas mãos do bruto amansador. É tão covarde que não chegava a reagir, nem mesmo com um coice. Não nasceu senão para carga e pancadas. É vergonhoso suportar-lhe a companhia.

Nisto, admirável jumento espanhol acercou-se do grupo, e acentuou sem piedade: - Lastimo reconhecer neste burro um parente próximo. É animal desonrado, fraco, inútil, não sabe viver senão sob pesadas disciplinas. Ignora o aprumo da dignidade pessoal e desconhece o amor-próprio. Aceito os deveres que me competem até o justo limite; mas se me constrangem a ultrapassar as obrigações, recuso-me à obediência, pinoteio e sou capaz de matar.

As observações insultuosas não haviam terminado, quando o rei penetrou o recinto, em companhia do chefe das cavalariças. - Preciso de um animal para serviço de grande responsabilidade, informou o monarca, um animal dócil e educado, que mereça absoluta confiança.

O empregado perguntou: - Não prefere o árabe, Majestade?

- Não, não - falou o soberano, é muito altivo e só serve para corridas em festejos oficiais sem maior importância.

- Não quer o potro inglês?

- De modo algum. É muito irrequieto e não vai além das extravagâncias da caça.

- Não deseja o húngaro?

- Não, não. É bravio, sem qualquer educação. É apenas um pastor de rebanho.

- O jumento espanhol serviria? - insistiu o servidor atencioso.

- De maneira nenhuma. É manhoso e não merece confiança.

Decorridos alguns instantes de silêncio, o soberano indagou: - Onde está meu burro de carga?

O chefe das cocheiras indicou-o, entre os demais. O próprio rei puxou-o carinhosamente para fora, mandou ajaezá-lo com as armas resplandecentes de sua casa e confiou-lhe o filho ainda criança, para longa viajem.

E ficou tranquilo, sabendo que poderia colocar toda a sua confiança naquele animal...

Assim também acontece na vida. Em todas as ocasiões, temos sempre grande número de amigos, de conhecidos e companheiros, mas somente nos prestam serviços de utilidade real aqueles que já aprenderam a servir, sem pensar em si mesmos.

Deus me ama como sou

Num mundo onde as pessoas se sentem angustiadas com o desejo de agradar e serem agradadas, percebemos quão distante está a verdade do que realmente somos diante de Deus e diante de nós mesmos. Santa Teresinha, apesar de sua breve existência e em meio às suas dores, imperfeições e imaturidades, soube erguer seus olhos e pegar depressa o “elevador” que a conduziria aos braços do Pai. Descobriu-se aceita por um Deus que a amava e que faria tudo por ela. Esse exemplo de vida muito tem a nos ensinar, pois Teresinha se recusou a levar uma vida sem sentido e acreditou e nada colocou como impedimento para fazer da sua vida uma oportunidade de “cantar as misericórdias do Senhor”.

Como nós reagimos diante disso? Aceitamos ou não como somos ou quem somos? E de que maneira isso acontece?

“Onde está o Espírito do Senhor, lá está a liberdade” (cf. 2Cor 3,17). Deus é realista e deseja realizar sua obra em nossa vida na verdade, não em uma ilusão de quem somos ou como somos. A tentativa de negar ou vencer nossas fraquezas e limitações por nós mesmos é uma ilusão porque o próprio Jesus nos disse: “Sem mim nada podeis fazer”.

Uma das formas mais eficazes de deixar a graça de Deus agir em nós é dizer “sim” ao que somos e às situações que enfrentamos dentro e fora de nós. Isso nos faz acreditar que a pessoa que o Pai ama não é a que eu irei me tornar ou a que eu desejo ser, mas a pessoa que eu sou. Deus não tem as expectativas ilusórias que nós temos de amar o que é ideal ou virtuoso, Ele ama de forma real, aliás, desconsidero que seja amor tudo que escape da realidade. Perdemos muito tempo tentando corresponder a modelos ou nos lamentando de nossos limites e fraquezas, ou porque poderíamos ser menos feridos, menos complicados... isso só faz retardar a belíssima obra que o Espírito Santo quer realizar em nós.

Muitas vezes bloqueamos a nossa intimidade com Deus recusando a nossa pobreza, fragilidade, debilidade, ao invés de nos reconhecermos pequenos, e sem nos darmos conta, esterilizamos a ação do Espírito Santo.

Um problema decorrente disso é que, quando não conseguimos acolher a nós mesmos, também não acolhemos os outros – e perdemos tempo reclamando por ele não corresponder às nossas expectativas.

Essas atitudes e sentimentos são muito sérios porque revelam uma não aceitação de nós mesmos muito forte, que tem raízes em uma falta de confiança e fé em Deus. Aceitar-nos como somos, com nossa pobreza e limites, não significa acomodar-se, tomar uma atitude passiva ou preguiçosa diante da vida. Ao contrário, já que o próprio Evangelho nos chama a sermos perfeitos (cf. Mt 5,48), é preciso querer melhorar, crescer, superar, progredir... é indispensável, porque deixar de progredir é deixar de viver! Mas tudo isso só acontece de forma equilibrada se nos aceitamos e reconhecemos necessitados de Deus.

Márcia Fernanda Moreno dos Santos – www.comshalom.org

Morada Santa


MORADA SANTA
(Ministério Amor e Adoração)
 
Sei que estás em mim, posso sentir o teu agir
O meu coração, tua morada santa
Sem tua presença não conseguirei seguir
Luz que ilumina todo o meu interior.

Onde estiver sei que comigo estarás
E se eu chorar sei que irás me consolar (2x)

Espírito de Deus, leva-me além
Conduz os passos meus,
Fazer tua vontade é o meu querer
Espírito de Deus, leva-me além
Farol a me guiar,
Na imensidão do mar do meu viver