quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Conheçamos a supereminente caridade da ciência de Cristo
O Senhor Salvador levantou a voz e com incomparável
majestade disse: “Saibam todos que depois da tribulação se seguirá a graça;
reconheçam que sem o peso das aflições não se pode chegar ao cimo da graça;
entendam que a medida dos carismas aumenta em proporção da intensificação dos
trabalhos. Acautelem-se os homens contra o erro e o engano; é esta a única verdadeira
escada do paraíso e sem a cruz não há caminho que leve ao céu”.
Ouvindo estas palavras, penetrou-me um forte ímpeto
como de me colocar no meio da praça e bradar a todos, de qualquer idade, sexo e
condição: “Ouvi, povos; ouvi, gentes. A mandado de Cristo, repetindo as
palavras saídas de seus lábios, quero vos exortar: Não podemos obter a graça,
se não sofrermos aflições; cumpre acumular trabalhos sobre trabalhos, para
alcançar a íntima participação da natureza divina, a glória dos filhos de Deus
e a perfeita felicidade da alma”.
O mesmo aguilhão me impelia a publicar a beleza da
graça divina; isto me oprimia de angústia e me fazia transpirar e ansiar.
Parecia-me não poder mais conter a alma na prisão do corpo, sem que, quebradas
as cadeias, livre, só e com a maior agilidade fosse pelo mundo, dizendo: “Quem dera
que os mortais conhecessem o valor da graça divina, como é bela, nobre,
preciosa; quantas riquezas esconde em si, quantos tesouros, quanto júbilo e
delícia! Sem dúvida, então, eles empregariam todo o empenho e cuidado para
encontrar penas e aflições! Iriam todos pela terra a procurar, em vez de
fortunas, os embaraços, moléstias e tormentos, a fim de possuir o inestimável
tesouro da graça. É esta a compra e o lucro final da paciência. Ninguém se queixaria
da cruz nem dos sofrimentos que lhe adviriam talvez, se conhecessem a balança,
onde são pesados para serem distribuídos aos homens”.
Dos
escritos de Santa Rosa de Lima
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
#FicaAdica 25
A sabedoria
nos ensina que precisamos saber a hora de falar e a hora de calar.
Há quem se
cale e é considerado sábio, e quem se torne odioso pela intemperança no falar”
(Eclo 20,5).
Uma palavra
certa, na hora certa, é um bálsamo para o coração, mas uma palavra não certa,
pode causar grande estrago. Somente o Espírito Santo de Deus pode nos dar o
equilíbrio no falar e no silenciar.
Vamos hoje
ficar atentos às nossas inclinações, porque geralmente falamos muito e, às
vezes, até o que não devemos. Tomemos por modelo hoje para a nossa vida a
Virgem Maria, que era pronta em escutar, e ao fazê-lo bem sabia dar as
respostas precisas e essenciais.
Luzia Santiago
Essa mulher admirável chamada Maria
A rainha está
sentada à vossa direita com suas vestes de ouro,
ornada de esplendor (Sl 44,10)
ornada de esplendor (Sl 44,10)
Tudo grandioso
e tudo simples. Maria é a senhora das coisas simples, embora hoje
estejamos celebrando a grandeza da Realeza da Mãe do Rei, a festa de
Nossa Senhora Rainha. Maria é Mãe do Rei que morre de amor, coroado de
espinhos, mas ardendo de amor dá vida e no dar sua vida tem a conotação
de rei redentor. Tudo grandioso demais e, ao mesmo tempo, tudo tão simples.
Uma jovem
judia levava tranquilamente sua vida: rezava, trabalhava, cantava, frequentava
a sinagoga. Tinha a mente e o coração voltados para o Altíssimo.
Essa Maria de Nazaré lembrava Abraão e por vezes encontramos sua
espiritualidade nos salmos que falam dos simples e dos pobres. Maria
vivia a espiritualidade de Abraão e dos pobres que aparecem nos salmos. Nada
nela é dela. E nesse despojamento tão lindo e tão profundo vem se instalar
aquele que é rico de todas as riquezas. Maria dá seu sim, acolhe a visita
misteriosa e maravilhosa do Altíssimo, desse que olhou para a simplicidade de
sua vida e de sua história. Ela continuou rezando, trabalhando, cantando depois
que a criança nasceu… Toda virgem, toda transparência, toda limpidez ela
cuida do menino, apresenta-o no templo, vê que ele cresce em idade e sabedoria
diante de Deus e dos homens… Acompanha de perto e de longe sua
trajetória. Antes de ter gerado Jesus no seio já era
“parenta” dele…. porque todos os que fazem a vontade do Pai são mães, pais,
irmãos e parentes de Jesus. Acompanha ela, de modo especial, os últimos
momentos de seu Filho, sobretudo quando ele dá a vida pelos seus. Associa-se
estreitamente aos sofrimentos, às dores e à morte de seu Filho, de tal
sorte que se torna a Senhora da Compaixão, aquela que está o mais perto
possível da Redenção de seu Filho, em comunhão com a morte do Filho. Ela
é a mulher da cruz, mas também a mãe do Ressuscitado, do rei glorioso.
Depois de ter percorrido os caminhos da terra foi elevada à gloria como Senhora
da Glória e é a Rainha que foi assunta à gloria, a Senhora Rainha,
a Mãe do Rei de Glória. E essa Senhora da Cruz e da Glória é nossa mãe e
nossa rainha.
Ó Deus, que
fizestes a mãe do vosso Filho nossa mãe e rainha, dai-nos por sua intercessão,
alcançar o reino do céu e a glória prometido aos vossos filhos e filhas.
Frei Almir Ribeiro Guimarães
terça-feira, 21 de agosto de 2012
#FicaAdica 24
Quem disse que eu posso mudar o mundo?
Muda o mundo quem sabe mudar a si mesmo!
Considero tolice desejar que as pessoas mudem; especialmente as que são mais próximas. A única força capaz de mudar o mundo é uma vida em crescimento consciente e sincero para o amor. Se existir um outro caminho, por favor, me diga!
A mudança das pessoas começa em mim!
Ricardo Sá
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
Ele não teve a coragem de dar um passo adiante
“Quando ouviu isso, o jovem foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico” (Mt 19,22)
Na missa de hoje se lê o episódio do jovem que não teve a coragem de aceitar um convite todo especial de Jesus para o seu seguimento porque era muito rico. Mateus fala que se tratava de um jovem
Estamos diante do tema da vocação, de um chamamento por parte de Jesus para um tipo de seguimento mais radical, mais exigente.
Há pessoas boas. Há homens e mulheres que nasceram em famílias com tradição católica. Muitos foram batizados quando crianças, fizeram sua comunhão, são mais ou menos fiéis à missa de domingo. São católicos até com certa prática. Há pessoas que, num determinado momentos de suas vidas, gostariam de dar uma dimensão de maior densidade aos seus dias e à sua vida. Nesses momentos e para esses corações o Ressuscitado pode se insinuar.
Alguém poderia dizer mais ou menos o seguinte a Jesus hoje: “Mestre, tu me encantas com tua fala, a limpidez das coisas que expões, o exemplo de tua vida. Tu falas de vida, de vida em plenitude, de vida eterna. Arde dentro de mim um desejo de plenitude. Não gostaria de levar uma cristã de mesmice, de ritualismo, de coisas que se repetem, uma vida sem alma. Que devo fazer para obter essa vida que qualificas de eterna?”.
Jesus responderia: “Ora, será necessário seguir os ditames de tua consciência e observar os mandamentos. O agir reto leva à vida. Amarás o Senhor com todo o teu coração, haverás de respeitar os bens e a vida dos outros, serás limpo de corpo e de coração, respeitarás o bom nome dos outros”.
O homem retorquiu: “Desde a minha juventude, desde que me conheço por gente não faço outra coisa. O que me falta?”
E Jesus: “Que bom…Vou te mostrar um caminho… Tu haverás de te colocar inteiramente à disposição do Pai… Tu deverás aprender com Abraão, ou seja, partir para uma terra distante, sem mapa na mão, na direção que o Pai te mandar… sem seguranças, sem dinheiro, sem bens… confiando unicamente no Pai. Tu vais te desvencilhar de teus bens… e vendendo-os dar o dinheiro aos pobres. O mais importante, no entanto, não é o dar aos pobres, mas é tornar teu interior livre de apegos e todo escuta da minha vontade que vim fazer a vontade do Pai. E eu sou um pobre na plenitude dos termos: nada tenho, sou do Pai, vivo a aventura da entrega ao Pai para o que der e vier. Só te resta isto: ser pobre e vir no meu seguimento”.
O homem não teve coragem… E assim continuou a levar uma vida apenas certinha, monotonamente certinha, rotineira… Sem a coragem de jogar todas as cartas em Deus e no Evangelho.
Frei Almir Ribeiro Guimarães
domingo, 19 de agosto de 2012
A mulher toda gloriosa
Estamos acostumados a ver Maria mais vestida com trajes esplendorosos, cercada de anjos, com auréola dourada, quase sempre representada como uma habitante das alturas do que uma mulher da terra dos homens. Compreende-se. Ela é a Senhora da Glória. Vale a pena ler esse texto de Pio XII na declaração do dogma da Assunção: “Desde toda a eternidade unida misteriosamente a Jesus Cristo, pelo mesmo desígnio de predestinação, a augusta Mãe de Deus, imaculada na concepção, virgem inteiramente intacta na divina maternidade, generosa companheira do divino Redentor, que obteve pleno triunfo sobre o pecado e consequências , ela alcançou ser guardada imune da corrupção do sepulcro, como suprema coroa de seus privilégios”. Assim, ela é a Senhora da Glória.
Necessário, no entanto, contemplar a singeleza humana dessa mulher ímpar que temos a alegria de chamar de nossa Mãe. Uma mocinha de um canto perdido da Palestina, uma moça que fora criada na fé de seus pais e que deve ter tido forte influência da espiritualidade de Abraão, uma mulher que estava acostuma a olhar as nuvens dos céus que deveriam chover o Justo. Dela se aproxima a força do Altíssimo, o Senhor chega na singeleza dessa Maria de Nazaré. Pede-lhe assentimento e quer associá-la ao seu desejo de mostrar aos homens seu amor através do Filho. Maria é escolhida para ser Mãe daquele que se tornou a luz do mundo, o pastor das ovelhas desgarradas, o transformador de nossa vida banal em vida plena. Essa mocinha dá seu assentimento. Cuida do menino, vê o menino crescer, busca-o no templo, pede que ele seja razoável em suas afirmações porque pode morrer, está a seu lado em todos os momentos, sempre levando todas as coisas para o fundo do coração, sempre reiterando o sim do começo, corroborado de modo especial na hora da cruz quando a mãe ouve o Filho pronunciar a palavra do salmo: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”. Mulher, simplesmente mulher, mulher mãe, mulher das coisas de todos os dias, mulher fiel…Mãe do Menino e Mãe de Deus.
E assim a Assunção de Maria é o dia glorioso em que ela foi elevada ao céu. Novamente Pio XI, na declaração do dogma: “Semelhantemente a seu Filho, uma vez vencida a morte, foi levada em corpo e alma à glória celeste, onde, rainha, refulge à direita de seu Filho, o imortal rei dos séculos”.
“Aurora e esplendor da Igreja triunfante, ela é consolo e esperança para o vosso povo ainda em caminho, pois, preservastes da corrupção da morte aquela que gerou de modo inefável vosso próprio Filho feito homem, autor de toda a vida” (Prefácio da Assunção de Maria).
Frei Almir Ribeiro Guimarães
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