sábado, 6 de outubro de 2012

Leitura Bíblica: Jó 42, 1-3.5-6.12-16


Com a liturgia deste sábado  terminamos  a leitura contínua do sublime Livro de Jó. Sublime?  Talvez não seja o melhor adjetivo para qualificar este texto. Texto impressionante e tocante  É certamente o mais belo relato dos sofrimentos do inocente. Por detrás do semblante de Jó está Jesus, o justo sofredor por excelência.  Este relato coloca diante de nós o sempre impenetrável mistério do sofrimento do justo.

Nesta derradeira leitura vamos encontrar com um Jó sereno e humilde: “Senhor, passou a tormenta.  Tu conheces todos os cantos da vida de um ser humana, perscruta os cantos de nossos corações. Tenho vergonha de ter discutido com a Providência.  Reconheço que para ti nenhum pensamento é oculto.  Nos meus discursos falei de coisas que eu não entendia.  Tenho necessidade de pedir perdão.  Conhecia o  Senhor apenas de nome.  Agora, neste estágio de minha caminhada de fé conheço-o  com meus olhos.  Peço desculpas de minhas falas e faço penitência na cinza e na poeira”.  Assim  Jó falou ao Senhor.

O escritor sagrado relata  que o Senhor abençoou  Jó no fim de sua  vida mais do que no começo.  Aquele que havia perdido tudo agora estava cumulado de bens:  “Ele possuía agora quatorze mil ovelhas, seis mil camelos, mil juntas de boi e  mil jumentas.  Teve outros  sete filhos e  três filhas:  a primeira chamava-se  Rola,  a segunda Cássia e a terceira  Azeviche.  Não havia na terra mulheres  mais belas que as filhas de Jó”.

O justo sofredor foi agraciado de bens e bens numerosos.   Jesus, o justo dos justos,  depois do desprezo e da ignominia,  retornou à vida, a uma vida nova, de ressuscitado.  Nós, seus discípulos, ganhamos graça sobre graça da morte e ressurreição do  Justo Jesus.

Depois destes acontecimentos, continua o escritor sagrado,  Jó viveu cento e quarenta anos e viu seus filhos e os filhos de seus filhos até a quarta geração.
E livro se fecha belamente  falando da longevidade  de Jó. Um vida longa, no pensamento do Antigo Testamento, é sinal de bênção divina.  “E Jó morreu  velho e repleto de anos.

Frei Almir Ribeiro Guimarães


sexta-feira, 5 de outubro de 2012

#FicaAdica 38



Todo dia deve ser um recomeço e uma chance de planejar uma vida melhor. Parar alguns momentos para refletir e descobrir o que precisamos mudar em nosso comportamento para atingirmos as metas em relação à vida, trabalho, família… é muito importante encontrar um bom caminho para seguir, criar metas palpáveis, atingir positivamente as pessoas que conosco fazem a travessia da vida.

Deus te fez para que pudesses transformar tua vida em algo grandioso, em algo que valha a pena todo e qualquer sacrifício. Então, opte por aquilo que te constrói. Diga para ti mesmo: eu nasci para celebrar conquistas e atingir vitórias; eu vim a este mundo para transformá-lo, para semear alegria, semear flores e fazer a diferença. Tudo está diante de ti: a luz, a beleza, alegria, a felicidade, a vitória e a vida!

Frei Paulo Sérgio

A parábola da rosa


Um homem plantou uma rosa e passou a regá-la constantemente. Antes que ela desabrochasse, ele a examinou e viu o botão que em breve desabrocharia, mas notou espinhos sobre o talo e pensou: “Como pode uma flor tão bela vir de uma planta rodeada de espinhos tão afiados?” Entristecido por este pensamento, ele se recusou a regar a rosa antes mesmo de estar pronta para desabrochar, e ela morreu.

Assim é com muitas pessoas.

Dentro de cada alma existe uma rosa: são as qualidades dadas por Deus. Dentro de cada alma temos também os espinhos: são as nossas faltas. Muitos de nós olhamos para nós mesmos e vemos apenas os espinhos, os defeitos. Nós nos desesperamos, achando que nada de bom pode vir de nosso interior. Nós nos recusamos a regar o bem dentro de nós e, consequentemente, isso morre. Nunca percebemos o nosso potencial.

Algumas pessoas não veem a rosa dentro delas mesmas. Portanto, alguém mais deve mostrar a elas. Um dos maiores dons que uma pessoa pode possuir ou compartilhar é ser capaz de passar pelos espinhos e encontrar a rosa dentro de outras pessoas.

Esta é a característica do amor. Olhar uma pessoa e conhecer as suas verdadeiras faltas. Aceitar aquela pessoa em sua vida, enquanto reconhece a beleza em sua alma e ajudá-la a perceber que ela pode superar as suas aparentes imperfeições. Se nós mostrarmos a essas pessoas a rosa, elas superarão seus próprios espinhos. Só assim elas poderão desabrochar muitas e muitas vezes.

Portanto, sorriam e descubram as rosas que existem dentro de cada um de vocês e das pessoas que amam...

Do livro “Sabedoria em Parábolas”, Prof. Felipe Aquino

Leitura Bíblica: Salmo 138(139)



Um dos salmos mais queridos do saltério é, indiscutivelmente,  esse que fala do Senhor que perscruta os corações (138-139).  Em nossa caminhada  espiritual vamos experimentando vontade e urgência de caminhar na presença do Senhor.  Não queremos apenas ter  encontros ocasionais com o Senhor.  Vai nascendo dentro do coração de quem se deixa tocar pelo Senhor a consciência claríssima da proximidade do Senhor.

O salmista assim exprime esta ideia:
“Senhor, vós me sondais e conheceis, sabeis quando me sento e me levanto; de longe penetrais meus pensamentos,  percebeis quando me deito e quando eu ando, os meus caminhos vos são todos conhecidos”.

Aquele que busca o Senhor  sabe que sua vida se passa diante de seu semblante. Tem a convicção  mais serena de caminhar acompanhado pelo  seu olhar não de policial, de inquiridor, mas de alguém que segue com amor e desejando  receber a resposta a esse olhar sempre no  regime da fé.

Como crescer no amor e no conhecimento do Senhor?  Desde a infância,  ou em outro  momento de sua caminhada, uma pessoa se dá conta da existência do Senhor.  Os cristãos, ensinados pela tradição do Antigo e do Novo Testamento, são convidados a envidar esforços de buscar o Senhor.  Na verdade, devemos dizer que é ele que nos busca e não nós que o buscamos.  Quando ele nos busca cabe-nos responder aos seus avanços. Ele está à porta e quer entrar em nossa intimidade.  Deseja que lhe abramos a porta de dentro para fora.   Por isso, uma regra de crescimento no amor do Senhor é a de se caminhar na presença do Senhor. Levantamo-nos do descanso da noite.  Rezamos o Glória ao Pai… Se  o tempo permite recitamos uns dois salmos… deixamos que as palavras nos penetrem… tentamos nos colocar na presença do Senhor… ou tomar consciência de sua proximidade. Saímos de casa, trabalhamos e em determinados momentos  dizemos:  Busco tua presença, busco teu olhar… caminho em tua presença… Aos poucos vamos nos dando conta de que ele é nosso companheiro de caminhada… Quando participamos da missa e vivemos os ritos ricos de tal celebração  é todo um  tempo que o Senhor nos perscruta e nos vê.  Nas horas da tentação seu olhar não nos abandona.

“Se a aurora me emprestar as suas asas, para eu voar e habitar no fim dos mares;  mesmo lá vai me guiar a vossa mão e segurar-me com firmeza a vossa destra”.   Ele, o Senhor, nos perscruta e nos vê.

Frei Almir Ribeiro Guimarães

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

#FicaAdica 37



A vida não pode ser medida e nem calculada, pois ela é doação, explosão de amor que brota da vontade do seu Criador. Se é breve ou longa, vai depender de cada momento, de cada dia, da intensidade com que a vivenciamos. E somos nós que a fazemos intensa quando a acolhemos diariamente como um grande presente, quando desfrutamos seus encantos e enfrentamos as dificuldades que se nos apresenta em cada curva do caminho.

A tão sonhada e almejada felicidade vai sendo construída numa existência marcada pelo sentido de fazer o que deve ser feito, de se criar espaço e intervalos para apreciar as belezas da criação, para saborear um delicioso café na companhia de pessoas amadas, para desfrutar de momentos marcantes e inesquecíveis. É preciso abertura e cordialidade para acolher os mensageiros que chegam trazendo as boas novas que preenchem de sentido nossos corações!

Frei Paulo Sérgio

Francisco de Assis, louco de amor



Francisco  teve vida curta.  Um pouco  mais de quarenta anos. Esse Francesco era filho de um novo rico, um certo Pedro de Bernardone. Nasceu num espaço de rara beleza, ou seja, nessa Úmbria italiana de flores, cheias de viço e de florestas verdejantes,  nesse espaço de música, de delicadeza, de cortesia, de beleza, nessa Assis que sempre será recordada como a terra de Francesco, do Poverello. Esse jovem queria tudo: as glórias da guerra, o olhar de ternura das moças  para com as quais se mostrava cheio de cortesia,  a afeição dos amigos com os quais cantava pelas ruelas de Assis.

No auge de sua juventude experimenta, no fundo do coração,  uma nostalgia não sabia de que… As festas deixavam de  fazer vibrar  seu coração.  Seus amigos  não encontravam  explicação  para aquilo que se passava  em seu interior. Pensavam até que tivesse  arranjado uma namorada, que estivesse apaixonado. Que estivesse enfermo de paixonite. De fato, parecia doente esse jovem de Assis.

Aos poucos ele vai clarificando as coisas num lento e dolorido processo de discernimento.  Primeiro é essa saudade de alguma coisa que não sabe o que é.  Depois essa sensação de  fragilidade, de não ter em mãos o fio de sua existência.  De estar como que sem mapa de caminhada. E ele podia dizer:

“Foi extremamente duro para mim.  Tinha tudo e nada tinha. Um vazio fora se cavando dentro do meu peito. Garganta seca e coração cheio de indagações. Andava a esmo, olhando as flores que pareciam menos belas.  Não tinha muita vontade de conviver, de cantar... era como se eu estivesse num beco sem saída.  Foi um ser humano todo chagado e fétido que me fez começar a descobrir um caminho.  As coisas começaram a mudar quando encontrei o leproso. Não podia ver esse tipo de gente.  Sentia náuseas, vontade de vomitar.  Esse ser  todo despedaço chegou perto de mim e eu o abracei.  Um gosto amargo que antigamente tinha na garganta quando via essa gente se transformou em doçura… Pouco depois desse abraço deixei o modo que eu tinha de viver e me dei conta que ele, o Altíssimo andava circulando em torno de mim… Tudo começara com o beijo do  leproso.  Andei por aqui e por ali.  Verdade que, na loja de meu pai, eu já  tinha experimentado um carinho especial pelos pobres… era Deus  trabalhando meu interior, trabalhando dentro de mim… Reconstruí igrejinhas em ruínas e comecei a me sentir atraído pelos lugares ermos e silenciosos. Era o Altíssimo colocando sua mão sobre mim… E houve esse Crucifixo de São Damião que me olhava com seus olhos negros como o negro mar,  pedindo que eu reconstruísse  a aquela capela e a Igreja…  Mas só compreendi  bem essas coisas mais tarde. Fi-lo com gosto. Tornei-me pedreiro, mas sempre com saudade de Deus, esperando que ele me dissesse o que eu deveria fazer de  minha vida.  Nas grutas  Cristo foi se aproximando de mim sem que eu me desse conta. Foi chegando de mansinho… E eu sempre com aquela pergunta:  ‘O que queres de mim?’ Não sabia dizer outra oração  senão esta:  ‘Grande e Magnífico Deus iluminai as trevas de minha alma, dai-me uma fé integra, uma esperança firme e uma caridade perfeita.  Concedei meu Deus que eu vos conheça muito para poder agir de acordo com a vossa santíssima vontade’. 

Fui deixando de lado  o que pudesse impedir meu seguimento de Cristo… Devo dizer que fiquei sempre impressionado com esse Altíssimo e Onipotente  Senhor que se tornara uma criancinha frágil e um  condenado abandonado no alto de uma cruz… Essas coisas me desconcertavam… Fui compreendo que  Deus grande se fizera pobreza, simplicidade,  humildade, proximidade. E fui me apaixonando pela pobreza que foi a veste do Filho de Deus.  Isso para mim se tornou fundamental.  O caminho pelo qual Deus veio ao homem foi o do despojamento e da pobreza.  Ora, não havia dúvidas para mim:  eu tinha que ser esposo da Pobreza, aquela dama bela e grande que havia desposado o Filho do Homem.  Pobreza  de meus caprichos, meus quereres, minha vontade de brilho e de poder… esvaziamento de mim mesmo.  Fui me tornando uma criatura livre… leve e senti uma fortíssima atração por irmãos que eu conhecia sem conhecer… a irmã água, o irmão  fogo, o irmão lobo, o irmão ladrão, a irmã  brisa… e esses  homens que foram chegando e quiseram viver  como eu vivia…  Que festa para meu coração… Sempre gostei quando as pessoas diziam… Frei  Francisco… Irmão Francisco… os irmãos de Francisco…

Na capelinha de Nossa Senhora dos Anjos  escutei a palavra decisiva… Ir pelo mundo, missionar,  dois a dois, sem nada, a não ser com a pobreza e a confiança em Deus… tornar amado o  Amado.  E lá fomos eu e meus irmãos… e assim passei a minha vida… vivendo rico das coisas que Deus foi me dando… restituindo ao Senhor o bem com o bem… cantando sempre a cantiga da gratidão… alegre por  estar cercado de irmãos… Meu grande segredo foi este:  encontrei o Evangelho e, por graça de Deus, não perdi nenhuma de suas palavras”.

Frei Almir Ribeiro Guimarães