sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Ele me amou primeiro



Naquela noite de sábado, quando, mais uma vez, fui convidada para participar do grupo de oração, diferente das outras vezes, eu disse “sim” e fui, mesmo sem estar interessada em participar de uma experiência de fé e sem acreditar que algo interessante pudesse acontecer naquele lugar.

Era uma capelinha bem simples e antiga, que fica ao lado do cemitério da pequena cidade onde eu nasci. Mas Deus, que costuma ir sempre além de nossas expectativas, concedeu-me a graça de viver uma das experiências mais importantes de minha vida, justamente naquela noite e naquele lugar.

Ajudada pelos cânticos, testemunhos e pregação da Palavra, descobri que Jesus, Aquele que ouvi dizer que havia morrido há muito tempo, na verdade estava vivo e podia interagir comigo. Senti Sua presença e Seu amor tocar-me profundamente. Saí daquele lugar transformada. Não sabia explicar com palavras o que aconteceu, mas tinha certeza de que aquela alegria, leveza e toda experiência que eu acabava de viver não poderia ficar só comigo; eu precisava proporcioná-la a outras pessoas.

Recordo-me que, desde criança, eu pensava em fazer algo bom, capaz de tornar o mundo melhor, e falei sobre isso com Jesus já naquele primeiro encontro. Mais tarde, vim a perceber que o desejo de fazer o bem ao próximo já era um dos sinais da minha vocação.

O certo é que, depois daquela noite, eu queria que minha família, meus amigos e todas as pessoas do mundo soubessem, o quanto antes, que Jesus estava vivo e continuava realizando o impossível em nossos dias. A presença de Deus transbordava em meu ser e, quanto mais eu ia tomando consciência do Seu amor, mais me sentia chamada a fazer alguma coisa concreta para correspondê-Lo. Diz a Palavra que “o amor de Deus é tão forte que nos constrange”, e eu estava experimentando exatamente isso.

Dijanira Silva, Missionária da Comunidade Canção Nova

domingo, 18 de agosto de 2013

Festa da Assunção de Maria



Maria é elevada à glória! Hoje é a festa de Maria da Glória, Maria do céu, Maria das paragens celestes.

Assim falou Santo Agostinho sobre a assunção de Maria:


“Que opróbrio não se apresenta para a condição humana o túmulo com a sua podridão! Jesus, isento desse opróbrio universal, também dele isentou a Santa Virgem, porque a carne de Jesus é a de Maria.

Se Maria foi tão justamente ornada durante a sua vida com graças, mais abundantemente do que todas as outras pessoas, após a sua morte, a intensidade dessas graças haveria de diminuir? Por certo que não. Pois se a morte de todos os santos é preciosa (Sl 115,15), a de Maria, certamente, é mais preciosa ainda. Ela, que pode ser chamada Mãe de Deus e que o foi de fato.

Era justo ficar isenta de corrupção aquela que fora inundada com tantas graças. Deveria viver, toda inteira, aquela que gerou a Vida perfeita e completa de todos os humanos.

Que ela esteja com aquele a quem trouxe no seio: que esteja junto àquele que pôs no mundo, a quem aqueceu e nutriu. Maria, a mãe de Deus, a ama de Deus, o reino de Deus, a imitadora de Deus."


domingo, 11 de agosto de 2013

“A fé é um modo de já se possuir o que ainda se espera…”




Na liturgia da Palavra deste domingo,   a segunda leitura, tirada da  Carta aos Hebreus,   faz o  elogio dos homens que viveram na fé e pela fé.  Logo no começo a  Carta descreve: a fé é um modo de já possuir o que ainda se espera,   a convicção acerca de realidades que não  se veem. Na sequência do texto  seu autor fala da fé de Abraão que obedeceu à ordem de andar na direção de uma terra  que deveria receber como herança e partiu sem saber para onde ia. Foi pela fé que viveu como estrangeiro. Foi pela fé que também Sara, embora estéril, se tornou capaz de filhos.  É pela fé que hoje os cristãos caminham, vivem, trabalham, alegram-se, sofrem e com esta luz “possuem já o que ainda esperam”.

Sirva para nosso enriquecimento espiritual as linhas  que transcrevemos da  Encíclica Lumen Fidei do Papa  Francisco onde é  descrita a plenitude das fé cristã: “Abraão (…)  exultou pensando em ver o meu dia; viu-o e ficou feliz”  (Jo 8,56).  De acordo com estas palavras de Jesus,  a fé de Abrãao  estava orientada para ele, de certo modo era visão antecipada de seu mistério.  Assim o entende  Santo  Agostinho  quando afirma que os Patriarcas se salvaram pela fé, não fé em  Cristo já chegado,  mas fé em Cristo que havia de vir,  fé proclive  para o evento futuro de Jesus.  A fé cristã está centrada em Cristo;  é a confissão de que Jesus é o  Senhor e que Deus o ressuscitou  dentre os mortos  (cf. Rm  10,9).  Todas as linhas do Antigo Testamento se concentram em Cristo:  Ele torna-se o sim definitivo a todas as promessas,  fundamento último de nosso Amém  a Deus (cf 2Cor  1,20).  A história de Jesus é a manifestação  plena da fidelidade de Deus.  Se Israel recordava os grandes atos do amor de Deus, que formavam o centro das sua confissão e  abriam o horizonte das sua fé, agora a vida de Jesus aparece como o lugar da intervenção definitiva de Deus,   a suprema  manifestação de seu amor por nós.  A palavra  que  Deus nos dirige  em Jesus  já não é uma entre muitas outras, mas a sua  Palavra eterna ( cf Hb 1, 1-2). Não há nenhuma garantia  maior  que  Deus possa dar para nos certificar de seu amor, como nos lembra  Paulo (cf.  Rm  8,31-39).   Portanto, a fé cristã é fé no amor pleno, no seu poder eficaz, na sua capacidade de transformar o mundo e iluminar o tempo.  “Nós conhecemos o amor  que Deus nos tem, pois cremos nele”  (1Jo 4,16).  A fé identifica, no amor de Deus manifestado  em Jesus, o fundamento sobre o qual se assenta a realidade de seu destino último.  A maior  prova de fiabilidade do amor de Cristo  encontra-se na sua morte pelo homem.  Se dar a vida pelos amigos é a maior prova de amor (cf. Jo 15,13),  Jesus ofereceu a sua vida por todos, mesmo por aqueles que eram inimigos, para transformar o coração.  É por isso que os evangelistas  situam, na hora da cruz, o momento culminante do olhar de fé:   naquela hora resplandece o amor divino e toda a sua sublimidade e amplitude. São João colocará aqui  o seu testemunho solene, quando, juntamente  com a Mãe de Jesus, contemplou aquele que trespassaram (cf. Jo 19, 37).  “Aquele que viu estas coisas é que dá o testemunho delas e o seu testemunho é verdadeiro. E ele bem sabe que  diz a verdade, para vós crerdes também  (Jo 19,35)  (Lumen fidei n. 15-16).

Frei Almir Ribeiro Guimarães
http://www.franciscanos.org.br/


sábado, 10 de agosto de 2013

#FicaAdica 94



encontro

Procure manisfestar interesse nas pessoas, em suas ocupações, seu bem-estar, seus lares e famílias. Seja alegre com os que riem e lamente com os que choram. Deixe cada pessoa com quem encontra, sentir que você lhe dispensa importância e atenção. Isso engendra o amor nas relações e permite que as pessoas sintam-se valorizadas, amadas e importantes. E isso não é tarefa difícil e nem está longe de nosso alcance. Basta permitir as fruição do amor de Deus em você…

Cada pessoa que entra em nossa vida é única e temos a missão de transmitir toda bondade, gentileza e afeto. Cada encontro é inédito e fantástico, pois pode ser o primeiro, o único e o último encontro. Portanto, não devemos perder tempo com coisas pequenas e negativas. Procure exaltar a bondade que há em cada pessoa, levantando a autoestima e proporcionando transformação positiva. Procure ser você com todos os valores que você traz e permita que a outra pessoa seja ela mesma, atingida pela bondade e pelo amor que está em você…

Frei Paulo Sérgio, ofm

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

A cruz pesada

Há muitos e muitos anos, um homem partiu, carregando uma cruz grande e pesada.  Ela media três metros de comprimento por dois de envergadura. Enquanto carregava a cruz, lembrava-se do sofrimento de Jesus e imaginava a dor que Ele havia sentido quando foi crucificado. Assim, o homem seguia compenetrado em sua resolução e, passo a passo, lentamente carregava a cruz, cuja ponta inferior se arrastava pelo chão, fazendo um risco na terra. Depois de muitas horas de caminhada, o homem avistou um morro.

Esgotado como estava, teve dúvidas se conseguiria vencer aquela subida acentuada. Enquanto meditava sobre a dificuldade à sua frente, alguém que passava sugeriu que cortasse um pedaço da cruz, tornando-a mais leve.

“É uma boa ideia! Diminuindo um pouco a carga, terei mais condições de subir a montanha”.

Assim, tirou um pedaço da cruz, que se tornou bem mais leve, e continuou sua caminhada. A cada subida que encontrava no caminho, ele cortava um pedaço da cruz. Assim, com o decorrer da jornada, a cruz pesada foi ficando cada vez mais leve e, ao invés da caminhada lenta do início, o homem já podia andar a passo acelerado e ia cantarolando descontraidamente. Tudo parecia ir muito bem, até que surgiu em seu caminho um rio caudaloso, cujas águas desciam volumosas, do alto da montanha, para banhar os vales. A ponte sobre o rio estava partida, faltando-lhe, exatamente, um trecho de quase três metros no vão central.

Diante daquele obstáculo, o peregrino fez a seguinte oração: “Senhor, Tu sabes que meu maior desejo é chegar ao meu objetivo. Venho de longe e agora que me aproximo de realizar meu sonho, não sei como poderei fazer para, sem arriscar a vida, chegar ao outro lado do rio. Vês, Senhor, que a ponte está rompida e não tenho como atravessá-la”.

Então, do céu, uma voz respondeu: “Meu filho, para transpor este obstáculo com segurança, basta usar a cruz que eu lhe dei!”

Muito triste, o homem constatou que a cruz, agora, depois de tantos pedaços cortados, havia se tornado pequena demais e não vencia o vão que ele precisava transpor.

A cruz do início, com seus três metros, tinha exatamente a medida de que ele precisava para ultrapassar a ponte quebrada.

Na vida, cada um de nós carrega a cruz necessária a nos preparar para vencer os obstáculos que surgem durante a jornada. Não é maior nem menor: é exata!

Maria, a coragem que tiveste...

Chega uma hora na vida, quando é preciso ter uma fé e uma esperança como aquela de Maria. Isso quando parece que Deus já não escuta as nossas súplicas, quando, se diria que ele desmente, a si mesmo e suas promessas, quando nos faz passar de derrota em derrota, e os poderes das trevas parecem triunfar em todas as frentes ao nosso redor, e dentro de nós se faz noite, como naquele dia "sobre toda a terra" (Mt 27,45). Quando, como diz um salmo, ele parece "ter fechado na sua ira as suas entranhas e ter esquecido de ter compaixão" (Sl 77, 10). Quando chegar para ti esta hora, lembra-te da fé de Maria e grita como outros fizeram: "Pai meu, já não te entendo, mas confio em ti!".

Talvez Deus esteja pedindo-nos agora mesmo que lhe sacrifiquemos, como Abraão, o nosso "Isaac": a pessoa, a coisa, o projeto, a fundação, o cargo que apreciamos, que o próprio Deus um dia nos confiou e ao qual dedicamos toda a nossa vida. Esta é a ocasião que Deus nos oferece para mostrar-lhe que ele nos é mais caro do que tudo, acima também dos seus dons, acima também do trabalho que fazemos por ele. Deus pôs à prova Maria no Calvário - como pôs à prova o seu povo no deserto - "para ver o que tinha no coração” (cf. Dt 8,2), e no coração de Maria reencontrou intacto, e até mais forte, o "sim" e o "amém" do dia da Anunciação. Tomara que, nesses momentos, ele encontre também o nosso coração pronto para dizer-lhe "sim" e "amém". Estando "junto da cruz de Jesus", é como se Maria continuasse repetindo, no silêncio, com os fatos: "Eis-me! Aqui estou, meu Deus; aqui estou sempre para ti!". Humanamente falando, Maria tinha todos os motivos para gritar a Deus: "Tu me enganaste!", ou, como um dia gritou o profeta Jeremias: "Tu me seduziste e eu me deixei seduzir!" (cf. Jr 20,7), e fugir do CaIvário. Ela, pelo contrário, não fugiu, mas ficou "de pé", em silêncio, tornando-se assim, de maneira toda especial, mártir da fé e, seguindo o Filho, testemunha suprema da confiança em Deus.

Deus disse a Abraão: “Por teres procedido dessa forma e por não me teres recusado o teu filho, o teu único filho, eu te abençoarei e multiplicarei a tua descendência... Eu farei de ti o pai de inúmeros povos” (Gn 17,5; 22,16s). A mesma coisa, e muito mais, diz agora a Maria: Eu te farei Mãe de muitos povos, mãe da minha Igreja! Todas as famílias da terra serão em ti abençoadas. Todas as gerações te hão de chamar bem-aventurada!

Por isso, como os israelitas nos momentos de grande provação se dirigiam a Deus dizendo: "Lembra-te de Abraão, nosso pai", nós podemos dizer: "Lembra-te de Maria, nossa mãe!". E como eles diziam a Deus: Não nos retireis vossa misericórdia, em atenção a Abraão, vosso amigo (Dn 3,35), nós podemos dizer-lhe: Não nos retireis vossa misericórdia, em, atenção a Maria, vossa amiga.

No Calvário, Maria uniu-se ao Filho na adoração da santa vontade do Pai. Nisso ela realizou até a perfeição sua vocação de "tipo da Igreja". Ela agora está ali, esperando-nos. Disseram de Cristo que ele "está em agonia até o fim do mundo e não devemos deixá-lo sozinho”. E se Cristo está em agonia e na cruz até o fim do mundo, de maneira para nós incompreensível mas verdadeira, onde pode estar Maria senão com ele, "junto da cruz"? Ali ela convida e marca encontro com as almas generosas, para que se unam com ela na adoração da santa vontade do Pai. Adorar esta vontade, mesmo sem entendê-la. Não pode ser deixada sozinha. Maria sabe que esta é a coisa absolutamente maior, mais bela, mais digna de Deus que possamos fazer na vida, pelo menos uma vez antes de morrer. Algo que não nos desobriga nem nos afasta da procura de alívio para os sofrimentos concretos dos que sofrem ao nosso redor e no mundo inteiro; pelo contrário, torna-nos até mais atentos a isso, porque unidos ao coração de Deus. Exatamente porque é "mãe das dores", Maria é também "consoladora dos aflitos".

Está escrito que quando Judite voltou, depois de ter arriscado a vida pelo seu povo, os habitantes da cidade correram ao seu encontro e o sumo sacerdote abençoou-a dizendo: “Tu és bendita do Senhor; Deus Altíssimo, minha filha, entre todas as mulheres da terra... jamais os homens cessarão de celebrar o teu louvor” (Jt 13,18s). Nós dirigimos a Maria as mesmas palavras: Bendita és tu entre as mulheres! A coragem que tiveste jamais desaparecerá do coração e da lembrança da Igreja!

Frei Raniero Cantalamessa