sábado, 17 de maio de 2014

Maria, passa à frente da minha vida!


Da minha vida, Maria, passa à frente!
Dos meus anseios e receios, Maria, passa à frente!
Das minhas intenções e necessidades, Maria, passa à frente!
Dos meus desejos e dos meus sentimentos, Maria, passa à frente!
Dos meus pensamentos e das minhas vontades, Maria, passa à frente!
Da minha imaginação, criatividade e fantasia, Maria, passa à frente!
Dos meus projetos, sonhos e aspirações, Maria, passa à frente!
Dos meus ideais e objetivos, Maria, passa à frente!
Das minhas lembranças e da minha memória, Maria, passa à frente!
Da minha liberdade e das minhas posturas, Maria, passa à frente!
Das minhas atitudes e das minhas palavras, Maria, passa à frente!
Das minhas noites e dos meus dias, Maria, passa à frente!
De tudo o que é importante para mim, Maria, passa à frente!
Do que sinto, de como estou e do que preciso, Maria, passa à frente!
Do que me sobra e do que me falta, Maria, passa à frente!
De tudo aquilo que eu já fiz, Maria, passa à frente!
De tudo o que ainda me resta fazer e ser, Maria, passa à frente!
Da minha luta contra o pecado, Maria, passa à frente!
Da minha vocação à santidade, Maria, passa à frente!
Do meu passado, presente e futuro, Maria, passa à frente!

Do Livro “Poderosa Novena Maria, passa à frente!”, de Padre Márlon Múcio

terça-feira, 6 de maio de 2014

O vaso que sangra


Lembro-me que certa vez, há uns trinta anos, eu participava de um Encontro Internacional de Líderes Carismáticos em Roma, e uma das palestrantes era uma mulher de Santo Domingo, que nos contou sua própria experiência espiritual. Ela disse que, preparando-se para aquilo que Deus queria que dissesse naquele encontro, passou dois dias em retiro, numa casa de retiros.
Parecia-lhe que, durante as horas de recolhimento, ela notava algo como uma visualização diante dela. Ela via um vaso muito bonito, todo esculpido, mas estava quebrado. Ela viu no vidro algumas gotas de sangue. Esta mulher pediu a Jesus, para que Ele dissesse a ela o significado daquela visualização.
Depois de rezar e rezar, ela sentiu Jesus dizendo-lhe: “Esse vaso bonito é você, esculpido, pintado. Isso significa que eu te dei de presente muitos carismas. Agora veja, houve um tempo em que este vaso estava cheio, cheio de Mim. Você costumava vir e rezar para Mim, você me visitava com frequência na Eucaristia. Você costumava abrir a Bíblia para discernir Minha vontade, e assim o vaso se enchia. As pessoas começaram a ver que Eu estava vivendo em você. E por isso elas começaram a vir, consultar e pedir que você rezasse junto com elas. E você deu-Me a elas. Mas depois você começou a se envolver com tantas coisas; você já não tinha mais tempo para Me consultar! Mas as pessoas continuaram a vir até você, e você continuou a dar a elas o que havia no vaso, até que o vaso ficou vazio, porque já não havia mais oração em você. Agora, dado que as pessoas continuavam vindo até você e você tinha que dar algo a elas, e então você começou a dar a si própria. Você começou a dar a elas um pedaço do vaso, você começou a dar a elas a sua experiência, você começou a dar a elas a sua instrução teológica, você deu a elas tudo isso, menos a Mim. Agora, quando você dava água a elas, isso as refrescava, mas quando você começou a dar-lhes os cacos de vidro, isso começou a machucá-las e esses são os pingos de sangue no vaso quebrado.”

Do Livro “O Líder de Fé”, de Frei Elias Vella

terça-feira, 15 de abril de 2014

O Noé do filme não é o Noé da Bíblia…

Estreou, há poucos dias, nas telas do cinema do Brasil, o filme ‘Noé’. A película gerou muita expectativa pela divulgação e pelos atores que atuaram na produção. Eu não sou crítico de cinema nem especialista no assunto, mas, como se trata de um filme com temática bíblica, sinto-me na obrigação de manifestar minha opinião sobre o que observei quando assisti a ele.

Do ponto de vista teológico, bíblico e doutrinário, o filme é uma frustração do começo ao fim. Ele não se preocupa, em nenhum momento, em ser fiel à narração bíblica ou se aproximar dela. Pelo contrário, procura distorcer e apontar uma visão de fé totalmente contrária à visão judaico-cristã. Uma mistura de concepções filosóficas anticristãs, tentando levar as pessoas a uma concepção de Deus e da revelação divina totalmente deturpada. Por isso, é importante afirmar que o Noé do filme não é o Noé da Bíblia nem o Criador, apresentado pelo filme, corresponde ao Deus da revelação bíblica.

O texto sagrado nos apresenta Deus como aquele que sempre toma a iniciativa de salvar ou purificar a criação como obra de Suas mãos. A missão de construir uma arca não é fruto de um delírio, de sonhos ou de alucinações de Noé. Deus foi ao seu encontro e lhe confiou esta missão. Noé personifica os homens tementes ao Senhor desde a criação do mundo. Ele não é um alucinado, muito menos um fanático religioso sem consciência e sem maturidade, como deseja apresentar o filme. A arca, diferente da Torre de Babel, não nasce de nenhuma pretensão humana, mas é uma iniciativa divina para renovar a humanidade.

Um dos ingredientes de mau gosto do filme é querer apresentar a figura de anjos decaídos como grandes bonecos de pedra, feitos com alta tecnologia digital, como os defensores de Noé, guardiões da arca e combatentes contra os pretensos invasores dela. Essas criaturas, na concepção do filme, ajudam Noé na construção da arca. Os elementos são sem fundamentos e distorcem o sentido da revelação bíblica. Nenhum anjo decaído ajudou Noé nem pode ajudar nenhum de nós. Ele não teve o auxílio desses fantasiosos guardiões. A luz, a força e o auxílio que conduzem Noé é a mão de Deus, Criador de todas as coisas.

A visão hedonista do filme apresenta um dos filhos de Noé como um jovem impelido a possuir a mulher de qualquer um a qualquer custo. Noé, como um obcecado religioso, opõe-se ao fato de seu filho ter uma esposa. Ainda pior: quando sua nora engravida, dentro da arca, Noé, em nome de Deus, fica irado com a gravidez dela e se propõe matar a criança se ela for uma menina. O texto bíblico é muito claro ao dizer que Noé entrou na arca com sua mulher, seus três filhos e a esposa de cada um deles. E eles, depois, iriam povoar a terra.

O filme tem muitas outras coisas de mau gosto e interpretações sem nenhum fundamento religioso ou bíblico. Penso que o autor da obra poderia ter respeitado, pelo menos, o essencial da narração do texto bíblico e criado muitas coisas belas a partir daquilo que foi inspiração bíblica para criar o filme.

A verdade é que o longa-metragem é uma afronta e uma distorção da beleza da revelação divina. Ele não merece ser visto nem apreciado por quem tem a Bíblia como um Livro Sagrado, fonte da revelação divina e inspiração primeira de fé. Existem filmes mais sérios e de roteiros mais qualificados.

 

Padre Roger Araújo
Missionário da Comunidade Canção Nova

 

domingo, 13 de abril de 2014

Bendito o que vem em nome do Senhor, o rei de Israel



Vinde, subamos juntos ao monte das Oliveiras e corramos ao encontro de Cristo, que hoje volta de Betânia e se encaminha voluntariamente para aquela venerável e santa Paixão, a fim de realizar o mistério de nossa salvação.
 
Caminha o Senhor livremente para Jerusalém, ele que desceu do céu por nossa causa – prostrados que estávamos por terra – para elevar-nos consigo bem acima de toda autoridade, poder, potência e soberania ou qualquer título que se possa mencionar (Ef 1,21), como diz a Escritura.

O Senhor vem, mas não rodeado de pompa, como se fosse conquistar a glória. Ele não discutirá, diz a Escritura, nem gritará, e ninguém ouvirá sua voz (Mt 12,19; cf. Is 42,2). Pelo contrário, será manso e humilde, e se apresentará com vestes pobres e aparência modesta.

Acompanhemos o Senhor, que corre apressadamente para a sua Paixão e imitemos os que foram ao seu encontro. Não para estendermos à sua frente, no caminho, ramos de oliveira ou de palma, tapetes ou mantos, mas para nos prostrarmos a seus pés, com humildade e retidão de espírito, a fim de recebermos o Verbo de Deus que se aproxima, e acolhermos aquele Deus que lugar algum pode conter.

Alegra-se Jesus Cristo, porque deste modo nos mostra a sua mansidão e humildade, e se eleva, por assim dizer, sobre o ocaso (cf. Sl 67,5) de nossa infinita pequenez; ele veio ao nosso encontro e conviveu conosco, tornando-se um de nós, para nos elevar e nos reconduzir a si.

Diz um salmo que ele subiu pelo mais alto dos céus ao Oriente (cf. Sl 67,34), isto é, para a excelsa glória da sua divindade, como primícias e antecipação da nossa condição futura; mas nem por isso abandonou o gênero humano, porque o ama e quer elevar consigo a nossa natureza, erguendo-a do mais baixo da terra, de glória em glória, até torná-la participante da sua sublime divindade.

Portanto, em vez de mantos ou ramos sem vida, em vez de folhagens que alegram o olhar por pouco tempo, mas depressa perdem o seu verdor, prostremo-nos aos pés de Cristo. Revestidos de sua graça, ou melhor, revestidos dele próprio, – vós todos que fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo (Gl 3,27) – prostremo-nos a seus pés como mantos estendidos.

Éramos antes como escarlate por causa dos nossos pecados, mas purificados pelo batismo da salvação, nos tornamos brancos como a lã. Por conseguinte, não ofereçamos mais ramos e palmas ao vencedor da morte, porém o prêmio da sua vitória.

Agitando nossos ramos espirituais, o aclamemos todos os dias, juntamente com as crianças, dizendo estas santas palavras: “Bendito o que vem em nome do Senhor, o rei de Israel”.

 
Dos Sermões de Santo André de Creta, bispo, séc. VI

 

domingo, 6 de abril de 2014

Eis o desafio!


 Quando você deseja atravessar a rua e percebe que o sinal está vermelho, já sabe que precisa esperar. Se insistir em passar, pode até ganhar alguns mirrados segundos de tempo, mas coloca em risco o que tem de mais precioso, a própria vida.
Uma criança que está sendo gerada, por mais esperada que seja, todo mundo sabe que o melhor é esperar seu tempo certo de nascer para que venha perfeita. Assim segue a história, afirmando com fatos que cada coisa é boa e proveitosa quando vivida no seu devido tempo. Mas se o tempo passa veloz, como podemos alcançá-lo para viver bem cada coisa? Eis o desafio! Na verdade, eu não sei se é a vida que está indo rápida demais ou se sou eu que estou meio lenta, mas o fato é que quase todos os dias constato que não deu tempo de fazer o que havia planejado, por mais que tente ajustar os horários. E, pelo visto, partilho este sentimento com muita gente.
Recentemente, eu estava indo apressada para a Missa quando Deus falou comigo sobre isso.
Costumo sair do trabalho e ir diretamente para a Celebração Eucarística, e o tempo é suficiente para o percurso. Porém, se algum imprevisto acontece, e isso é muito comum, "já era!". Terei de recuperar esse tempo andando, apressada e fazendo tudo que esteja ao meu alcance para não chegar atrasada, inclusive atravessar a rua com o sinal vermelho se perceber que não vêm carros na avenida. Acontece que, enquanto eu esperava, impacientemente, o sinal abrir, rodeada de pessoas apressadas como eu, ouvi, no coração, a voz suave e calma de Deus me dizer: “Prefiro que você não vá à Missa!”.
Fiquei surpresa e tive dúvidas se era mesmo coisa de Deus, mas era sim. Após refletir e rezar, percebi o que desagradava o Senhor naquela situação. Não era o fato de eu chegar atrasada, mas sim de arriscar a vida atravessando a rua de maneira imprudente e viver correndo contra o tempo, até mesmo quando o assunto é oração. Depressa percebi que o Senhor não estava assim tão contente com minhas escolhas. Ele mostrou-me que preciso priorizar o que é realmente essencial e chamou-me de volta ao lugar de onde jamais devo sair: “Vinde a mim vós todos que estais cansados de carregar o peso de vosso fardo e Eu lhes darei descanso” (Mt 11, 28).
Quando permitimos que a pressa e a agitação nos dominem, naturalmente nos distanciamos de Deus e começamos a carregar sozinhos nosso próprio fardo. Não seria esta a razão de encontrarmos tanta gente cansada em nossos dias? Podemos ter metas e focar nossos esforços para alcançá-las, mas conscientes de que jamais vamos conseguir fazer tudo que almejamos, simplesmente porque somos pessoas humanas e limitadas, e não máquinas. Deus, naquela situação, deu-me a chance de recomeçar e eu estou tentando acertar meu passo com o compasso d'Ele. Acima de tudo, como é bonito perceber que Ele se interessa por nós! E se interessa muito mais por aquilo que somos diante d'Ele do que por aquilo que fazemos, mesmo que seja para Ele. Isso faz toda a diferença na vida quando temos fé.
Já foi dito que a felicidade é um dom que não se encontra no fim da estrada, mas está distribuída pelo caminho e se esconde nas coisas simples do dia a dia. Se passarmos a vida andando com muita pressa, sem tempo para olharmos ao nosso redor, correremos o risco de não encontrá-la e chegaremos ao fim da jornada com as mãos vazias e o coração cansado. E esta certamente não é a vontade de Deus para nenhum de nós. Portanto, calma! Por mais difícil que seja, é preciso desacelerar um pouco para não se perder no tempo nem viver as coisas com superficialidade.
Os antigos sábios ensinam que o segredo para uma vida feliz e plena é viver bem cada coisa a seu tempo, valorizando o presente a ponto de desfrutá-lo sem se preocupar com o minuto seguinte. Vamos tentar fazer esta experiência no dia de hoje?
Podemos começar agora mesmo, priorizando o que é essencial, neste instante, e colocá-lo em prática; no instante seguinte, faremos o mesmo. Sendo assim, poderemos viver um dia após o outro de maneira cada vez mais intensa, e nossa vida, certamente, será mais plena e feliz a partir deste instante que é o presente, pois é aqui onde Deus está. Ele não é alguém que foi ou que será, mas Aquele que é no momento presente.
 
Dijanira Silva, Missionária da Comunidade Canção Nova

sexta-feira, 21 de março de 2014

Minhas limitações...


Domingo passado, enquanto assistia a apresentação do cantor católico Antonio Cardoso, sentada em um dos bancos da praça, senti uma mãozinha batendo em mim. Quando olhei, vi uma linda menina, brincando com um cachorrinho à pilha, que latia enquanto pulava. Achei engraçada a cena e puxei conversa com a menina, falando sobre o seu brinquedo. Foi então que a moça que estava sentada ao lado dela me disse que a criança não falava. Imediatamente imaginei: também não escuta.  Fiquei paralisada por uns instantes. Depois, me encantei com a beleza daquela menina e com a aparência de anjo que ela tinha (pelo menos do que imagino que seja um anjo!). Brincamos por alguns momentos e, em seguida, a mãe chamou "do seu modo" a menina para irem embora. Pensei por alguns instantes sobre tudo aquilo. Logo em seguida, retornei para minha casa, dormi, no outro dia cedo fui para Acari, onde trabalho, e não lembrei mais daquele episódio. Só que Deus não queria que aquele momento fosse apenas mais um. Ele queria que eu tirasse algo dali. Na segunda-feira à noite, um pouco antes de sair para a novena em honra ao nosso padroeiro São José, aquela cena brilhou na minha mente. Lembrei de tudo o que havia acontecido e de uma forma mais que especial. Consegui extrair dali o que Deus queria para mim. Pensei nas vezes em que não sei viver com as minhas limitações, sejam elas simples ou complicadas. E pensei no tanto de complicações que a mãe daquela criança deve enfrentar para criá-la. Pensei muito mais nisso do que até mesmo no fato de que é uma criança que, provavelmente, não fala nem escuta desde o seu nascimento.

Em meio a todas essas lembranças, que ainda estão bem nítidas em minha mente, venho aqui fazer uma prece a Jesus, para que Ele possa me perdoar por todas as vezes em que fico desmotivada por algum motivo, do mais simples ao mais complexo, por todas as vezes em que me enraiveço por motivos vãos, por todas as vezes em que não compreendo as dificuldades do próximo, por não olhar para os outros com o mesmo olhar que recebo dEle... Perdão, Senhor, pelas vezes em que deixei a vaidade, de corpo e de alma, invadirem a minha vida. Misericórdia, Senhor!

Jesus, manso e humilde de coração, fazei o meu coração semelhante ao Vosso!

Ah, e que a Virgem Maria possa acolher em seus braços protetores de Mãe todas as criancinhas que necessitam de cuidados mais que especiais :)

quinta-feira, 13 de março de 2014

A alegria do Evangelho se adapta e se transforma

Há cristãos que parecem ter escolhido viver uma Quaresma sem Páscoa. Reconheço, porém, que a alegria não se vive da mesma maneira em todas as etapas e circunstâncias da vida, por vezes muito duras. A alegria do evangelho se adapta e se transforma, mas sempre permanece pelo menos como um feixe de luz que nasce da certeza pessoal de sermos infinitamente amados. Compreendo as pessoas que caem na tristeza por causa das graves dificuldades que têm de suportar, mas aos poucos é preciso permitir que a alegria da fé comece a despertar, como uma secreta mas firme confiança, mesmo no meio das piores angústias. “A paz foi desterrada da minha alma, já nem sei o que é a felicidade. Isto, porém, guardo no meu coração; por isso, mantenho a esperança. É que a misericórdia do Senhor não acaba, não se esgota a sua compaixão. Cada manhã ela se renova; é grande a Sua fidelidade. Bom é esperar em silêncio a salvação do Senhor” (Lm 3,17.21-23.26)

(Evangelii gaudium, 6)