quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O Espírito nos abre ao Pai


“E porque sois filhos, enviou Deus aos nossos corações o Espírito do Seu Filho que clama: Abba, Pai!” (Gl 4,6)

A palavra “Pai” aparece um grande número de vezes no Novo Testamento, e de forma especial nos Evangelhos, dita por Jesus. E Jesus passou para nós o direito de chamarmos Deus de pai. Dos lábios de Jesus para os lábios dos cristãos. A invocação “Abba, Pai” passa também dos lábios de Jesus para os nossos lábios, porque “Deus enviou aos nossos corações o Espírito do Seu Filho que clama: Abba, Pai!”

Ora, se somos filhos de Deus, por Jesus Cristo, temos também em nosso coração o Espírito que clama “Abba, Pai”. Que maravilhoso entender isso! Mais ainda quando percebemos que na Oração do Pai Nosso, ensinada por Jesus, podemos nos aproximar de Deus Pai, que nos oferece o seu reino, o seu amor, o seu perdão!

Jesus, filho amado de Deus, não tinha receio de chamá-lo de pai, paizinho, meu papai... Com isso, Jesus quer nos mostrar que nós também, como filhos adotivos de Deus, não devemos ter vergonha de clamar: Abba, Pai! Pai do Céu, Pai, Paizinho, Abba, Papaizinho, Pai de Jesus, Pai de todos nós, Pai daquela pessoa de quem não gosto, Pai dos que amo...

Eu te louvo, eu te amo e te agradeço pelo Seu imenso amor por mim, por seu cuidado para comigo, por sua atenção à minha vida e às minhas necessidades, por me dar o Espírito Santo, quando lembro de pedir e também quando não peço.

Sei que estás comigo, Pai!

Você já se sentiu esquecido por alguém?


“Eu de ti jamais me esquecerei!” (Is 49,15)

No mundo em que vivemos, somos tratados segundo nossos méritos ou o interesse das pessoas.

Enquanto produzimos, somos rentáveis ou servimos alguém somos muito bem tratados. Mas quando cometemos um erro ou não produzimos mais conforme os critérios da sociedade, somos dispensados.

Muitos dos que antes se diziam amigos, já não o são. Outros querem nos ver pelas costas. Nessas horas, encontramo-nos em profunda solidão e abandono.

Talvez, hoje, você esteja vivendo esta situação e por isso sinta-se sem esperança. Porém, acima de qualquer criatura está o amor de Deus por nós. Saiba que o Senhor jamais o abandonará!

Ao longo deste dia, mergulhe na presença do Senhor e assuma em todos os momentos: O SENHOR ESTÁ COMIGO!

Jesus, eu confio em vós!


Do Livro “Comece bem o seu dia”, Luzia Santiago




terça-feira, 7 de agosto de 2012

Totalmente unida a seu Filho...

O papel de Maria para com a Igreja é inseparável de sua união com Cristo, decorrendo diretamente dela (dessa união), "Esta união de Maria com seu Filho na obra da salvação manifesta-se desde a hora da concepção virginal de Cristo até sua morte." Ela é particularmente manifestada na hora da paixão de Jesus:

A bem-aventurada Virgem avançou em sua peregrinação de fé, manteve fielmente sua união com o Filho até a cruz, onde esteve de pé não sem desígnio divino, sofreu intensamente junto com seu unigênito. E com ânimo materno se associou a seu sacrifício, consentindo com amor na imolação da vítima por ela gerada. Finalmente, pelo próprio Jesus moribundo na cruz, foi dada como mãe ao discípulo com estas palavras: "Mulher, eis aí teu filho" (Jo 19,26-27).

Após a ascensão de seu Filho, Maria "assistiu com suas orações a Igreja nascente". Reunida com os apóstolos e algumas mulheres, "vemos Maria pedindo, também ela, com suas orações, o dom do Espírito, o qual, na Anunciação, a tinha coberto com sua sombra".



Catecismo da Igreja Católica, §964-965

"E eles gritaram de medo"

(Mateus 14,22-36)

Mais uma vez ouvimos o relato da tempestade acalmada.  Mateus descreve a cena com muita vivacidade. Mais parece o estilo de Marcos do que de Mateus  Vale a pena acompanhar os pormenores do relato.

O povo faminto havia comido e estava saciado.  Jesus deu pão aos famintos, na esperança  que os seus ouvintes pudessem ir compreendendo aos poucos que ele é que era o Pão de verdade.  Pede que os apóstolos entrem numa embarcação e o esperem do outro lado. Ele ainda queria despedir a multidão. Será que teria dado a mão a cada um ou um ósculo… ou dito uma bênção?

Uma vez sozinho sobe ao monte. Que monte não se sabe. Ele precisava arrumar seu interior talvez um pouco agitado com tanta gente, tantos pedidos… tanto ruído.  “Jesus subiu ao monte para orar”.  E tendo a noite chegado Jesus continuava rezando. Para ele era importante essa comunhão com o Pai.  Todos experimentamos também a necessidade de estar com o Senhor e assim não cair um estéril  ativismo pastoral.

Os apóstolos, por sua vez, na travessia do mar, vivem um momento delicado. O mar agitado, os ventos contrários e o medo de que viessem a morrer.   Estamos diante da terrível experiência do medo de morrer.  Há outros medos: medo de fracassar, de tomar uma decisão.  Quantos medos: medo de que os filhos ingressem no universo da droga, medo de um assalto, medo que o casamento termine, medo que o neném nasça doentinho.  A lista poderia ser aumentada com tantos outros pavores e receios.

Continuemos a ver os pormenores do texto.  Jesus, no meio da noite vem ter com os apóstolos andando sobre as águas.   “Quando os discípulos o avistaram andando sobre o mar, ficaram apavorados e disseram: ‘É um fantasma’  e gritaram de medo.  Jesus, porém, logo lhes disse: “Coragem! Sou eu!’”

Jesus se faz presente, próximo dos seus. Hoje também ele está por perto. Não o vemos, não é um fantasma.  Mas ele está na Igreja, onde dois ou três estão reunidos em seus nome.  Está presente na casa dos religiosos transparentes que rezam e se estimam. Está presente no trabalho da evangelização.  Pode ser que nossas comunidades de vida consagrada não consigam viver todo o esplendor de sua consagração, que haja diminuição dos efetivos.  Espera-se, sem medo, que a proximidade do Senhor nos tirar da angústia e obsessão pelas estatísticas.   Por vezes temos a impressão que os membros da Igreja não conseguem viver o esplendor do Evangelho. Temos receio que a barca seja batida pelos ventos da indiferença, da indolência e da falta de coragem de se dar um salto no escuro.  Temos medo de tantos desafios.  Mesmo nos sentido chamados por Jesus temos receio de afundar em nossa vida de fé.

Pedro começou a andar sobre as ondas como Jesus havia pedido.   E o medo?   “Senhor, salva-me!”.  E disse Jesus: “Homem fraco na fé, por que duvidaste?”

Normal que experimentemos receios e medos em muitos campos de nossa vida e em diferentes circunstâncias.  Uma fé sólida e uma confiança na proximidade de Jesus em nossas vidas e na vida da Igreja faz com que sejamos corajosos.

Frei Almir Ribeiro Guimarães – www.franciscanos.org.br

domingo, 5 de agosto de 2012

#FicaAdica21

Jesus sempre quer nos dar o melhor, o essencial; quer que fiquemos sempre com a melhor parte. Em contrapartida, uma vez que sabemos disso, devemos pedir ao Senhor o que é essencial e salutar para a nossa vida, como o salmista nos ensina: “Ao Senhor eu peço apenas uma coisa, e é só isto que eu desejo: habitar no santuário do Senhor por toda a minha vida; saborear a suavidade do Senhor e contemplá-lo no seu templo” (Salmo 26,4).

Não podemos ter medo de pedir a Deus o essencial, pensando que, daquele momento em diante, vamos levar uma vida simplória e inexpressiva. É bem o contrário disso, pois o essencial é divino e o Senhor quer nos conceder do que Lhe é próprio, porque Ele tem reservada a vida eterna para nós. Todas as outras coisas virão por acréscimo

Luzia Santiago


Fica a dica!

Morrer de velhice

Dona Isaura, professora mais do que admirada, tem 98 anos e exceto pela visão , a saúde impressiona. Esses dias, dei-lhe um beijo e lhe perguntei como ia. Puxou-me para perto e me disse ao ouvido:

-Não vou, e não é porque não quero, mas porque Deus não está querendo me levar!

Brinquei com ela, dizendo que, como somos egoístas, estamos pedindo a Deus que a conserve um pouco mais entre nós e Deus está atendendo. Ela riu aquele riso lento e cadenciado dos velhos e retrucou:

-Pois tratem de pedir outra coisa. Eu estou deslocada. Não tenho mais assunto para os de hoje e os assuntos de hoje não mexem mais comigo. Sou de outra época e meu lugar é o céu, onde já estão todos os que pensam como eu penso! Sou um velho camelo-fêmea cansada que já atravessou o deserto, já bebeu toda a água que armazenou e agora, quer mais é passar pela porta definitiva.

Não tem nenhuma dúvida. Isso aqui ela já conhece. Teve 98 anos para isso. Agora está curiosa para saber como é a eternidade. E deu a mais bonita definição de morte que já ouvi: – Morrer de velhice é atravessar a porta do futuro e matar a curiosidade de quem já viu o que tinha que ver. Finalmente vou ver alguma coisa nova! O mundo é mais velho do que a eternidade,porque a eternidade não envelhece. Envelheci, mas não fiquei velha. Fiquei foi curiosa!

Pe. Zezinho,  scj.
Site www.padrezezinhoscj.com

O alimento que nutre de verdade

“Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede”.

Longa a caminhada por ocasião do Êxodo do Egito até a Terra da Promissão. Esta foi uma das mais grandiosas aventuras da fé vividas por um Povo que Deus foi conquistando para si.

Houve o desejo de libertação. Moisés animou o povo a sair e, segundo os desígnios de Deus,  liderou  toda a caminhada.  Depois da festa da partida veio o longo caminhar por sendas  pouco conhecidas,  sempre se esperando os sinais de Deus.  Longa e penosa caminhada  que fez com os israelitas tivessem saudades das panelas da terra da escravidão e das cebolas do Egito.  “Quem dera que tivéssemos morrido  pela mão do Senhor no Egito, quando nos sentávamos junto às panelas de carne e comíamos pão com fartura!”.  O tempo da travessia é longo demais. O Senhor vem em socorro dos seus.  “Com efeito à tarde veio um bando e codornizes e cobriu o acampamento; e, pela manhã  formou-se uma camada de orvalho ao redor do acampamento. Quando se evaporou o orvalho que caíra, apareceu na superfície do deserto uma coisa miúda em forma de grãos, fina como a geada sobre a terra”.  E Moisés:  “Isto é o pão que Senhor vos deu como alimento”.  Era possível continuar a caminhar.  Como Elias ganhou ânimo  quando deitado à sombra de uma árvore viu um jarro com água e um pedaço de pão.

Pão, fome, saciedade… Jesus vai se designar de Pão da Vida.  Muitos dos seus contemporâneos o procuravam porque viam os milagres que ele havia feito… Porque saciara a fome da multidão.  Quando buscarão o pão que dura para sempre?

Jesus, filho de Maria e dom do Pai aos homens, vem alimentar a nossa caminhada e a nossa história. Vem nos propor  um caminho de plenitude: que as pessoa se desvencilhem  do ego, vendam ilusões e bens, andem atrás dele e sintam fome do sopro de sua vida que vem o Espírito que dá carne a ossos ressequidos.  Felizes os errantes e nômades que encontram, no deserto da vida e no êxodo da existência, esse que se designou de Pão da Vida.

“Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede”.

Impossível, neste contexto, não pensar na Eucaristia.  Ali, na peregrinação da vida até a Terra da Promissão  os nômades, andarilhos, com cajado à mão, se revigoram…Aquele pão foi dado no altar da cruz para a vida do mundo… E agora sobre mesa da toalha branca  é mais do que o maná… E os andarilhos se fazem uma só oferenda com aquele que tornou o Pão dos fracos.

“Considera agora qual deles é de maior valor o pão dos Anjos ou a carne de Cristo, que é o Corpo da vida. Aquele maná vem do céu; este  está acima do céu. Aquele, do céu; este, do Senhor dos céus. Aquele é corruptível, se guardado para o dia seguinte; este é totalmente imune de corrupção e quem o tomar piedosamente não poderá experimentar a corrupção. Para aqueles brotou a água da pedra; para ti, o sangue de Cristo. Àqueles, por um momento a água saciou; a ti o sangue de Cristo refrescar para sempre”  (Santo Ambrósio de Milão).


Frei Almir Ribeiro Guimarães – site www.franciscanos.org.br