quinta-feira, 30 de agosto de 2012

«Vós sois a luz do mundo»


Como são felizes, como são dignos de inveja «aqueles servos que o senhor, quando vier, encontrar vigilantes» (Lc 12,37). Vigilância ditosa que os mantém despertos para a vinda de Deus, o Criador do universo, cuja majestade abarca tudo e tudo ultrapassa.

Quanto a mim – que, apesar da minha indignidade, sou Seu servo –, que Deus queira despertar-me do sono da minha indolência. Que faça arder em mim o fogo do amor divino; que a chama do Seu amor suba mais alto que as estrelas; que arda sem cessar dentro de mim o desejo de responder à Sua ternura infinita. Ah, se eu pudesse ter a minha candeia acesa no templo do Senhor durante a noite! Se ela iluminasse todos aqueles que penetram na casa do meu Deus! (cf Mt 5,15) Senhor, concedei-me este amor que se defende de qualquer afrouxamento, que eu consiga ter a minha candeia sempre iluminada sem jamais a deixar apagar-se; que em mim ela seja fogo e luz para o meu próximo.


São Columbano (563-615), monge, fundador de mosteiros

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

#FicaAdica 28


Não hesite nem resista! Sempre que precisar, peça perdão! Quem pede perdão, sem se importar se tem ou não razão, sempre sai ganhando. É que ele [perdão] é, sempre, uma porta que se abre para que todas as outras virtudes entrem
em nossa vida e na dos outros.
Lembre-se de que o pedido de perdão é também um exercício contínuo, pois nossa natureza quer resistir a pedi-lo, de modo que será preciso superar os nossos limites e avançar! É uma experiência libertadora!

Ricardo Sá

A maturidade mora na escuta


Todo ser humano traz em si uma profunda necessidade de auto-afirmação. Todos desejam a valorização por parte dos demais, porém, essa necessidade – de ser aceito e de se afirmar diante da vida – precisa trazer em si certa medida de equilíbrio e maturidade, pois, quando não é assim, tendemos a agir puramente aprisionados por nossos instintos.

Todo mundo quer ser acreditado, todos querem ter a razão e a verdade em sua conduta. Por vezes, queremos que nossa maneira de pensar seja acolhida pelos demais, mas, precisamos ter a consciência de que nem sempre estamos certos, e que não podemos exigir que nosso modo de pensar seja acolhido por todos como verdade absoluta.

As grandes catástrofes da humanidade se deram quando alguém ou um grupo específico fecharam-se apenas em um ponto de vista isolado, não se abrindo a outros focos de visão e acreditando serem os únicos donos da verdade.

Muitos são peritos em defender sua própria verdade, mas, verdadeiramente maduro é aquele que sabe ouvir e acolher o ponto de vista dos outros, abrindo-se ao diálogo e reconhecendo que os demais também têm coisas boas a ensinar e a oferecer, e, que, por esta razão merecem ser respeitados.

Todos têm algo a nos ensinar, o ponto de vista alheio contempla realidades não percebidas por nós. É feliz quem sabe ouvir e acolher o que outro expressa, pois tal atitude faz com que sejamos pessoas mais completas, rompendo assim as barreiras do egoísmo que nos fazem acreditar que somente nós estamos certos.

Ouvir é uma virtude, e por meio do diálogo alcançamos grandes progressos.

A vitória mora na humildade, que sabe abrir mão de suas próprias razões, para que o outro seja um pouco mais, assim o consenso acontece e ambas as partes são capazes de crescer.

Quem sabe perder e ceder nas pequenas coisas, conquistará grandes realizações. Compreendamos isso e construiremos significativas conquistas em nossa história.


Pe. Adriano Zandoná, Comunidade Canção Nova

O culto da Santíssima Virgem


"Todas as gerações me chamarão bem-aventurada" (Lc 1,48): "A piedade da Igreja para com a Santíssima Virgem é intrínseca ao culto cristão". A Santíssima Virgem "é legitimamente honrada com um culto especial pela Igreja. Com efeito, desde remotíssimos tempos, a bem-aventurada Virgem é venerada sob o título de 'Mãe de Deus', sob cuja proteção os fiéis se refugiam suplicantes em todos os seus perigos e necessidades (...) Este culto (...) embora inteiramente singular, difere essencialmente do culto de adoração que se presta ao Verbo encanado e igualmente ao Pai e ao Espírito Santo, mas o favorece poderosamente"; este culto encontra sua expressão nas festas litúrgicas dedicadas à Mãe de Deus e na oração mariana, tal como o Santo Rosário, "resumo de todo o Evangelho".

Catecismo da Igreja Católica, § 971

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Santo Agostinho, Bispo e Doutor da Igreja



Hoje, fazemos memória a Santo Agostinho de Hipona, Bispo e Doutor da Igreja. Santo Agostinho nasceu em Tagaste (África), no ano 354. Depois de uma juventude perturbada, quer intelectualmente quer moralmente, converteu-se à fé e foi batizado em Milão por Santo Ambrósio no ano 387. Voltou à sua terra e aí levou uma vida de grande ascetismo. Eleito bispo de Hipona, durante trinta e quatro anos foi perfeito modelo do seu rebanho e deu-lhe uma sólida formação cristã por meio de numerosos sermões e escritos, com os quais combateu fortemente os erros do seu tempo e ilustrou sabiamente a fé católica. Morreu no ano 430.

Partilho aqui um trecho do livro “Confissões”, de Santo Agostinho:


Ó eterna verdade e verdadeira caridade e cara eternidade!

Ó eterna verdade e verdadeira caridade e cara eternidade! Tu és o meu Deus, por ti suspiro dia e noite. Desde que te conheci, tu me elevaste para ver que quem eu via, era, e eu, que via, ainda não era. E reverberaste sobre a mesquinhez de minha pessoa, irradiando sobre mim com toda a força. E eu tremia de amor e de horror. Vi-me longe de ti, no país da dessemelhança, como que ouvindo tua voz lá do alto: “Eu sou o alimento dos grandes. Cresce e me comerás. Não me mudarás em ti como o alimento de teu corpo, mas tu te mudarás em mim”.

E eu procurava o meio de obter forças, para tornar-me idôneo a te degustar e não o encontrava até que abracei o mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus (1Tm 2,5), que é Deus acima de tudo, bendito pelos séculos (Rm 9,5). Ele me chamava e dizia: Eu sou o caminho, a verdade e a vida (Jo 14,6). E o alimento que eu não era capaz de tomar se uniu à minha carne, pois o Verbo se fez carne (Jo 1,14), para dar à nossa infância o leite de tua sabedoria, pela qual tudo criaste.

Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estavas dentro e eu, fora. E aí te procurava e lançava-me nada belo ante a beleza que tu criaste. Estavas comigo e eu não contigo. Seguravam-me longe de ti as coisas que não existiriam, se não existissem em ti. Chamaste, clamaste e rompeste minha surdez, brilhaste, resplandeceste e afugentaste minha cegueira. Exalaste perfume e respirei. Agora anelo por ti. Provei-te, e tenho fome e sede. Tocaste-me e ardi por tua paz.