segunda-feira, 27 de abril de 2015

Com olhos fitos em Ti




Por todo o tempo que quiseres, Ó meu Bem-Amado, tua avezinha deixar-se-á ficar sem alento e sem asas. Continuará sempre com os olhos fitos em ti. Quer fascinar-se do teu olhar divino, quer tornar-se presa do teu amor... Um dia, conforme espero, virás, Águia Adorada, buscar tua avezinha e, transportando-te com ela até ao Foco do Amor, mergulha-la-ás por toda a eternidade no ardente abismo desse Amor, ao qual se imolou como vítima...

Do Livro “História de Uma Alma”, de Santa Teresa do Menino Jesus




domingo, 26 de abril de 2015

Cada um de nós...



Cada um de nós é o fruto 
de um pensamento de Deus. 
Cada um de nós é querido, 
cada um de nós é amado, 
cada um é necessário. 
(Bento XVI) 




quarta-feira, 22 de abril de 2015

Espírito Santo, vem, visita, enche!


Há regiões onde é costume convidar a entrar quem quer que apareça em sua casa à hora da refeição, para partilhar aquilo que se está a comer. Sabe-se, no entanto, que a pessoa convidada com a mesma educação irá pedir desculpas e recusará. Ficar-se-ia desconcertado, e porventura secretamente contrariado, se o convidado respondesse sem cerimônia: "Sim, aceito com todo o prazer!". Por vezes, sem disso nos darmos conta, os nossos convites ao Espírito Santo são semelhantes a este tipo de convites. São convites convencionais; não são convites reais. Temos de repetir aqueles três convites - VEM, VISITA, ENCHE! - e fazê-lo como quem tem a certeza de que eles vão ser levados muito a sério e acolhidos.

Na oração, temos de ser também "unânimes e perseverantes", como os apóstolos com Maria no cenáculo, unindo-nos, quando possível, a outras pessoas que já realizaram um novo Pentecostes e que podem nos ajudar a predispor-nos e a vencermos qualquer temor.

Além disso, precisamos estar dispostos a que algo novo mude na nossa própria vida. Não se pode convidar o Espírito Santo a vir, para nos encher, contanto que deixe ficar tudo como estava. "O que o Espírito toca, o Espírito muda", diziam os Padres. Quem invocar: "vem, visita, enche!", por essa mesma invocação se entrega ao Espírito e Lhe entrega as rédeas da própria vida, ou as chaves da própria casa. Entregar-se ao Pai, para que o Pai nos entregue ao Seu Espírito! Tal é a condição.


Do Livro “Vem, Espírito Criador!”, de Padre Raniero Cantalamessa




De volta às origens


"Nosso passado não é um rio congelado 
que nos prende e paralisa, 
mas um rio cálido e fértil 
que nos enche de vida 
e nos encoraja a caminhar" 
(Santo Agostinho)






sexta-feira, 17 de abril de 2015

Deus Criador


Ele, porém, criou a criancinha que nada sabe 
e só pode soltar débeis vagidos; 
criou o pobre selvagem, que não dispõe, 
para sua orientação, senão da lei natural; 
aos seus corações é que se digna baixar, 
onde se encontram suas flores campestres, cuja simplicidade o arrebata...
Condescendente desta maneira 
o Bom Deus mostra sua infinita grandeza.


Santa Teresa do Menino Jesus









terça-feira, 14 de abril de 2015

Águia, não sou...


Águia, não sou, mas dela tenho, simplesmente, OLHOS E CORAÇÃO, pois que, não obstante minha extrema pequenez, ouso fitar o Sol Divino, o Sol do Amor, e meu coração sente nele todas as aspirações da águia... Quisera a avezinha voar em direção ao Sol fulgurante que lhe fascina os olhos. Quisera imitar as águias, suas irmãs, quando as vê elevarem-se até o divino foco da Santíssima Trindade... Tudo o que pode fazer, ainda mal, é soerguer as asinhas. Mas, sair voando é o que sua reduzida força não permite! Qual será a sua sorte? Morrer de desgosto, por ser tão impotente?... Isso, não! A avezinha nem sequer se afligirá. Num audaz abandono, continuará fixando seu Divino Sol.

Nada a poderia amedrontar, nem o vento, nem a chuva. E quando nuvens carregadas vêm encobrir o Astro do Amor, a avezinha não muda de lugar. Sabe que, além das nuvens, seu sol está sempre a brilhar, e seu esplendor não poderia eclipsar-se um instante sequer. Verdade é que, por vezes, o coração da avezinha se sente acometido pela tempestade. Parece-lhe não acreditar na existência de outra coisa fora das nuvens que a envolvem. Chega, então, o momento da alegria perfeita para a pobre e frágil criaturinha. Que ventura, ainda assim, continuar ela ali mesmo, fitando a luz invisível que se subtrai à sua fé!!!... Até aqui, meu Jesus, compreendo teu amor pela avezinha, pois não se afasta de ti... Mas, às vezes, eu o sei e tu o sabes também, a imperfeita criaturinha, sem sair de onde está (isto é, debaixo dos raios do sol), deixa-se desviar um pouco de sua única ocupação. Respingando um grãozinho à direita e à esquerda, correndo atrás de algum bichinho... Mais adiante, encontra uma pocinha de água, onde molha a plumagem recém-formada. Quando vê uma flor que lhe agrada, logo sua mente se prende a ela... Afinal, não podendo planar como as águias, a pobre avezinha entretém-se ainda com ninharias da terra.

No entanto, depois de todos os desmandos, em vez de pôr-se num cantinho para chorar suas misérias e morrer de tristeza, a avezinha retorna ao seu bem-amado sol. Abre as asinhas molhadas à ação dos raios benfazejos. Geme como a andorinha, e no meigo cantar mostra confiança, esmiúça todas as suas infidelidades, cuidando, em seu temerário abandono, que assim adquire mais império, atrai mais de cheio o amor daquele que não veio chamar os justos, mas os pecadores... Se o astro adorado não dá ouvidos aos lastimosos gorjeios de sua criaturinha, se continua oculto à sua vista... então, a criaturinha continua molhada, conforma-se em tiritar de frio, e alegra-se ainda com o sofrimento, aliás, merecido...

Ó Jesus, quão ditosa é tua avezinha por ser débil e pequena, e que seria dela, se fosse grande?... Nunca teria a audácia de comparecer à tua presença, de dormitar diante de ti... Sim, aí está ainda um fraco da avezinha. Quando quer fitar o Sol Divino e as nuvens lhe impedem de enxergar um só raio, os olhinhos fecham-se sem querer, a cabecinha esconde-se debaixo da asinha, e a pobre criaturinha adormece, crente de que continua a fitar sempre seu astro querido. Quando desperta, não se desconsola. Seu coraçãozinho permanece tranquilo, prosseguindo seu mister de amor, invocando os Anjos e os Santos, que se elevam como águias em direção ao Fogo devorador, objeto de suas aspirações. E as águias, compadecendo-se de sua irmãzinha, protegem-na, defendem-na, afugentam os abutres que quereriam devorá-la. Aos abutres, imagens dos demônios, a avezinha não os teme. Seu destino é tornar-se presa, não deles, mas da Águia, que avista no centro do Sol do Amor.

Do Livro “História de Uma Alma”, de Santa Teresa do Menino Jesus

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Oração pelo dom da unidade



"Deus nos conceda perseverar de tal modo unânimes 
na oração, na caridade e na procura da verdade, 
que sejamos dignos de alcançar, 
como uma nova efusão do Espírito, 
o dom precioso da UNIDADE. 
Assim poderá tornar-se realidade o que Jesus, 
na noite da Ceia, pediu ao Pai: 
'que sejam perfeitos na unidade, 
e o mundo reconheça que me enviaste e os amaste, 
como amaste a mim'. 
Amém."

(São João Paulo II)




Disse Jesus...



... a quem blasfemar contra o Espírito Santo,
isso não lhe será perdoado.

(Lucas 12,10b)



domingo, 5 de abril de 2015

A ciência do Amor

Ciência do amor, oh! sim, tal palavra repercute, suavemente, ao ouvido de minha alma. Não desejo outra ciência senão esta. Depois de dar por ela todas as minhas riquezas, acho, como a esposa dos Cantares, que não dei nada... Compreendo, perfeitamente, que só o amor nos pode tornar agradáveis ao Bom Deus, sendo esse amor o único bem que ambiciono. Jesus se compraz em apontar-me o único caminho que conduz a essa fornalha divina. O caminho é o abandono da criancinha que adormece sem temor nos braços de seu pai... "Todo aquele que é pequenino, venha a mim", disse o Espírito Santo por boca de Salomão, e o mesmo Espírito de Amor declarou ainda que "com os pequeninos se usará de comiseração".

Em seu nome, revela-nos o profeta Isaías que, no último dia, "o Senhor conduzirá seu rebanho às pastagens, reunirá os cordeirinhos e os aconchegará contra o peito". E como se todas estas promessas não bastassem, o mesmo profeta, cujo olhar inspirado já se embebia nas profundezas da eternidade, apregoa em nome do Senhor: "Como uma mãe acarinha seu filhinho, assim vos consolarei, carregar-vos-ei ao peito, acariciar-vos-ei ao peito, acariciar-vos-ei no regaço".

Diante de tal linguagem, nada se pode fazer senão emudecer e chorar de gratidão e amor... Oh! Se todas as almas débeis e imperfeitas sentissem o que sente a mais pequena de todas as almas, a alma de vossa Teresinha, nenhuma delas se desesperaria de atingir o cume da montanha do amor, visto que Jesus não exige grandes feitos, mas unicamente o abandono e a gratidão, pois declarou no Salmo 49: "Não tenho precisão dos bodes de vossos rebanhos, porque todas as feras das selvas me pertencem, os milhares de animais que vivem nos montes. Conheço todas as aves das montanhas... Se tiver fome, não será a ti que o direi, porque minha é a terra e tudo que nela se contém. Serei, por acaso, obrigado a comer carne de touros e a beber sangue de cabritos? ... IMOLAI A DEUS SACRIFÍCIOS DE LOUVOR E DE AÇÕES DE GRAÇAS".

Eis aí tudo o que Jesus exige de nós. Não precisa de nossas obras, mas unicamente de nosso amor, pois o mesmo Deus declara não ter necessidade de dizer-nos, quando está com fome, não se corre de mendigar um pouco de água à Samaritana. Tinha sede... Mas, quando disse: "dai-me de beber", era o amor de sua pobre criatura que o Criador do Universo reclamava. Tinha sede de amor... Oh! sinto mais do que nunca, Jesus está com sede. Entre os discípulos do mundo, só encontra ingratos e indiferentes; entre seus próprios discípulos, infelizmente, só encontra poucos corações que a Ele se entreguem sem reserva, que compreendam toda a ternura de seu amor infinito.

Santa Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face


sexta-feira, 3 de abril de 2015

Sexta-Feira da Paixão do Senhor



Há mortes e mortes! Fatalidades, doenças, idade, heroísmo. Mas há uma, a única, morte redentora. Todas as pessoas que se aventurarem na entrega pelo bem dos outros hão de contemplar o Cristo em sua morte de Cruz. Ele amou até o fim!
 
- Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo e vos bendizemos
- Porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo
 
 
 
Retiro Popular 2015, D. Alberto Taveira
 
 



sábado, 21 de março de 2015

Acreditar...



Acreditar não significa estar livre 
de momentos difíceis, 
mas ter a força para os enfrentar 
sabendo que não estamos sozinhos. 

(Papa Francisco) 



domingo, 28 de dezembro de 2014

As lições de Nazaré

Nazaré é a escola onde se começa a compreender a vida de Jesus: a escola do Evangelho.
Aqui se aprende a olhar, a escutar, a meditar e penetrar o significado, tão profundo e tão misterioso, dessa manifestação tão simples, tão humilde e tão bela, do Filho de Deus. Talvez se aprenda até, insensivelmente, a imitá-lo.
Aqui se aprende o método que nos permitirá compreender quem é o Cristo. Aqui se descobre a necessidade de observar o quadro de sua permanência entre nós: os lugares, os tempos, os costumes, a linguagem, as práticas religiosas, tudo de que Jesus se serviu para revelar-se ao mundo. Aqui tudo fala, tudo tem um sentido.
Aqui, nesta escola, compreende-se a necessidade de uma disciplina espiritual para quem quer seguir o ensinamento do Evangelho e ser discípulo do Cristo.
Ó como gostaríamos de voltar à infância e seguir essa humilde e sublime escola de Nazaré! Como gostaríamos, junto a Maria, de recomeçar a adquirir a verdadeira ciência e a elevada sabedoria das verdades divinas.
Mas estamos apenas de passagem. Temos de abandonar este desejo de continuar aqui o estudo, nunca terminado, do conhecimento do Evangelho. Não partiremos, porém, antes de colher às pressas e quase furtivamente algumas breves lições de Nazaré.
Primeiro, uma lição de silêncio. Que renasça em nós a estima pelo silêncio, essa admirável e indispensável condição do espírito; em nós, assediados por tantos clamores, ruídos e gritos em nossa vida moderna barulhenta e hipersensibilizada. O silêncio de Nazaré ensina-nos o recolhimento, a interioridade, a disposição para escutar as boas inspirações e as palavras dos verdadeiros mestres. Ensina-nos a necessidade e o valor das preparações, do estudo, da meditação, da vida pessoal e interior, da oração que só Deus vê no segredo.
Uma lição de vida familiar. Que Nazaré nos ensine o que é a família, sua comunhão de amor, sua beleza simples e austera, seu caráter sagrado e inviolável; aprendamos de Nazaré o quanto a formação que recebemos é doce e insubstituível: aprendamos qual é sua função primária no plano social.
Uma lição de trabalho. Ó Nazaré, ó casa do “filho do carpinteiro”! É aqui que gostaríamos de compreender e celebrar a lei, severa e redentora, do trabalho humano; aqui, restabelecer a consciência da nobreza do trabalho; aqui, lembrar que o trabalho não pode ser um fim em si mesmo, mas que sua liberdade e nobreza resultam, mais que de seu valor econômico, dos valores que constituem o seu fim. Finalmente, como gostaríamos de saudar aqui todos os trabalhadores do mundo inteiro e mostrar-lhes seu grande modelo, seu divino irmão, o profeta de todas as causas justas, o Cristo nosso Senhor.

(Alocução do papa Paulo VI, pronunciada em Nazaré a 5 de janeiro de 1964)


terça-feira, 2 de dezembro de 2014

É preciso ter esperança


Quando pensarmos no fim, com todos os nossos pecados, com toda a nossa história, pensemos no banquete que gratuitamente nos será dado e levantemos a cabeça. Nada de depressão. Esperança! Mas a realidade é ruim. Há tantos e tantos povos, cidades e pessoas, tanta gente que sofre; tantas guerras, tanto ódio, tanta inveja, mundanidade espiritual e corrupção. Sim, é verdade! Tudo isso cairá! Mas peçamos ao Senhor a graça de sermos preparados para o banquete que nos espera, com a cabeça sempre erguida.


Papa Francisco

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

A verdadeira árvore


Lendo e meditando o capítulo 15 do Evangelho de João (1-8), vi ali a beleza que é a nossa vida, comparando-a com uma árvore. Existem árvores que germinam, crescem, criam galhos, dão frutos... com o tempo, alguns galhos precisam ser podados para que galhos novos apareçam para darem novos frutos. Outras árvores passam por esse mesmo processo, mas num determinado momento as podas são esquecidas, a água necessária para que elas vivam já não é derramada... a árvore morre. Assim somos nós. Quando nos deixamos podar, no tempo certo, quando deixamos que a Água Viva esteja sempre a nos molhar, estamos a crescer e podemos dar sempre bons frutos, até o dia em que o Senhor nos chamar. Porém, se preferimos nos fechar, preferimos continuar com os galhos defeituosos, as folhas cairão, os galhos murcharão, os frutos deixarão de aparecer... Peço a Deus que não deixe de derramar sobre todos nós o Seu Espírito de paz, de amor, e, sempre que necessário, envie jardineiros para fazer a poda necessária para o nosso crescimento.


“Quem permanece em mim, e eu nele, dará muito fruto...” (Jo 15,5b)  

Publicado em Jornal Kyrie, Novembro/2019

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Um fato real na vida de um santo

Na vida de São Clemente Hofbauer, um santo da Congregação dos Padres Redentoristas, há um fato que mostra a força do perdão e da mansidão.

Certa vez ele entrou numa taverna para pedir uma esmola para as obras que realizava; mantinha um orfanato de crianças pobres. Um homem, Kalinski, o odiava, e estava presente ali no bar, tomando vinho e jogando cartas com os amigos. São Clemente entrou, se dirigiu à mesa de Kalinski e pediu uma esmola.

- Como é Kalinski, você não vai fazer nada? perguntou o amigo. Não é este padre ai que você nos disse que quando encontrasse com ele ia “acertar as contas”?

- Sim, é ele mesmo, e eu vou fazer isso agora mesmo, disse Kalinski. Kalinski pegou o copo de cerveja que bebia, encheu a boca e despejou no rosto de São Clemente.

Embora de índole colérica, o santo não se perturbou. Puxou o lenço e enxugou o rosto, enquanto todos esperavam a briga.

Calmamente São Clemente disse ao agressor: Kalinski, eu sou um pecador e mereço isso, você já deu o que eu mereço. Agora dê uma esmola para as minhas pobres crianças, elas merecem.

A atitude do santo desconcertou Kalinski, o quebrou ao meio, e também aos demais do grupo. Na mesma noite, Kalinski não conseguia dormir de remorso; se levantou e foi à casa do Santo; bateu na janela do quarto, e quando esta se abriu ele entregou a São Clemente um saquinho de moedas de ouro: “É para seus meninos!” Arrependido e penitente Kalinski tornou-se grande amigo e colaborador do santo.

É a força da mansidão e do perdão. Isto é o que São Paulo chamou de “amontoar brasas ardentes sobre a cabeça do pecador” (Pr 25,21; Rom 12,20).

Jesus ensinou no monte das bem aventuranças: “Tendes ouvido o que foi dito: Amarás o teu próximo e poderás odiar a teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos maltratam e perseguem”. (Mt 5,43-44). É claro que isso não é fácil; mas é possível com o auxílio da graça de Deus.

Quando olho para Jesus crucificado, a lição mais forte que aprendo é essa esta: “Eu que sou Deus, puro e santo, morri crucificado, perdoando os meus algozes. Faças o mesmo se queres ser cristão”.

(Prof. Felipe Aquino)

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Feridas Abertas


Prepare-se! Cada dia é em si mesmo um chamado para novas batalhas e os vencedores serão aqueles que estiverem mais bem preparados, afinal de contas, a vida não aceita desculpas como o famoso: "ninguém me avisou…".

Será que é preciso avisar mais alguém que sem estudar não se chega a lugar nenhum? 

Será que é preciso avisar que estamos na era digital e que o computador substituiu a máquina de escrever?

Fala sério! É preciso avisar que o cigarro mata? Que a bebida alcoólica causa dependência, que a cocaína vicia e corrói o cérebro pelas beiradas e transtorna muitos lares, que o orgulho mata, fere, machuca e cobra um alto preço da nossa felicidade?

Será que tem gente que ainda não sabe o valor do respeito? 

Será que fazem mal aos outros por ignorância das Leis Divinas? Será que sequestram pessoas sem saber da Lei dos homens? 

Por quê alegamos ignorância quando a dor nos visita ou a própria vida vem cobrar os nossos erros, seja através de doenças, da dor ou sofrimento?

Hoje você tem diante de si uma porta chamada " futuro" e que não é preciso bater para se entrar, nem precisa de apresentação, nem carteirinha, nem padrinho nem "quem indicou", precisa sim, ter coragem de abandonar aquilo que sabemos ser prejudicial a nós mesmos, ao próximo (e até ao distante), e assumir uma postura bem simples diante da vida: "eu me amo, me aceito e luto para que cada dia seja o meu melhor dia". Bem vindo ao futuro, hoje!


Fonte: www.catequisar.com.br

Publicado no Jornal Kyrie, novembro/2019

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Por obediência...


Sou como os papagaios. Aprendem a falar e só sabem dizer as palavras sempre ouvidas, repetindo-as constantemente. Assim acontece comigo, ao pé da letra.

Se o Senhor quiser que eu diga alguma coisa nova, Sua Majestade mesmo me dará sua luz. Ou então me trará à memória o que me fez dizer de outras vezes. Não me lembro bem, mas gostaria muito de acertar com alguns pontos que, diziam, estavam bem explicados em outros escritos, os quais talvez se tenham perdido¹. Com isso já me contentaria.

Se nem essa graça o Senhor me conceder, se ninguém tirar proveito de minhas palavras, ficarei com o lucro de ter-me cansado e aumentado a dor de cabeça por amor da obediência.

¹ Refere-se a Santa a sua autobiografia, que estava na Inquisição

Do Livro “Castelo Interior ou Moradas”, de Santa Teresa de Jesus

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Recomece hoje...


 “Irmãos, não acho que eu já tenha alcançado o prêmio, mas uma coisa eu faço: esqueço-me do que fica para trás e avanço para o que está na frente” (Fl 3,13).

Constantemente, procure reservar um tempo para fazer um exame de consciência de seus pensamentos, palavras e ações, de forma a reconhecer suas fraquezas diante de Deus e tomar a decisão de ir ao encontro d’Ele. Recomece hoje deixando o que é velho para trás e decidindo-se por uma vida nova com Jesus. N’Ele está a verdade, a vida e a felicidade que você deseja alcançar.

“Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho; eis que tudo se fez novo” (2 Cor 5,17).

(Luzia Santiago, Comunidade Canção Nova)




domingo, 16 de novembro de 2014

A parábola dos talentos, na visão do Papa Francisco


O Evangelho deste domingo é a parábola dos talentos, tirada de São Mateus (25, 14-30). Conta sobre um homem que, antes de partir para uma viagem, convoca os servos e confia a eles o seu patrimônio em talentos, moedas antigas de grande valor. Aquele patrão confia ao primeiro servo cinco talentos, ao segundo dois, ao terceiro um. Durante a ausência do patrão, os três servos devem fazer frutificar este patrimônio. O primeiro e o segundo servos dobram, cada um, o capital de partida; o terceiro, em vez disso, por medo de perder tudo, enterra o talento recebido em um buraco. No retorno do patrão, os dois primeiros recebem o louvor e a recompensa, enquanto o terceiro, que restitui somente a moeda recebida, é repreendido e punido.

É claro o significado disso. O homem da parábola representa Jesus, os servos somos nós e os talentos são o patrimônio que o Senhor confia a nós. Qual é o patrimônio? A sua Palavra, a Eucaristia, a fé no Pai celeste, o seu perdão… em resumo, tantas coisas, os seus bens mais preciosos. Este é o patrimônio que Ele nos confia. Não somente para ser protegido, mas para crescer! Enquanto no uso comum o termo “talento” indica uma qualidade individual – por exemplo talento na música, no esporte, etc., na parábola os talentos representam os bens dos Senhor, que Ele nos confia para que o façamos dar frutos. O buraco cavado no terreno pelo “servo mau e preguiçoso” (v. 26) indica o medo do risco que bloqueia a criatividade e a fecundidade do amor. Porque o medo dos riscos do amor nos bloqueia. Jesus não nos pede para conservar a sua graça em um cofre! Jesus não nos pede isso, mas quer que a usemos em benefício dos outros. Todos os bens que nós recebemos são para dá-los aos outros, e assim crescem. É como se nos dissesse: “Aqui está a minha misericórdia, a minha ternura, o meu perdão: peguem-no e façam largo uso”. E nós, o que fazemos?  Quem ‘contagiamos’ com a nossa fé? Quantas pessoas encorajamos com a nossa esperança? Quanto amor partilhamos com o nosso próximo? São perguntas que nos farão bem. Qualquer ambiente, mesmo o mais distante e impraticável, pode se tornar lugar onde fazer frutificar os talentos. Não há situações ou lugares incompatíveis com a presença e o testemunho cristão. O testemunho que Jesus nos pede não é fechado, é aberto, depende de nós.

Esta parábola nos exorta a não esconder a nossa fé e a nossa pertença a Cristo, a não enterrar a Palavra do Evangelho, mas a fazê-la circular na nossa vida, nas relações, nas situações concretas, como força que coloca em crise, que purifica, que renova. Assim também o perdão, que o Senhor nos dá especialmente no Sacramento da Reconciliação: não o tenhamos fechado em nós mesmos, mas deixemos que desencadeie a sua força, que faça cair muros que o nosso egoísmo levantou, que nos faça dar o primeiro passo nas relações bloqueadas, retomar o diálogo onde não há mais comunicação… E por aí vai. Fazer com que estes talentos, estes presentes, estes dons que o Senhor nos deu sejam para os outros, cresçam, deem frutos, com o nosso testemunho.

Acredito que hoje será um belo gesto que cada um de vocês peguem o Evangelho em casa, o Evangelho de São Mateus, capítulo 25, versículos de 14 a 30, e leiam isto, e meditem um pouco: “os talentos, as riquezas, tudo aquilo que Deus me deu de espiritual, de bondade, a Palavra de Deus, como faço com que cresçam nos outros? Ou somente os protejo em um cofre?”.

E também o Senhor não dá a todos as mesmas coisas e no mesmo modo: conhece cada um de nós pessoalmente e nos confia aquilo que é certo para nós; mas em todos, em todos há algo de igual: a mesma, imensa confiança. Deus confia em nós, Deus tem esperança em nós! E isto é o mesmo para todos. Não o desiludamos! Não nos deixemos enganar pelo medo, mas vamos retribuir confiança com confiança! A Virgem Maria encarna esta atitude no modo mais belo e mais pleno. Ela recebeu e acolheu o dom mais sublime, Jesus em pessoa, e à sua volta O ofereceu à humanidade com coração generoso. A ela peçamos para nos ajudar a sermos “servos bons e fiéis” para participar “da alegria do nosso Senhor”.


(Ângelus com o Papa Francisco, 16/11/2014)

Pecados que se tornam hábitos


Diz Scott Hahn, no livro "O Banquete do Cordeiro": "Temos que considerar o pecado como uma ação que destrói nosso vínculo familiar com Deus e nos afasta da vida e da liberdade. Como isso acontece? Temos a obrigação, antes de tudo, de resistir à tentação. Se então falhamos e pecamos, temos a obrigação de nos arrependermos imediatamente. Se não nos arrependemos, Deus nos deixa por nossa conta: permite que experimentemos as consequências naturais de nossos pecados, os prazeres ilícitos. Se seguimos sem arrependimento - mediante a abnegação e os atos de penitência - Deus permite que continuemos em pecado, FORMANDO ASSIM UM HÁBITO, UM VÍCIO, QUE OBSCURECE NOSSO ENTENDIMENTO E DEBILITA NOSSA VONTADE.

Uma vez que estamos presos a um pecado, nossos valores se tornam revés. O mal se converte em nosso "bem" mais urgente, nosso mais profundo anseio; o bem se apresenta como um "mal" porque ameaça nos separar da satisfação de nossos desejos ilícitos.

Chegados a esse ponto, O ARREPENDIMENTO SE TORNA QUASE IMPOSSSIVEL, PORQUE O ARREPENDIMENTO É, POR DEFINIÇÃO, UM SEPARAR-SE DO MAL E VOLTAR-SE PARA O BEM; porém, neste momento, o pecador redefiniu a consciência tanto do bem como do mal. Isaías disse de tais pecadores: "Ai dos que chama de bem o mal e de mal, o bem" (Is 5,20)."