domingo, 18 de março de 2012

Uma brisa suave e amena

O Primeiro Livro dos Reis, escrito uns seis séculos antes da era cristã, descreve uma curiosa experiência de Deus, rica de ensinamentos e atual.

O profeta Elias não se conformava com o comportamento do Povo Escolhido, que deixara de lado o culto ao Deus verdadeiro para seguir falsos profetas, adoradores de Baal, deus de povos vizinhos. Uma vez que os argumentos não conseguiram convencer os israelitas, Elias lhes propôs um desafio: mataria um touro, o prepararia para o sacrifício e pediria a Deus que acendesse o fogo. Os 450 profetas de Baal, por seu lado, fariam o mesmo. Conforme o resultado obtido, todos poderiam ver, com clareza, do lado de quem estava o Deus verdadeiro.

O povo de Israel respondeu a Elias: “Ótima proposta!” (1Re 18,24). Também os profetas de Baal concordaram com o desafio e prepararam o novilho para a oferenda. Quando tudo estava pronto, começaram a invocar o nome de seu deus, mas sem acender o fogo, conforme fora combinado. Multiplicaram as orações e nada conseguiram. Vendo-os e escutando-os, Elias, um profeta com ironia nada sutil, aproveitou a oportunidade para um comentário: “Gritai mais forte, pois ele é deus, tem suas preocupações: teve de se ausentar ou está de viagem; talvez esteja dormindo e precisa ser acordado” (1 Re 18,27). O grupo de Baal passou das súplicas aos gritos; se autoferiu até o sangue escorrer. E não obteve resposta.

Ao chegar sua vez, Elias, além de preparar o altar, mandou que derramassem água sobre a lenha e a oferenda. Pediu, então, que Deus se manifestasse: “Escuta-me, Senhor, escuta-me para que este povo reconheça que tu, Senhor, és Deus e que convertas os corações deles” (1Re 18,37). A resposta foi imediata: veio fogo sobre o altar, consumindo a oferta, a lenha e as pedras. Tirando proveito de seu sucesso, e querendo exterminar o mal pela raiz, Elias mandou que fossem degolados todos os profetas de Baal. Por causa disso, foi ameaçado de morte e perseguido. Para piorar sua situação, sentiu o desgosto de ver que os seguidores deles, mesmo após a manifestação do poder divino, não se converteram. Desanimado e com vontade de morrer, foi socorrido providencialmente por um anjo e partiu em direção ao Monte Horeb, berço da aliança entre Deus e seu povo. Ali fez o que chamamos de “experiência de Deus”.

Sabendo que o Senhor passaria em seu caminho, Elias o esperou, de pé. Viu então, sucessivamente, vários fenômenos atmosféricos grandiosos. Ficou atento, pois Deus poderia se manifestar através deles. Mas Ele não estava nem no furacão violento, nem no terremoto, como também não estava no fogo. “Finalmente... percebeu-se uma brisa suave e amena” (1Re 19,12); o Senhor estava nela.

Aplicando essa experiência de Elias aos dias de hoje, concluímos que também em nossa vida Deus se manifesta de diversas maneiras. Por vezes, serve-se de acontecimentos extraordinários, fortes, como se fossem um “tsunâmi” em nossa vida.

Normalmente, porém, manifesta-se através de “brisas suaves” – isto é, de acontecimentos tão simples que nem valorizamos, tão rotineiros que quase nem percebemos, tão frequentes que não lhes damos importância. Neles, o Senhor passa em nossa vida. Ora, cada passagem divina é especial, porque é única. Consciente disso, Santo Agostinho († 430) manifestou uma preocupação, que traduzo assim: “O que acontecerá comigo, se Ele passar e não mais voltar?...”

Elias nos ensina a cultivar a atitude de prontidão. O profeta não sabia quando o Senhor passaria, não sabia nem a maneira que o Senhor escolheria para se manifestar. Afinal, não cabia a ele próprio fazer tal escolha, mas a Deus. Conosco, não é diferente. É necessário, pois, estar atentos. Caso contrário, poderemos aumentar o grupo formado por aqueles que vivem correndo atrás de experiências emocionais, inclusive no campo religioso. Tais pessoas buscam o que agrada a seus sentidos, o que acalma seus pensamentos e não compromete sua consciência. Enfim, buscam um “deus” à sua própria imagem e semelhante. Enquanto isso, o Deus vivo e verdadeiro passa em suas vidas como uma brisa suave e amena...

Dom Murilo S.R. Krieger

Em santidade



Em santidade
(Ministério Adoração e Vida) 

Em santidade, em santidade, em santidade sobre a Terra eu devo andar
Em santidade, em santidade, em santidade, Tua graça posso alcançar
E romper com as trevas

Como posso eu querer que a bênção venha sobre minha casa?
Como posso esperar que meus sonhos e meus planos aconteçam?
Como irei compreender?
Se minha vida passa longe da verdade que eu ouvi 
Se os meus passos, já não tocam os caminhos que aprendi 
Meu argumento me empobrece e me faz pensar assim
Que estou tão certo e é perfeito, o meu jeito de servir
Digo que amo minha Igreja e o chamado que atendi
Mas já não ouço os conselhos e a Palavra que há em mim
Sonho que um dia a Boa Nova se espalhe até os confins
Mas sem santidade, sem fidelidade, toda obra ruma ao fim

Em santidade, em santidade, em santidade sobre a Terra eu devo andar
Em santidade, em santidade, em santidade, Tua graça posso alcançar
E romper com as trevas

Como posso eu querer que a bênção venha sobre minha casa?
Como posso esperar que meus sonhos e meus planos aconteçam?
Quando irei compreender?

sábado, 17 de março de 2012

A vida não é uma balada

O direito de se divertir e encontrar os amigos para algumas horas de distração  juntos, nunca pode tirar, da consciência, o dever de cuidar-se e cuidar dos outros. Os encontros sempre foram uma oportunidade bonita de estreitar laços de amizade e construir relacionamentos verdadeiros. As baladas são uma oportunidade positiva, para quem tem a cabeça no lugar, assim outros ambientes sociais, e podem conduzir a uma verdadeira vivência dos valores da vida humana, como por exemplo a amizade, o respeito e a valorização do outro e da vida. Somos ou não somos corresponsáveis para criar um mundo melhor? Acreditamos ou não que a vida é presente de Deus e que deve ser preservada a todo custo?

Diante de tantos fatos de jovens se matando no trânsito, excedendo em bebida alcoólica,  em drogas que afetam diretamente a consciência e o correto uso da razão; diante das reuniões exclusivas para determinados grupos sociais; diante da diversidade de opções que levam jovens ou adultos a viverem alienados em um mundo ilusório, acreditando serem felizes, pergunto: Quantas vidas foram e estão sendo ceifadas, a cada dia, por causa dos abusos e extravagâncias? Como convencer esta gente que pensa que a vida não vale nada? Como os pais podem ficar tranquilos em casa em um fim de semana, sem ver os filhos de volta? Quando e como voltam? Quantos não voltaram, senão em um carro funerário!

Como parte deste mundo imundo, não podemos estar de braços cruzados. Muitas iniciativas foram tomadas e estão sendo levadas a bom termo. Atitudes de repressão, como também de educação e de prevenção, são realizadas em todos os ambientes, com o objetivo de proporcionar qualidade de vida e favorecer a construção de uma sociedade cada vez mais solidária e segura.  Além de todo o trabalho feito, a prevenção e a verdadeira educação vêm da família, onde, desde pequenos, aprendem a viver os limites da vida, onde aprendem o quanto vale cada coisa que usam, sabem de onde veio e quanto suor custou. Ao mesmo tempo, aprendem, com os pais, o caminho da igreja, do amor e o temor de Deus. Desde o colo materno e paterno os pequenos aprendem que a vida vale mais, que acima de tudo temos um Deus que nos ama e nos quer ver felizes, aqui e na eternidade.

Sem querer fazer dos filhos estátuas ou múmias sem sentimentos ou desejos, os pais devem, como missão, oferecer um caminho onde saibam valorizar o pouco, onde saibam viver na abundância e na carência, onde aprendam deste a tenra idade a orar e dobrar os joelhos, reconhecer que não estão sozinhos. Ninguém pode furtar-se a esse dever. É puro engano pensar: Vou deixar meus filhos crescerem e quando grande eles decidem o que querem seguir. A primeira escola, a primeira igreja, a primeira professora, o primeiro catequista é a sua casa, é o seu colo, é sua experiência de Deus. Quantos pais e mães, vazios de Deus, sem nenhuma experiência espiritual para apresentar aos filhos! Ninguém dá o que não tem.  Com certeza, muitos deram tudo, menos o essencial. Com certeza, muitos não tinham nada e deram o que tinham: o amor e o carinho de quem acredita que a vida é dom de  Deus Pai. Assim vamos contemplar um mundo, onde a morte não ocupa o primeiro lugar e nem nossas ruas ficarão manchadas de sangue de inocentes e de irresponsáveis que matam e morrem. A vida não é uma balada.

Dom Anuar Battisti

Realiza o milagre



REALIZA O MILAGRE
(Dunga) 


Eu sei que Tu és o Deus do impossível
Eu sei que Tu és o Deus de milagres
Eu sei que Tu és o Deus do impossível
Eu sei que Tu és o Deus de milagres.


Tu que ouves a nossa oração
Tu que escutas o nosso clamor
Tu que sondas nosso coração
Tu que sabes o que precisamos, Senhor


Realiza o milagre em mim, Jesus
Realiza o milagre em mim, Senhor
Eu necessito da tua intervenção
na minha vida!


Eu sei que Tu és o Deus do impossível
Eu sei que Tu és o Deus de Milagres


Tu que ouves a nossa oração
Tu que escutas o nosso clamor
Tu que sondas nosso coração
Tu que sabes o que precisamos, Senhor


Realiza o milagre em mim, Jesus
Realiza o milagre em mim, Senhor
Eu necessito da tua intervenção
na minha vida

quinta-feira, 15 de março de 2012

Dor compartilhada é dor amenizada

Há uma coisa que aprendi de joelhos: se choro enquanto oro, se, na oração, as lágrimas brotam não somente dos olhos mas sobretudo do meu coração, compartilho com Deus a minha dor. É dessa partilha que nasce o meu amor por Deus. E é na “não-partilha” que ele acaba. Porque a gente só consegue amar a Deus depois de ver que ele não nos abandonou em meio aos nossos sofrimentos – depois de ver que ele é por nós. E, no exato momento em que pelas lágrimas abro o coração diante dele, o sofrimento perde força e a dor diminui. Dor compartilhada é dor amenizada, diz Santo Agostinho.

Um homem chamado Evágrio era discípulo de São Gregório Nazianzeno e viveu até o ano 399. Ele tinha aprendido de seu mestre e ensinava a todos que na oração deve-se sempre pedir o dom das lágrimas, pois elas têm a graça de suavizar toda dureza. É por isso que quem chora se acalma. E se chora tocado pelo dom do Espírito Santo recebe, então, uma tranquilidade cheia de paz, e uma calma feliz repousa em seu coração. É como diz o salmista: “Senhor, meu coração não se enche de orgulho, meu olhar não se levanta arrogante. Não procuro grandezas, nem coisas superiores a mim. Ao contrário, mantenho em calma e sossego a minha alma; tal como uma criança no seio materno, assim está minha alma em mim mesmo. Israel, põe tua esperança no Senhor, agora e para sempre” (Sl 130).

O coração depois do choro é como a terra depois da chuva. Os ares ficam mais leves, tudo fica mais limpo, certo frescor se faz sentir e a terra se torna mais fértil. Da mesma forma, depois das lágrimas vem a calmaria (cf. Tob 3,22), e uma paz cheia de vida abraça a gente por dentro. As lágrimas se derramam no momento em que a cabeça cede espaço ao coração e deixa que ele fale. É por isso que, na oração e neste dom, o coração encontra a paz, porque pode desabafar.

Existem certas coisas de que a gente só se livra quando conta para alguém. É assim que o coração se liberta de um mal que o oprime: manifestando-o, colocando-o para fora, falando, gemendo ou chorando. Dor compartilhada é dor amenizada. Dor dissimulada, escondida, disfarçada, é dor multiplicada. Pessoas que guardam tudo para si e não revelam seus sentimentos não tardam a manifestar enfermidades. Não é verdade quando se diz que homem que é homem não chora. A verdade é que homem que não se permite chorar fica doente. Uma mulher que não abre seu coração entra em amargura.

Hoje, vemos muitas pessoas em busca de formas de relaxamento, técnicas de meditação e autocontrole. Querem encontrar novamente um sentido para sua vida, querem se libertar da tristeza, do descontrole emocional, e esvaziar as tensões. Certamente, experimentariam grande alívio e curas profundas se, rompendo com os preconceitos, pedissem a Deus o dom das lágrimas e permitissem que o Espírito Santo penetrasse fundo em seus corações, libertando-as de seus ressentimentos, opressões e toda espécie de transtorno e confusão.

Quando o Espírito Santo nos visita com esse pranto inspirado, abre o nosso coração não para ficar curtindo a dor, mas para admitir que secretamente ela ainda lateja em nosso coração. Somente quando homem e mulher admitem a própria dor e dela não fogem mais, é que podem dominá-la e transformá-la. Não se vence a dor fugindo dela, mas abraçando-a e compreendendo-a.

Do Livro “O Dom das Lágrimas”,  Márcio Mendes

quarta-feira, 14 de março de 2012

Há alguns cujas palavras são como pontas de espada

"Há alguns cujas palavras são como pontas de espada, 
mas a língua dos sábios é saúde" (Prov. 12,18)

Um velho caminhoneiro depois de vinte longos anos trabalhando como empregado, fazendo suas economias a duras custas, chega em casa todo orgulhoso entra e chama a esposa.

O motivo de toda alegria era que ele finalmente tinha comprado o seu caminhão - não seria mais empregado - agora ele era o patrão. Ao chegar ao portão, para sua surpresa vê seu filhinho de 6 anos alegremente martelando a lataria do reluzente caminhão novo.

Irado, aos berros, sem pestanejar, no meio do seu furor toma o martelo das pequeninas mãos de seu filho e, impiedosamente começa a martelar aquelas pequeninas mãos de seu filho.

Sem entender nada o garoto começa a chorar desesperadamente, uma vez que a dor era insuportável chegando a levá-lo ao desmaio. A mãe do garoto, intuitivamente corre em socorro do filho, e, chamando a atenção do marido sem nada poder fazer naquele momento, aos prantos traz aquele caminhoneiro a realidade dos fatos, mostrando que através do seu ato de descontrole emocional provocou algo de tamanha monta para a família.

A alegria do novo caminhão se transformava em tristeza pela situação causada ao filho. O casal pega o menino, leva ao hospital, pensando que simples curativo era o suficiente para sarar aqueles machucados. Os médicos o levam para dentro, o menino precisava mais do que um simples curativo, estava agora na mesa de cirurgia. Várias horas se passaram quando um dos médicos desconsolados chega junto aos pais e diz: "Os tecidos infelizmente foram muitos dilacerados e foi preciso amputar todos os dedos do garoto, mas o garoto resistiu, vocês podem aguardar ele acordar da anestesia no quarto."

Quando o menino acordou os pais sorrindo, já que venceram parcialmente a batalha, vêem aquele rosto lindo inocente que disse: - Papai, me desculpe eu só queria consertar seu caminhão, como você me ensinou outro dia. Não fique bravo comigo.

O pai respondeu que não tinha mais importância, que toda sua fúria já havia passado, e o caminhão tinha conserto. O menino olhando com os olhos radiantes pergunta ao casal: - Quer dizer que não está mais bravo comigo?

- Não, responde o pai.

- Se estou perdoado papai, então quando meus dedinhos vão nascer de novo?

Apesar de contar uma história forte, ela tem um cunho real, porque na hora do ímpeto machucamos profundamente as pessoas a quem amamos, deixando seqüelas que às vezes não saram mais. Antes de agir com atos e palavras que podem traumatizar as pessoas devemos pensar, e porque não agirmos de uma forma racional.

Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus

Se me disserem: “Mostra-me o teu Deus”, dir-te-ei: “Mostra-me o homem que és e eu te mostrarei o meu Deus”. Mostra, portanto, como vêem os olhos de tua mente e como ouvem os ouvidos de teu coração.

Os que vêem com os olhos do corpo, percebem o que se passa nesta vida terrena, e observam as diferenças entre a luz e as trevas, o branco e o preto, o feio e o belo, o disforme e o formoso, o que tem proporções e o que é sem medida, o que tem partes a mais e o que é incompleto; o mesmo se pode dizer no que se refere ao sentido do ouvido: sons agudos, graves ou harmoniosos. Assim também acontece com os ouvidos do coração e com os olhos da alma, no que diz respeito à visão de Deus.

Na verdade, Deus é visível para aqueles que são capazes de vê-lo, porque mantêm abertos os olhos da alma. Todos têm olhos, mas alguns os têm obscurecidos e não vêem a luz do sol. E se os cegos não vêem, não é porque a luz do sol deixou de brilhar; a si mesmos e a seus olhos é que devem atribuir a falta de visão. É o que ocorre contigo: tens os olhos da alma velados pelos teus pecados e tuas más ações.

O homem deve ter a alma pura, qual um espelho reluzente. Quando o espelho está embaçado, o homem não pode ver nele o seu rosto; assim também, quando há pecado no homem, não lhe é possível ver a Deus.

Mas, se quiseres, podes ficar curado. Confia-te ao médico e ele abrirá os olhos de tua alma e de teu coração. Quem é este médico? É Deus, que pelo seu Verbo e Sabedoria dá vida e saúde a todas as coisas. Foi por seu Verbo e Sabedoria que Deus criou o universo: A Palavra do Senhor criou os céus, e o sopro de seus lábios, as estrelas (Sl 32,6). Sua Sabedoria é infinita. Com a sua Sabedoria, Deus fundou a terra; com a sua inteligência consolidou os céus; com sua ciência foram cavados os abismos e as nuvens derramaram o orvalho.

Se compreenderes tudo isto, ó homem, se a tua vida for santa, pura e justa, poderás ver a Deus. Se deres preferência em teu coração à fé e ao temor de Deus, então compreenderás. Quando te libertares da condição mortal e te revestires da imortalidade, então serás digno de ver a Deus. Sim, Deus ressuscitará o teu corpo, tornando-o imortal como a tua alma; e então, feito imortal, tu verás o que é Imortal, se agora acreditares nele.

São Teófilo de Antioquia, bispo, Séc.II