quinta-feira, 22 de março de 2012

O diabo: esperto e experto


Se alguém duvida da existência do diabo talvez seja porque nunca foi vítima de assaltos e estupros, roubos e sequestros, mentiras e calúnias, torturas físicas e psicológicas – ou de qualquer outra injustiça. Ou então uma pessoa que não tem filhos drogados nem cônjuges alcoólatras. Alguém que não precisa passar horas, dias e meses nas filas de espera ou nos corredores de um hospital. Por fim – para não prolongar a ladainha e a procissão – quem ainda não foi atingido pela corrupção generalizada e institucionalizada que oprime em toda a parte.

Em matéria de maldade e depravação, o ser humano parece não ter limites, superando qualquer outro animal. A hecatombe perpetrada durante a 2ª Guerra Mundial por Hitler, sobretudo – mas não só – à custa de judeus e de cristãos, amordaçando a consciência de um povo culto e desenvolvido como era o alemão, prova que não estava equivocado o rei Davi ao declarar: «Prefiro cair nas mãos de Deus, cuja misericórdia é imensa, do que nas mãos dos homens» (1Cr21,13).

Ante o sangue derramado ao longo da história – tanto que, até há poucos anos, o que ela narrava, eram sobretudo guerras e de revoluções – e diante dos sete vícios capitais que ofuscam e oprimem a existência e as relações humanas, parece difícil negar a existência de uma raiz iníqua, uma fonte contaminada, personificação do erro e do mal, numa palavra, do “Maligno”.

Sobre ele, a Igreja é sóbria e incisiva, como atesta o “Catecismo da Igreja Católica”, publicado pelo Papa João Paulo II, a 15 de agosto de 1997: «Por trás da opção de desobediência de nossos primeiros pais há uma voz sedutora que se opõe a Deus e que, por inveja, os faz cair na morte. A Escritura e a Tradição da Igreja veem neste ser um anjo destronado, chamado Satanás ou Diabo. A Igreja ensina que ele tinha sido anteriormente um anjo bom, criado por Deus».

Provavelmente, esta doutrina se fundamenta num texto do Apocalipse: «Aconteceu uma batalha no céu: Miguel e seus anjos guerrearam contra o Dragão. O Dragão batalhou juntamente com seus anjos, mas foi derrotado, e no céu não houve mais lugar para eles. Esse grande Dragão é a antiga Serpente, que seduz todos os habitantes da terra» (Ap 12,7-9).

Para Jesus, duas são as definições que melhor traduzem a identidade e a atividade do “Tentador”. Primeiramente, ele é o “pai da mentira” (Jo 8,44), já que, ao longo da história, o que ele melhor faz é enganar as pessoas: «No dia em que comerem deste fruto, seus olhos se abrirão e vocês se tornarão como deuses, decidindo o que é bem e o que é mal» (Gn 3,5). É o que ele continua fazendo todos os dias, com experiência e resultados cada vez maiores...

Outra característica vista por Jesus no Demônio é de ser “assassino desde o início” (Jo 8,44). De fato, se existe na atualidade uma prova que mais fala da existência e do poder do Diabo é o clima de maledicência, discórdia, violência e vingança que medra em todos os ambientes e em toda a parte.

Na véspera de sua morte, Jesus rezou ao Pai por seus discípulos: «Não te peço que os tires do mundo, mas que os guardes do mal» (Jo 17,15). Na oração do “pai-nosso”, aparece o mesmo pedido: «Não nos deixes cair na tentação, mas livra-nos do mal» (Mt 6,13). Em ambas as citações, “mal” e “Maligno” se identificam, já que todos os que são levados pelo mal, o fazem porque seduzidos pelo Maligno.

Costuma-se dizer que a grande vitória alcançada pelo Demônio no século XX foi a de fazer crer que ele não passa de uma invenção... «Se Deus não existe, tudo é permitido», escreveu Dostoiévski. Mas, se isso acontece com Deus, muito mais com o Diabo. Ele age sorrateiramente, «disfarçando-se em anjo da luz» (2Cor 11,14), confundindo e invertendo os valores. O pecado passa a atrair mais do que a virtude. A liberdade é transformada em devassidão. A sabedoria é substituída pela esperteza. O dever pelo prazer. O ser pelo ter. O amor pelo ódio.

Para o apóstolo São João, «quem comete o pecado é escravo do Diabo – o pecador desde o princípio – mas o Filho de Deus veio ao mundo para destruir as obras do Diabo» (1Jo 3,8). Quem tem Deus, não teme o Demônio: «Se Deus é por nós, quem será contra nós?» (Rm 8,31). O Diabo só existe e tem poder nas pessoas e ambientes donde Deus foi banido...

Dom Redovino Rizzardo

quarta-feira, 21 de março de 2012

Páscoa: a nossa maior festa

Já estamos iniciando a quarta semana da Quaresma, tempo conversão e de preparação para a Páscoa. Mas, como tem sido nossos dias? Estamos, realmente, nos preparando para a maior festa da nossa fé? O artigo a seguir nos ajuda a refletir sobre esse tema.

Pergunte a qualquer criança de sete anos que esteja na catequese: “Qual é a festa mais importante da Igreja?”. Muito provavelmente ela responderá: “É o Natal!”. Talvez até mesmo você, leitor, também teria dado esta resposta. Mas será que o Natal é mesmo a festa mais importante da Igreja?

O Sagrado Magistério da Igreja nos ensina que “em cada semana, no dia que a Igreja passou a chamar 'dia do Senhor', ela recorda a ressurreição de Cristo, celebrando-a uma vez por ano, juntamente com sua sagrada paixão, na solenidade máxima da Páscoa” (Concílio Vaticano II, Constituição Conciliar sobre a Sagrada Liturgia, nº 102) e que, portanto, “a Páscoa não é simplesmente uma festa entre outras: é a festa das festas, a solenidade das solenidades” (Catecismo da Igreja Católica, nº 1169).

A salvação da humanidade começou a acontecer no mistério da Encarnação do Verbo, celebrado no Natal. Mas a consumação dessa salvação aconteceu no mistério da Ressurreição do Senhor, celebrado na Páscoa!

Nós realmente temos dado a devida importância para esta solenidade? Na sua realidade, como é a celebração do Tríduo Pascal? Certamente, milhares de pessoas vão à Igreja celebrar a Paixão do Senhor na Sexta-Feira Santa, com as belíssimas procissões do Encontro e do Senhor Morto. Mas quantas destas pessoas comparecem à Vigília Pascal para celebrar a Ressurreição do Senhor?

A Páscoa, muito mais do que troca de ovos de chocolate, é a celebração máxima da nossa fé: “se Cristo não ressuscitou, a vossa fé não tem nenhum valor e ainda estais nos vossos pecados. Mas, na realidade, Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram. Com efeito, por um homem veio à morte e é também por um homem que vem a ressurreição dos mortos. Como em Adão todos morrem, assim em Cristo todos serão vivificados, para que Deus seja tudo em todos!” (cf. 1Cor 15, 17.20-22.28).

Nesta reta final da Quaresma, façamos atos concretos de preparação para celebrar a Páscoa. Além da penitência, oração e jejum, coloquemos em prática um gesto muito nobre de caridade: instruir os que estão no erro (cf. Catecismo da Igreja Católica, nº 2447) a respeito da importância da Páscoa, para a qual se dirige todo o esforço quaresmal. Isso pode ser feito através da catequese, de formações, de pregações... enfim, em qualquer lugar onde dois ou mais estiverem reunidos em nome do Senhor! (cf. Mt 18,20).

João Paulo Veloso, Coordenador Nacional do Ministério para Seminaristas
www.rccbrasil.org.br

terça-feira, 20 de março de 2012

Utilidade das contrariedades

É vantajoso suportar, de quando em quando, algumas penas e contrariedades, porque elas chamam o homem à compreensão de si mesmo, fazendo-o reconhecer que está exilado neste mundo e que não deve colocar a sua esperança em alguma coisa da terra.

É bom padecermos de contradições algumas vezes e que os homens pensem mal ou pouco favoravelmente de nós, ainda que atuemos bem e tenhamos boa intenção. Estas coisas, muitas vezes, ajudam-nos a sermos humildes e nos defendem da presunção.

Com efeito, procuramos mais a Deus como testemunha de nossa consciência, quando somos desprezados pelos homens ou pensam mal de nós.

Por isso, deveria o homem confiar de tal modo em Deus, que não fosse necessário buscar muitas consolações humanas.

Quando o homem de boa vida é atribulado, ou tentado, ou combatido por maus pensamentos, então conhece ter de Deus maior necessidade, experimentando que sem ele não pode fazer coisa boa.


Do Livro “Imitação de Cristo”

segunda-feira, 19 de março de 2012

Imagem e semelhança

Dia de São José - Simplesmente José!



SIMPLESMENTE JOSÉ
(Mensagem Brasil)
 
Eu tão simples, tão pequeno, um carpinteiro e nada mais.
Mas meu Deus olhou pra mim e me escolheu pra ser pai do Filho Seu.
Eis-me aqui, faça-se em mim o Teu querer,
Sou Teu José, simples José e nada mais.


Eu tão simples, tão pequeno, um carpinteiro e nada mais.
Mas meu Deus olhou pra mim e me escolheu pra ser pai do Filho Seu.
Eis-me aqui, faça-se em mim o Teu querer,
Sou Teu José, simples José e nada mais.


Eu sou escravo de Tua promessa, feito pra amar até o fim.
Eu sou escravo de Tua promessa e sou feliz vivendo assim.


Eu tão simples, tão pequeno, um carpinteiro e nada mais.

Pois sou escravo de Tua promessa, feito pra amar até o fim.
Eu sou escravo de Tua promessa e sou feliz vivendo assim.

domingo, 18 de março de 2012

Uma brisa suave e amena

O Primeiro Livro dos Reis, escrito uns seis séculos antes da era cristã, descreve uma curiosa experiência de Deus, rica de ensinamentos e atual.

O profeta Elias não se conformava com o comportamento do Povo Escolhido, que deixara de lado o culto ao Deus verdadeiro para seguir falsos profetas, adoradores de Baal, deus de povos vizinhos. Uma vez que os argumentos não conseguiram convencer os israelitas, Elias lhes propôs um desafio: mataria um touro, o prepararia para o sacrifício e pediria a Deus que acendesse o fogo. Os 450 profetas de Baal, por seu lado, fariam o mesmo. Conforme o resultado obtido, todos poderiam ver, com clareza, do lado de quem estava o Deus verdadeiro.

O povo de Israel respondeu a Elias: “Ótima proposta!” (1Re 18,24). Também os profetas de Baal concordaram com o desafio e prepararam o novilho para a oferenda. Quando tudo estava pronto, começaram a invocar o nome de seu deus, mas sem acender o fogo, conforme fora combinado. Multiplicaram as orações e nada conseguiram. Vendo-os e escutando-os, Elias, um profeta com ironia nada sutil, aproveitou a oportunidade para um comentário: “Gritai mais forte, pois ele é deus, tem suas preocupações: teve de se ausentar ou está de viagem; talvez esteja dormindo e precisa ser acordado” (1 Re 18,27). O grupo de Baal passou das súplicas aos gritos; se autoferiu até o sangue escorrer. E não obteve resposta.

Ao chegar sua vez, Elias, além de preparar o altar, mandou que derramassem água sobre a lenha e a oferenda. Pediu, então, que Deus se manifestasse: “Escuta-me, Senhor, escuta-me para que este povo reconheça que tu, Senhor, és Deus e que convertas os corações deles” (1Re 18,37). A resposta foi imediata: veio fogo sobre o altar, consumindo a oferta, a lenha e as pedras. Tirando proveito de seu sucesso, e querendo exterminar o mal pela raiz, Elias mandou que fossem degolados todos os profetas de Baal. Por causa disso, foi ameaçado de morte e perseguido. Para piorar sua situação, sentiu o desgosto de ver que os seguidores deles, mesmo após a manifestação do poder divino, não se converteram. Desanimado e com vontade de morrer, foi socorrido providencialmente por um anjo e partiu em direção ao Monte Horeb, berço da aliança entre Deus e seu povo. Ali fez o que chamamos de “experiência de Deus”.

Sabendo que o Senhor passaria em seu caminho, Elias o esperou, de pé. Viu então, sucessivamente, vários fenômenos atmosféricos grandiosos. Ficou atento, pois Deus poderia se manifestar através deles. Mas Ele não estava nem no furacão violento, nem no terremoto, como também não estava no fogo. “Finalmente... percebeu-se uma brisa suave e amena” (1Re 19,12); o Senhor estava nela.

Aplicando essa experiência de Elias aos dias de hoje, concluímos que também em nossa vida Deus se manifesta de diversas maneiras. Por vezes, serve-se de acontecimentos extraordinários, fortes, como se fossem um “tsunâmi” em nossa vida.

Normalmente, porém, manifesta-se através de “brisas suaves” – isto é, de acontecimentos tão simples que nem valorizamos, tão rotineiros que quase nem percebemos, tão frequentes que não lhes damos importância. Neles, o Senhor passa em nossa vida. Ora, cada passagem divina é especial, porque é única. Consciente disso, Santo Agostinho († 430) manifestou uma preocupação, que traduzo assim: “O que acontecerá comigo, se Ele passar e não mais voltar?...”

Elias nos ensina a cultivar a atitude de prontidão. O profeta não sabia quando o Senhor passaria, não sabia nem a maneira que o Senhor escolheria para se manifestar. Afinal, não cabia a ele próprio fazer tal escolha, mas a Deus. Conosco, não é diferente. É necessário, pois, estar atentos. Caso contrário, poderemos aumentar o grupo formado por aqueles que vivem correndo atrás de experiências emocionais, inclusive no campo religioso. Tais pessoas buscam o que agrada a seus sentidos, o que acalma seus pensamentos e não compromete sua consciência. Enfim, buscam um “deus” à sua própria imagem e semelhante. Enquanto isso, o Deus vivo e verdadeiro passa em suas vidas como uma brisa suave e amena...

Dom Murilo S.R. Krieger

Em santidade



Em santidade
(Ministério Adoração e Vida) 

Em santidade, em santidade, em santidade sobre a Terra eu devo andar
Em santidade, em santidade, em santidade, Tua graça posso alcançar
E romper com as trevas

Como posso eu querer que a bênção venha sobre minha casa?
Como posso esperar que meus sonhos e meus planos aconteçam?
Como irei compreender?
Se minha vida passa longe da verdade que eu ouvi 
Se os meus passos, já não tocam os caminhos que aprendi 
Meu argumento me empobrece e me faz pensar assim
Que estou tão certo e é perfeito, o meu jeito de servir
Digo que amo minha Igreja e o chamado que atendi
Mas já não ouço os conselhos e a Palavra que há em mim
Sonho que um dia a Boa Nova se espalhe até os confins
Mas sem santidade, sem fidelidade, toda obra ruma ao fim

Em santidade, em santidade, em santidade sobre a Terra eu devo andar
Em santidade, em santidade, em santidade, Tua graça posso alcançar
E romper com as trevas

Como posso eu querer que a bênção venha sobre minha casa?
Como posso esperar que meus sonhos e meus planos aconteçam?
Quando irei compreender?