domingo, 25 de março de 2012

Escolhas que saram

Quando um homem se entrega a Deus, não só suas orações, mas também suas escolhas e atitudes cooperam para sua cura. Depois de nos dar uma garantia, a Palavra de Deus nos manifesta uma ordem: “O Senhor conhece os que são seus. Renuncie a iniquidade todo aquele que pronuncia o nome do Senhor” (II Tm 2,19).

O Senhor conhece os que são seus. Deus conhece você. Sabe para quê você foi feito e até onde você aguenta. Ele sabe suas necessidades e conhece uma maneira saudável de supri-las.

Há sempre mais de um caminho para se alcançar um objetivo. Renuncie ao modo ruim, você que pronuncia o nome do Senhor. Nosso erro é ficar olhando para o modo como agem os outros que não se comprometeram com Deus. Os outros são os outros. Deixe que eles se entendam com Deus.

Quanto a nós, queremos o que é bom, o que presta, o que vale a pena. De que vale ser rico à custa de roubo? De que vale ser aprovado tendo copiado as respostas de alguém? Qual a vantagem de se dar bem à custa dos outros? Mais cedo ou mais tarde, tudo isso vem à tona.

A conquista só tem valor quando nos torna melhores. A Escritura nos compara compara com vasos (cf. II TM 2,20-21). Que tipo de vaso você é? Para que você serve? O que você traz dentro de si? Quem o usa? O maligno também tem seus vasos e costuma abastecê-los com tudo que é nocivo. Não devemos ser vasos envenenados, cheios de toda espécie de perversidade.

Para apontar o caminho, Timóteo avisa: “Foge das paixões da mocidade” (IITm 2,22). As paixões são nossas inclinações e emoções desequilibradas. Elas são mais fortes na juventude. O segredo para vencê-las é fugir delas. Fazemos isso de duas maneiras: ao buscar a justiça, a fé, o amor e a paz com aqueles que invocam a Deus, e ao rejeitar as discussões tolas e absurdas que geram contendas.

Numa família, entre amigos, na Igreja, dificilmente as pessoas brigam por coisas importantes. Em geral, desentendem-se por ninharias. Como insiste Timóteo, não convém a um homem de bem se meter em brigas e discussões nervosas. O caminho que nos torna serenos e equilibrados é outro.

Há um caminho para quem quer curar suas emoções e viver com mais saúde. Você quer percorrer esse caminho? Então, vamos viver bem um dia de cada vez, vamos ser bons com todos que cruzarem nosso caminho, manifestar-lhes um amor terno e paciente. Com doçura e firmeza, vamos ensinar e ajudar a sair do erro aquele que se perdeu. Mas, para isso, também teremos que ser pacientes em aceitar as chateações, as contrariedades, as decepções. E, se vamos ter que suportar tudo isso, de uma forma ou de outra, de que adianta ficar amuado e aborrecido? É com brandura que corrigimos nossos adversários para livrá-los do erro e dos laços do demônio (cf. II Tm 2,24-26).

Faça a experiência. Você perceberá que o primeiro beneficiado em suas escolhas será você. O bem que sai do seu coração não chega ao outro sem antes abençoar a sua vida.

Do Livro “O Dom da Cura”, de Márcio Mendes

sábado, 24 de março de 2012

Aprendendo a ser um servo fiel e manso

No tempo em que não havia automóveis, na cocheira de um famoso palácio real, um burro de carga curtia imensa amargura, em vista das pilhérias dos companheiros de apartamento.

Reparando-lhe o pêlo maltratado, as fundas cicatrizes do lombo e a cabeça tristonha e humilde, aproximou-se formoso cavalo árabe que se fizera detentor de muitos prêmios, e disse, orgulhoso: - Triste sina a que recebeste! Não invejas minha posição em corridas? Sou acariciado por mãos de princesas e elogiado pela palavra dos reis!

- Pudera! - exclamou um potro de fina origem inglesa - como conseguirá um burro entender o brilho das apostas e o gosto da caça? O infortunado animal recebia os sarcasmos, resignadamente.

Outro soberbo cavalo, de procedência húngara, entrou no assunto e comentou: - Há dez anos, quando me ausentei de pastagem vizinha, vi este miserável sofrendo rudemente nas mãos do bruto amansador. É tão covarde que não chegava a reagir, nem mesmo com um coice. Não nasceu senão para carga e pancadas. É vergonhoso suportar-lhe a companhia.

Nisto, admirável jumento espanhol acercou-se do grupo, e acentuou sem piedade: - Lastimo reconhecer neste burro um parente próximo. É animal desonrado, fraco, inútil, não sabe viver senão sob pesadas disciplinas. Ignora o aprumo da dignidade pessoal e desconhece o amor-próprio. Aceito os deveres que me competem até o justo limite; mas se me constrangem a ultrapassar as obrigações, recuso-me à obediência, pinoteio e sou capaz de matar.

As observações insultuosas não haviam terminado, quando o rei penetrou o recinto, em companhia do chefe das cavalariças. - Preciso de um animal para serviço de grande responsabilidade, informou o monarca, um animal dócil e educado, que mereça absoluta confiança.

O empregado perguntou: - Não prefere o árabe, Majestade?

- Não, não - falou o soberano, é muito altivo e só serve para corridas em festejos oficiais sem maior importância.

- Não quer o potro inglês?

- De modo algum. É muito irrequieto e não vai além das extravagâncias da caça.

- Não deseja o húngaro?

- Não, não. É bravio, sem qualquer educação. É apenas um pastor de rebanho.

- O jumento espanhol serviria? - insistiu o servidor atencioso.

- De maneira nenhuma. É manhoso e não merece confiança.

Decorridos alguns instantes de silêncio, o soberano indagou: - Onde está meu burro de carga?

O chefe das cocheiras indicou-o, entre os demais. O próprio rei puxou-o carinhosamente para fora, mandou ajaezá-lo com as armas resplandecentes de sua casa e confiou-lhe o filho ainda criança, para longa viajem.

E ficou tranquilo, sabendo que poderia colocar toda a sua confiança naquele animal...

Assim também acontece na vida. Em todas as ocasiões, temos sempre grande número de amigos, de conhecidos e companheiros, mas somente nos prestam serviços de utilidade real aqueles que já aprenderam a servir, sem pensar em si mesmos.

Deus me ama como sou

Num mundo onde as pessoas se sentem angustiadas com o desejo de agradar e serem agradadas, percebemos quão distante está a verdade do que realmente somos diante de Deus e diante de nós mesmos. Santa Teresinha, apesar de sua breve existência e em meio às suas dores, imperfeições e imaturidades, soube erguer seus olhos e pegar depressa o “elevador” que a conduziria aos braços do Pai. Descobriu-se aceita por um Deus que a amava e que faria tudo por ela. Esse exemplo de vida muito tem a nos ensinar, pois Teresinha se recusou a levar uma vida sem sentido e acreditou e nada colocou como impedimento para fazer da sua vida uma oportunidade de “cantar as misericórdias do Senhor”.

Como nós reagimos diante disso? Aceitamos ou não como somos ou quem somos? E de que maneira isso acontece?

“Onde está o Espírito do Senhor, lá está a liberdade” (cf. 2Cor 3,17). Deus é realista e deseja realizar sua obra em nossa vida na verdade, não em uma ilusão de quem somos ou como somos. A tentativa de negar ou vencer nossas fraquezas e limitações por nós mesmos é uma ilusão porque o próprio Jesus nos disse: “Sem mim nada podeis fazer”.

Uma das formas mais eficazes de deixar a graça de Deus agir em nós é dizer “sim” ao que somos e às situações que enfrentamos dentro e fora de nós. Isso nos faz acreditar que a pessoa que o Pai ama não é a que eu irei me tornar ou a que eu desejo ser, mas a pessoa que eu sou. Deus não tem as expectativas ilusórias que nós temos de amar o que é ideal ou virtuoso, Ele ama de forma real, aliás, desconsidero que seja amor tudo que escape da realidade. Perdemos muito tempo tentando corresponder a modelos ou nos lamentando de nossos limites e fraquezas, ou porque poderíamos ser menos feridos, menos complicados... isso só faz retardar a belíssima obra que o Espírito Santo quer realizar em nós.

Muitas vezes bloqueamos a nossa intimidade com Deus recusando a nossa pobreza, fragilidade, debilidade, ao invés de nos reconhecermos pequenos, e sem nos darmos conta, esterilizamos a ação do Espírito Santo.

Um problema decorrente disso é que, quando não conseguimos acolher a nós mesmos, também não acolhemos os outros – e perdemos tempo reclamando por ele não corresponder às nossas expectativas.

Essas atitudes e sentimentos são muito sérios porque revelam uma não aceitação de nós mesmos muito forte, que tem raízes em uma falta de confiança e fé em Deus. Aceitar-nos como somos, com nossa pobreza e limites, não significa acomodar-se, tomar uma atitude passiva ou preguiçosa diante da vida. Ao contrário, já que o próprio Evangelho nos chama a sermos perfeitos (cf. Mt 5,48), é preciso querer melhorar, crescer, superar, progredir... é indispensável, porque deixar de progredir é deixar de viver! Mas tudo isso só acontece de forma equilibrada se nos aceitamos e reconhecemos necessitados de Deus.

Márcia Fernanda Moreno dos Santos – www.comshalom.org

Morada Santa


MORADA SANTA
(Ministério Amor e Adoração)
 
Sei que estás em mim, posso sentir o teu agir
O meu coração, tua morada santa
Sem tua presença não conseguirei seguir
Luz que ilumina todo o meu interior.

Onde estiver sei que comigo estarás
E se eu chorar sei que irás me consolar (2x)

Espírito de Deus, leva-me além
Conduz os passos meus,
Fazer tua vontade é o meu querer
Espírito de Deus, leva-me além
Farol a me guiar,
Na imensidão do mar do meu viver

sexta-feira, 23 de março de 2012

Quando só Deus é a resposta



“Digo-vos ainda isto: se dois de vós se unirem sobre a terra para pedir, seja o que for, consegui-lo-ão de meu Pai que está nos céus. Porque onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mt 18,19-20).




Por que eu perco todas as pessoas que amo?
Por que as coisas nunca dão certo para mim?
Por que eu estou passando necessidades?
Por que eu estou sofrendo?
Por que me sinto tão infeliz?
Por que eu fui traído?
Por que tive de passar por todas aquelas coisas quando era criança?

Essas e outras perguntas levaram muitas pessoas ao desespero. Há momentos da nossa vida em que a dor é tão aguda que nada parece responder às necessidades que temos. Onde encontrar a resposta que faz calar o coração?

Nem sempre as perguntas podem ser respondidas com palavras. Há casos cuja solução é humanamente impossível, como por exemplo, a morte de alguém ou uma doença incurável. Essa é a hora em que só Deus é a resposta.

A resposta pode ser um milagre. Ela existe! Mas cada pessoa precisa buscá-la pessoalmente, e o lugar do encontro é a oração. Deus pode e quer nos dar tudo do que necessitamos para ser felizes. Se muitas vezes não recebemos é porque não pedimos — temos dificuldade de acreditar que Ele nos atenderá.

Deus não nos quer atender se não tivermos a certeza de ser atendidos por Ele: “Tudo é possível ao que crê”. Não há limites! Para Deus, tudo é possível. Se os nossos problemas nos superaram, não superam a Deus. Se perdemos o domínio da situação, Deus não perdeu. Ele é o Senhor de tudo e de todos.

A oração é uma chave que abre as portas do Céu. Deus se comprometeu conosco e empenhou a Sua Palavra, já não pode voltar atrás. Ainda que os montes se abalem e as colinas mudem de lugar, Ele permanecerá fiel. Mesmo que passem o Céu e a Terra, Ele não abandonará você! Deus o ama e por isso lhe é fiel. Ele sabe do que você precisa e vem em seu socorro neste exato momento.

Não são poucas as pessoas que custam a crer que Deus vai ajudá-las; até acreditam que Ele é bom, acreditam também que é poderoso para fazer o que quiser. Pensam e aceitam que Deus fará bem a toda gente, mas não conseguem acreditar que o fará a elas. Na verdade, não se sentem amadas por Ele.

Se lhes perguntamos o porquê, a resposta não demora a vir: “Depois de tudo o que já fiz na vida… Eu não mereço… Os meus pecados são muitos”… A Palavra nos garante: “Se formos infiéis… ele continua fiel, e não pode desdizer-se” (2Tm 2,13b).

Ainda que tenhamos pecado e caído na infidelidade, Deus continua ao nosso lado e nos convida a voltar para Ele a fim de recebermos Seu amor. Ele veio para os pecadores e para os doentes, veio para quem precisa dEle.

E você?? Precisa de Deus??

O Senhor o ama e quer demonstrar o quanto. Permita que aconteça! Aproxime-se dEle confiantemente, pela oração, e verá o que realmente é verdade. Vive bem quem reza bem! Abra seu coração para ser amado e amar por meio da oração. Agora é um bom momento para começar esta nossa caminhada de oração, e se você já a começou será ainda melhor. Poderá lançar mais profundamente suas raízes no terreno fértil, úmido e quente de uma conversa amorosa com Deus.

Do livro “Quando só Deus é a resposta”, Márcio Mendes

Santo Anjo do Senhor

“Não poderá te fazer mal a desgraça,
nenhuma praga cairá sobre tua tenda.
Pois ele dará ordem a seus anjos
para te guardarem em todos os teus passos.”

(Sl 51,12)

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Que linda promessa!

Se você está sob a proteção de Deus, os anjos estão ao seu lado.

Já conversou com o seu anjo da guarda hoje?

Reze assim:

Santo Anjo do Senhor,

Meu zeloso guardador,

Se a ti me confiou a piedade divina,

Sempre me rege, me guarda,

Me governa, me ilumina.

Amém!




Do Livro “Deus Fala com Você”, de Marina Adamo

quinta-feira, 22 de março de 2012

O diabo: esperto e experto


Se alguém duvida da existência do diabo talvez seja porque nunca foi vítima de assaltos e estupros, roubos e sequestros, mentiras e calúnias, torturas físicas e psicológicas – ou de qualquer outra injustiça. Ou então uma pessoa que não tem filhos drogados nem cônjuges alcoólatras. Alguém que não precisa passar horas, dias e meses nas filas de espera ou nos corredores de um hospital. Por fim – para não prolongar a ladainha e a procissão – quem ainda não foi atingido pela corrupção generalizada e institucionalizada que oprime em toda a parte.

Em matéria de maldade e depravação, o ser humano parece não ter limites, superando qualquer outro animal. A hecatombe perpetrada durante a 2ª Guerra Mundial por Hitler, sobretudo – mas não só – à custa de judeus e de cristãos, amordaçando a consciência de um povo culto e desenvolvido como era o alemão, prova que não estava equivocado o rei Davi ao declarar: «Prefiro cair nas mãos de Deus, cuja misericórdia é imensa, do que nas mãos dos homens» (1Cr21,13).

Ante o sangue derramado ao longo da história – tanto que, até há poucos anos, o que ela narrava, eram sobretudo guerras e de revoluções – e diante dos sete vícios capitais que ofuscam e oprimem a existência e as relações humanas, parece difícil negar a existência de uma raiz iníqua, uma fonte contaminada, personificação do erro e do mal, numa palavra, do “Maligno”.

Sobre ele, a Igreja é sóbria e incisiva, como atesta o “Catecismo da Igreja Católica”, publicado pelo Papa João Paulo II, a 15 de agosto de 1997: «Por trás da opção de desobediência de nossos primeiros pais há uma voz sedutora que se opõe a Deus e que, por inveja, os faz cair na morte. A Escritura e a Tradição da Igreja veem neste ser um anjo destronado, chamado Satanás ou Diabo. A Igreja ensina que ele tinha sido anteriormente um anjo bom, criado por Deus».

Provavelmente, esta doutrina se fundamenta num texto do Apocalipse: «Aconteceu uma batalha no céu: Miguel e seus anjos guerrearam contra o Dragão. O Dragão batalhou juntamente com seus anjos, mas foi derrotado, e no céu não houve mais lugar para eles. Esse grande Dragão é a antiga Serpente, que seduz todos os habitantes da terra» (Ap 12,7-9).

Para Jesus, duas são as definições que melhor traduzem a identidade e a atividade do “Tentador”. Primeiramente, ele é o “pai da mentira” (Jo 8,44), já que, ao longo da história, o que ele melhor faz é enganar as pessoas: «No dia em que comerem deste fruto, seus olhos se abrirão e vocês se tornarão como deuses, decidindo o que é bem e o que é mal» (Gn 3,5). É o que ele continua fazendo todos os dias, com experiência e resultados cada vez maiores...

Outra característica vista por Jesus no Demônio é de ser “assassino desde o início” (Jo 8,44). De fato, se existe na atualidade uma prova que mais fala da existência e do poder do Diabo é o clima de maledicência, discórdia, violência e vingança que medra em todos os ambientes e em toda a parte.

Na véspera de sua morte, Jesus rezou ao Pai por seus discípulos: «Não te peço que os tires do mundo, mas que os guardes do mal» (Jo 17,15). Na oração do “pai-nosso”, aparece o mesmo pedido: «Não nos deixes cair na tentação, mas livra-nos do mal» (Mt 6,13). Em ambas as citações, “mal” e “Maligno” se identificam, já que todos os que são levados pelo mal, o fazem porque seduzidos pelo Maligno.

Costuma-se dizer que a grande vitória alcançada pelo Demônio no século XX foi a de fazer crer que ele não passa de uma invenção... «Se Deus não existe, tudo é permitido», escreveu Dostoiévski. Mas, se isso acontece com Deus, muito mais com o Diabo. Ele age sorrateiramente, «disfarçando-se em anjo da luz» (2Cor 11,14), confundindo e invertendo os valores. O pecado passa a atrair mais do que a virtude. A liberdade é transformada em devassidão. A sabedoria é substituída pela esperteza. O dever pelo prazer. O ser pelo ter. O amor pelo ódio.

Para o apóstolo São João, «quem comete o pecado é escravo do Diabo – o pecador desde o princípio – mas o Filho de Deus veio ao mundo para destruir as obras do Diabo» (1Jo 3,8). Quem tem Deus, não teme o Demônio: «Se Deus é por nós, quem será contra nós?» (Rm 8,31). O Diabo só existe e tem poder nas pessoas e ambientes donde Deus foi banido...

Dom Redovino Rizzardo