domingo, 2 de setembro de 2012

Liturgia Dominical


“É de dentro do coração humano que saem as más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. Todas estas coisas más saem de dentro, e são elas que tornam impuro o homem” (Mt 7,21-23)

O evangelho nos regala com um dos trechos mais significativos de Marcos: a discussão sobre o que é impuro  (Mc  7, 1-23). Os discípulos se puseram a comer sem lavar as mãos. Mas lá estavam alguns vizinhos piedosos, da irmandade dos fariseus, acompanhados de professores de teologia (escribas), vindos da capital, de Jerusalém. Logo se intrometeram, dizendo que é proibido comer sem lavar as mãos (como também se deviam lavar as coisas que se comprava no mercado, os pratos e tigelas, e tudo o mais). Mas Jesus acha tudo isso exagerado, sobretudo porque dão a isso um valor sagrado.

Na realidade, a piedade de  Israel era relativamente simples. Religião complicada era a dos pagãos, que viviam oferecendo sacrifícios e queimando perfumes para seus deuses, cada vez que desejavam alguma coisa ou queriam evitar um castigo.  Mas a religião de Israel era sóbria, pois só conhecia um único Deus e Senhor.  Consistia em observar o sábado, oferecer uns poucos sacrifícios, pagar o dízimo, e sobretudo, praticar a lealdade (amor e justiça) para com o próximo.  Moisés já tinha dito que não deviam acrescentar  nada a essas regras simples, admiradas pelos outros povos (1ª. leitura).  E Tiago  – o mais judeu dos autores do Novo Testamento -  diz claramente:  “Religião pura e sem mancha diante de Deus e Pai é esta: assistir os órfãos e as viúvas em suas dificuldades e guardar-se da corrupção do mundo” (Tg 1,27;  2ª. leitura).

Mas, no tempo de Jesus, os ”mestres da Lei”  tinham perdido esse  sentido de simplicidade. Complicaram a religião com observância que originalmente se destinavam aos sacerdotes. Clericalizavam a vida dos leigos.  Queriam ser mais santos que o Papa!  Chegavam a dizer que era mais importante fazer uma doação ao templo do que ajudar com esse dinheiro os velhos pais necessitados.  Inversão total das coisas. Ajudar o pai e a mãe é um dos Dez Mandamentos…. Declaravam também impuras um montão de coisas. No templo, tudo bem, o bezerro ou o cordeirinho a serem oferecidos têm que ser bonitos, puros, sem defeito.  Mas  no dia-a-dia, come o que tem e do jeito como pode.  Sobretudo, a gente pobre, os migrantes, como eram os amigos de Jesus. Contra todas essas invenções piedosas, Jesus se  inflama. Não é aquilo que entra na gente  – e que é evacuado no devido lugar  – que torna impuro, mas a malícia que sai de sua boca e de seu coração (Mc 7, 18-23).

Jesus quis sempre ensinar o que  Deus quer. A  Lei era uma maneira para “sintonizar” com a vontade de Deus.  E Jesus respeita a Lei, melhorando-a para torná-la  mais de acordo  com a vontade de Deus, que é o verdadeiro bem do ser humano. Isso é o essencial. O demais deverá estar a serviço do verdadeiro bem da gente e não o impedir.  A verdadeira sintonia com Deus, a verdadeira piedade é o amor a Deus e a seus filhos e filhas.  Práticas piedosas que atravancam  isso são doentias e/ou hipócritas.

Johan  Konings, S.J., www.franciscanos.org.br

sábado, 1 de setembro de 2012

O rio e o oceano



Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano ele treme de medo.

Olha para trás, para toda a jornada, os cumes, as montanhas, o longo caminho sinuoso através das florestas, através dos povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre.

Mas não há outra maneira.  O rio não pode voltar.

Ninguém pode voltar. Voltar é impossível na existência.

Você pode apenas ir em frente.

O rio precisa se arriscar e entrar no oceano.

E somente quando ele entra no oceano é que o medo desaparece.

Porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, mas tornar-se oceano.

Por um lado é desaparecimento e por outro lado é renascimento.

Assim somos nós, voltar é impossível na existência.

Você pode ir em frente e se arriscar.

Coragem! Torne-se oceano!

Do livro “Sabedoria em Parábolas”, Prof. Felipe Aquino

Para onde eu estou caminhando?


“Como é estreita a porta e apertado o caminho que leva 
à vida, e poucos são os que a encontram!” (Mt 7,14)

Realmente não pode haver segurança, enquanto não se puder responder a esta pergunta essencial: para onde eu caminho? Qual será o ponto final da minha trajetória terrena? É evidente que, sem Deus, sem eternidade, o único destino que as pessoas conhecem é o aniquilamento total.

A nossa vida, quando bem orientada, não acaba, mas se transfere para uma glória sem fim. Portanto, não há motivo algum para a insegurança em qualquer das suas formas. O que precisamos fazer é recuperar o sentido da vida que se encontra somente em Jesus Cristo, no seu Reino.

Rezemos hoje, insistentemente, para que a nossa confiança em Jesus se enraíze e não tenhamos medo do que há de vir.

“Sê forte e corajoso”.

Jesus, eu confio em vós!


Do livro “Comece Bem o Seu Dia”, Luzia Santiago

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

#FicaAdica 29



A cada boa ação você lança uma semente, mesmo que não veja a colheita. E ai está o que há de mais sublime na vida: lançar sementes de alegria, esperança e amor no coração das pessoas. Procure ver a vida como um imenso canteiro onde você diariamente lança sementes, onde você cuida, rega e protege. A colheita não é o mais importante e, sim, o ato bonito de semear…

Está aqui uma grande verdade: O que somos hoje, é fruto revelador do ontem. O que seremos amanhã, é semeadura do hoje. Portanto, pratique atos que enobreça o seu espírito e que atinjam positivamente as pessoas. Na experiência fantástica da vida semeamos, cuidamos, encontramos pessoas… amamos e somos amados. A vida, meu(minha) caro(a), é uma grande pedagogia do encontro!

Frei Paulo Sérgio, ofm

Você conhece Jesus Cristo?


Jesus foi rejeitado, porque se apresentou como um trabalhador que cresceu em Nazaré, ao lado de parentes, amigos e conhecidos. Seus conterrâneos não descobriram n'Ele nada de extraordinário que pudesse indicá-Lo como o Messias de Deus. No entanto, a extraordinariedade de Jesus-Messias está justamente aí, na encarnação, no fato de não ter nada que possa diferi-Lo da condição humana comum.
O Filho de Deus se fez como qualquer um de nós, e aqui está o nó da questão. Muitos afirmam que não creem, porque não veem. Os conterrâneos de Jesus não creem, porque veem o Jesus trabalhador, o Filho de Maria, um Homem do povo, que não frequentou nenhuma escola superior, um Homem que vem de Nazaré, lugarejo insignificante.

O escândalo da encarnação continua sendo um espinho atravessado na garganta de muito cristão de boa vontade. Por se encarnar nas realidades humanas, Jesus-Messias foi rejeitado. Ele faz pensar no desafio que é a encarnação do Evangelho na realidade do povo. Não podemos ficar paralisados como os conterrâneos do Senhor, pois Este rejeita o 
pecado da vaidade, do orgulho e da prepotência. Também rejeita o pecado da violência, da ganância e do egoísmo.

Muitas vezes, queremos um Cristo que aprove os nossos erros e que aplauda o nosso falso sucesso obtido à custa de opressão e desonestidade. Muitas vezes, não aceitamos um Cristo manso, pacífico, simples, humilde. A soberba nos faz querer um Cristo imponente, rico, opressor.

A nossa cegueira não concebe um Cristo que nos sugere o serviço aos irmãos, a capacidade de perdão, a simplicidade de coração. É preciso que meditemos sobre isto e transformemos a nossa vida. Jesus se fez um de nós a fim de facilitar o nosso entendimento, e não para complicá-lo. Ele se fez um de nós para que percebêssemos que as glórias deste mundo nada valem, que fomos feitos para uma glória maior.

Somos fracos, apegados às ilusões deste mundo e não percebemos os valores eternos. Renunciar ao pecado e aderir à mensagem de Cristo é o gesto mais sábio que um cristão pode ter.

Peçamos ao Senhor Jesus que Ele não permita que as adversidades nos impeçam de seguir adiante no cumprimento da missão a nós confiada.


Dom Eurico dos Santos Veloso