quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Um só Batismo para o perdão dos pecados


Nosso Senhor ligou o perdão dos pecados à fé e ao Batismo: "Ide por todo o mundo e proclamai o Evangelho a toda criatura. Aquele que crer e for batizado será salvo" (Mc 16,15.16). O Batismo é o primeiro e principal sacramento do perdão dos pecados, porque nos une a Cristo morto por nossos pecados, ressuscitado para nossa justificação, para que "também vivamos vida nova" (Rm 6,4).

"No momento em que fazemos nossa primeira profissão de fé, recebendo o santo Batismo que nos purifica, o perdão que recebemos é tão pleno e tão completo que não nos resta absolutamente nada a apagar, seja do pecado original, seja dos pecados cometidos por nossa própria vontade, nem nenhuma pena a sofrer para expiá-los. (...) Contudo, a graça do Batismo não livra ninguém de todas as fraquezas da natureza. Pelo contrário, ainda temos de combater os movimentos da concupiscência, que não cessam de arrastar-nos para o mal."

Neste combate contra a inclinação para o mal, quem seria suficientemente forte e vigilante para evitar toda ferida do pecado? "Se, portanto, era necessário que a Igreja tivesse o poder de perdoar os pecados, também era preciso que o Batismo não fosse para ela o único meio de servir-se dessas chaves do Reino dos Céus, que havia recebido de Jesus Cristo; era preciso que ela fosse capaz de perdoar as faltas a todos os penitentes, ainda que tivessem pecado até o último instante de sua vida."

É pelo sacramento da Penitência que o batizado pode ser reconciliado com Deus e com a Igreja:


Os Padres da Igreja com razão chamavam a Penitência de "um Batismo laborioso" (São Gregório Nanzianzeno). O sacramento da Penitência é necessário para a salvação daqueles que caíram depois do Batismo, assim como o Batismo é necessário para os que ainda não foram regenerados (Concílio de Trento).



Catecismo da Igreja Católica, § 977-980

Leitura Bíblica: 1 Cor 3, 2-9


Paulo repreende os coríntios:  havia divisões e fragilidades no seio daquela comunidade.  Talvez pudéssemos reescrever a página proclamada como primeira leitura para o hoje de nossas comunidades cristãs.

“Teria eu querido  falar-vos como a pessoas  cheias de sabedoria espiritual. Lamentavelmente não o posso.  Tenho que usar um linguajar mais fraco, dirigindo-me a pessoas que pensam conforme o mundo, ainda muito carnais, como crianças que ainda precisam de leite e não podem se alimentar de nutrição mais sólida.  Eu teria muito gosto de apontar para caminhos de eminente santidade:  que todos vivessem com entusiasmo em suas vidas o mistério pascal, que tomassem a decisão de se unir a outros missionários e ir destemidamente pelo mundo, de aceitar mesmo dar a vida pelo Cristo Jesus.  Mas vocês ainda são por demais carnais. Vejo rivalidades e rixas. Tudo isso prova que vocês são carnais, procedeis com impulso carnal.  Falta generosidade em vossos corações. Vocês estão se organizando pastoralmente.  Mas há uma certa competição entre este grupo e aquele outro. Por vezes  vocês me dão a impressão de que uns querem aparecer mais que os outros… Ou então  vejo que vocês fazem a sua obrigação mais ou menos mecanicamente, sem entusiasmo, sem essa vontade de ir além de todas as medidas. Vejo que alguns de vocês dizem que são de Apolo, outros de Paulo. Vejo que  há fixações em pessoas em detrimento da limpidez do anúncio da causa.  Vocês não entenderam o sentido da pregação. Os pregadores de ontem e de hoje são servos da Palavra. Eles não agem com espírito de competição.  São servos… fazem o que é preciso fazer, de modo que nem o que planta nem o que rega são importantes. Quem é importante é aquele que faz crescer.  Nós somos meros colaboradores de Deus. Vocês são a lavoura de Deus.  É ele que trabalha e que atua na evangelização e na pastoral.  Não são os  dons e talentos do pregador,  nem sua vontade de poder, sem seus engenhos “carnais”.  Fundamental deixar que  Deus faça crescer.  Seria triste se até o fim da vida eu tivesse que lhes dar sopinha de leite e  mingau de aveia.  Gostaria que vocês, pregadores de hoje, não viessem a impedir a ação de Deus e nunca se tornassem os donos da ação que é ação do Senhor. Quem dera que eu pudesse lhes dar o alimento de uma pregação mais robusta. Os pregadores, Apolo ou Paulo, não são chefes de partidos opostos. Estão a serviço da ação de Deus. Desaparecem para que Deus possa agir”.

Frei Almir Ribeiro Guimarães

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Aceita...


Aceita a vida que Deus te deu. Aceita-te como és.

Aceita teus familiares. Aceita teus conflitos.

Aceita tuas decepções. Aceita tua parentela.

Aceita tuas dificuldades financeiras.

Aceita tuas desilusões. Aceita as ingratidões contra ti.

Aceita tudo e todos.

Aceita atos e atitudes e faze o melhor que puderes.

Aceitar não quer dizer aplaudir e fazer o mesmo, mas compreender que
cada um de nós tem e faz o que pode, que cada indivíduo está num grau
diferente de evolução. Portanto, aceita o próximo como ele é.
Tu, porém, trabalha em favor de teu adiantamento espiritual e autoconhecimento.

Portanto, aceita-te como és, aceita teu próximo e faze sempre o teu melhor.

(Santo Agostinho)

Setembro da primavera...



Setembro, mês da Bíblia e da independência do Brasil.

Ó Pai de infinita ternura, nós te louvamos pelos encantos da primavera. Tu és o sol em meus caminhos. Tu és a beleza do meu jardim, a alegria dos meus familiares. Tu és o infinito do céu azul e das nuvens que enfeitam o firmamento.

Obrigada, Senhor, pela minha vida, pelo meu marido, filhos e netos que tenho. Obrigada pelos meus 73 anos de idade bem vividos.


Josefa Veneranda Dantas, em 01 de setembro de 2000. 


Leitura Bíblica - 1Cor 2, 10-16



“Não recebemos o espírito do mundo, mas recebemos o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos os dons da graça que Deus nos concedeu”.  Assim, lemos na epístola de  Paulo proclamada  na liturgia de hoje.

Ouvimos muitas vezes a expressão vida espiritual.  Levamos uma vida espiritual, precisamos viver uma intensa vida espiritual.  Tentamos nos manter em ligação estreita com o Senhor ao longo de toda a nossa trajetória.  Não somos dele apenas episódica e esporadicamente.  Vivemos no Senhor e para o Senhor porque o Espírito foi derramado em nossos corações e esse Espírito nos faz  conhecer as coisas de Deus.  Ele perscruta o nosso interior. Ele nos foi dado no batismo e está sempre sendo derramado na vida que levamos no seio da Igreja. O Espírito que repousou sobre o caos para colocar ordem no começo da criação, o Espírito que agiu nos profetas, o Espírito que havia pousado sobre Maria, o Espírito que pousou sobre Cristo no seu batismo  no Jordão, esse mesmo Espírito é derramado sobre os fiéis que vivem na Igreja.  Não temos uma vida espiritual parecida a um treinamento feito de ginástica espiritual, de empenhos que partem de nossa vontade.  O Espírito, derramado em nossos corações, permite que tudo em nós seja espiritual, em outras palavras, que tenha o hálito, o sopro do Espírito.  Assim, não temos mais o espírito do mundo. Colocamo-nos fora dos esquemas de lucro, de competitividade, de emulação vaidosa, de interesses egoístas.  Os que vivem espiritualmente deixam-se guiar pelo Espírito.

O Espírito nos leva a perscrutar e sondar os acontecimentos de cada dia. Esse Espírito revela aos cristãos e aos indivíduos os caminhos a serem percorridos para que a instauração do Reino se acelere, o Espírito reza em nós de tal forma  que não apenas movimentamos os nossos lábios ou formulamos nossos pedidos, mas o  Espírito reza em nós, esse Espírito nos permite compreender o sentido das Palavras que ouvimos e através da quais o Senhor quer nos falar e levar os cristãos à verdade.  Esse Espírito que, nas encruzilhadas da história sugere renovações e reformas,  aponta para o novo pedindo que sejamos cúmplices de sua novidade.

Paulo conclui: “O homem psíquico – o que fica no nível de suas capacidades naturais  – não aceita o que é do Espírito de Deus, pois isso lhe parece uma insensatez”.


Frei Almir Ribeiro Guimarães