terça-feira, 18 de setembro de 2012

(CIC) O poder das chaves


Depois de sua Ressurreição, Cristo enviou seus Apóstolos para "anunciar a todas as nações o arrependimento em seu Nome, em vista da remissão dos pecados" (Lc 24,47). Este "ministério da reconciliação" (2Cor 5,18) os Apóstolos e seus sucessores não o exercem somente anunciando aos homens o perdão de Deus merecido para nós por Cristo e chamando-os à conversão e à fé, mas também comunicando-lhes a remissão dos pecados pelo Batismo e reconciliando-os com Deus e com a Igreja graças ao poder das chaves recebido de Cristo:

A Igreja recebeu as chaves do Reino dos Céus para que se opere nela a remissão dos pecados pelo sangue de Cristo e pela ação do Espírito Santo É nesta Igreja que a alma revive, ela que estava morta pelos pecados, a fim de viver com Cristo, cuja graça nos salvou. (Sto. Agostinho)

Não há  pecado algum, por mais grave que seja, que a Santa Igreja não possa perdoar. "Não existe ninguém, por mau e culpado que seja, que não deva esperar com segurança a seu perdão, desde que seu arrependimento seja sincero." Cristo que morreu por todos os homens, quer que, em sua Igreja, as portas do perdão estejam sempre abertas a todo aquele que recua do pecado.

A catequese empenhar-se-á  em despertar e alimentar nos fiéis a fé na grandeza incomparável do dom que Cristo ressuscitado concedeu à sua Igreja: a missão e o poder de perdoar verdadeiramente os pecados, pelo ministério dos apóstolos de seus sucessores:

O Senhor quer que seus discípulos tenham um poder imenso: quer que seus pobres servidores realizem em seu nome tudo que havia feito quando estava na terra. (Sto. Ambrósio)

Os presbíteros receberam um poder que Deus não deu nem aos anjos nem aos arcanjos. Deus sanciona lá  no alto tudo o que os sacerdotes fazem aqui embaixo. (São João Crisóstomo)

Se na Igreja não existisse a remissão dos pecados, não existiria nenhuma esperança, nenhuma perspectiva de uma vida eterna e de uma libertação eterna. Demos graças a Deus, que deu à Igreja tal dom. (Sto. Agostinho)



Catecismo da Igreja Católica, § 981-983

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Falando com Deus (1)




Senhor Jesus, peço-Te a graça de saber amar como o Senhor ama.

Ensina-me a amar, meu amado Jesus.

Senhor, como é difícil viver o amor somente com a nossa capacidade humana, por isso necessito da Tua ajuda para viver o amor paciente, que sabe esperar o tempo certo para cada coisa; o amor bondade, que sabe ver algo de bom nas pessoas e que dedica tempo aos outros com atos de bondade; o amor sem egoísmo, que não é possessivo, que é capaz de ver e pensar no outro, preocupado com o bem comum; o amor que tudo perdoa, que não se ressente do mal e nem alimenta a vingança; o amor que tudo espera, que sempre tem esperança e nunca desanima; o amor que tudo suporta, que é capaz de amar mesmo sem ser amado e que persevera diante de todos os obstáculos.



“O amor é paciente, é benfazejo. 
Ele desculpa tudo, crê tudo, espera tudo, suporta tudo” 
(1Cor 13,4.7)



Do Livro “Eu falo com Deus”, de Marina Adamo

Impressão das Chagas em São Francisco


Leituras para hoje: Gálatas 6,14-18; Lucas 9,23-26

Os franciscanos comemoram hoje uma festa que lhes é particularmente cara ao coração:  a impressão das chagas do Senhor Jesus em Francisco de Assis.  As leituras acima mencionadas são próprias do Lecionário Franciscano. Paulo faz uma declaração solene no final de sua carta aos cristãos da Galácia:  não quer gloriar-se de outra coisa senão da cruz de nosso Senhor Jesus Cristo.  Diz que está crucificado para o mundo. Quem não seja molestado por ninguém porque traz em seu corpo as marcas de Jesus.  Lucas, no evangelho hoje proclamado,  recorda que os discípulos carregam a cruz de Cristo.  Não há como escapar dela.

Francisco ia fazendo sua caminhada. O Senhor o chamara para uma vida de extremo seguimento de Jesus.  O Pobrezinho foi mostrando docilidade e ao longo do tempo e foi vivendo os mistérios de Cristo. Quase no final de sua vida, em 1224, volta do Oriente, cansado, adoentado.  Experimenta também um mal-estar ao ver que o grande número dos frades  fez com que o primeiro fervor se arrefecesse. Entrega a um frade o governo da Ordem. Retira-se da cena.  Quer viver mais em intimidade com o Senhor.  Resolve fazer a quaresma de São Miguel no Monte  Alverne que lhe havia sido dado por um benfeitor agradecido. Está por volta da festa da Exaltação da Santa Cruz.  Leva consigo Frei Leão, a “ovelhinha querida”, como dizia.  Na paisagem agreste e severa do Monte queria estar com o Senhor. Aos poucos, no silêncio do lugar, diante de paisagens deslumbrantes, com frio e calor, com verde e  folhas secas  vai fazendo vir à tona o melhor de sua história e de sua trajetória.  Procura estar com o Senhor, sempre com o Senhor, pede que  Leão reze com ele. Está debilitado, com as vistas quase extintas e cheio de dores.  Na proximidade da festa da cruz exaltada recebe uma visita do alto.  Há um anjo em forma de Cruz, o crucificado em forma de anjo, um serafim ardoroso em forma de Cristo.  A visão era ardorosa.  Falava por si de amor e de ardor.  Na contemplação de tal visão,  Francisco se dá conta que em suas mãos, nos pés e no coração  há vestígios das chagas de seu Amado Senhor.  Francisco poderia dizer com toda verdade, com Paulo:  “Trago em meu corpo as marcas de Jesus”.

Sim, ao longo de sua vida Francisco fora se identificando com Cristo, ganhando a forma do Filho de Deus. Com a impressão das Chagas não era mais Francisco que descia a montanha do Alverne.  Era Francisco feito Cristo, imagem do Cristo.

Frei Almir Ribeiro Guimarães

domingo, 16 de setembro de 2012

#FicaAdica 34



Coloque sempre seus sentimentos no lugar certo. Isso significa que eles devem estar a serviço de nosso crescimento como cristãos e como seres humanos.

Quando somos machucados, costumamos nos rebelar, invadir espaços, desrespeitar pessoas, perder o controle. Por isso, será nosso contínuo exercício educá-los e, isso significa colocá-los sempre a serviço de nosso crescimento, santidade e bem do próximo...

Eles podem ser, na verdade, o nosso caminho de perfeição.

O que você acha!?


Ricardo Sá

Leitura Bíblica: Marcos 8, 27-35


“Naquele tempo, Jesus partiu com seus discípulos para os povoados de Cesareia de Filipe. No caminho perguntou aos discípulos: ‘Quem dizem os homens que eu sou?’” (Mc 8,27)

A pergunta foi feita pelo próprio Jesus  lá na região de Cesareia de Filipe: “E vós, quem dizeis que eu sou?”. A questão fora dirigida aos apóstolos. Pedro, tomando a dianteira, proclamou  Jesus em sua realidade messiânica:  “Tu és o Messias”.

Cada um de nós, mormente nós cristãos, ao longo de nossa vida vamos elaborando uma resposta pessoal e comunitária a esta pergunta:  “Quem sou eu para você?”

Alguns de nós nascemos numa família católica, recebemos os sacramentos, vivemos  o ano litúrgico.  Conhecemos as origens de Jesus, sabemos detalhes de seu nascimento, de sua infância, de sua idade adulta.  Entramos em contato com  seu ensinamento.  Pode ser que, durante um bom tempo da vida, tenhamos tido apenas noções intelectuais, ou fortemente intelectuais.

Pode ser que, num determinado momento de nossa vida, tenhamos feito essa esplendorosa experiência de que  Jesus não é mero personagem do passado, mas antes de tudo o Ressuscitado que vive e atua em nosso meio…  Encontramo-lo vivo atrás da Palavra proclamada, tiramos as sandálias dos pés quando, na celebração da missa, nas aparências do pão e do vinho, ele se torna presente e nos apresenta ao Pai. Encontramo-lo presente no seio da comunidade porque ele mesmo garantiu que quando dois ou três estivessem reunidos em seu nome ele estaria presente. Assim, ao longo de nossa vida vamos encontrando o Senhor e formulando nossa resposta. Não queremos apenas ficar com esse Jesus frio e distante…

Jesus é a presença no Altíssimo na terra dos homens. Ele vem da Trindade, se instala seio transparente de Maria.  Toma a condição de servo aquele que cria os espaços e é de tudo Senhor.  Vive em tudo a condição humana,  menos  o pecado.  Come o pão de nossas mesas, bebe a água de nossas fontes,  deslumbra-se com o ondular dos campos de trigo e com a singeleza do rosto de uma criança.  Ele é caminho, vida, pastor, água, fonte, porta, pão, cordeiro.  Mas sobretudo ele é o Ressuscitado que,  de modo particular, nos sacramentos  da Igreja nos dá sua vida.


Frei Almir Ribeiro Guimarães