terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Mais vale...




Mais vale prever a tempo e cuidar de ir fazendo boas obras que confiar no auxílio dos outros!

Se não é cuidadoso para consigo mesmo agora, quem terá solicitude por você no futuro?

Agora é o tempo precioso; “agora são os dias da salvação; agora é o tempo favorável (2Cor 6,2).

Porém, ai! Que não emprega hostilmente esse tempo em que poderia merecer a vida eterna. Virá tempo em que desejará um dia ou uma hora, para se emendar, e não sei se conseguirá.

Ah! Caríssimo, de quantos perigos poderia se livrar, de quantos temores fugir, se estivesse sempre temeroso e na expectativa da morte!

Trate agora de viver de tal modo que na hora da morte possa antes se alegrar  que temer.

Aprenda agora a desprezar tudo, para que então possa ir livremente para Cristo.

Castigue agora o seu corpo pela insuficiência.

Do Livro “Imitação de Cristo”

Ó admirável intercâmbio!


O próprio Filho de Deus, que existe desde toda a eternidade, o invisível, o incompreensível, incorpóreo, princípio que procede do princípio, a luz nascida da luz, a fonte da vida e da imortalidade, a expressão do arquétipo, divino, o selo inamovível, a imagem perfeita, a palavra e o pensamento do Pai, vem em ajuda da criatura feita à sua imagem, e por amor do homem se faz homem. Para purificar aqueles de quem se tornou semelhante, assume tudo o que é humano, exceto o pecado. Foi concebido por uma Virgem, já santificada pelo Espírito Santo no corpo e na alma, para honrar a maternidade e ao mesmo tempo exaltar a excelência da virgindade; e assumindo a humanidade sem deixar de ser Deus, uniu em si mesmo duas realidades contrárias, a saber, a carne e o espírito. Uma delas conferiu a divindade, a outra recebeu-a.

Aquele que enriquece os outros torna-se pobre. Aceita a pobreza de minha condição humana para que eu possa receber os tesouros de sua divindade. Aquele que possui tudo em plenitude, aniquila-se a si mesmo; despoja-se de sua glória por algum tempo, para que eu participe de sua plenitude.

Quais são essas riquezas da bondade? Qual é esse mistério que me concerne? Recebi a imagem divina mas não soube conservá-la. Ele assumiu a minha condição humana para restaurar a perfeição dessa imagem e dar a imortalidade a esta minha condição mortal. Assim estabelece conosco uma segunda aliança, muito mais admirável que a primeira.

Convinha que a santidade fosse dada ao homem mediante a humanidade assumida por Deus. Convinha que ele triunfasse desse modo sobre o tirano que nos subjugava, para nos restituir a liberdade e reconduzir-nos a si através de seu Filho, nosso Mediador; e Cristo realizou, de fato, esta obra redentora para a glória de seu Pai, que era o objetivo de todas as suas ações.

O bom Pastor, que dá a vida por suas ovelhas, veio ao encontro da que estava perdida, procurando-a pelos montes e colinas onde tu sacrificavas aos ídolos; tendo-a encontrado, tomou-a sobre seus ombros – os mesmos que carregaram a cruz – reconduzindo-a à vida eterna.

Depois daquela tênue lâmpada do Precursor, veio a Luz claríssima de Cristo; depois da voz, veio a Palavra; depois do amigo do esposo, o Esposo. O Senhor veio depois daquele que lhe preparou um povo perfeito, predispondo os homens, por meio da água purificadora, para receberem o batismo do Espírito.

Foi necessário que Deus se fizesse homem e morresse, para que tivéssemos a vida. Morremos com ele para sermos purificados; ressuscitamos com ele porque com ele morremos. Fomos glorificados com ele, porque com ele ressuscitamos.

Dos Sermões de São Gregório de Nazianzo, bispo

sábado, 1 de dezembro de 2012

#FicaAdica 52



As grandes pessoas que marcaram a história souberam transmitir seus conhecimentos e, principalmente a sabedoria que puderam colher em suas vidas. E esse é o verdadeiro sentido da tradição: passar para frente aquilo que realmente tem valor, aquilo que poderá transformar vidas! E, assim, também seremos lembrados quando atingirmos os corações das pessoas com a semente do bem que pudermos lançar.

Infelizmente pessoas más também são lembradas, porém para não serem seguidas. Ficam como exemplos negativos a nunca serem copiados. Podemos e devemos atingir as pessoas com nosso exemplo, com nossa ética, com nosso valores. Quando fazemos comunhão de vida com as pessoas, temos a possibilidade de entrar no espaço sagrado de cada uma delas. E neste chão sagrado podemos celebrar o amor mais sublime que é capaz de ficar para sempre, pois deixam marcas indeléveis… Então, prossiga semeando e, no fim, terás o que colher!

Frei Paulo Sérgio, ofm

Quando as coisas chegam ao fim


Dica de leitura para meditar neste dia: Apocalipse 22, 1-7

Estamos celebrando o último dia do ano litúrgico.  Na tarde deste sábado já colocaremos os nossos pés na estrada santa do advento. As leituras e as orações deste dia apontam para o fim.  As coisas vão chegando a seu termo.

Muitos dos textos dos evangelhos que falam do fim das coisas, do fim dos tempos, do fim de Jerusalém  usam uma linguagem apocalíptica e forte nem sempre compreensível  numa primeira abordagem. Os céus se escurecerão, o sol e a lua, os astros e as estrelas despencarão do firmamento.  Há  qualquer coisa de terrificante que produz medo.  Por isso faz bem meditar o texto da antífona de entrada: “O Senhor fala de paz a seu povo e a seus amigos e  a todos os que voltam para ele” (Sl  84,9).

A leitura do Apocalipse nos coloca diante de um dos mais belos textos do Novo Testamento.  O vidente fala de rio de água viva  que brotava do trono de Deus e do Cordeiro…Tudo é vida, tudo é vitalidade.  A água que vem de Deus e do peito do Cordeiro  levam vida a todos.  Fala-se da árvore  dá vida, uma  nova árvore, diferente da árvore do paraíso da qual os primeiros pais comeram no fruto que os levou à  morte.  As folhas agora servem para curar as nações.  Folhas de vida!

Tema da vida e tema da luz.  “Não haverá mais noite;  não se precisará mais da luz da lâmpada  nem da luz do sol, porque o Senhor Deus vai brilhar sobre eles e eles reinarão por toda a eternidade”.  O  Senhor anuncia sua vinda para breve.

Ah!  Essas vindas todas do Senhor.  A vinda do Senhor na carne do Menino das Palhas e a vinda nas inspirações,  a vinda nos sacramentos e a vinda no final de nossa história pessoal, a vinda no final de todos os tempos.  Estamos começando a sentir  no canto da boca  um gosto de advento e sentir no olfato um perfume da vinda do  Senhor. Uma das mais importantes posturas do cristão é a da vigilância.  Somos salvos pela graça, por iniciativa de Deus.  Mas cabe a cada um adotar um postura de vigilância.

Fim de um ano litúrgico!  Acabamos de percorrer uma longa estrada que começou com a promessa da vinda do Messias, com o nascimento do menino na simplicidade do presépio.  Estivemos no deserto com o Senhor antes de sua vida pública. Acompanhamos os passos do Senhor na Semana Santa e estivemos junto do sepulcro vazio com Madalena. Estivemos com apóstolos no tempo da ascensão. Percorremos meses de escuta da Escritura e de tempo de renovação de nossos propósitos e de educação  de nosso coração de discípulos. Tudo termina.  A partir da tarde deste sábado tudo  recomeça.

Frei Almir Ribeiro Guimarães

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Leitura Bíblica: Mateus 4, 18-22


André, tendo permanecido com Jesus e aprendido com ele muitas coisas, não escondeu o tesouro só para si mas correu depressa à procura de seu irmão, para fazê-lo participar da sua descoberta. Repara o que lhe disse: Encontramos o Messias (que quer dizer Cristo) (Jo 1,41).

Vede como logo revela o que aprendera em pouco tempo! Demonstra assim o valor do Mestre que o persuadira, bem como a aplicação e o zelo daqueles que, desde o princípio, já estavam atentos. Esta expressão, com efeito, é de quem deseja intensamente a sua vinda, espera aquele que deveria vir do céu, exulta de alegria quando ele se manifestou, e se apresa em comunicar aos outros a grande notícia.

Repara também a docilidade e a prontidão de espírito de Pedro. Acorre imediatamente. E conduziu-o a Jesus (Jo 1,42), afirma o Evangelho. Mas ninguém condene a facilidade com que, não sem muita reflexão, aceitou a notícia. É provável que o irmão lhe tenha falado pormenorizadamente mais coisas. Na verdade, os evangelistas sempre narram muitas coisas resumidamente, por razões de brevidade. Aliás, não afirma que acreditou logo, mas: E conduziu-o a Jesus (Jo 1,42), e a ele o confiou para que aprendesse com Jesus todas as coisas.

Estava ali, também, outro discípulo que viera com os mesmos sentimentos.

Se João Batista, quando afirma: Eis o Cordeiro e batiza no Espírito Santo (cf. Jo 1,29.33), deixou mais clara, sobre esta questão, a doutrina que seria dada pelo Cristo, muito mais fez André. Pois, não se julgando capaz de explicar tudo, conduziu o irmão à própria fonte da luz, tão contente e pressuroso, que não duvidou sequer um momento.

São João Crisóstomo, bispo