sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Leitura Bíblica: Isaías 29, 17-24; Mateus 9, 27-31


Todo este mês de dezembro tem perfume de esperança.  Ele vem. O Messias, na verdade, já veio. Estamos nos preparando para as grandes celebrações natalinas que revigoram nossa fé na encarnação do Verbo.  Tudo fala de esperança.

Isaías faz um elenco de eventos alvissareiros: os surdos ouvirão as palavras do livro e os olhos dos cegos verão no meio das trevas e das sombras. Os tempos messiânicos sempre foram descritos como aqueles que os cegos e os surdos seriam curados de suas limitações. E o texto continua  na leitura do Evangelho.  Jesus ali coloca um sinal do Reino. Dois cegos se aproximam dele. Querem a cura.  Antes de fazer o  gesto de cura, Jesus formula uma pergunta:  “Acreditais que eu posso fazer isso?”  Com a afirmativa, Jesus continua: “Faça-se conforme a vossa fé”. A cura é precedida de um ato de fé-confiança.  Toda essa simbologia nos remete para a cerimônia do batismo em que é dada a luz. Os que solicitam o batismo desejam uma iluminação. Luz, iluminação, círio pascal, abandono do pecado, do mundo das trevas, cura da cegueira mais profunda. Quando Jesus cura os dois cegos da leitura evangélica, toca os olhos e estes se abriram.

Toda esta simbólica nos remete, como afirmamos, ao sacramento do batismo. Muitos fomos batizados quando ainda não podíamos nos dar conta do que estava sendo em nós operado.  Em nossa caminhada de crescimento no conhecimento amoroso do mistério de Cristo, somos convidados a retomar tudo aquilo que constituiu nosso ingresso no universo da graça e da fé. Caminhantes e peregrinos nos damos conta que enxergamos mal. Não temos clareza no momento de fazer uma escolha fundamental.  Nossa inclinação para o mal perturba a limpidez de nossa visão. O pecado obscurece a razão. Sobretudo nos momentos em que a luminosidade de uma presença mais sensível do Senhor desaparece não sabemos que caminho tomar e que opção fazer.
Nos momentos de maior  lucidez buscamos pela luz.  Fazemos nossas as palavras do salmo:  “O Senhor é minha luz e salvação; de quem eu terei medo? O Senhor é a proteção da minha vida; perante quem eu tremerei?”

Isaías, na leitura hoje proclamada, continua  com palavras embebidas de esperança: “Os humildes aumentarão sua alegria  no Senhor, e os mais pobres dos homens se rejubilarão no Santo de Israel”.

Todas estas leituras quando ouvidas com as entranhas arrancam do mais profundo de cada um o desejo da iluminação e um sentimento de profunda gratidão ao Ressuscitado que vestido da luz a manhã da Páscoa nos tirou definitivamente das trevas.

Frei Almir Ribeiro Guimarães


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O Verbo de Deus virá a nós


Conhecemos uma tríplice vinda do Senhor. Entre a primeira e a última há uma vinda intermediária. Aquelas são visíveis, mas esta, não. Na primeira vinda o Senhor apareceu na terra e conviveu com os homens. Foi então, como ele próprio declara, que viram-no e não o quiseram receber. Na última, todo homem verá a salvação de Deus (Lc 3,6) e olharão para aquele que transpassaram (Zc 12,10). A vinda intermediária é oculta e nela somente os eleitos o veem em si mesmos e recebem a salvação. Na primeira, o Senhor veio na fraqueza da carne; na intermediária, vem espiritualmente, manifestando o poder de sua graça; na última, virá com todo o esplendor da sua glória.

Esta vinda intermediária é, portanto, como um caminho que conduz da primeira à última; na primeira, Cristo foi nossa redenção; na última, aparecerá como nossa vida; na intermediária, é nosso repouso e consolação.

Mas, para que ninguém pense que é pura invenção o que dissemos sobre esta vinda intermediária, ouvi o próprio Senhor: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos a ele (cf. Jo 14,23). Lê-se também noutro lugar: Quem teme a Deus, faz o bem (Eclo 15,1). Mas vejo que se diz algo mais sobre o que ama a Deus, porque guardará suas palavras. Onde devem ser guardadas? Sem dúvida alguma no coração, como diz o profeta: Conservei no coração vossas palavras, a fim de que eu não peque contra vós (Sl 118,11).

Guarda, pois, a palavra de Deus, porque são felizes os que a guardam; guarda-a de tal modo que ela entre no mais íntimo de tua alma e penetre em todos os teus sentimentos e costumes. Alimenta-te deste bem e tua alma se deleitará na fartura. Não esqueças de comer o teu pão para que teu coração não desfaleça, mas que tua alma se sacie com este alimento saboroso.

Se assim guardares a palavra de Deus, certamente ela te guardará. Virá a ti o Filho em companhia do Pai, virá o grande Profeta que renovará Jerusalém e fará novas todas as coisas. Graças a essa vinda, como já refletimos a imagem do homem terrestre, assim também refletiremos a imagem do homem celeste (1Cor 15,49). Assim como o primeiro Adão contagiou toda a humanidade e atingiu o homem todo, assim agora é preciso que Cristo seja o senhor do homem todo, porque ele o criou, redimiu e o glorificará.

Dos Sermões de São Bernardo, abade

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Mais vale...




Mais vale prever a tempo e cuidar de ir fazendo boas obras que confiar no auxílio dos outros!

Se não é cuidadoso para consigo mesmo agora, quem terá solicitude por você no futuro?

Agora é o tempo precioso; “agora são os dias da salvação; agora é o tempo favorável (2Cor 6,2).

Porém, ai! Que não emprega hostilmente esse tempo em que poderia merecer a vida eterna. Virá tempo em que desejará um dia ou uma hora, para se emendar, e não sei se conseguirá.

Ah! Caríssimo, de quantos perigos poderia se livrar, de quantos temores fugir, se estivesse sempre temeroso e na expectativa da morte!

Trate agora de viver de tal modo que na hora da morte possa antes se alegrar  que temer.

Aprenda agora a desprezar tudo, para que então possa ir livremente para Cristo.

Castigue agora o seu corpo pela insuficiência.

Do Livro “Imitação de Cristo”

Ó admirável intercâmbio!


O próprio Filho de Deus, que existe desde toda a eternidade, o invisível, o incompreensível, incorpóreo, princípio que procede do princípio, a luz nascida da luz, a fonte da vida e da imortalidade, a expressão do arquétipo, divino, o selo inamovível, a imagem perfeita, a palavra e o pensamento do Pai, vem em ajuda da criatura feita à sua imagem, e por amor do homem se faz homem. Para purificar aqueles de quem se tornou semelhante, assume tudo o que é humano, exceto o pecado. Foi concebido por uma Virgem, já santificada pelo Espírito Santo no corpo e na alma, para honrar a maternidade e ao mesmo tempo exaltar a excelência da virgindade; e assumindo a humanidade sem deixar de ser Deus, uniu em si mesmo duas realidades contrárias, a saber, a carne e o espírito. Uma delas conferiu a divindade, a outra recebeu-a.

Aquele que enriquece os outros torna-se pobre. Aceita a pobreza de minha condição humana para que eu possa receber os tesouros de sua divindade. Aquele que possui tudo em plenitude, aniquila-se a si mesmo; despoja-se de sua glória por algum tempo, para que eu participe de sua plenitude.

Quais são essas riquezas da bondade? Qual é esse mistério que me concerne? Recebi a imagem divina mas não soube conservá-la. Ele assumiu a minha condição humana para restaurar a perfeição dessa imagem e dar a imortalidade a esta minha condição mortal. Assim estabelece conosco uma segunda aliança, muito mais admirável que a primeira.

Convinha que a santidade fosse dada ao homem mediante a humanidade assumida por Deus. Convinha que ele triunfasse desse modo sobre o tirano que nos subjugava, para nos restituir a liberdade e reconduzir-nos a si através de seu Filho, nosso Mediador; e Cristo realizou, de fato, esta obra redentora para a glória de seu Pai, que era o objetivo de todas as suas ações.

O bom Pastor, que dá a vida por suas ovelhas, veio ao encontro da que estava perdida, procurando-a pelos montes e colinas onde tu sacrificavas aos ídolos; tendo-a encontrado, tomou-a sobre seus ombros – os mesmos que carregaram a cruz – reconduzindo-a à vida eterna.

Depois daquela tênue lâmpada do Precursor, veio a Luz claríssima de Cristo; depois da voz, veio a Palavra; depois do amigo do esposo, o Esposo. O Senhor veio depois daquele que lhe preparou um povo perfeito, predispondo os homens, por meio da água purificadora, para receberem o batismo do Espírito.

Foi necessário que Deus se fizesse homem e morresse, para que tivéssemos a vida. Morremos com ele para sermos purificados; ressuscitamos com ele porque com ele morremos. Fomos glorificados com ele, porque com ele ressuscitamos.

Dos Sermões de São Gregório de Nazianzo, bispo

sábado, 1 de dezembro de 2012

#FicaAdica 52



As grandes pessoas que marcaram a história souberam transmitir seus conhecimentos e, principalmente a sabedoria que puderam colher em suas vidas. E esse é o verdadeiro sentido da tradição: passar para frente aquilo que realmente tem valor, aquilo que poderá transformar vidas! E, assim, também seremos lembrados quando atingirmos os corações das pessoas com a semente do bem que pudermos lançar.

Infelizmente pessoas más também são lembradas, porém para não serem seguidas. Ficam como exemplos negativos a nunca serem copiados. Podemos e devemos atingir as pessoas com nosso exemplo, com nossa ética, com nosso valores. Quando fazemos comunhão de vida com as pessoas, temos a possibilidade de entrar no espaço sagrado de cada uma delas. E neste chão sagrado podemos celebrar o amor mais sublime que é capaz de ficar para sempre, pois deixam marcas indeléveis… Então, prossiga semeando e, no fim, terás o que colher!

Frei Paulo Sérgio, ofm