sábado, 5 de janeiro de 2013

(CIC) De que maneira os mortos ressuscitam?


Que é "ressuscitar"? Na morte, que é separação da alma e do corpo, o corpo do homem cai na corrupção, ao passo que sua alma vai ao encontro de Deus, ficando à espera de ser novamente unida a seu corpo glorificado. Deus, em sua onipotência, restituirá  definitivamente a vida incorruptível a nossos corpos, unindo-os às nossas almas, pela virtude da Ressurreição de Jesus.

Quem ressuscitará? Todos os homens que morreram: "Os que tiverem feito o bem (sairão) para uma ressurreição de vida; os que tiverem praticado o mal, para uma ressurreição de julgamento" (Jo 5,29).

De que maneira? Cristo ressuscitou com seu próprio corpo: "Vede as minhas mãos e os meus pés: sou eu!" (Lc 24,39). Mas ele não voltou a uma vida terrestre. Da mesma forma, nele" ressuscitarão com seu próprio corpo, que têm agora"; porém, este corpo será  "transfigurado em corpo de g1ória", em "corpo espiritual" (1Cor 15, 44):

Mas, dirá  alguém, como ressuscitam os mortos? Com que corpo voltam? Insensato! O que semeias não readquire vida a não ser que morra. E o que semeias não é o corpo da futura planta que deve nascer, mas um simples grão de trigo ou de qualquer outra espécie (...) Semeado corruptível, o corpo ressuscita incorruptível (...) os mortos ressurgirão incorruptíveis. (...) Com efeito, é necessário que este ser corruptível revista a incorruptibilidade e que este ser mortal revista a imortalidade (1Cor 15,35-37.42.52-53).

Este "corno" ultrapassa nossa imaginação e nosso entendimento, sendo acessível só na fé. Nossa participação na Eucaristia, no entanto, já  nos dá  um antegozo da transfiguração de nosso corpo por Cristo:

Assim como o pão que vem da terra, depois de ter recebido a invocação de Deus, não é mais pão comum, mas Eucaristia, Constituída por duas realidades, uma terrestre e a outra celeste, da mesma forma os nossos corpos que participam da Eucaristia não são mais corruptíveis, pois têm a esperança da ressurreição.

Quando? Definitivamente "no último dia" (Jo 6,39-40.44-54); "no fim do mundo". Com efeito, a ressurreição dos mortos está  intimamente associada à Parusia de Cristo:

Quando o Senhor, ao sinal dado, à voz do arcanjo e ao som da trombeta divina, descer do céu, então os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro (1Ts 4,16).

Catecismo da Igreja Católica, § 997-1001


sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

#FicaAdica 58



Maria, nossa Mãe, é a mulher da paciência. Sempre soube esperar o desígnio de Deus se cumprir, sem se afobar, sem gritar, sem reclamar... A paciência é amiga do silêncio e da fé. É a paciência que nos levará para o céu!

É o conselho que podemos tirar da palavra de Deus para nossa vida: "Aceita tudo o que te acontecer; na dor, permanece firme; na humilhação, tem paciência. Pois é pelo fogo que se experimentam o ouro e a prata, e os homens agradáveis a Deus, pelo cadinho da humilhação." (Eclo 2, 4-6)

Tenhamos fé e sejamos pacientes!

Felipe Aquino

Quebrei a cara


Decepcionei-me feio. Confiei para valer! Agora sofro por ter me decepcionado!

O que fazer? Já perdoei erros quase imperdoáveis, tentei substituir pessoas insubstituíveis, já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar com elas, mas também decepcionei alguém.

Só tenho a ausência de forças para recomeçar!

Mas como trabalhar com este sentimento que está aqui dentro de mim?

“Quebrei a cara” muitas vezes e em todas elas não tive medo de crescer e aprender!

Hoje tento mudar o foco. Olhar para mim e ver que também decepciono outras pessoas! Quantas vezes fiz propósitos eternos e cai na primeira oportunidade?

Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, é viver o Evangelho do recomeçar!

Valeu a pena ter vivido o Evangelho… Jesus foi decepcionado e mesmo assim recomeçou! Machucado, foi além.

Hoje quero também perdoar, pois perdoado eu fui… Condenar é o que não posso!

Perder com classe e com nobreza e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é muito para ser insignificante.

Preciso somente de tempo para reconstruir! Pegar a planta da casa e ver os cômodos que foram destruídos. Pois não cheguei ainda ao fim… há uma estrada ainda para percorrer.

Vamos à reconstrução?

Eu quero! E você?

Adriano Gonçalves, Comunidade Canção Nova

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Esperança

Gostamos de ano novo, roupa nova, carro novo, gente nova e bonita, ruas limpas, cidade organizada. Ninguém foi feito para curtir o desgaste e a feiura. Alegra-nos pensar que nascem de novo nossas esperanças quando se abre o mês de janeiro. É muito bom gostar e curtir as esperanças fundadas na certeza de que Deus nos fez para um mundo digno e bem tratado. Fomos feitos para a felicidade!

Contudo, muitas esperanças são frustradas devido ao choque com a dura realidade, de forma a gerar em muitas pessoas um pessimismo crônico diante dos acontecimentos e do mundo. Quando todos os municípios de nosso país acolheram novos representantes para o poder legislativo e novos prefeitos à frente do executivo, sensações contraditórias tomaram conta dos cidadãos. De um lado, é sempre o novo que vem à tona, cheio de promessas. Mas o refrão repetido tantas vezes da desconfiança nos políticos pode esvaziar o entusiasmo. Mais ao nosso alcance cotidiano, emprego novo ou primeiro emprego, aumento de salário, volta de férias, novo chefe na repartição, casa diferente, transferência, o casamento esperado. As surpresas estarão à nossa espera nos próximos doze meses, um dia depois do outro. E a cada dia basta o seu cuidado (Cf. Mt 6,34)! Por que tantas inquietações tomam conta de nosso coração? Erramos o alvo ao apostar no que é novo e promissor? Quais as razões para as muitas frustrações? Como preveni-las?

Nas últimas semanas, muitas pessoas arrumaram a casa e a vida para o fim do mundo, que não veio. Outras correram avidamente às previsões das várias categorias de adivinhos disponíveis no mercado! E muita gente ganhou dinheiro com tais oráculos! Os cristãos que fizeram a opção por seguir Jesus Cristo e querem viver o Evangelho com seriedade se encontram numa situação diferente. O ensinamento da Carta de São Pedro revela-se oportuno: “Ora, quem é que vos fará mal, se vos esforçais por fazer o bem? Mais que isso, se tiverdes que sofrer por causa da justiça, felizes de vós! Não tenhais medo de suas intimidações, nem vos deixeis perturbar. Antes, declarai santo, em vossos corações, o Senhor Jesus Cristo e estai sempre prontos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que a pedir” (1 Pd 3,13-15). Nosso convite de início do ano é para que todos cheguem justamente a compartilhar as razões da esperança.

De esperanças passamos à Esperança. Esta é a chave! Não apostamos nossa vida no sucesso aparente do lucro ou da vitória garantida e fácil. Não confundimos salvação com prosperidade imediata, não queremos chamar Deus à obra de nossas mãos (Cf. Os 14,4). Se porventura o ano que começa nos encontrar na cruz, que a mesma fé e a mesma confiança em Deus subsistam em nós! Esperança é virtude teologal, dada de presente no Batismo. Trata-se de viver na esperança, não apenas de esperanças. Viver com a mesma firmeza, na luz ou na escuridão, diante da vida ou da morte, fortes ou fracos, segurando nas mãos de Deus.

A prática do bem e das diversas virtudes humanas, a serem exercitadas no dia a dia do ano novo, tem seu fundamento nas chamadas virtudes teologais (Cf. Catecismo da Igreja Católica, números 1812-1829), as quais fundamentam e orientam as ações dos cristãos. São dadas por Deus para que sejamos capazes de agir como seus filhos e merecer a vida eterna. São elas a Fé, a Esperança e a Caridade.

Com a virtude da Esperança, desejamos como nossa felicidade o Reino dos Céus e a vida eterna, colocando nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiando-nos no socorro da graça do Espírito Santo, mais do que em nossas forças. “Continuemos a afirmar a nossa esperança, sem esmorecer, pois aquele que fez a promessa é fiel” (Hb 10,23). “Este Espírito, ele o derramou copiosamente sobre nós por Jesus Cristo, nosso Salvador, para que, justificados pela sua graça, nos tornemos, na esperança, herdeiros da vida eterna” (Tt 3,6-7). A aspiração à felicidade, plantada por Deus em nossos corações, é respondida pela virtude da esperança. Com ela, todas as expectativas que inspiram as nossas atividades são assumidas e ganham sentido. A partir dela, são purificadas as intenções, equilibrados os impulsos e eventuais exageros, moderada a concupiscência. Vale, sim, esperar o dia de amanhã, a aprovação num concurso, a casa nova e toda uma lista de coisas boas. Tudo encontra o seu lugar quando não é absolutizado. Só a escolha do seguimento de Jesus Cristo, aquele que é a única esperança, pode dimensionar adequadamente nossos afetos e sonhos.

“Espera, ó minha alma, espera. Ignoras o dia e a hora. Vigia cuidadosamente, tudo passa com rapidez, ainda que tua impaciência torne duvidoso o que é certo e longo um tempo bem curto. Considera que quanto mais pelejares, mais provarás o amor que tens a teu Deus e mais te alegrarás um dia com teu Bem-Amado em gosto e deleite que não podem ter fim” (Santa Teresa de Jesus, excl. 15,3). Para esta serenidade, é necessário confiar além do tempo e das vicissitudes dos dias que correm. O cristão, certo de que a “esperança é como uma âncora segura e firme” (Hb 6,19), tem a garantia de que o ano que começa será o melhor de todos e os que se seguirem, melhores ainda!

Dom Alberto Taveira Corrêa

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

#FicaAdica 57



Quem segue seu caminho sem saber por onde não deve ir corre um enorme risco de se perder!

Um caminho é seguro não somente quando se sabe aonde ir, pois, caminhos errados nos levam longe demais... Pior ainda é quando não se tem consciência do que acontece.

Uma sugestão delicada: procure listar os "nãos" que devem ser ditos, aqueles que já deveriam ter sido falados, aqueles esquecidos e os mais sinceros.

Será uma atitude corajosa e inovadora.

Ricardo Sá

Leitura Bíblica: João 1,19-28



João declarou: “Eu sou a voz que grita no deserto: ‘Aplainai o caminho do Senhor’” — conforme disse o profeta Isaías. (Jo 1,23)

Durante o tempo do advento tivemos a ocasião de meditar sobre   muitos aspectos da figura do Batista. Às portas do Natal lá estava ele, sua família, as graças que  receberam seus pais. Agora, neste tempo do Natal e antes da festa do Batismo do Senhor, novamente ele ocupa a cena. Faz questão de dizer que não é o Messias. Os judeus haviam enviado emissários ao deserto para colocarem uma pergunta fundamental a João: “Quem és tu?”

“Eu não sou o Messias. Não me tomem como tal. Eu sou o filho da velhice de meus pais. Nasci como uma graça do céu. Desde muito jovem aprendi a escutar a voz do Senhor. Vivi muito tempo no deserto. Longe dos ruídos e longe de mim mesmo. Não me assentei à mesa dos banquetes refinados. Não vesti de roupas sedosas. Procurei a austeridade. Foi assim que desejei viver. Ao longo dos tempos as pessoas haverão de me representar com os ombros caídos, vestido de peles de camelo, completamente despojado. Aliás, eu deveria me chamar  João, o despojado. Não digo isso para me gloriar. Mas porque de fato assim foi a minha vida.  Não andei buscando minha glória.
Sim, as pessoas logo compreenderam alguma coisa fundamental de minha vida e de minha missão:  batizar no batismo de conversão, preparar corações para o Messias. Por favor, tirem de suas cabeças essas ideias: eu não sou o Messias. Minha missão é a de apontar sua chegada e desaparecer.

Pode ser que eu tenha traços de Elias. Arde dentro de mim fogo e não tenho receio de denunciar aquilo que corrompe e destrói o homem… Vocês precisam levar uma resposta a respeito de minha pessoa: Eu sou a voz do que clama no deserto. Vim para aplainar os caminhos do Senhor.  Cumpro uma profecia de Isaias. Para mim, isto consistiu numa subida honra.  Sou apenas uma voz que anuncia a Palavra.

Aos poucos fui tomando consciência mais clara de minha missão.  Sou o pregador da transformação do coração, da conversão. O Senhor deseja que eu leve as pessoas ao seu interior e que lá elas descubram que precisam de uma purificação. Acolho-as  às margens do Jordão e faço com que mergulhem em suas águas… Sou o batizador… o Batista….o batizador dos pecados…. Prepara os caminhos do Senhor… Ele, o Messias é que importa…. Ele batizará na água e no Espírito.  Eu batizo com água, mas no meio de vós está aquele que vos não conheceis e que vem depois de mim. Eu não mereço desamarrar a correia de suas sandálias. Eu não sou o  Messias… simples e gloriosamente sou aquele que prepara seus caminhos.  Espero ter respondido aos seus questionamentos”

http://www.franciscanos.org.br