domingo, 3 de fevereiro de 2013

Descobrindo a beleza da vida

Os conceitos sobre beleza e felicidade variam muito de acordo com a maneira que cada pessoa vê a vida ou do momento que ela está vivendo. Basta observar quem está apaixonado, pois tudo fica lindo e vibrante ao seu redor. As mesmas paisagens adquirem um colorido diferente e o simples cantar de um pássaro tem um novo sentido.

Concordo com quem defende que a beleza da vida está escondida nas coisas simples, descomplicadas. Normalmente, as pessoas mais simples descobrem isso no dia a dia e são felizes com o que tem e onde estão.

Há quem diga ainda que as coisas mais bonitas da vida vêm do interior de cada um. As palavras sinceras e significativas, o sorriso espontâneo, o brilho dos olhos.

E ainda há quem diga que bonito mesmo é um dia de sol depois da noite chuvosa ou as noites enluaradas de verão, quando quase todos passeiam e se divertem. Bonito é procurar estrelas no céu e dá-las de presente a um amigo, namorado, filho, neto. É brincar com um simples raio de sol que fende a janela ou atravessa a fresta no telhado, enchendo de alegria a nossa vida. Aliás, às vezes, deixamos de prestar atenção no próprio sol e admirar sua beleza, mas um raio de sol que insiste em vibrar, não há quem não o veja, não se encante e brinque com ele. Isso é belo.

Bonito é chorar quando sentir vontade e deixar as lágrimas rolarem sem vergonha ou medo de críticas. É gostar da vida e deixar-se embalar por um sonho ainda que este nunca deixe de ser só um sonho. É ver a realidade do hoje sem nunca ser extremista e acreditar na beleza de todos os acontecimentos; vendo neles as marcas do Autor da vida. É continuarmos sendo gente em qualquer situação, também nos momentos difíceis - principalmente nestes -, e ser quem somos, vivendo bem todos os dias desta bonita vida que temos.

Resolvi escrever, pois esta é também uma forma de eternizar a beleza das descobertas. Tomara que a leitura deste texto desperte em você o gosto e o prazer de viver.

O fato é que por trás de cada acontecimento, por mais simples que seja, esconde-se a beleza e a preciosidade da arte de viver.

“Viver e não ter a vergonha de ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser um eterno aprendiz...
Eu sei que a vida devia ser bem melhor e será
Mais isso não impede que eu repita:
É bonita, é bonita e é bonita.” (Gonzaguinha)

Dijanira Silva,  Missionária da Comunidade Canção  Nova

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

#FicaAdica 63



Vencer não é competir com o outro e muito menos estar sempre fazendo comparações. Vencer é suplantar teus próprios limites, é ir além de tuas próprias capacidades, é derrotar teus inimigos interiores. E para que isso aconteça é necessário coragem. Coragem para planejar, coragem para arriscar, coragem para perder e também para ganhar… Coragem para não se deixar domar por aquilo que te quer fazer pequeno, pois nasceste para ser grande!

A coragem é uma virtude das pessoas fortes, daqueles (as) que se deixam inquietar e não se acomodam diante da própria vida. A força que não nos permite estacionar, a força do mar que quer sempre se expandir, a força da águia que quer voar ao infinito do céu… É esta a coragem que deve agir em nós como uma força motriz a nos impelir, a nos lançar na busca da meta, na realização daquele sonho que acompanha nossa própria trajetória humana…

Frei Paulo Sérgio, ofm

Leitura Bíblica: Marcos 4, 26-34




O reino de Deus é como um grão de mostarda…

O mundo novo de Deus, esse reino, é uma realidade presente, nem sempre visível… Mundo novo que está sendo misteriosamente gerado e que um dia, quando o tempo necessário tiver passado, aparecerá abertamente.  É como a semente que morre, mas  dá  vida, produz vida.

Pregadores, missionários, leigos discípulos   ouvimos  a ordem do Senhor: anunciar sempre o mundo novo, o reino, a vida que borbulha da palavra e da pessoa de Jesus, do Ressuscitado.  O catequista na catequese, os pais de família em casa, os enfermeiros dos hospitais, os  professores nas escolas, os padres no púlpito.  Semear, sem maiores preocupações… A força está na semente e a semente é trabalhada  pelo Senhor.  Semear e depois descansar.  A semente não depende de meus esforços vinte e quatro horas por dia. Faço minha parte e entrego ao Senhor.

A nós de semear, espalhar, incansavelmente,  falar, testemunhar, iluminar… O restante não  nos cabe fazer.  É obra do Senhor.  Ele é que age. Os que fazem o bem são impulsionados  pela força do Senhor. E pode levar tempo  para os resultados aparecerem…. A criança vê os pais serem de Cristo,  lê uma palavra, torna-se jovem.  Aceita ou rejeita as coisas do Senhor. Depois de rejeitar, aceita e volta.  Tempo da semente  frutificar.  Tudo com força do Senhor.  Não depende de quem prega.  Depende do convite do Senhor e da liberdade da resposta.  A mesma criança se torna um jovem  trabalhado pela graça…A semente vai fazendo seu caminho.

O mundo novo, o reino é semelhante a um grão de mostarda.  Tão diminuta semente que nem pode ser vista.   Plantada, quando medra, se torna um vistosa hortaliça. Ninguém podia imaginar a diferença  entre aquele insignificante começo e o final… quase uma árvore… Aquela mulher tão simples, quase uma santa… Assim acontece com o reino… são colocados gestos pequenos coisas de nada, pessoas que fazem o bem discretamente:  visitam os presos, dão banho nos velhos,  fazem papinha para o avô que divaga e delira.  Todos os dias.

O reino de Deus é como uma semente lançada à terra e que, ao longo do tempo da paciência, produz  seu  fruto.  Preciso ter paciência.  O reino de Deus é feito de coisas pequenas que, aos poucos, mudam a face da terra… Como um grão de mostarda.

Frei Almir Ribeiro Guimarães

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

São João Bosco, o santo do sorriso

“Um santo triste é um triste santo”. Essa frase se repete nos corredores salesianos, nas obras de Dom Bosco. A vida cristã não deve ser encarada como penosa, cansativa ou entediante.

Os mais próximos de São João Bosco foram, com o tempo, percerbendo que seu sorriso era proporcional aos problemas. Quanto mais dificuldades, mais feliz parecia. Desse comportamento nascem preciosos ensinamentos: é preciso confiar na providência divina; nosso rosto não nos pertence, antes aos outros; não basta amar, é preciso expressar o amor. Quem está ao nosso redor precisa perceber nosso “odor” cristão da caridade.

Dom Bosco exalou fortemente o Cristianismo. Tanto que, quase 80 anos após sua canonização, sua mensagem continua atual. Sua santidade ainda inspira, cativa, ilumina. Há três anos, recebemos na Canção Nova suas relíquias, seu sorriso que desarmou as resistências dos jovens, afastou as desconfianças, atraiu a santidade.
São João Bosco tinha uma santa “obsessão” por seus jovens. Tinha prometido dedicar cada instante de sua vida a eles. Lutava pelo bem-estar de cada um, por uma vida mais digna, mas, antes de tudo, por sua salvação: “Dai-me almas e ficai com o resto”.

Essa “gana” por salvar almas levou São João Bosco a dedicar-se também aos novos meios de comunicação, à imprensa. Carisma que alcança ainda hoje a família salesiana.

Dom Bosco sempre fiel à Igreja, apesar das incompreensões – tentaram até interná-lo num hospício. Contudo, sua perseverança levou a uma adesão ao seu apostolado, a ponto de lhe ser confiado a construção de importantes igrejas.

Ao final de sua vida, toda gasta como uma vela, João Bosco declarou com humildade: “foi ela quem tudo fez”, numa alusão a Maria Auxiliadora dos Cristãos.

Osvaldo Luís, Jornalista da Canção Nova

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Leitura Bíblica: Marcos 4,1-20


Mais uma vez  ouvimos na Liturgia da Palavra a parábola do semeador.  Sempre de novo somos convidados a examinar a qualidade de  nossa escuta dos sons misteriosos  e  esplendorosos do coração de Deus.  Veneramos com especial carinho as palavras das Escrituras.  Desde a nossa mais tenra infância aprendemos a nos situar diante de suas recomendações,  verdades, exortações.  Sabemos também que  o Senhor tem  outros meios de  entrar  em contato conosco:  os acontecimentos de todos os dias, os sinais dos tempos,  as alegrias e os sofrimentos,  a voz dos mais abandonados, as exortações da Igreja.

Palavra, comunicação, semente… Deus fala,  deseja entrar em comunhão com os homens para  manifestar seu amor e operar maravilhas  no coração de cada um.  Jesus pregador é  ser desejoso de estabelecer  pontes. Do Pai sai a Palavra,  o Verbo  que corre veloz tentado  poder se alojar no seio das pessoas.  A Palavra chega perto de  Maria.  Acolhendo a Palavra  Deus nasce nela.  Este é o milagre da semente e a força da palavra.

A vida é  madrasta.  Por vezes os corações dos homens, entregues às suas preocupações pequenas  ou  grandes, vão  endurecendo por dentro. Uma vida de descuido da voz da consciência, posturas de indiferenças para as coisas do coração e da fé  fazem com os corações se tornem   duros como a pedra.  Deus quer falar,  mas  o chão é duro e terreno impermeável. “Oxalá ouvísseis hoje a voz do Senhor e  não endureçais o vosso coração”.  A semente cai no caminho pisado,  duro e o vento as leva para longe.

Há pessoas de  boa vontade.  Recolhem-se, cantam, participam das coisas da fé. Mas parece que o coração de alguns não tem profundidade.  São pessoas das exterioridades.  Há também  pedras.  A fé não foi à raiz de seu existir.  A raiz  não tinha suficiente  quantidade de terra  para alimentar uma planta sadia.  Tantos que começam bem, mas depois são influenciados por opiniões diferentes ou são fracos para  o desafio da fidelidade!

A vida é complicada.  Por vezes sentimo-nos no céu, junto de Deus.  Outras vezes andamos preocupados demais com  a graça do corpo, as roupas bonitas, o brilho disso e daquilo.  Tantos desejos que sufocam a plantinha que tinha começado a medrar… Vidas acanhadas;  semente que brota no meio de espinheiros.

Por fim  há tantos e tantos que estão na espera do Senhor, que sabem que ele anda batendo à porta, que  espera ser recebido na sala de nossa interioridade.  Acolhendo o  Senhor as pessoas  que são terra  boa ficam, por assim dizer, grávidas de Deus.  “Aqueles que recebem a semente em terreno bom  são os ouvem a Palavra, a recebem e dão fruto;  uma dá trinta, outro sessenta e outro cem por um”.

Frei Almir Ribeiro Guimarães


terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Leitura Bíblica: Marcos 3,31-35



Novamente vemos Jesus com uma multidão à sua volta.  Muitos iam buscar junto dele a cura de suas doenças e a solução de suas dificuldades.  Outros, talvez  estivessem vislumbrando em suas palavras um universo de vida  novo e empolgante.  Jesus pregava sabendo que era importante dar tempo ao tempo.  E certamente alguns  estavam se esforçando por ouvir as palavras fundas e profundas que saiam dos lábios de Jesus.   Vemos  Jesus ocupado com as coisas do  Pai.  Está tentando penetrar o  fundo da história dos que estavam a seu redor.

A mãe de Jesus e sua parentela  se fazem anunciar.  Estão  à porta.  Querem estar com ele. Jesus não rejeita, mas adia o encontro. Serve-se  do acontecido para  dilatar o horizonte de seus ouvintes. A família carnal é importante na vida de todos.  Nossos pais, nossos parentes, nossos irmãos de sangue foram criando laços  estreitos conosco.  Gostamos de estar  juntos, de comer juntos, de contar  nossas  “histórias”.  Quando  um membro se ausenta, sentimos sua falta. Sofremos com os que sofrem.  Ajudamos os que podemos ajudar.   De modo particularíssimo  há essa piedade amorosa e reverente dos filhos para com seus pais.  Ficamos sempre profundamente sensibilizados vendo filhos cuidando amorosamente de seus pais muito idosos, impacientes,  exigentes e carentes. Jesus não rejeita seus parentes.  Seus irmãos e suas irmãs, no entanto, são os que fazem a  vontade do Pai.

Há os laços de sangue, mas há também laços e liames que se instauram porque nascemos da fé.  Os que  se dispõem  a fazer   vontade do Pai  são os parentes próximos de Jesus.  Jesus insiste  no fazer a vontade do Pai.   O trecho da  Carta aos Hebreus hoje proclamada  fala da pouca importância  do sangue de touros ou de  bodes.  Jesus vem fazer  a vontade do Pai.  Jesus oferece seu corpo.  “Tu não quiseste,  nem  te agradaram vítimas,  oferendas,  holocaustos, sacrifícios pelo pecado  – coisas oferecidas segundo a lei -,  ele acrescenta: Eu   vim para fazer a tua vontade”.  O ar que  Jesus respira é o de fazer  carinhosamente  aquilo que o Pai pede.  Maria havia se apresentado com o mesmo propósito:  fazer nela segundo a vontade.  Cada um  nós somos convidados a fazer essa vontade:  no casamento, no colocar filhos no mundo, nos momentos de alegria ou de sofrimento.  Realizando os desígnios do Pai criamos o mundo novo, sonho do coração do  Altíssimo.  A família de Jesus é constituída dos que colaboram com a obra do Pai.  “Olhando para os que estavam sentados  ao redor, disse: Aqui estão minha mãe e meus irmãos.  Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã, minha mãe”.

Frei Almir Ribeiro Guimarães


domingo, 27 de janeiro de 2013

#FicaAdica62




A vida tem seus opostos e eles se complementam: a noite recolhe no seu silêncio tudo aquilo que foi semeado no dia. Ela permite nascer a semente e desabrochar a flor. E ela não precisa receber o reconhecimento: ela deixa isso ao dia, à luz, ao calor! Assim também acontece em nossas vidas: experimentamos alegria e tristeza; o encontro e a separação; o abraço do reencontro e as lágrimas da despedida…
É preciso sabedoria para entender que os opostos se atraem e se complementam. É preciso paciência e amor para esperar o tempo da colheita: nela ninguém se lembrará do sofrimento do plantio e nem do trabalho da capina… É nos opostos que vamos experimentando a síntese que vamos fazendo em cada experiência, em cada fase da própria vida. Então, meu caro, prepare bem a terra de sues canteiros, semeie com alegria, cultive com esperança… os frutos logo virão!

Frei Paulo Sérgio, ofm