segunda-feira, 15 de abril de 2013

Paz, presente de Deus



A paz não é um assunto da terra. É um dom do céu, um presente de Deus. Sim, a paz do coração, que gera a liberdade interior e a tranquilidade diante das dificuldades de toda ordem é um dom. É gratuita. Vem do céu. É também conquista, claro, pois a graça supõe a natureza. Sua origem, porém, é, acima de tudo, o amor de Deus, que, como diz a Palavra, “é sempre sim” e que no-la dá sem nada cobrar, sem nada exigir em troca. Não é, de jeito nenhum, recompensa por algum merecimento. Se não, não seria paz, não seria dom. Não é, tampouco, fruto de meditações ou medicações. Se tem alguma colaboração humana, esta é o abandono confiante nas mãos de Deus. Deus está no comando de tudo e tudo o que nos acontece de bom ou de não tão bom sempre é utilizado por Deus para o nosso bem. Nada escapa à sua providência, à sua presença cuidadosa, como a de uma mãe atenta. A graça da paz, a paz que não passa e não se abala diante de nenhum desafio, é um presente do Deus presente. Creia, confie, entregue-se à providência, fique com as mãos no volante, mas deixe o Deus sempre presente movê-las. Fique atento para que elas estejam sempre vazias e suficientemente leves para colaborarem ao menor toque da mão dAquele que está no comando. Ele não erra nunca!
“Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como o mundo a dá. Não se perturbe o vosso coração, nem se atemorize” (João 14, 27).

Emmir Nogueira, Co-Fundadora da Comunidade Shalom

sábado, 13 de abril de 2013

#FicaAdica 77



“O vento é sempre o mesmo, mas sua resposta é diferente em cada folha. Somente a árvore seca fica imóvel entre borboletas e pássaro” 
(Cecília Meireles).

E a vida deve ser sempre viva e nossas atitudes também. O medo de perder, frequentemente, tira-nos a vontade de lutar… e de ganhar! Quem perdeu os sonhos e as esperanças já deixou de viver, ainda que exista biologicamente. Mas isso já não é existir, é apenas um arrastar-se pela vida. E, se o vento sopra, traz também frescor, pois ele também é hálito que vivifica e nos dispõe a uma vida grandiosa.

Estar insensível é não ser mais atingido pela sensibilidade da vida, pela beleza da criação divina; é não ser atingido pelo sorriso de uma criança, é não querer entrar na ciranda da vida e compartilhá-la com aqueles (as) que conosco caminham. Esteja, pois, aberto ao sopro de vida do Criador e tenha um coração grandioso e grato pela vida que pulsa dentro de você!


Frei Paulo Sérgio, ofm

Ateu, graças a Deus


Quando eu era militar, participei num "exercício de campanha", a maioria dos jovens de minha turma nunca havia acampado no mato e estávamos todos muito receosos. Afinal de contas, aquilo era um treinamento militar e profundamente austero; fomos submetidos ao frio da noite, ao calor intenso do dia, comíamos carne crua e coisas do gênero.

Providencialmente, a marcha era feita dois a dois, os mesmos dois que dividiriam a barraca à noite para dormir e, o meu companheiro de marcha era um rapaz declaradamente ateu.

Chegada a hora de dormir disse-lhe: "Vamos fazer uma oração pedindo a Deus que nos proteja, a barraca está cheia de aranhas, pode ser que também tenha entrado coisa pior", ao que ele respondeu: "Pode fazer você mesmo".

Fiz minha oração e virei-me para dormir. Passados alguns minutos, o rapaz se levanta num salto e aos gritos. Quando vimos ali no canto da barraca, havia uma cobra venenosa a dormir conosco. Foi aterrador! O rapaz teve a cobra a passar-lhe pelo pescoço.

Atordoado pelo momento, quase que chorando de susto, ele apertava-me o braço e dizia: "Foi a oração que me salvou! Vamos agradecer a Deus pela nossa vida". O choque da cobra exorcizou seu ateísmo.

Precisamos fazer com o pecado o que este jovem fez com aquela cobra, reconhecê-lo, mesmo aos gritos e aos sustos, arrastá-lo para fora do nosso coração e arrebentá-lo, destruí-lo, ainda movidos como que pelo susto de alguém que descobriu que fez de uma cobra o seu travesseiro.

"No meu amor e na minha ternura eu mesmo te livrei do perigo. Durante o passado sustentei-te e amparei-te constantemente" (Is 63,9b).

Do livro “Quando só Deus é a resposta”, Márcio Mendes


Porta da Fé (2)




DESDE o princípio do meu ministério como Sucessor de Pedro, lembrei a necessidade de redescobrir o caminho da fé para fazer brilhar, com evidência sempre maior, a alegria e o renovado entusiasmo do encontro com Cristo. Durante a homilia da Santa Missa no início do pontificado, disse: «A Igreja no seu conjunto, e os Pastores nela, como Cristo devem pôr-se a caminho para conduzir os homens fora do deserto, para lugares da vida, da amizade com o Filho de Deus, para Aquele que dá a vida, a vida em plenitude».

Sucede não poucas vezes que os cristãos sintam maior preocupação com as consequências sociais, culturais e políticas da fé do que com a própria fé, considerando esta como um pressuposto óbvio da sua vida diária. Ora um tal pressuposto não só deixou de existir, mas frequentemente acaba até negado.

Enquanto, no passado, era possível reconhecer um tecido cultural unitário, amplamente compartilhado no seu apelo aos conteúdos da fé e aos valores por ela inspirados, hoje parece que já não é assim em grandes setores da sociedade devido a uma profunda crise de fé que atingiu muitas pessoas.

 Bento XVI, Porta Fidei

segunda-feira, 8 de abril de 2013

#FicaAdica 76



Já foi dito e repetido: só sabemos reconhecer o valor das pessoas quando elas se vão! E quanto é difícil, para grande maioria das pessoas, introjetar essa verdade, aprender com as perdas e valorizar o que se tem. O quão difícil, parece também, ter um coração agradecido a Deus por tantas graças e bênção recebidas… Como nos custa aprender essas verdades tão simples: a vida é uma passagem, uma aventura bonita que se torna ainda mais bela quando aprendemos a generosidade, a partilha, a gratidão, o amor!

À cada grande perda, faz-se de novo o propósito: de agora em diante vou valorizar mais as pessoas, vou ser mais amoroso (a)… Mas os dias se vão e voltamos a ser como éramos! Falsas promessas tomadas em momentos emotivos… Passa-se o luto e tudo volta ao “normal” e continuamos a ser insensíveis, rígidas, sem a unção do amor. A Páscoa nos convida à renovação: é tempo de assumir mais e melhor nossas vidas, de sermos melhores do que éramos… É tempo de amar mais, com gestos concretos!

Frei Paulo Sérgio, ofm