sábado, 18 de maio de 2013

Água viva




Estamos na véspera da Festa do Espírito. Abaixo, um belíssimo texto que descreve a ação desse Espírito que, procedendo do Pai e do Filho, foi derramado em nossos corações.

A água que eu lhe der se tornará nele,  fonte de água viva, que jorra para a vida eterna (Jo 4, 14). Água diferente, esta que vive e jorra; mas jorra apenas sobre os que são dignos dela.  Porque o Senhor  dá o nome de “água”  à graça do Espírito Santo?  Certamente porque tudo tem necessidade de água;  ela sustenta as ervas e os animais.  A água das chuvas caem dos céus;  e embora caia  do mesmo modo e na mesma forma,  produz efeitos muito variados.  De fato,  o efeito que produz na palmeira não é o mesmo que produz na videira, e assim  em todas as coisas, apesar de sua natureza sempre a mesma e não poder ser diferente de si própria.  Na verdade, a chuva não  se modifica a si mesma em qualquer das suas manifestações. Contudo,  ao cair sobre a terra, acomoda-se  às estruturas dos seres que a recebem  dando a cada um deles  o que necessita. (…)  Branda e suave  é a sua aproximação;   benigna e agradável é a sua presença;  levíssimo é o seu jugo!  A sua chegada é precedida por esplêndidos raios de luz e ciência. Ele vem com o amor entranhado de um irmão mais velho, vem para salvar, curar, ensinar, aconselhar, fortalecer,  consolar, iluminar a alma de quem o recebe e, depois,   por meio desse, a alma dos outros.   Quem se encontra  nas trevas, ao nascer do sol, recebe nos olhos a sua luz,  começando a enxergar claramente coisas que até então não via.  Assim também,   aquele que se tornou digno do Espírito Santo, recebe  na alma a sua luz e, elevado acima da inteligência humana,  começa a ver o que antes ignorava”.

São Cirilo de Jerusalém

terça-feira, 14 de maio de 2013

#FicaAdica 82




“A borboleta conta momentos e não meses, e tem tempo de sobra” (Tagore).

O tempo não deveria ser perdido, mas vivenciado, aproveitado, explorado… No tempo construímos nossas vidas, as relações, os sonhos, as esperanças. E o tempo é implacável sobre nós: voa quando gostaríamos que parasse; parece não passar quando estamos na ausência, na dor, na carência… O tempo é um “deus” que pode matar ou curar, fechar a esperança ou abrir a eternidade. Tudo no tempo, no encanto, no canto, no riso e na dor… de ser humano!

O tempo da borboleta é exíguo, mas ela cumpre seu destino de ser borboleta, de voar sobre as flores e de encantar as crianças. E, por falar nelas, tempo é criança que brinca com os adultos, que brinca com a seriedade, que procura outras crianças para continuar a grande brincadeira de viver como as borboletas: de ser aquilo que se é…

Frei Paulo Sérgio

Na modernidade ainda se reza?



Conta-se que Kant, o filósofo mais influente dos últimos 200 anos, reconhecia a inteligência superior, presidindo a harmonia de todo o universo. Mas declarou que, se fosse “apanhado” por alguém, dedicando-se à oração, sentir-se-ia envergonhado. Eis aqui alguém que não descobriu o Deus pessoa, o amigo que pode ser encontrado no mais profundo do nosso eu. Trata-se de um órfão, que se sente apenas ligado à família humana, mas não sabe que o Criador o convidou a fazer parte da família divina. Isso levou a humanidade a se pôr na resistência contra o diálogo com a divindade. Uma pessoa emancipada é tentada  a não rezar. Um líder não se ajoelha, dizem. Imagina que tem nas mãos a solução dos problemas. Não precisa apelar a ninguém para abrir caminhos. Mas o bom Pai não os abandona. “Cristo morreu também pelos pecadores” (Rom 5, 6).

É mais do que certo que o ser humano não deve esperar as coisas caírem do céu, como dádiva. Pura outorga. A orientação que recebeu é outra. “Mão trabalhadora mandará; mão preguiçosa servirá” (Prov 12, 24). É preciso acreditar em si e pôr mãos à obra, com gosto e inteligência. Mas daí a abandonar a oração, como desnecessária, vai uma distância absurda. O ser humano, dentro do universo visível, é o único que tem capacidade de entrar em comunicação com o Ser Superior. Essa atitude benevolente com o “Pai Justo”, é capaz de encher a alma. Dá uma sensação de plenitude. Mas não tem vínculo necessário com a consolação interior, ter o coração inebriado de alegria. As pessoas que aprenderam a orar, não buscam doçuras. Mas são inclinadas a serem pessoas que amam a justiça e a verdade, e não se subordinam a que outras pessoas sejam injustiçadas.Também o verdadeiro orante tem fortaleza de ânimo, sabe onde quer chegar, e não se deixa abalar por entraves e maquinações. E finalmente – é sempre a Mestra Santa Teresa que o ensina - quem descobriu o valor da oração torna-se uma pessoa humilde, abandona qualquer arrogância, e sabe avaliar os pontos de vista dos mais humildes. Nós todos devemos chegar ao ponto de apreciar a oração como uma respiração da alma. “Mestre, ensina-nos a orar” ( Lc 11, 1).

Dom Aloísio Roque Oppermann, scj

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Nunca estamos sós




Nós nunca estamos sozinhos, mesmo quando nos sentimos assim. O Senhor está sempre conosco, mesmo quando não percebemos, sobretudo quando o mar da nossa vida fica revolto e agitado.
Tenhamos plena confiança em Jesus, porque Ele mesmo nos disse: “No mundo, tereis muitas tribulações. Mas, tende coragem! Eu venci o mundo!”(Jo 16,33b).
Acontece o que acontecer, a palavra de ordem para nós, hoje, é: “Tende coragem!”. Rezemos este ato de confiança ao longo de todo este dia: Jesus, eu confio em Vós!


Luzia Santiago, Comunidade Canção Nova

(CIC) O Céu


Os que morrem na graça e na amizade de Deus, e que estão totalmente purificados, vivem para sempre com Cristo. São para sempre semelhantes a Deus, porque o vêem "tal como ele é" (1Jo 3,2), face a face (1Cor 13,12):

Com nossa autoridade apostólica definimos que, segundo a disposição geral de Deus, as almas de todos os santos mortos antes da Paixão de Cristo (...) e de todos os outros fiéis mortos depois de receberem o santo Batismo de Cristo, nos quais não houve nada a purificar quando morreram, (...) ou ainda, se houve ou há algo a purificar, quando, depois de sua morte, tiverem acabado de fazê-lo, (...) antes mesmo da ressurreição em seus corpos e do juízo geral, e isto desde a ascensão do Senhor e Salvador Jesus Cristo ao céu, estiveram, estão e estarão no Céu, no Reino dos Céus e no paraíso celeste com Cristo, admitidos na sociedade dos santos anjos. Desde a paixão e a morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, viram e vêem a essência divina com uma visão intuitiva e até face a face, sem a mediação de nenhuma criatura. (Bento XVI)

Essa vida perfeita com a Santíssima Trindade, essa comunhão de vida e de amor com ela, com a Virgem Maria, os anjos e todos os bem-aventurados, é denominada "o Céu". O Céu é o fim último e a realização das aspirações mais profundas do homem, o estado de felicidade suprema e definitiva.

Viver no Céu é "viver com Cristo". Os eleitos vivem "nele", mas lá  conservam - ou melhor, lá  encontram – sua verdadeira identidade, seu próprio nome.

"Vida é, de fato, estar com Cristo; aí onde está  Cristo, aí está  a Vida, aí está  o Reino" (Sto. Ambrósio)

Por sua Morte e Ressurreição, Jesus Cristo nos "abriu" o Céu. A vida dos bem-aventurados consiste na posse em plenitude dos frutos da redenção operada por Cristo, que associou à sua glorificação celeste os que creram nele e que ficaram fiéis à sua vontade. O céu é a comunidade bem-aventurada de todos os que estão perfeitamente incorporados a Ele.

Este mistério de comunhão bem-aventurada com Deus e com todos os que estão em Cristo supera toda compreensão e toda imaginação. A Escritura fala-nos dele em imagens: vida, luz, paz, festim de casamento, vinho do Reino, casa do Pai, Jerusalém celeste, Paraíso. "O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e o coração do homem não percebeu, isso Deus preparou para aqueles que o amam" (1Cor 2,9).

Em razão de sua transcendência, Deus só poder  ser visto tal como é quando Ele mesmo abrir seu mistério à contemplação direta do homem e o capacitar para tanto. Esta contemplação de Deus em sua glória celeste é chamada pela Igreja de "visão beatifica".

Qual não ser  tua glória e tua felicidade: ser admitido a ver a Deus, ter a honra de participar das alegrias da salvação e da luz eterna na companhia de Cristo, o Senhor teu Deus (...) desfrutar no Reino dos Céus, na companhia dos justos e dos amigos de Deus, as alegrias da imortalidade adquirida.

Na glória do Céu, os bem-aventurados continuam a cumprir com alegria a vontade de Deus em relação aos outros homens e à criação inteira. Já  reinam com Cristo; com Ele "reinarão pelos séculos dos séculos" (Ap 22,5).

Catecismo da Igreja Católica, § 1023-1029