
Os que morrem
na graça e na amizade de Deus, e que estão totalmente purificados, vivem para
sempre com Cristo. São para sempre semelhantes a Deus, porque o vêem "tal
como ele é" (1Jo 3,2), face a face (1Cor 13,12):
Com nossa autoridade apostólica definimos que, segundo a disposição geral de Deus, as almas de todos os santos mortos antes da Paixão de Cristo (...) e de todos os outros fiéis mortos depois de receberem o santo Batismo de Cristo, nos quais não houve nada a purificar quando morreram, (...) ou ainda, se houve ou há algo a purificar, quando, depois de sua morte, tiverem acabado de fazê-lo, (...) antes mesmo da ressurreição em seus corpos e do juízo geral, e isto desde a ascensão do Senhor e Salvador Jesus Cristo ao céu, estiveram, estão e estarão no Céu, no Reino dos Céus e no paraíso celeste com Cristo, admitidos na sociedade dos santos anjos. Desde a paixão e a morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, viram e vêem a essência divina com uma visão intuitiva e até face a face, sem a mediação de nenhuma criatura. (Bento XVI)
Essa vida
perfeita com a Santíssima Trindade, essa comunhão de vida e de amor com ela,
com a Virgem Maria, os anjos e todos os bem-aventurados, é denominada "o
Céu". O Céu é o fim último e a realização das aspirações mais profundas do
homem, o estado de felicidade suprema e definitiva.
Viver no Céu é
"viver com Cristo". Os eleitos vivem "nele", mas lá
conservam - ou melhor, lá encontram – sua verdadeira identidade, seu
próprio nome.
"Vida é, de fato, estar com Cristo; aí onde está Cristo, aí está a Vida, aí está o Reino" (Sto. Ambrósio)
Por sua Morte
e Ressurreição, Jesus Cristo nos "abriu" o Céu. A vida dos
bem-aventurados consiste na posse em plenitude dos frutos da redenção operada
por Cristo, que associou à sua glorificação celeste os que creram nele e que
ficaram fiéis à sua vontade. O céu é a comunidade bem-aventurada de todos os
que estão perfeitamente incorporados a Ele.
Este mistério
de comunhão bem-aventurada com Deus e com todos os que estão em Cristo supera
toda compreensão e toda imaginação. A Escritura fala-nos dele em imagens: vida,
luz, paz, festim de casamento, vinho do Reino, casa do Pai, Jerusalém celeste,
Paraíso. "O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e o coração do
homem não percebeu, isso Deus preparou para aqueles que o amam" (1Cor
2,9).
Em razão de
sua transcendência, Deus só poder ser visto tal como é quando Ele mesmo
abrir seu mistério à contemplação direta do homem e o capacitar para tanto.
Esta contemplação de Deus em sua glória celeste é chamada pela Igreja de
"visão beatifica".
Qual não
ser tua glória e tua felicidade: ser admitido a ver a Deus, ter a honra
de participar das alegrias da salvação e da luz eterna na companhia de Cristo,
o Senhor teu Deus (...) desfrutar no Reino dos Céus, na companhia dos justos e
dos amigos de Deus, as alegrias da imortalidade adquirida.
Na glória do
Céu, os bem-aventurados continuam a cumprir com alegria a vontade de Deus em
relação aos outros homens e à criação inteira. Já reinam com Cristo; com
Ele "reinarão pelos séculos dos séculos" (Ap 22,5).
Catecismo
da Igreja Católica, § 1023-1029
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