terça-feira, 1 de outubro de 2013

No coração da Igreja serei o amor

“Não quero ser santa pela metade, escolho tudo”. Hoje a Igreja celebra Santa Teresa do Menino Jesus. A santa de hoje nasceu em Alençon (França) em 1873 e morreu no ano de 1897. Santa Teresinha não só descobriu que no coração da Igreja sua vocação era o amor, como também sabia que o seu coração – e o de todos nós – foi feito para amar. A seguir, compartilho com vocês um lindo texto, de autoria de Santa Teresa do Menino Jesus, ou simplesmente, Santa Teresinha.

Meus imensos desejos me eram um autêntico martírio. Fui, então, às cartas de São Paulo a ver se encontrava uma resposta. Meus olhos caíram por acaso nos capítulos doze e treze da Primeira Carta aos Coríntios. No primeiro destes, li que todos não podem ser ao mesmo tempo apóstolos, profetas, doutores, e que a Igreja consta de vários membros; os olhos não podem ser mãos ao mesmo tempo. Resposta clara, sem dúvida, mas não capaz de satisfazer meu desejo e dar-me a paz. 

Perseverei na leitura sem desanimar e encontrei esta frase sublime: Aspirai aos melhores carismas. E vos indico um caminho ainda mais excelente (1Cor 12,31). O Apóstolo esclarece que os melhores carismas nada são sem a caridade, e esta caridade é o caminho mais excelente que leva com segurança a Deus. Achara enfim o repouso. 

Ao considerar o Corpo místico da Igreja, não me encontrara em nenhum dos membros enumerados por São Paulo, mas, ao contrário, desejava ver-me em todos eles. A caridade deu-me o eixo de minha vocação. Compreendi que a Igreja tem um corpo formado de vários membros e neste corpo não pode faltar o membro necessário e o mais nobre: entendi que a Igreja tem um coração e este coração está inflamado de amor. Compreendi que os membros da Igreja são impelidos a agir por um único amor, de forma que, extinto este, os apóstolos não mais anunciariam o Evangelho, os mártires não mais derramariam o sangue. Percebi e reconheci que o amor encerra em si todas as vocações, que o amor é tudo, abraça todos os tempos e lugares, numa palavra, o amor é eterno. 

Então, delirante de alegria, exclamei: Ó Jesus, meu amor, encontrei afinal minha vocação: minha vocação é o amor. Sim, encontrei o meu lugar na Igreja, tu me deste este lugar, meu Deus. No coração da Igreja, minha mãe, eu serei o amor e desse modo serei tudo, e meu desejo se realizará.

Da Autobiografia de Santa Teresa do Menino Jesus, séc. XIX

Quem quiser ser o maior, seja o menor

Todos nós, de alguma forma, temos o desejo de aparecer e de sermos reconhecidos, valorizados. Muitas vezes nos sentimos melhores que os nossos irmãos, consciente ou inconscientemente.

A palavra do Senhor nos diz: “Aquele que entre todos vós for o menor, esse é o maior” (Lc 9,48c), portanto, rezemos muitas vezes, ao longo deste dia, para que o nosso coração seja como o de Jesus: Jesus, manso e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao vosso.

Jesus, eu confio em Vós!

Luzia Santiago, Comunidade Canção Nova

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Anjos de uma só asa

Lá estava eu com minha família, em férias, num acampamento isolado e com carro enguiçado. Isso aconteceu há 5 anos, mas lembro-me como se fosse ontem. Tentei dar a partida no carro. Nada.

Caminhei para fora do acampamento e felizmente meus palavrões foram abafados pelo barulho do riacho. Minha mulher e eu,concluímos que éramos vítimas de uma bateria arriada. Sem alternativa, decidi voltar á pé até a vila mais próxima e procurar ajuda. Depois de uma hora e um tornozelo torcido, cheguei finalmente a um posto de gasolina. Ao me aproximar do posto, lembrei que era domingo e é claro, o lugar estava fechado. Por sorte havia um telefone público e uma lista telefônica já com as folhas em frangalhos. Consegui ligar para a única companhia de auto socorro que encontrei na lista, localizada a cerca de 30km dali.

- Não tem problema, disse a pessoa do outro lado da linha, normalmente estou fechado aos domingos, mas posso chegar aí em mais ou menos meia hora.

Fiquei aliviado, mas ao mesmo tempo consciente das implicações financeiras que essa oferta de ajuda me causaria.

Logo seguíamos eu e o Zé, no seu reluzente caminhão-guincho em direção ao acampamento. Quando saí do caminhão, observei com espanto o Zé descer com aparelhos na perna e a ajuda de muletas para se locomover. Santo Deus! Ele era paraplégico!

Enquanto se movimentava, comecei novamente minha ginástica mental em calcular o preço da sua ajuda.

- É só uma bateria descarregada, uma pequena carga elétrica e vocês poderão seguir viagem, disse-me ele.

O homem era impressionante, enquanto a bateria carregava, distraiu meu filho com truques de mágica, e chegou a tirar uma moeda da orelha, presenteando-a ao garoto.

Enquanto colocava os cabos de volta no caminhão, perguntei quanto lhe devia.

Oh! nada - respondeu, para minha surpresa.

- Tenho que lhe pagar alguma coisa, insisti.

- Não, reiterou ele. Há muitos anos atrás, alguém me ajudou a sair de uma situação muito pior, quando perdi as minhas pernas, e o sujeito que me socorreu, simplesmente me disse. - Quando tiver uma  oportunidade passe isso adiante!

Somos todos anjos de uma asa só.
Precisamos nos abraçar para alçar voo.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

O amor dói

Ninguém vive sem amor, e ninguém ama sem sentir dor. O amor é um mistério, um segredo que se vive sem esperar nada em troca. Na dinâmica da vida desejamos ser amados, compreendidos, respeitados, valorizados, considerados.

Tudo começa com sorrisos e termina em lágrimas, e sem elas a vida perde o sentido. Como amar e sentir a dor da traição, da desconfiança, da mentira, da falsidade, do silêncio, da solidão, do abandono, do reconhecimento?

Não existe amor sem dor. Na medida em que a dor é amada, imediatamente é superada. “Só quem passa pelo fogo da dor, chega ao incêndio do amor”. Saber amar é saber superar gratuitamente cada pequeno ou grande desencontro, sem esperar nada em troca, a não ser a força de recomeçar. Diante dos conflitos da vida cotidiana, a tentação é saber quem tem razão, quem errou. A solução nos interessa, e não o culpado.

O Papa Francisco no domingo passado dizia: “Supomos sermos justos, e julgamos os outros. Julgamos até Deus, porque pensamos que deveria punir os pecadores, condenando-os à morte, em vez de perdoar. Agora sim corremos o risco de permanecer fora da casa do Pai! Como aquele irmão mais velho, em vez de se alegrar porque seu irmão retornou, ele fica com raiva de seu pai que o acolhe e faz festa.

Se em nossos corações não há misericórdia, alegria do perdão, não estamos em comunhão com Deus, mesmo observando todos os preceitos, pois é o amor que salva, não apenas a prática dos preceitos. É o amor por Deus e pelo próximo que realiza todos os mandamentos. E este é o amor de Deus, a sua alegria: perdoar. Nos espera sempre! Talvez algum de vocês tenha algo pesado em seu coração: ‘Mas, eu fiz isso, eu fiz aquilo...’. Ele te espera! Ele é pai: sempre espera por nós!

Se vivemos de acordo com a lei ‘olho por olho, dente por dente’, jamais sairemos da espiral do mal. O Maligno é inteligente, e nos ilude que com a nossa justiça humana podemos nos salvar e salvar o mundo. Na realidade, somente a justiça de Deus pode nos salvar! E a justiça de Deus se revelou na Cruz: a Cruz é o julgamento de Deus sobre todos nós e sobre este mundo.

Mas como Deus nos julga? Dando a vida por nós! Eis o ato supremo de justiça que derrotou, uma vez por todas, o Príncipe deste mundo; e esse ato supremo de justiça é também ato supremo de misericórdia. Jesus chama todos a seguirem este caminho: ‘Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso’ (Lc 6:36)”.

O que aconteceu com aquele que amou a todos, que acolheu os pecadores, fez refeição com eles? O que aconteceu com aquele que curou a os doentes, restabeleceu os paralíticos, fez os surdos ouvirem e os cegos verem?

Como terminou a vida daquele que fez milagres multiplicou cinco pães e dois peixes matando a fome de uma multidão? Qual foi o fim daquele que arrastou multidões e foi aclamado como Rei? O fim foi a solidão, o abandono, a condenação e a morte. Não existe amor verdadeiro sem cruz e sofrimento. O amor dói. É doído amar sem esperar nada, a não ser amar. Foi na entrega por amor do homem de Nazaré, o Filho único do Pai, que hoje somos capazes de amar, mesmo quando o amor dói.

Dom Anuar Battisti, Arcebispo de Maringá (PR)


#FicaAdica 99



A Lei da Atração responde a qualquer vibração que você emita, seja ela positiva ou negativa, dando-lhe mais dessa mesma coisa. Ela simplesmente responde às suas vibrações. Daí a importância vital de pensar de maneira positiva, de desejar ardentemente com a força da alma, de querer verdadeiramente receber as bênçãos de Deus!

À medida que sua fé se fortalece você descobre que não é mais necessário ter uma noção de controle. Aprende que as coisas vão fluir como deve ser e que você vai fluir junto com elas para seu maior bem e para o bem das pessoas. Então comece agradecendo por todas as coisas que você já recebeu… Respire com intensidade o ar e encha-se com a vida que lhe é dada pelo Criador!

Frei Paulo Sérgio, ofm

Leitura Bíblica: Lucas 8, 19-21

Jesus estava sempre cercado de muitas pessoas. Lucas, no texto hoje proclamado, observa que a mãe do Senhor e seus parentes queriam falar com ele, mas não podiam chegar até ele devido à multidão. Alguns chegaram a Jesus dizendo que eles estavam querendo ter com ele. Conhecemos essa palavra de Jesus que costuma causar estranheza: “Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus”. O texto evangélico dá a impressão que Jesus não dá a devida atenção à mãe e aos parentes.

Na medida em que não vivemos para nós mesmo, mas em que nos colocamos como que “suspensos” à voz do Senhor passamos a ser ouvintes de Palavra. E a Palavra é como a semente. Esta e aquela morrem no solo e no coração para produzir fruto. Maria, a mãe de Jesus, antes de gerá-lo na carne, concebeu-o em seu interior com o seu  fiat, o seu faça-se em mim segundo a sua palavra. Da mesma forma, cada discípulo de Jesus que se faz  ouvinte atento da Palavra da Escritura, das falas do Senhor no fundo da consciência,  dos sinais que ele nos da através dos irmãos que nos cercam se torna próximo  de Jesus. A palavra-semente morre em seu interior e dá fruto. Quem ouve a palavra e a põe em prática torna-se mãe e irmão de Jesus. Os que querem segui-lo são convidados a ouvir a Palavra que lhes mostra o caminho. A audição da Palavra e sua acolhida nos torna íntimos do Senhor… Assim os ouvintes adotam a postura de Maria: levam tudo ao fundo do coração.

Transcrevemos algumas linhas de Francisco de Assis em sua Carta aos Fiéis: “Quão bem-aventurados e benditos  são aqueles e aquelas que ao fazerem tais coisas (amor a Deus e ao próximo, recepção do Corpo e Sangue do Senhor), e nelas perseverarem porque pousará sobre eles o espírito do Senhor  (cf. Is 11,2)  e fará neles habitação e um lugar de repouso (cf Jo 14,23; e são filhos do Pai  (cf. Mt 5,45) celestial, cujas obras realizam, e são esposos, irmãos e mãe (cf. Mt 12, 50) de Nosso Senhor Jesus Cristo. Somos esposos, quando a alma fiel se une pelo Espírito Santo a Nosso Senhor Jesus Cristo. Somos seus irmãos quando fazemos a vontade do Pai que está nos céus  (Mt  12,20). Somos suas mães quando o trazemos em nosso coração e em nosso corpo (cf. 1Cor 6,20) através do amor divino e da consciência pura (1Tm  3,9) e sincera e  damo-lo à luz por santa operação que deve brilhar (Mt 5, 16) como exemplo para os outros”.

Frei Almir Ribeiro Guimarães

sábado, 21 de setembro de 2013

#FicaAdica 98




O nosso olhar passeia por muitos lugares à procura de respostas, de confirmações, de apoio, de cumplicidade, justificação e tantas outras coisas, mas a Palavra do Senhor aponta-nos onde, de fato, devemos fixar o nosso olhar:

“Levanto os olhos para vós, que habitais nos altos céus. Como os olhos dos servos estão fixos nas mãos de seus senhores, como os olhos das servas estão fixos nas mãos de suas senhoras, assim nossos olhos estão voltados para o Senhor, nosso Deus, esperando que Ele tenha piedade de nós” (Sl 122, 1-2).

Tiremos, hoje, os olhos das pessoas, dos problemas e das dificuldades; mantenhamos o nosso olhar fixo em Jesus, porque “é d’Ele que vem o que esperamos” (Sl 61,6).

Jesus, eu confio em vós!

Luzia Santiago