domingo, 8 de dezembro de 2013

Em Lourdes, França


Viagem “Ao Encontro de Nossa Senhora”
Quinta parte

 
Dia 18 de novembro, partimos de Santiago de Compostela, Espanha, rumo à Lourdes, França. Antes, diante da longa distância entre as duas cidades (Santiago de Compostela e Lourdes), paramos para pernoitar em Gijón.
No dia 19, no início da noite, chegamos a Lourdes. Após o jantar, uma visita à gruta de Massabielle. Muito frio! Mas o encontro com Nossa Senhora de Lourdes compensou todo o desconforto causado pela temperatura.
Lourdes é uma pequena cidade do sudoeste da França, nos montes Pirineus, e é mais um dos grandes santuários marianos do mundo. Ali, Nossa Senhora apareceu... No local das aparições passa o rio Gave; ao lado está o rochedo Massabielle. No rochedo, se forma uma reentrância oval, que é chamada Gruta Massabielle, onde Nossa Senhora apareceu 18 vezes no ano de 1858 à adolescente Bernardette Soubirous, de 14 anos.
Em Lourdes, visitamos o belíssimo Santuário de Lourdes, gigantesco, que compreende várias capelas, igrejas e locais de recolhimento e oração. Na Capela dedicada a São Miguel participamos da Santa Missa, celebrada pelo Pe. Stanley. A Capela-Mor da Basílica de Nossa Senhora do Rosário foi construída, a pedido de Nossa Senhora, exatamente em cima de Gruta Massabielle. A imagem de Nossa Senhora na Gruta, com seus 2,5 metros de altura, representa a aparição da Virgem Maria, no mesmo lugar e atitude. A Cripta, que fica embaixo da Basílica, foi a primeira capela aberta ao público, onde a primeira missa, celebrada no dia 19 de maio de 1866, teve a presença de Bernadette. Ali, num dos vários espaços do Santuário, tive a graça de viver a experiência do banho nas águas milagrosas. “Ao Encontro de Nossa Senhora”, título da nossa peregrinação, se fez valer verdadeiramente nesse lindo momento. Só com os olhos da fé se pode entender isso!
Em Lourdes, também visitamos a Basílica Pio X, uma construção em estrutura baixa, sem torre, no formato oval, está praticamente enterrada, sendo a cobertura externa do teto um jardim de grama; as casas onde a menina Bernadette nasceu e viveu; o Château Fort, ou Castelo Fortaleza, que, durante os séculos XI e XII, serviu de residência do Conde de Bigorra, já foi um quartel, uma prisão e, agora, abriga o Museu dos Pirineus; dentre outros pontos.


Um pouco da história de Lourdes:
Em 11 de fevereiro de 1858, na vila francesa de Lourdes, às margens do rio Gave, Santa Maria manifestou de maneira direta e próxima seu profundo amor para conosco, aparecendo-se a uma menina de 14 anos, chamada Bernadette Soubirous.
O documento mais significativo acerca das aparições e da própria Bernadette, é uma carta datada de 1862, onde Bernadette relata com clareza todo o ocorrido durante as dezoito visões. Somente parte da carta está disponível ao acesso público:
 
 
Eu tinha ido com duas outras meninas na margem do rio Gave quando eu ouvi um som de sussurro. Olhei para as árvores e elas estavam paradas e o ruído não era delas. Então eu olhei e vi uma caverna e uma senhora vestindo um lindo vestido branco com um cinto brilhante. No topo de cada pé havia uma rosa pálida da mesma cor das contas do rosário que ela segurava. Eu queria fazer o sinal da cruz, mas eu não conseguia e minha mão ficava para baixo. Aí a senhora fez o sinal da cruz ela mesma e na segunda tentativa eu consegui fazer o sinal da cruz embora minhas mãos tremessem. Então eu comecei a dizer o rosário enquanto ela movia as contas com os dedos sem mover os lábios. Quando eu terminei a Ave-Maria, ela desapareceu. Eu perguntei às minhas duas companheiras se elas haviam notado algo e elas responderam que não haviam visto nada. Naturalmente elas queriam saber o que eu estava fazendo e eu disse a elas que tinha visto uma senhora com um lindo vestido branco, embora eu não soubesse quem era. Disse a elas para não dizer nada sobre o assunto porque iriam dizer que era coisa de criança. Voltei no domingo ao mesmo lugar sentindo que era chamada ali. Na terceira vez que fui, a senhora reapareceu e falou comigo e me pediu para retornar todos os próximos 15 dias. Eu disse que viria e então ela disse para dizer aos padres para fazerem uma capela ali. Ela me disse também para tomar a água da fonte. Eu fui ao rio que era a única água que podia ver. Ela me fez realizar que não falava do rio Gave e sim de um pequeno fio d’água perto da caverna. Eu coloquei minhas mãos em concha e tentei pegar um pouco do líquido sem sucesso. Aí comecei a cavar com as mãos o chão para encontrar mais água e na quarta tentativa encontrei água suficiente para beber. A senhora desapareceu e fui para casa. Voltei todos os dias durante 15 dias e cada vez, exceto em uma Segunda e uma Sexta, a Senhora apareceu e disse-me para olhar para a fonte e lavar-me nela e ver se os padres poderiam fazer uma capela ali. Disse ainda que eu deveria orar pela conversão dos pecadores. Perguntei a ela, várias vezes, o que queria dizer com isto, mas ela somente sorria. Uma vez finalmente, com os braços para frente, ela olhou para o céu e disse-me que era a Imaculada Conceição. Durante 15 dias ela me disse três segredos que não era para revelar a ninguém e até hoje não os revelei.”
 
 
Santa Bernardette realizou muitos milagres em vida e mais ainda após a sua morte. Por causa dos milagres e visões, a fama de Bernadette se espalhou e muitas pessoas vinham procurá-la de todas as partes. Para fugir dessa gente, Bernadette se internou no hospital das Irmãs de Caridade em Nevers, Lourdes. Ali, ela recebeu aulas, aprendeu a ler e escrever. Lá ela faz de próprio punho, o primeiro relato das aparições de Lourdes. Bernadette sofria de uma doença que a deixou totalmente paralisada em seus últimos anos de vidas. Ela faleceu no dia 19 de abril do ano de 1897, aos 35 anos. Trinta anos após sua morte, seu corpo foi exumado por causa do processo de canonização que se iniciara em seu favor. E, para o espanto de todos, seu corpo estava intacto, incorrupto, do mesmo modo como ela tinha sido enterrada, apesar de seu hábito apresentar umidade e o rosário em suas mãos ter oxidado. Hoje, mais de um século após sua morte, seu corpo continua intacto e está exposto em uma redoma de vidro, na Igreja do Convento de Saint Gildard de Nevers.
 

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Santiago de Compostela, Espanha


Viagem “Ao Encontro de Nossa Senhora”

Quarta parte

 

No dia 17 de novembro saímos de Fátima, Portugal, com destino a Santiago de Compostela, na Espanha. Vale salientar que as viagens que fizemos entre uma cidade e outra sempre se deram por meio de ônibus, o que de fato me agradou bastante. Depois partilharei algumas fotos das paradinhas para o café.
Voltando...
Santiago de Compostela é uma das mais importantes cidades da Galícia (nação constituída como comunidade autônoma da Espanha). A cidade galega é desde o século IX um dos mais significativos lugares de peregrinação da cristandade, havendo mesmo quem defenda que, originalmente, o termo “peregrino” só era aplicável aos que através dos campos – “per agrum” – demandavam o túmulo do apóstolo São Tiago, ou “Iago, o Maior”, cujos restos mortais se crê terem sido trasladados para a Galiza, desde a costa da Palestina, pelos discípulos do martirizado companheiro de Cristo.
Um texto da época visigótica evoca as pregações de Iago na Hispânia e a tradição afirma que, após ter sido decapitado em Jerusalém por Herodes Agripa, por volta do ano 43, o corpo do irmão de João Evangelista teria sido transportado por mar até a costa galega e sepultado no local onde hoje se ergue Santiago.
Um dos pontos altos da nossa visita a essa cidade foi conhecer a Catedral de Santiago de Compostela, construída entre os anos de 1075 e 1128 e que está situada no centro histórico da cidade. Antes disso, havia uma primeira capela, proveniente do reinado de Alfonso II, feita entre os anos 791 e 842. Essa construção foi destruída nas lutas contra os mouros. No ano de 872, iniciou-se a construção da nova basílica de pedra, que posteriormente foi derrubada para dar início à catedral que conheci.
No interior da Catedral encontramos a urna prateado contendo os restos mortais de São Tiago Apóstolo. Algo que me chamou a atenção na Catedral foi o imenso turíbulo que pende do centro do Santuário e que, segundo o nosso guia Jesus (isso mesmo, o nome do nosso guia espanhol era Jesus!), nos dias festivos, incensa os peregrinhos que chegam cansados e suados. O turíbulo tem 1,60m de altura e pesa 80 quilos, é suspenso e balançado por um complexo sistema de cordas e roldanas movido por oito homens. Quando é utilizado espalha fumaça num cerco de 65 metros. Fico a imaginar a cena!
Numa das capelas existentes na Catedral, o Pe. Stanley Lopes celebrou o Santo Sacrifício da Missa. Renovando minha fé!
Em Santiago, visitamos ainda o Convento de São Francisco, declarado Monumento Histórico-Artístico em 1986, e caminhamos pelo centro histórico, para mim de uma beleza inigualável.
Tudo de bom a estadia em Santiago de Compostela.
 

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Fátima, Portugal

Viagem “Ao Encontro de Nossa Senhora”

Terceira parte

 
Finalmente, no final do dia 15 de novembro, chegamos a Fátima, Portugal, onde está localizado um dos mais importantes santuários marianos do mundo.
Logo que nos acomodamos no hotel, partimos para o Santuário, onde todas as noites, num certo período do ano, é rezado o Terço Mariano, cada mistério em uma língua diferente. Se a oração do Terço já é linda, ali ganha um novo brilho, pois, à medida em que cada pessoa responde na sua língua de origem, o som que se ouve é um som sobrenatural. Mistura de sentimento, mistura de amor pela nossa mãezinha!
Depois disso, dormir, esquecendo o cansaço, sonhando com os anjos...
Dia seguinte, 16 de novembro, dia de visita ao ambiente em que viveram os Pastorinhos Lúcia de Jesus e Francisco e Jacinta Marto, seus primos, a quem Nossa Senhora apareceu no ano de 1917.
Aqui, um pouco da história que se passou em Aljustrel, onde nasceram os três pastorinhos.

A aldeia vivia a sua vida tranquila, marcada pelas estações do ano e pelos trabalhos do campo, sendo a pastorícia, a agricultura e a tecelagem, o seu modo de subsistência. Viviam ali, entre outras, duas famílias aparentadas: a família Santos e a família Marto. Das poucas casas dessa época que ainda existem, embora já restauradas, contam-se as duas onde nasceram e viveram os pastorinhos, hoje pertencentes ao Santuário.
Na primavera de 1916, o “Anjo da Paz” apareceu pela primeira vez aos três pastorinhos, no local conhecido como “Loca do Anjo”. Lá ensinou-lhes a oração:

“Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos.
Peço-Vos perdão para os que
não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam”

 A segunda aparição do anjo deu-se na casa dos pais de Lúcia, no verão de 1916, no local conhecido como “Poço do Arneiro”. O anjo disse-lhes: “Sou o Anjo da Guarda de Portugal... de tudo o que puderdes, oferecei ao Altíssimo orações e sacrifícios”. Sentada nas lajes do poço, Jacinta teve a visão do Santo Padre numa casa muito grande, de joelhos, diante de uma mesa, com as mãos na cara, a chorar. Fora da casa estava muita gente e uns atiravam-lhe pedras, outros rogavam-lhe muitas palavras feias. “Coitadinho do Santo Padre! Temos que pedir muito por ele”.
Na terceira aparição, que se deu no outono de 1916, na “Loca do Anjo”, o anjo trazia um cálice e uma hóstia, prostrou-se em adoração à Santíssima Trindade, e rezou com os pastorinhos: “Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o Preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pecadores”. Depois, deu-lhes a Comunhão dizendo: “tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai seus crimes e consolai o vosso Deus”.
A 13 de maio de 1917, os três pastorinhos apascentavam um pequeno rebanho na Cova da Iria. Por volta do meio dia, depois de rezarem o terço, como habitualmente faziam, entretinham-se a construir uma paredinha de pedras soltas, no local onde hoje se encontra a Basílica. De repente, viram uma luz brilhante. Julgando ser um relâmpago, decidiram ir embora, mas logo abaixo outro relâmpago iluminou o espaço e viram em cima de uma azinheira (onde agora se encontra a Capela das Aparições), uma “senhora mais brilhante que o sol”, de cujas mãos pendia um terço branco. A Senhora disse aos pastorinhos que era necessário rezar muito e convidou-os a voltarem à Cova da Iria durante mais cinco meses consecutivos, no dia 13 e àquela hora. As crianças assim fizeram, e nos dias 13 de junho, julho, setembro e outubro, a Senhora voltou a aparecer-lhes e a falar-lhes, na Cova da Iria. A 19 de agosto, a aparição se deu no sítio de Valinhos, a uns 500 metros do lugar de Aljustrel, porque, no dia 13, o Administrador da Vila Nova de Ourém levara as crianças para a prisão, onde as reteve por três dias. Nessa aparição, que aconteceu num domingo, pelas 4 horas da tarde, no local assinalado por um momento belíssimo, Nossa Senhora deixou  este impressionante apelo: “Rezai, rezai muito, e fazei sacrifícios pelos pecadores, porque vão muitas almas para o inferno por não haver quem reze e se sacrifique por elas.” Na última aparição, a 13 de outubro, estando presentes cerca de 70.000 pessoas, a Senhora disse-lhes que era a “Senhora do Rosário” e que fizessem ali uma capela em Sua. Depois da aparição, todos os presentes observaram o milagre prometido às três crianças em julho e setembro: o sol, assemelhando-se a um disco de prata, podia fitar-se sem dificuldade e girava sobre si mesmo como uma roda de fogo, parecendo precipitar-se na terra.
 

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