quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Por obediência...


Sou como os papagaios. Aprendem a falar e só sabem dizer as palavras sempre ouvidas, repetindo-as constantemente. Assim acontece comigo, ao pé da letra.

Se o Senhor quiser que eu diga alguma coisa nova, Sua Majestade mesmo me dará sua luz. Ou então me trará à memória o que me fez dizer de outras vezes. Não me lembro bem, mas gostaria muito de acertar com alguns pontos que, diziam, estavam bem explicados em outros escritos, os quais talvez se tenham perdido¹. Com isso já me contentaria.

Se nem essa graça o Senhor me conceder, se ninguém tirar proveito de minhas palavras, ficarei com o lucro de ter-me cansado e aumentado a dor de cabeça por amor da obediência.

¹ Refere-se a Santa a sua autobiografia, que estava na Inquisição

Do Livro “Castelo Interior ou Moradas”, de Santa Teresa de Jesus

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Recomece hoje...


 “Irmãos, não acho que eu já tenha alcançado o prêmio, mas uma coisa eu faço: esqueço-me do que fica para trás e avanço para o que está na frente” (Fl 3,13).

Constantemente, procure reservar um tempo para fazer um exame de consciência de seus pensamentos, palavras e ações, de forma a reconhecer suas fraquezas diante de Deus e tomar a decisão de ir ao encontro d’Ele. Recomece hoje deixando o que é velho para trás e decidindo-se por uma vida nova com Jesus. N’Ele está a verdade, a vida e a felicidade que você deseja alcançar.

“Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho; eis que tudo se fez novo” (2 Cor 5,17).

(Luzia Santiago, Comunidade Canção Nova)




domingo, 16 de novembro de 2014

A parábola dos talentos, na visão do Papa Francisco


O Evangelho deste domingo é a parábola dos talentos, tirada de São Mateus (25, 14-30). Conta sobre um homem que, antes de partir para uma viagem, convoca os servos e confia a eles o seu patrimônio em talentos, moedas antigas de grande valor. Aquele patrão confia ao primeiro servo cinco talentos, ao segundo dois, ao terceiro um. Durante a ausência do patrão, os três servos devem fazer frutificar este patrimônio. O primeiro e o segundo servos dobram, cada um, o capital de partida; o terceiro, em vez disso, por medo de perder tudo, enterra o talento recebido em um buraco. No retorno do patrão, os dois primeiros recebem o louvor e a recompensa, enquanto o terceiro, que restitui somente a moeda recebida, é repreendido e punido.

É claro o significado disso. O homem da parábola representa Jesus, os servos somos nós e os talentos são o patrimônio que o Senhor confia a nós. Qual é o patrimônio? A sua Palavra, a Eucaristia, a fé no Pai celeste, o seu perdão… em resumo, tantas coisas, os seus bens mais preciosos. Este é o patrimônio que Ele nos confia. Não somente para ser protegido, mas para crescer! Enquanto no uso comum o termo “talento” indica uma qualidade individual – por exemplo talento na música, no esporte, etc., na parábola os talentos representam os bens dos Senhor, que Ele nos confia para que o façamos dar frutos. O buraco cavado no terreno pelo “servo mau e preguiçoso” (v. 26) indica o medo do risco que bloqueia a criatividade e a fecundidade do amor. Porque o medo dos riscos do amor nos bloqueia. Jesus não nos pede para conservar a sua graça em um cofre! Jesus não nos pede isso, mas quer que a usemos em benefício dos outros. Todos os bens que nós recebemos são para dá-los aos outros, e assim crescem. É como se nos dissesse: “Aqui está a minha misericórdia, a minha ternura, o meu perdão: peguem-no e façam largo uso”. E nós, o que fazemos?  Quem ‘contagiamos’ com a nossa fé? Quantas pessoas encorajamos com a nossa esperança? Quanto amor partilhamos com o nosso próximo? São perguntas que nos farão bem. Qualquer ambiente, mesmo o mais distante e impraticável, pode se tornar lugar onde fazer frutificar os talentos. Não há situações ou lugares incompatíveis com a presença e o testemunho cristão. O testemunho que Jesus nos pede não é fechado, é aberto, depende de nós.

Esta parábola nos exorta a não esconder a nossa fé e a nossa pertença a Cristo, a não enterrar a Palavra do Evangelho, mas a fazê-la circular na nossa vida, nas relações, nas situações concretas, como força que coloca em crise, que purifica, que renova. Assim também o perdão, que o Senhor nos dá especialmente no Sacramento da Reconciliação: não o tenhamos fechado em nós mesmos, mas deixemos que desencadeie a sua força, que faça cair muros que o nosso egoísmo levantou, que nos faça dar o primeiro passo nas relações bloqueadas, retomar o diálogo onde não há mais comunicação… E por aí vai. Fazer com que estes talentos, estes presentes, estes dons que o Senhor nos deu sejam para os outros, cresçam, deem frutos, com o nosso testemunho.

Acredito que hoje será um belo gesto que cada um de vocês peguem o Evangelho em casa, o Evangelho de São Mateus, capítulo 25, versículos de 14 a 30, e leiam isto, e meditem um pouco: “os talentos, as riquezas, tudo aquilo que Deus me deu de espiritual, de bondade, a Palavra de Deus, como faço com que cresçam nos outros? Ou somente os protejo em um cofre?”.

E também o Senhor não dá a todos as mesmas coisas e no mesmo modo: conhece cada um de nós pessoalmente e nos confia aquilo que é certo para nós; mas em todos, em todos há algo de igual: a mesma, imensa confiança. Deus confia em nós, Deus tem esperança em nós! E isto é o mesmo para todos. Não o desiludamos! Não nos deixemos enganar pelo medo, mas vamos retribuir confiança com confiança! A Virgem Maria encarna esta atitude no modo mais belo e mais pleno. Ela recebeu e acolheu o dom mais sublime, Jesus em pessoa, e à sua volta O ofereceu à humanidade com coração generoso. A ela peçamos para nos ajudar a sermos “servos bons e fiéis” para participar “da alegria do nosso Senhor”.


(Ângelus com o Papa Francisco, 16/11/2014)

Pecados que se tornam hábitos


Diz Scott Hahn, no livro "O Banquete do Cordeiro": "Temos que considerar o pecado como uma ação que destrói nosso vínculo familiar com Deus e nos afasta da vida e da liberdade. Como isso acontece? Temos a obrigação, antes de tudo, de resistir à tentação. Se então falhamos e pecamos, temos a obrigação de nos arrependermos imediatamente. Se não nos arrependemos, Deus nos deixa por nossa conta: permite que experimentemos as consequências naturais de nossos pecados, os prazeres ilícitos. Se seguimos sem arrependimento - mediante a abnegação e os atos de penitência - Deus permite que continuemos em pecado, FORMANDO ASSIM UM HÁBITO, UM VÍCIO, QUE OBSCURECE NOSSO ENTENDIMENTO E DEBILITA NOSSA VONTADE.

Uma vez que estamos presos a um pecado, nossos valores se tornam revés. O mal se converte em nosso "bem" mais urgente, nosso mais profundo anseio; o bem se apresenta como um "mal" porque ameaça nos separar da satisfação de nossos desejos ilícitos.

Chegados a esse ponto, O ARREPENDIMENTO SE TORNA QUASE IMPOSSSIVEL, PORQUE O ARREPENDIMENTO É, POR DEFINIÇÃO, UM SEPARAR-SE DO MAL E VOLTAR-SE PARA O BEM; porém, neste momento, o pecador redefiniu a consciência tanto do bem como do mal. Isaías disse de tais pecadores: "Ai dos que chama de bem o mal e de mal, o bem" (Is 5,20)."

domingo, 7 de setembro de 2014

Palavra e Silêncio de Deus

Impressionante o aparente silêncio de Deus diante do drama humano que se descortina a nosso redor. Mais chocante é o silêncio diante das orações dos que creem. Perseguição e violência contra cristãos, em várias partes do mundo, caso do Iraque. Morte de fome e doenças, em várias partes do Planeta, caso das vítimas do ébola na África. Coloca-se a pergunta: Deus onde estás? Eis o drama de muitos que, como Jó, rezam e não escutam resposta.

O mês de setembro, entre nós católicos, é dedicado de forma especial à consideração da Palavra de Deus: mês da Bíblia! À pergunta sobre onde está Deus, devemos responder que Ele está no meio de nós. É isto que a Bíblia nos ensina. “A Palavra se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14 ). Em Jesus Deus nos fala de forma vibrante, total. São João da Cruz escreve; “Uma palavra disse o Pai, que foi seu Filho; e di-la sempre no eterno silêncio e em silêncio ela há de ser ouvida” ( cf. in Ditos de Amor e Luz n. 98).

Não há silêncio de Deus a não ser para aqueles que não querem ouvir Jesus: “Este é meu filho amado em quem encontro meu agrado: escutai-o” (Mt 17,5). Por aí se deduz que não é Deus que não fala, ou não responde. Somos nós que não sabemos fazer o necessário silêncio para ouvi-Lo. Ou nossa fé não é suficiente para fazer silêncio e contemplar o mistério que nos envolve. Deus é tão grande que não o compreendemos (cf. Jó, 36,26). O profeta Isaías deixa registrado: “...vós sois um Deus escondido”(Is 45,15). Este ocultamento é glória para Deus! (cf. Pr 25,2).

Mas se Deus se revelou plenamente em Jesus, como permanece este ocultamento? Ao ponto de São Paulo escrever: “Quem és tu, ó homem, para pedires conta a Deus?” (Rm 9,20). Aqui nos defrontamos com o mais profundo do mistério da Revelação que Deus faz de si mesmo em Jesus Cristo: Deus se revela na fraqueza (cf. 2 Cr 12,7-10). Grande parte da revolta contra Deus, e até mesmo da negação da existência de Deus está no fato de que o modo e o local, no qual Deus quis se revelar não são aceitos, embora sejam conhecidos. O que o mundo julga estulto Deus escolheu para confundir os sábios...etc

A sabedoria de Deus é infinita e se revelou na pobreza do modo e dos meios, com os quais se deu a conhecer: de Belém até a cruz. Não é fácil fazer-se conhecer quando se é Deus, pois, Ele não teria sido amado, mas adulado ou temido somente, se tivesse feito de outro modo.

O mês da Bíblia é um mês para nos recordar que a Palavra de Deus está aí para nos iluminar, a fim de percebermos no dia a dia da vida o quanto Deus continua nos falando. Sobretudo, a ensinar-nos que Deus escreve direito por linhas tortas. E que precisamos nos tornar hábeis na leitura destas linhas tortas. “Conserva-te em silêncio diante de Deus e espera Nele” (Sl 37,7). Esta é a resposta da fé, a única que convém diante da Revelação amorosa que Deus nos faz.

Dom Pedro Carlos Cipollini, Bispo de Amparo/SP


domingo, 24 de agosto de 2014

Quem é Jesus para você?


No Evangelho de hoje, Jesus, na região de Cesareia de Filipe, faz um confronto, um interrogatório, aos Seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” (Mt 16, 13). Uma pergunta que pode parecer tão simples, mas, na verdade, é a grande interrogação que os céus fazem a nós hoje.
Já se passaram dois mil anos da vinda e da vida do Senhor entre nós, e quem dizem os homens ser Jesus? Aliás, é a pergunta que Deus faz a mim e a você: Quem é Jesus para nós? Pode ser que para alguns Ele seja um grande profeta – assim O consideram nossos irmãos muçulmanos. Pode ser que para outros Ele seja um grande rabino, um sábio e grande conhecedor – assim O consideram nossos irmãos judeus. Para outros, Jesus foi apenas mais um homem que passou entre nós, dizem talvez aqueles que não têm fé ou cuja fé não seja voltada para a pessoa de Jesus Cristo.
Mas, e para nós que vamos à igreja e que participamos das coisas de Deus, será que no fundo da nossa alma e do nosso coração nós realmente já o descobrimos ou tivemos um encontro pessoal com esse Mestre Jesus a ponto de responder e dizer quem, na verdade, é Ele para nós!?
Ah, meus irmãos, como nós precisamos responder com a vida, responder com as nossas atitudes e com o nosso coração quem é Jesus para nós, quem Ele é em nossas vidas! Essa não é uma resposta teórica, não é uma resposta vinda de estudos, de conhecimentos científicos; nem é uma resposta teológica, teologal! É uma resposta que vem do fundo da alma que fez uma experiência pessoal com Jesus.
Quem O encontra e quem experimenta a vida de Jesus pode responder quem, na verdade, Ele é. Pedro, com seu jeito mais entusiástico e entusiasmado de ser, respondeu com uma precisão sem igual, ele foi no fundo da experiência que estava fazendo dia a dia com o Mestre Jesus e disse: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. Foi por causa dessa profissão de fé, porque Pedro realmente professou com o coração, com a vida e reconheceu em Jesus o Messias e o Senhor, que Jesus confiou a ele a autoridade e a responsabilidade por Sua Igreja (Mt 16, 18 ss).
A nossa fé é fundamentada na profissão de fé do apóstolo Pedro, no reconhecimento da messianidade de Jesus, no reconhecimento de que Jesus não é simplesmente o Jesus de Nazaré, um pregador, um rabino; não! Para nós, Jesus é o Cristo, o Messias, o Senhor, o enviado, o ungido de Deus. E se Cristo é tudo isso, Ele é a resposta maior, última, definitiva, por excelência, do amor de Deus para cada um de nós.
Descubramos Jesus, tenhamos um encontro pessoal com Ele, permitamos realmente que Ele seja o Senhor de nossa vida. Não é hora de aprofundarmos os nossos conhecimentos e teorias a respeito do Mestre; mas sim de crescermos na intimidade, na vida mística, na oração, na contemplação e na meditação dos valores que Ele mesmo nos ensinou a viver.
Nós precisamos mostrar ao mundo quem é Jesus; e mostrar para o mundo quem é Ele não é simplesmente gritar: “Olha, Ele é o Senhor, Ele é Deus!” Mostrar quem é Jesus, para o mundo, é mostrar com a nossa vida e por intermédio daquilo que nós vivemos que Jesus é a razão e o sentido do nosso viver!
Deus abençoe você!


Padre Roger Araújo, Comunidade Canção Nova

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Comprometer-se com Deus


Aquele que ocupa sua vida com Deus não tem tempo para murmurações. Aquele que acredita no Senhor se compromete com Ele. Quando nós nos aproximamos de Deus temos a certeza de que alcançaremos o que temos esperado, pois Ele recompensa quem O procura. Pode ser que Ele nos guie por caminhos desconhecidos, mas confiemos na vontade do Senhor porque quem nos leva é o próprio Deus.

Peçamos a graça ao Senhor de confiarmos em Suas mãos. Deus assume a responsabilidade de conduzir nossos passos. Ele é fiel e Sua fidelidade não tem fim.
Rezemos: Guia-nos à Tua vontade, Senhor!


Márcio Mendes, Missionário da Comunidade Canção Nova