quarta-feira, 21 de novembro de 2012

#FicaAdica 48



Encontros preciosos não são necessariamente os que nos trazem jardins já floridos. São, na maioria das vezes, aqueles que semeiam nossos corações ou nos ofertam mudas… Encontros são possibilidades únicas de mudanças e transformação, pois abre-nos portas, janelas e caminhos. Quando nos dispomos a realizar encontros significa nossa decisão de sair de nossa zona de conforto para irmos na direção da outra pessoa.

Procure criar espaços novos em sua vida. Abra portas e janelas. Permita que a brisa suave do amanhecer refrigere seu coração. É tempo de realizar encontros, de conhecer novas pessoas e criar novos laços de amizade. Viver é um processo! E o que faz desse processo um privilégio é a possibilidade de encontros genuínos, nos quais cada um de nós toca e é tocado pelo outro, naquilo que é mais sagrado…o coração!

Frei Paulo Sérgio de Souza, OFM

Leitura Bíblica: Mateus 12, 46-50


Prestai atenção, rogo-vos, naquilo que Cristo Senhor diz, estendendo a mão para seus discípulos: Eis minha mãe e meus irmãos. Quem faz a vontade de meu Pai que me enviou, este é meu irmão, irmã e mãe (Mt 12,49-50).

Acaso não fez a vontade do Pai a Virgem Maria, que creu pela fé, pela fé concebeu, foi escolhida dentre os homens para que dela nos nascesse a salvação e que foi criada por Cristo antes que Cristo nela fosse criado? Sim! Ela o fez! Santa Maria fez totalmente a vontade do Pai e por isto mais valeu para ela ser discípula de Cristo do que mãe de Cristo; maior felicidade gozou em ser discípula do que mãe de Cristo. Assim Maria era feliz porque, já antes de dar à luz o Mestre, trazia-o na mente.

Vede se não é assim como digo. O Senhor passava acompanhado pelas turbas, fazendo milagres divinos, quando certa mulher exclamou: Bem-aventurado o seio que te trouxe. Feliz o ventre que te trouxe! (Lc 11,27) O Senhor, para que não se buscasse a felicidade na carne, que respondeu então? Muito mais felizes os que ouvem a palavra de Deus e a guardam (Lc 11,28).

Por conseguinte, também aqui é Maria feliz, porque ouviu a palavra de Deus e a guardou. Guardou a verdade na mente mais do que a carne no seio. Verdade, Cristo; carne, Cristo; a verdade-Cristo na mente de Maria; a carne-Cristo no seio de Maria. É maior o que está na mente do que o trazido no seio.

Santa é Maria. Abençoada é Maria! Contudo, a Igreja é maior que a Virgem Maria. Por quê? Porque Maria é porção da Igreja, membro santo, membro excelente, membro supereminente, mas membro do corpo total. Se ela pertence ao corpo total, logo é maior o corpo que o membro. A cabeça é o Senhor; e o Cristo total, é a cabeça e o corpo. Que direi? Temos cabeça divina, temos Deus por cabeça!

Sermão 72 A, Santo Agostinho

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Leitura Bíblica: Apocalipse 1,1-4; 2, 1-5



Há uma coisa que eu te reprovo: abandonaste o teu primeiro amor (Ap  2, 4).

O discípulo de Cristo sabe que viver em união amorosa com o Mestre é tarefa que leva tempo. Uma coisa é aceitar a fulgurante beleza do Esposo nos arroubos dos primeiros encontros. Outra é permanecer fiel ao longo dos desafios e do desgaste do tempo da vida. O autor do Apocalipse lembra à Igreja que está em Éfeso a necessidade de permanecer fiel.

“Conheço a tua conduta, o teu esforço e a tua perseverança”.  Por ocasião de um retiro, na realização de um trabalho de pastoral,  devido a outras  circunstâncias, o discípulo se dá conta que seu relacionamento com o Mestre é marcado por fervor,  alegria,  garra. Pode mesmo ser que, no começo, esse amor pelo Senhor se revista de marcas de sensibilidade.  É bom que assim o seja. Em seguida, porém, será  necessário ficar firme na oração, mesmo nos momentos de aridez,  na execução das tarefas mesmo quando estas passam a ser penosas, na aceitação das contradições e perseguições mesmo quando estas partem dos de casa.

“Sei que não suportas os maus. Colocaste à prova alguns que se diziam apóstolos e descobriste que não eram apóstolos, mas mentirosos”. Pelo testemunho e força o discípulo mostra quem são os verdadeiros apóstolos e os que são mentirosos.

“És perseverante. Sofreste por causa do meu nome e não desanimaste”. Há esse sofrimento calado de uma doença suportada, de uma ofensa completamente injusta, de uma perseguição ostensiva quando o testemunho de vida passa a  ser uma condenação da vida dos outros. Há os que não desanimam. Perseveram, com a força da graça, na adolescência e juventude, na idade madura e na velhice, na saúde e na doença, sempre.

“Abandonaste o teu primeiro amor”. O Apocalipse recrimina a Igreja de Éfeso de ter perdido o elã do começo. O tempo da vida é longo e o discípulo corre o risco de fragilizar-se. O discípulo cai. E, ao longo do tempo da vida, será preciso levantar-se, converter-se, prestar atenção nos passos e descompassos, olhar  nos olhos do Senhor e parar diante dos irmãos. “Converte-te e volta à tua prática inicial”. Conversão: visitar o interior, não deixar vazia a casa do coração, cultivar a delicadeza de consciência, estar sempre atento aos pedidos do Senhor aqui e agora.

Frei Almir Ribeiro Guimarães

domingo, 18 de novembro de 2012

Você almeja dias felizes?


Nada nos falta quando temos fé em Nosso Senhor Jesus Cristo. Passamos por dificuldades, tribulações e tantas outras situações próprias da vida humana, mas no Senhor temos tudo, porque Ele é a fonte de todo bem e de toda graça.

Se queremos viver dias felizes, sejamos tementes a Deus e procedamos retamente, porque dessa forma atraímos a benção divina sobre nós. "A todo homem que procede retamente, eu mostrarei a salvação que vem de Deus" (Sl 49).

"Oh! Que me abençoes e me alargues as fronteiras, que seja comigo a tua mão, e me preserves do mal, de modo que não me sobrevenha aflições" (I Crôn 4,10). Reze essa oração ao longo de todo este dia, pedindo a proteção e a benção do Senhor. Quando vierem o medo, a tristeza, a angústia, as inquietações e as irritações, reze e não se deixe abater, porque o Senhor ouve a voz da nossa súplica.

Peçamos a Jesus a graça de um coração obediente e dócil à Palavra de Deus.

Jesus, eu confio em Vós!

Luzia Santiago

sábado, 17 de novembro de 2012

Leitura Bíblica: Lucas 18,1-8


Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite 
gritam por ele? (Lc 18, 7)

Uma viúva procura um juiz para que lhe faça justiça. Insiste, suplica, volta a pedir. O homem, mesmo não temendo  a Deus, devido à insistência da mulher, atende seu pedido. Ora, Deus vigilante e carinhoso não haverá de nos atender?

Desde pequenos, a mãe nos ensinou a rezar ao  Pai do céu, a pedir pelo irmãozinho doente ou pela avó que aniversariava. Sem muita teoria fomos aprendendo a jogar nossa vida em Deus e colocar no seu coração as nossas preocupações.  Crescemos, entendemos melhor as coisas e continuamos a rezar: o Pai nosso, os salmos penitenciais,  as orações, suplicando sabedoria na hora das tomadas de decisão. Trabalhando, lutando, sofrendo, planejando, vivendo vamos sempre tendo o olhar posto no Senhor e o coração se torna um coração de súplica.  Queremos que o casamento dê certo, que os filhos não se desviem, que os padres sejam padres, que não nos faltem vocações, que os doentes tenham coragem de carregar suas cruzes, que os que perdem seus entes queridos não desesperem.  Pessoal ou comunitariamente  apresentamos a Deus estas e tantas outras súplicas. “E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que dia noite gritam por ele. Será que vai fazê-los esperar?”

A vida vai fazendo seu curso. Ficamos doentes. Procuramos o médico. Ficamos bons ou não. Pedimos a Deus que nos cure ou que no dê forças para suportar a dor.

Queríamos que nossos meninos crescessem bem e eis que enveredam pelo caminho das drogas… Pedimos a força do Senhor que parece vir e não vir.  Às vezes dizemos com Jesus:  “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?”  “Se for possível afasta este cálice de mim;  não se faça como eu quero, mas como tu queres? “

Num determinado momento há uma simplificação da vida de oração.

Caminhamos à luz do Senhor. Ele nos olha  e nós o olhamos. Nossa oração passa a ser simplesmente um caminhar na sua presença. Gostamos dos  lugares silenciosos, degustamos os salmos,  repetimos incessantemente: “Tu és o bem, o sumo bem, o tudo…”.

Assim, a vida de oração vai purificando o nosso coração.  A certeza da companhia do Senhor nos estimula.  Vivemos, apesar do pecado e da precariedade de nossos propósitos, no Senhor.  Somos amigos do Senhor.  Será que o Senhor vai nos abandonar?  “Eu vos digo que Deus lhes fará justiça bem depressa”.

O evangelho de hoje termina com esta misteriosa frase: “Quando o Filho do Homem vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?”.

Frei Almir Ribeiro Guimarães

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Qual é a direção de sua vida?


Para onde você está indo? Onde quer chegar? O que você já fez da sua vida? O que pretende ainda realizar? Onde está a tua descendência? Estas e tantas outras perguntas o ser humano faz, constantemente, ao longo da sua vida!

Poderíamos dizer que somente um adulto pergunta sobre a própria vida, mas isso é um engano, pois até mesmo a mais simples pergunta de uma criança representa a sua dúvida sobre a vida. Porém, cabe a cada um de nós não parar nas perguntas, mas buscar, constantemente, uma resposta. Por que digo constantemente? Pelo simples fato de que, a cada pergunta respondida, outras surgirão!

Podemos chegar a um estado de desespero
, de depressão ou de profunda angústia. Isso é muito provável para aqueles que somente buscam respostas para suas perguntas, sem avaliar a fonte, o lugar de onde estão saindo estas respostas. Demos um passo adiante nesta nossa reflexão. Para responder a simples pergunta “para onde estou indo?”, devemos perguntar primeiramente: “quem sou eu?”. Assim teremos o início de uma resposta coerente e verdadeira.

No Salmo 8, o autor sagrado pergunta “Senhor, quem é o homem para cuidar dele tanto assim?”. A resposta encontramos em Gênesis 1,27: “Façamos o homem a nossa imagem e semelhança”. Aqui, começamos a encontrar a resposta essencial e vital de cada um de nós. Se partirmos desta afirmação do Gênesis, que somos criados à imagem e semelhança de Deus, partimos de uma realidade de vocação, ou seja, de um chamado.

A vocação acima falada é a imagem de Deus que somos, ou seja, o Senhor nos chama a sermos Sua imagem, Imago Dei. Mas não é um chamado passivo que espera uma resposta. Não! A imagem divina que somos é uma vocação ativa de Deus a nós. Antes mesmo de respondermos à pergunta que toda criança faz: "O que vou ser quando crescer?", podemos responder: "quem somos"? Fomos criados à imagem do Pai por amor. Nenhuma outra criatura, no mundo, tem este dom tão grande de ser imagem do Criador; porém, todo chamado exige uma reação.

A resposta é a semelhança à qual Deus nos criou. Ou seja, com o dom da liberdade podemos responder e corresponder a essa semelhança naquilo que escolhemos e fazemos. Na certeza de que não basta apenas um agir moral reto, mas uma profunda adesão total e completa daquilo que é uma resposta decidida e definitiva de cada um de nós ao Criador. Ou seja, uma profunda decisão interior a uma constatação de um dom recebido.

Tendo esta consciência de quem somos, podemos dizer que nenhuma pergunta ficará sem resposta, pois a vida não se faz de perguntas, mas de vocação e respostas dadas, a cada dia, a um amor que ultrapassa as barreiras da nossa ignorância e do nosso tempo, mas respeita, porque o verdadeiro amor é aquele que gera liberdade, por isso nos espera até o último momento.

Para onde você está indo? Eu espero que seja ao encontro com o nosso Deus Amor!

Padre Anderon Marçal