sábado, 12 de janeiro de 2013

E quando a vida nos diz ‘não’

Nem sempre quando a vida nos diz "não", tal resposta tem a finalidade de nos encerrar em um tempo de esterilidade. O "não" pode também se manifestar como a possibilidade de trilharmos um novo caminho, adentrando por uma nova porta que a nós se inaugura neste específico momento. Há momentos nos quais, de maneira antecipada e, quem sabe, até precipitada, tudo definimos e estabelecemos dentro de nós, idealizando nossos sonhos e metas de maneira irrevogável. Entretanto, em muitas circunstâncias, as realidades acabarão não acontecendo da maneira como planejamos, e nesses peculiares invernos, poderá – intensamente – nos visitar a frustração.

É horrível desejar tanto uma realidade e, por fim, deparar-se com a sua não realização. Contudo, não é só quando a vida sorri que podemos ser felizes. Muitas vezes, a felicidade que nos espera será preparada pelas lágrimas, sendo que estas podem se tornar um sólido alicerce para a construção de uma madura realização em nossa história. As lágrimas podem também gerar vida e recomeços, e o não, pode se tornar um específico lugar onde se pode refletir e escutar a Verdadeira voz, que poderá nos conduzir à mais perfeita realização.

Neste processo de deparar-se com o "não" se faz essencial a confiança. Confiar em um motivo Maior no qual possamos recostar nossas fragilidades, pois sempre haverá um concreto sentido (significado) no qual poderemos ancorar nossas esperanças e depositar as nossas lágrimas. Faz-se necessário confiar nos planos de nosso Autor, pois, diante de cada circunstância, Ele sempre verá mais longe e contemplará o real muito melhor que nós mesmos.

É preciso, de fato, confiança e abandono, mesmo quando a vida diz "não", pois o "não" – conduzido por Deus – torna-se fonte de vida e de felicidade para nós. É preciso dizer "sim" aos "nãos" que Deus nos apresenta, acreditando que Ele conhece nossos sonhos e que, quando nos diz "não", é porque está nos preparando algo infinitamente superior ao que esperávamos.

Seus planos são perfeitos, e no centro deles estamos nós. É preciso treinar a audição para o Infinito e sempre n’Ele esperar, dizendo constantemente "sim" às realidades nas quais Ele nos insere. De tal forma em tudo cresceremos, adquirindo uma sabedoria e maturidade ímpares, que nos farão adentrar naquilo que é próprio da Eternidade. Cresçamos com os "nãos", treinemos a confiança e nos abandonemos aos cuidados deste singular e infinito Amor!

Padre Adriano Zandoná

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

#FicaAdica 59




Para poder chegar é preciso a dis-posição de sair, de fazer a viagem, de colocar-se no caminho. E, na maioria das vezes, a sensação do ir é melhor do que a de chegar. Quem caminha descobre vales e montanhas, pode ver e contemplar, pode sentir o vento e o calor do sol, pode ser molhado por uma chuva refrescante… É no caminho que vamos nos fazendo, aprendendo e ensinado, seguindo sempre em frente, atentos a nossos ideais, com o desejo intenso de chegar!

Dessa maneira a vida ficará bem mais bonita e saborosa. Haveremos de celebrar os encontros, de nos recolher nos fracassos e nos fortalecer para as muitas vitórias. Então, procure positivar sua mente com coisas boas e agradáveis. Sua vida é resultado de um sonho lindo de Deus e de duas pessoas que se amaram. Sua vida é grandiosa demais para ser desperdiçada com coisas pequenas e sem valor… Então, siga em frente com audácia e muito brilho no olhar!

Frei Paulo Sérgio, ofm

A mais bela flor

Estava um homem sentado num banco de uma praça. Aquele dia não tinha sido fácil. Sua vida não fazia mais sentido e a vontade que ele tinha naquele momento era de chorar todas as suas desgraças. Como se não bastasse, se aproxima dele uma criança, cheia de alegria. Na sua mão uma flor, pétalas caídas, destruída.

O homem deu um sorriso pálido para a criança e virou as costas. Mas o menino insistia em conversar com o homem e ainda falava da beleza daquela flor tão destroçada. De repente, o menino oferece a flor ao homem. E o desiludido homem, para se ver livre da criança, estende a mão, aceitando a flor.

Mas, ao invés de colocar a flor na mão do homem, o menino continua segurando-a no ar. Nessa hora, o homem nota que o menino era cego, que não podia ver o estado da flor que tinha nas mãos.

O homem, emocionado, pega a flor das mãos do menino e agradece pelo gesto. O menino volta a brincar sem perceber o impacto que teve na vida daquele homem.

Hoje, quero te convidar a se colocar no lugar daquele homem, que por causa das dificuldades da vida se maldiz e nem consegue perceber a grandiosidade do gesto feito pelo menino. O menino não fora agraciado pela visão, mas descobrira um dom muito maior. Ele descobrira que a verdadeira visão é a do amor doação. É aquela que enxerga muito além do que é visível aos olhos humanos. Enxerga as necessidades do irmão que precisa e oferta o que tem de melhor para esse irmão.

Aquele homem levou a flor despedaçada ao nariz e sentiu que dali exalava um perfume inigualável. Sorriu e observou que o menino já se encontrava entregando uma flor a um outro homem solitário, prestes a mudar a vida de mais um filho de Deus.

Desejo a todos uma santa noite!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Leitura Bíblica: Marcos 6, 45-52

O vento era contrário... (Mc 6,48)

Quem não tem prática de navegação a vela não imagina a importância do papel do vento! E como é difícil velejar contra o vento! O mesmo vento que impele o veleiro como garça ligeira – quando favorável – é o vento que rasga as velas e quebra o mastro, quando encrespa o mar como tormenta e vendaval...

Ora, a vida cristã sempre foi navegação contra o vento. Vento do paganismo, vento dos césares, vento dos bárbaros, vento das revoluções, vento do nazismo, vento do comunismo ateu. Perguntem aos mártires, a Pedro e Paulo, a Mindszenty e Van Thuan, confessores da fé... Apesar de tantas barreiras e oposições, a Barca de Pedro segue seu périplo em direção ao grande Dia do Senhor.

É bem verdade que existem uns marinheiros chorões... Vivem reclamando: “Como é difícil ser cristão!” Sobem à barca, mas não miram o horizonte. Divagam o olhar para os lados, com saudades do porto, recordando o balé das praias na praia preguiçosa e lamentando a distância dos grandes mercados e seus prazeres...

Nós não podemos ser assim! Apesar da pobreza de nossos meios e da fragilidade de nossos recursos pessoais, devemos navegar adiante, apoiados na Graça do Deus fiel que jamais abandona o navio.

Como escreveu Orígenes, “quando, entre sofrimentos, nos tivermos mantido firmes durante as longas horas da noite escura que reina nos momentos de provação, quando houvermos lutado o melhor possível para evitar o naufrágio de nossa fé, estejamos seguros de que ao fim da noite, ‘quando noite estiver avançada e já nascendo o dia’ (cf. Rm 13,12), o Filho de Deus virá junto de nós, caminhando sobre as águas, para nos tornar o mar favorável”.

É quando Jesus aparece a caminhar sobre as águas, demonstrando sua natureza divina e seu domínio sobre os elementos. O Senhor está acima de todos os poderes naturais. E o evangelista anota: apenas Jesus subiu à barca, o vento cessou.

Será que aprenderemos um dia esta lição? Sem Jesus, nossa barca ameaça soçobrar. Crises na família. Atritos no trabalho. Dissensões na Igreja. Se nossa humanidade falha e pecadora fica entregue a si mesma, produz habitualmente tais frutos de morte. Competição, inimizades, rancores. Mas se Jesus encontra espaço em nossa barca, o vento cessa e vem a bonança.

O Evangelho de hoje deixa claro para nós que foi de Jesus a iniciativa de ir ao encontro dos discípulos dominados pelo medo. Certamente, há muito tempo Jesus tenta subir à nossa barca...

Por que será que ainda não o deixamos entrar?

Orai sem cessar: “O Senhor será um refúgio para o seu povo!” (Jl 4,16b)

Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

O valor da cortesia

Uma das grandes preocupações de nosso pai, quando éramos pequenos, consistia em fazer-nos compreender o quanto a cortesia é importante na vida. Por várias vezes percebi o quanto lhe desagradava o hábito que têm certas pessoas, de interromper a conversa quando alguém está falando. Eu, especialmente, incidia muitas vezes nesse erro. Embora visivelmente aborrecido, ele, entretanto, nunca ralhou comigo por causa disso, o que me surpreendia bastante.

Certa manhã, bem cedo, ele me convidou para ir ao bosque a fim de ouvir o cantar dos pássaros. Concordei com grande alegria e lá fomos nós, umedecendo nossos calçados com o orvalho da relva.Ele se deteve em uma clareira e, depois de um pequeno silêncio, me perguntou: - Você está ouvindo alguma coisa além do canto dos pássaros? Apurei o ouvido alguns segundos e respondi:

- Estou ouvindo o barulho de uma carroça que deve estar descendo pela estrada.

- Isso mesmo... Disse - Isso mesmo...

Onde estávamos não era possível ver a estrada e perguntei admirado: - Como pode o senhor saber que está vazia?

- Ora, é muito fácil saber que é uma carroça vazia. Sabe por que?

- Não! Respondi intrigado.

Meu pai pôs a mão no meu ombro e olhou bem no fundo dos meus olhos, explicando: - Por causa do barulho que faz. Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que faz.

Não disse mais nada, porém deu-me muito em que pensar. Tornei-me adulto e, ainda hoje, quando vejo uma pessoa tagarela e inoportuna, interrompendo intempestivamente a conversa de todo o mundo, ou quando eu mesmo, por distração, vejo-me prestes a fazer o mesmo, imediatamente tenho a impressão de estar ouvindo a voz de meu pai soando na clareira do bosque e me ensinando:

- Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que faz!

(autoria desconhecida)

domingo, 6 de janeiro de 2013

As delicadezas do amor de Deus



O amor consiste no seguinte: “Não fomos nós que amamos a Deus, mas foi Ele quem nos amou e nos enviou o seu Filho como vítima expiatória pelos nossos pecados” (I Jo 4,10) .

O fato de saber reconhecer as delicadezas do amor do Pai na trama ordinária da vida, é uma graça do Senhor. Moisés explicou muito bem isso ao povo, ao enumerar as provações, os sinais e os grandiosos prodígios que presenciou: “Até o dia de hoje, Javé não vos tinha dado um coração para compreender, olhos para ver e ouvidos para ouvir” (Dt 29,4).

Compreender, isto é uma autêntica revolução! Não somos nós que andamos a girar à volta de Deus, para tentar atingi-Lo e amá-Lo, mas é Ele quem gira à nossa volta, até o momento em que consegue uma brecha no nosso coração.

Senhor, dá-nos um coração sensível à Tua presença, para que possamos reconhecer-Te como Nosso Senhor e amigo.

Jesus, eu confio em Vós!

Luzia Santiago, Comunidade Canção Nova

Solenidade da Epifania do Senhor



Mais uma vez comemoramos a festa dos Magos que buscam o presépio do frágil Menino. No Oriente, esta data é a festa do Natal. Sim, tudo começa outra vez. Diante de nós, o presépio de um menino que recebe a visita de gente de longe, de muito longe…

As coisas se passam em torno do tema da luz, da claridade. Isaías, na primeira leitura desta liturgia se dirige a Jerusalém, essa que mata profetas, mas essa cidade encantada para a qual se dirigem aqueles que haviam sido deportados, que passaram por toda sorte de humilhação na terra do degredo. Há solene marcha empreendida pelo povo e por seu chefes. “Levanta-te, acende as luzes Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor”. As trevas vão sendo devoradas pela luz que chega. Há uma festa de luz. “Os povos caminham à tua luz e os reis, ao clarão de tua aurora”.

Jerusalém, a cidade, é descrita como uma mulher que acolhe os filhos que chegam de longe. Esguia ela levanta os olhos. Há chegada dos filhos e das filhas como se fosse uma grande dança. Seus filhos vêm chegando de longe com suas filhas que carregam nos braços. E o coração de Jerusalém  baterá forte e seu semblante terá cores radiantes.

Isaías fala mesmo de uma caravana de homens trazidos por camelos.  “… será uma inundação de camelos e dromedários de Madiã e Efa a te cobrir; virão todos os de Sabá, trazendo ouro, incenso e proclamando a glória do  Senhor”.

Mateus afirma que, no tempo do rei Herodes, quando Jesus tinha nascido Magos do Oriente chegaram a Jerusalém. Traziam uma pergunta:  “Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”.

Vieram de longe, esses misteriosos magos. Vieram cheios de interrogações, fazendo uma longa viagem, esses peregrinos da fé. Estavam com o corpo cansado, as roupas encharcadas de suor. Vieram à luz da estrela. Vieram à luz da fé. Vieram consultando as Escrituras e guiados por um filete de fé que vinha de uma estrela, que aparecia e desaparecia.

Depois de interrogações e questionamentos de uns e de outros conseguiram chegar ao presépio do frágil menino. A estrela reaparecera.  “A estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até parar sobre o lugar em que estava o menino”. Novamente, o tema da luz, da estrela da fé que encaminha os passos dos peregrinos até o Senhor. Homens do Oriente que andavam à busca de Deus, que carregavam essa ânsia de jogar suas histórias  diante daquele que os iluminava.  Que fortuna viver com pessoas de fé, pessoas que caminham por entre as coisas como se vissem o Invisível! Fé, dom de iluminação.

Finalmente eles tinham chegado ao termo da viagem. Com a vista da estrela, os magos sentiram uma alegria muito grande. “Quando entraram na casa, viram o Menino com Maria,  sua Mãe.  Ajoelharam-se diante dele e o adoraram.  Depois abriram seus cofres  e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra”.

Terminamos nossa reflexão retomando admirável texto de São Pedro  Crisólogo sobre aquele que nasceu para nós e não quis ser ignorado por nós: “Hoje, os Magos que o procuravam resplandecente nas estrelas, o encontram num berço. Hoje, os Magos contemplam maravilhados,  no presépio, o céu na terra, a terra no céu, o homem em Deus, Deus no homem e, incluído no corpo pequenino de uma criança, aquele que o universo não pode conter. Vendo-o, proclamam sua fé, não discutem, oferecendo-lhe  místicos presentes:  incenso a Deus, ouro ao rei e mirra ao que havia de morrer. Assim, o povo pagão, que era o último, tornou-se primeiro, porque a fé dos Magos deu início  à fé de todos os pagãos”.

Frei Almir Ribeiro Guimarães