sábado, 11 de maio de 2013

O destino do homem novo



Entre a Páscoa da Ressurreição e a festa de Pentecostes, a Igreja situa a solenidade da Ascensão. É mais um momento do processo pelo qual passam os discípulos após a morte de Jesus. Aqueles que saíram correndo cheios de medo quando Jesus foi preso, julgado e crucificado, foram confortados pelo encontro com o Senhor Ressuscitado. Agora, por estarem suficientemente firmes na fé, Jesus se despede deles. Deixa-lhes, porém, uma nova promessa: a promessa do Espírito Santo. 

A vinda do Espírito Santo dará forças aos discípulos para que deem testemunho de Jesus “em Jerusalém, em toda a Judeia, na Samaria e até os confins do mundo”. O Espírito será a “a força do alto” da qual se revestirão os discípulos. No entanto, para que o Espírito chegue, é preciso que Jesus se vá. É necessário que, durante algum tempo, os discípulos aprendam a viver por si sós. 

Poderíamos dizer que esta festa nos fala da pedagogia de Deus com os homens. Jesus chamou alguns pescadores ignorantes. Foi lhes ensinando ao longo de três anos, como nos relatam os evangelhos. Não foi suficiente. Na hora da cruz, todos, exceto João e umas poucas mulheres, saíram correndo. Depois, os discípulos viveram a experiência da ressurreição. Não lhes foi fácil, a princípio aceitar que Jesus estava vivo. Precisaram de tempo para isso. Agora, até aquela presença misteriosa desaparece. Jesus promete-lhes o Espírito, mas, durante certo tempo, têm que aprender a estar sós, a ter a responsabilidade de sua fé em suas mãos, até que chegue o Espírito que lhes dará forças que lhes possibilitem dar testemunho do Reino. 

A festa da Ascensão deveria nos fazer pensar no modo como vivemos nossa fé. Deveríamos aprender a ter, com nós mesmos e com nossos irmãos, a mesma paciência que Deus teve com os discípulos e que tem conosco Como os bons livros precisam ser lidos várias vezes para que possamos apreciar todo o seu valor, de igual maneira, a fé necessita de tempo, estudo e oração para que se faça vida em nós. Nossa comunidade cristã crescerá na medida em que todos nós crescermos também na escuta do Senhor. 

Da mesma forma que os discípulos, haverá dias em que sentiremos a proximidade da presença de Deus e, em outros, nos sentiremos sozinhos. Tudo é parte do processo que nos conduzirá a viver plenamente a nossa fé e a ser testemunhas do Reino em nosso mundo. Que esta festa nos ajude a colocar nossa confiança em Jesus. Ainda que pareça estarmos sozinhos, Jesus nos prometeu seu Espírito. E, não nos esqueçamos disto: Jesus nunca falha. 

Dom Eurico dos Santos Veloso

Conduzidos pelo Espírito Santo



A grande proposta do Senhor, neste dia de hoje, para nós, é que confiemos no Espírito Santo.

Com certeza, ao longo do dia, vamos precisar de graças extraordinárias para enfrentar determinadas situações. O que precisamos é do Espírito Santo, com os carismas próprios para a missão que precisamos realizar hoje.

Somente assim poderemos enfrentar os sofrimentos e dificuldades como o fizeram os grandes homens da Bíblia, como Paulo, Pedro, Estêvão, Tiago e cada um dos primeiros cristãos.

A ânsia do Espírito Santo é de nos conduzir para que vivamos segundo o coração de Deus.
O Senhor quer nos dar o seu Espírito Santo; a nossa parte é só nos abrirmos para recebê-Lo.

”Então, eu me lembrei do que o Senhor havia dito: João batizou com água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo” ( Atos 11,16).

Peçamos ao Senhor a graça de sermos cheios do Espírito Santo: “Derrama sobre mim, Senhor, o Espírito Santo sem medida, justamente por causa das tarefas que precisam ser realizadas hoje.”

Jesus, eu confio em Vós!

Luzia Santiago, Comunidade Canção Nova

terça-feira, 7 de maio de 2013

#FicaAdica 81




Precisamos aprender a acreditar mais nas pessoas, a apostar na possibilidade de evolução que existe no íntimo da cada uma delas. O Criador plantou em nós esse desejo: de crescer, de ir além, de transcender… Estamos inseridos no destino da humanidade, participamos dessa busca, desse inclinar-se na direção daquilo que é precioso, desse desejo de plenitude. “Ninguém quer a morte… só saúde de sorte” já cantava Gonzaguinha!

Dar o melhor de nós significa compartilhar os dons e talentos que fizemos crescer em nós. Tais dons e talentos são divinos e foram repartidos por Deus para podermos fazer comunhão com tudo aquilo que cada um tem. Colocando em comum, crescemos no espírito de solidariedade e fraternidade. Manifestando amor, acreditando mais nas pessoas estaremos amando o próprio Deus que não se cansa de apostar e acreditar em nós…

Frei Paulo Sérgio, ofm

Leitura Bíblica: Atos 16, 22-34


Houve, em Filipos, uma séria oposição a Paulo e Silas, dois mensageiros do Evangelho.  As coisas não se passaram com tranquilidade. Os magistrados do local rasgam-lhes as roupas e mandam que sejam açoitados com varas. Os dois são levados à prisão. Tudo lembra a prisão de Pedro, que foi libertado pela força do Senhor. O carcereiro recebeu ordens no sentido de que vigiasse bem e não permitisse que os dois viessem a sair. Os livros dos Atos registra: À meia-noite, Paulo e Silas estavam rezando e cantando hinos a Deus e os outros prisioneiros os escutavam. E houve um terremoto que sacudiu as bases da prisão. As portas se abriram e as correntes se arrebentaram. O Missal Cotidiano de Paulus assim  reflete:  “Na segunda parte dos Atos, Lucas  frequentemente parece preocupado em estabelecer um paralelismo entre Pedro e Paulo; o episódio da prisão e da libertação miraculosa de Paulo  em Filipos  lembra o caso análogo de Pedro (At 12, 1-9).  Aqui, porém, é mínima a insistência  sobre a intervenção de Deus (o terremoto), tanto que nos poderíamos nos perguntar se o carcereiro não foi  mais atingido pelo comportamento de  Paulo do que pelo prodígio do terremoto libertador” (p. 452).

O carcereiro tinha medo de castigos e represálias. A ele seria atribuída a culpa pela fuga dessas figuras que incomodavam os magistrados.  Por isso, num momento de desespero prepara-se para pôr termo aos seus dias. Paulo diz:  “Não fugimos. Estamos todos aqui. Não te faças mal algum”.

Segue-se um interessante e instigante diálogo entre o carcereiro perplexo e os apóstolos libertados.  O livro dos Atos como que sugere um caminho de conversão, uma via catecumenal.

● “Que devo fazer para ser salvo?” Esta é a pergunta do carcereiro.
● Os apóstolos responderam: “Que você e sua família creiam e serão salvos”.
● Houve um momento de instrução, de catequese:  “Paulo e Silas anunciaram a  palavra  do Senhor ao carcereiro e à sua família”.
● Houve um gesto de amor.  Os dois evangelizadores são levados a um local para serem cuidados.  O carcereiro lhes lava as feridas causadas pelos açoites.  Gesto digno e expressivo, gesto nobre, humano colocado por alguém que havia sido tocado.  O Missal Cotidiano da Paulus comenta:  “A conduta clara, franca e serena dos verdadeiros discípulos do evangelho abre frestas de dúvida na indiferença de quem vive num ateísmo prático na superficialidade.  Exatamente por estas aberturas é que entra a fé, a um só tempo tranquilizadora inquietante”  (p. 452).
● Imediatamente, o carcereiro é batizado com toda a sua família.
● Finalmente houve uma refeição em cada do neobatizado. Seria a eucaristia?
● Tudo se conclui esta bela afirmação: o carcereiro alegrou-se com todos os seus familiares por terem acreditado em Deus”.

Frei Almir Ribeiro Guimarães