
Houve, em
Filipos, uma séria oposição a Paulo e Silas, dois mensageiros do
Evangelho. As coisas não se passaram com tranquilidade. Os magistrados do
local rasgam-lhes as roupas e mandam que sejam açoitados com varas. Os dois são
levados à prisão. Tudo lembra a prisão de Pedro, que foi libertado pela força
do Senhor. O carcereiro recebeu ordens no sentido de que vigiasse bem e não
permitisse que os dois viessem a sair. Os livros dos Atos registra: À
meia-noite, Paulo e Silas estavam rezando e cantando hinos a Deus e os outros
prisioneiros os escutavam. E houve um terremoto que sacudiu as bases da prisão.
As portas se abriram e as correntes se arrebentaram. O Missal Cotidiano de Paulus
assim reflete: “Na segunda parte dos Atos, Lucas
frequentemente parece preocupado em estabelecer um paralelismo entre Pedro e
Paulo; o episódio da prisão e da libertação miraculosa de Paulo em
Filipos lembra o caso análogo de Pedro (At 12, 1-9). Aqui, porém, é
mínima a insistência sobre a intervenção de Deus (o terremoto), tanto que
nos poderíamos nos perguntar se o carcereiro não foi mais atingido pelo
comportamento de Paulo do que pelo prodígio do terremoto libertador” (p.
452).
O carcereiro
tinha medo de castigos e represálias. A ele seria atribuída a culpa pela fuga
dessas figuras que incomodavam os magistrados. Por isso, num momento de
desespero prepara-se para pôr termo aos seus dias. Paulo diz: “Não
fugimos. Estamos todos aqui. Não te faças mal algum”.
Segue-se um
interessante e instigante diálogo entre o carcereiro perplexo e os apóstolos
libertados. O livro dos Atos como que sugere um caminho de conversão, uma
via catecumenal.
● “Que devo fazer para ser salvo?” Esta é a pergunta do carcereiro.● Os apóstolos responderam: “Que você e sua família creiam e serão salvos”.● Houve um momento de instrução, de catequese: “Paulo e Silas anunciaram a palavra do Senhor ao carcereiro e à sua família”.● Houve um gesto de amor. Os dois evangelizadores são levados a um local para serem cuidados. O carcereiro lhes lava as feridas causadas pelos açoites. Gesto digno e expressivo, gesto nobre, humano colocado por alguém que havia sido tocado. O Missal Cotidiano da Paulus comenta: “A conduta clara, franca e serena dos verdadeiros discípulos do evangelho abre frestas de dúvida na indiferença de quem vive num ateísmo prático na superficialidade. Exatamente por estas aberturas é que entra a fé, a um só tempo tranquilizadora inquietante” (p. 452).● Imediatamente, o carcereiro é batizado com toda a sua família.● Finalmente houve uma refeição em cada do neobatizado. Seria a eucaristia?● Tudo se conclui esta bela afirmação: o carcereiro alegrou-se com todos os seus familiares por terem acreditado em Deus”.
Frei Almir Ribeiro Guimarães
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