domingo, 16 de junho de 2013

#FicaAdica 88



Cada pessoa tem uma missão a realizar nesta vida. É Deus que nos concede os dons e talentos para serem desenvolvidos, para fazer a vida mais bonita e mais feliz. E nessa partilha das aptidões e talentos vamos aprendendo que o altruísmo e a solidariedade valem muito mais que o egoísmo e o isolamento. São aqueles que proporcionam uma vivência mais fraterna e permitem uma vida ungida pelo óleo do amor de Deus.

Santo Antônio nos convida a fazer aquilo que podemos fazer. Deus não espera de nós mais do que podemos. E, se assim fizermos, com certeza estaremos criando correntes de alegria, de amor e de esperança. Seremos lembrados pelo bem que fizermos, pelo amor que semeamos, pela alegria que compartilhamos. Então, vamos em frente, na certeza que Deus nos abençoe nos guarde no Seu amor de Pai…

Frei Paulo Sérgio, ofm



Leitura Bíblica: Lucas 7,36-8,3

Jesus impressionou a muitos que o ouviam. Havia, certamente os que o observavam à distância e nada mais. Outros queriam vê-lo mais de perto,  espreitar suas reações ao que lhe era dito.  Lucas  nos fala de um fariseu que convidou Jesus para uma refeição.

Certamente  tudo tinha sido cuidadosamente preparado.  O encontro era para “funcionar” bem.  Uma pessoa estranha ao círculo do fariseu, sabendo que Jesus estaria naquela casa,  para lá se dirigiu.  Tratava-se  de uma mulher conhecida na cidade como quem levava um vida má, indecente.  Ela veio preparada para homenagear esse Jesus do qual queria mais uma vez se acercar.  Mas sobretudo  dizer de sua gratidão através do presente de um perfume.  Afinal de contas ele tinha tocado profundamente seu interior.

Para esse encontro ela havia trazido um frasco de alabastro com perfume; molhava os  pés de Jesus com suas lágrimas e enxugava-os com os cabelos, cobria de beijos e os ungia com perfume.    E o fariseu observava a tudo.  A partir do fato ficou convencido de que esse homem  não podia ser um profeta. Se o fosse ele saberia quem era aquela mulher… uma perdida.  Lá estava acolhendo com agrado aquelas homenagens que se situavam no limite da decência.

Jesus chamou, então, o  fariseu num canto  e tentou esclarecer  as coisas.  Tratava-se de uma pobre criatura que precisava refazer sua vida… uma devedora de milhões que precisava ser perdoada para que sua vida fosse uma vida de verdade.  Os justos não precisam ver suas contas de dividas rasgadas… E nesse momento  Jesus fala das delicadeza do coração da mulher arrependida.  Ao lado do fariseu,  Jesus aponta para a mulher:  “Estás vendo esta mulher? Quando entrei em tua casa não tiveste a delicadeza de me oferecer água para lavar as mãos.  Ela banhou meus pés com as lágrimas do carinho e do arrependimento e os enxugou com seus cabelos… Por que queres ver malícia e maldade onde existe  delicadeza e gratidão.  Tu foste seco comigo…não me deste o beijo de saudação e ela… bem viste o que fez… Não me deste óleo perfumado e ela   ungiu meus pés…Por isso,  com tanta delicadeza e coração  ela merece ser perdoada, mesmo  que sua dívida seja enorme.  Mostra muito amor a quem se perdoa largamente”.

Jesus se volta para a mulher e declara seus pecados perdoados.  “Tua fé te salvou… vai em paz…”.  Belo desfecho!

Frei Almir Ribeiro Guimarães
www.franciscanos.org.br

sexta-feira, 14 de junho de 2013

O olhar de Jesus



No evangelho de Lucas 22,60-62, lemos a seguinte passagem: «Mas Pedro disse: Homem, não sei o que dizes. Imediatamente, enquanto ele ainda falava, o galo cantou e o Senhor, voltando-Se, fixou o olhar em Pedro... E Pedro, saindo, chorou amargamente».

Eu tinha um relacionamento bastante bom com o Senhor. Conversava com Ele, pedia-Lhe coisas, louvava-O, agradecia-Lhe. Mas tinha sempre um sentimento ou sensação inesquecível de que Ele queria que eu olhasse bem no fundo dos Seus olhos... E isto eu não queria. Conversava muito, mas desviava os olhos, cada vez que percebia que Ele estava a olhar para mim. Sim, olhava sempre para outro lado. E eu sabia porquê! Tinha medo. Receava encontrar uma acusação nos olhos d´Ele: algum pecado não arrependido. Mas pensava também poder encontrar, naquele olhar, algum pedido: algo que Ele quisesse de mim.

Um dia, finalmente, juntei toda a minha coragem e olhei! Não havia acusação alguma. Nem exigência ou pedido. Aqueles olhos diziam-me, simplesmente: «Eu amo-te!». Nessa altura eu olhei-os ainda mais no fundo com a persistência de quem procura algo. Nada encontrei, apenas a mensagem de sempre: «Eu amo-te!». Como Pedro, também eu saí... e chorei.

O canto do pássaro, de Anthony de Mello

Leitura Bíblica: 2Coríntios 4,7-15



Paulo, em sua  Segunda Carta aos cristãos de  Corinto,  empenha-se em desdobrar os elementos fundamentais da vida nova em Cristo. Nos versículos anteriores o apóstolo havia se  apresentado como pregador de Jesus  Cristo, o Senhor. Afirma  que Deus brilha na face de Cristo e assim  somos iluminados pela luz divina. Esta é uma de suas teses mais queridas.

Ora, esta vida nova iluminada, esse tesouro, carregamos em vasos de barro.  É a força divina na fragilidade humana: fragilidade pelo fato de sermos criaturas, fragilidade devido ao pecado que mora em nós, fragilidade  em encontrar meios e modos de tornar o Amor amado,  fragilidade  por causa da falta de paciência de esperar a ação do Senhor.

Bem ciente de suas fragilidades, Paulo reconhece uma força que vem em seu socorro:  afligidos de todos os lados, mas não vencidos;  colocados no meio de imensas dificuldades, mas sem perder a esperança; perseguidos, mas não desamparados; chegando mesmo a ser derrubados, mas não aniquilados.  Paulo lembra um ensinamento: os que são de Cristo  levam em si  mesmos os sofrimentos mortais de Jesus, para que a vida de Jesus seja neles manifestada.

Insiste o apóstolo no tema da morte a si. “Somos continuamente entregues à morte  por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus seja manifestada em nossa natureza mortal”.   Estamos na doutrina da participação dos fieis no mistério pascal de Cristo.  Ele morre e de sua morte o Pai arranca a vida, a vida de ressuscitado.  Os que a esta morte são associados  pela conversão e pelo batismo são criaturas novas.  Participam da vitória de Cristo.  Assim, vai se realizando em nós o processo de iluminação.  Estamos  “certos de que aquele que ressuscitou o Senhor  Jesus nos ressuscitará também com Jesus e nos colocará ao seu lado….”.

Os que carregam a graça em vasos barro  não atribuem as vitórias e conquistas a si mesmos.  Nesse contexto fazemos nossas as palavras do salmo 115 (116B): “Guardei a minha fé mesmo dizendo: ‘É demais o sofrimento em minha vida’.  Confiei  quando dizia na aflição: ’Todo homem é mentiroso, todo homem’”.

Frei Almir Ribeiro Guimarães
www.franciscanos.org.br

terça-feira, 11 de junho de 2013

Não apresses





Não apresses a chuva, ela tem seu tempo de cair e saciar a sede da terra;

Não apresses o pôr do sol, ele tem seu tempo de anunciar o anoitecer até seu último raio de luz;

Não apresses tua alegria, ela tem seu tempo para aprender com atua tristeza;

Não apresses teu silêncio, ele tem seu tempo de paz após o barulho cessar;

Não apresses teu amor, ele tem seu tempo de semear mesmo nos solos mais áridos do teu coração;

Não apresses tua raiva, ela tem seu tempo para diluir-se nas águas mansas da tua consciência;

Não apresses o outro, pois ele tem seu tempo para florescer aos olhos do Criador;

Não apresses a ti mesmo, pois precisas de tempo para sentires tua própria evolução.

(autor desconhecido)