
Nesta festa de
São José Operário pode ser de proveito refletir sobre algumas linhas do
Papa João Paulo II em sua Exortação Apostólica Redemptoris Custos:
Uma das
expressões cotidianas de amor na vida da Família de Nazaré é
o trabalho. O texto evangélico especifica o tipo de atividade
mediante o qual José procurava garantir o sustento da família: o
ofício de carpinteiro. Esta simples palavra envolve toda a extensão da
vida de José. Para Jesus, este período abrange os anos da vida oculta, de
que fala o evangelista, em seguida ao episódio acontecido no
templo: Depois
desceu com seus pais para Nazaré e era-lhes obediente (Lc 2,
51).
Esta
submissão, ou seja, esta obediência de Jesus na casa de Nazaré é
entendida também como participação no trabalho de José. Aquele que
era designado o filho do carpinteiro (Mt 13,55), tinha aprendido o ofício
de seu pai adotivo. Se a Família de Nazaré, na ordem da salvação e da
santidade, é exemplo e modelo para as famílias humanas, pode-se também,
analogamente, dizer o mesmo do trabalho de Jesus ao lado de José
carpinteiro.
Em nossa época
a Igreja pôs em realce este aspecto, com a inclusão da memória litúrgica de São
José Operário, fixada no dia 1º de maio. O trabalho humano, em particular o
trabalho manual, é de modo especial valorizado no Evangelho.
Juntamente com a humanidade do Filho de Deus, ele foi acolhido no
mistério da Encarnação, como também foi redimido de maneira particular.
Graças à oficina de trabalho, onde ele exercia o próprio ofício juntamente com
Jesus, José aproximou o trabalho humano do mistério da Redenção.
A importância
do trabalho na vida do homem exige que se conheçam e se assimilem
todos os seus conteúdos, para, através dele ajudar os demais homens a aproximarem-se
de Deus, Criador e Redentor, e a participarem de seus desígnios
salvíficos relacionados ao homem e ao mundo. Teria ainda o trabalho um
papel relevante na vida do homem com Cristo, participando, mediante uma fé
viva, na sua tríplice missão de sacerdote, profeta e rei.
Trata-se, em
última análise, da santificação da vida cotidiana, na qual cada pessoa deve
empenhar-se, segundo o próprio estado, e que por ser proposta de acordo com um
modelo acessível a todos: São José é o modelo dos humildes, que o
cristianismo enaltece para grandes destinos; é a prova de que para ser
bons e autênticos seguidores de Cristo não se exigem ações
grandiosas, mas são indispensáveis virtudes comuns, humanas e
autênticas.
Frei Almir
Ribeiro Guimarães
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