segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Suave silêncio Maria produz

   Silêncio resume em apenas uma palavra: Maria. Sua vida foi quietude e paz; estava sempre preparada para ouvir a voz do Criador.

   Antes de mais nada é preciso reconhecer que Maria fez, de fato, a experiência do silêncio. Durante toda a sua vida esteve atenta as manifestações da voz de Deus nas coisas mais simples.

   No livro "O tratado da verdadeira devoção a Santíssima Virgem", São Luís Maria Grignion de Montfort nos fala que em toda a sua vida Maria permaneceu oculta; por isso o Espírito Santo e a Igreja a chamam de "Alma Mater" (Mãe escondida e secreta). Tão profunda era a sua humildade, que para Ela, o atrativo mais poderoso, mais constante, era esconder-se de si mesma e de toda criatura, para ser conhecida somente por Deus.

   O evangelhista São Lucas nos testemunha que Ela conservava no coração, tudo que atravessava sua história. "Maria conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração. Em seguida, desceu com eles a Nazaré e lhes era submisso. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração." (Lc 2,19.51) Podemos imaginar quanta paz reinava no lar de Maria, pois Eles silenciavam para ouvir a voz de Deus.

   Na flagelação de Jesus no momento em que Ele foi chicoteado, Maria silenciou diante daquele momento de dor. Jesus sabia que Ela o amava, não precisava dizer uma só palavra, mas a presença da Mãe já bastava mesmo estando em silêncio.

   Durante todo o percurso rumo ao calvário, era em Maria que Jesus encontrava forças para seguir em frente; e quando ela o recebeu no colo, já morto, suportou as dores em silêncio. O silêncio da Mãe naquele momento expressava a dor de toda a humanidade.

 O Senhor fala todos os dias aos nossos corações, mas com a correria do nosso dia-a-dia não encontramos tempo para silenciar e ouvir o que Deus tem a nos falar.

 Precisamos ter a coragem de parar e ouvir a voz de Deus, como nossa Mãezinha um dia fez. Coragem de escutar os nossos irmãos, mesmo que seja para nos corrigir. Que possamos ter a humildade de ouvir. Peçamos ao Senhor a graça de silenciar, pois é no silêncio que a graça de Deus acontece.


      Maria Aparecida Dantas do Nascimento (Cidinha) - Ministério de Música da RCC de Carnaúba dos Dantas. 


Texto original postado no blog gocarnaubadosdantasrcc.blogspot.com

Estatísticas do blog

Atualizando as estatísticas do blog, em 06/02/2012, dois meses após o primeiro artigo postado. Durante esse tempo, 2.394 pessoas visualizaram o blog Um Sopro de Deus e isso nos traz muita alegria, pois é sinal de que a Palavra de Deus foi semeada, através de um artigo, uma reflexão, um testemunho etc. Para nós não importa se esse número é expressivo ou não; importa, sim, que a mensagem de fé e esperança chegue aos corações de quem procura e busca viver em harmonia com os ensinamentos de Jesus.
Abaixo, relação das postagens mais acessadas durante esse tempo:


2º) Céu, lindo céu, é o lugar onde eu quero viver  http://umsoprodedeus.blogspot.com/2011/12/ceu-lindo-ceu-e-o-lugar-onde-eu-quero.html

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Coragem de tocar em Jesus

(Monte Tabor)

Num dos dias da semana passada, enquanto me preparava para sair para o trabalho, ouvia pela televisão o Evangelho ser proclamado e uma frase desse Evangelho me tocou muito: “Jesus perguntou: ‘Quem me tocou?’” Essa frase inquietou o meu início de dia e o resultado dessa inquietação é o que vou tentar passar nesse artigo.

A mulher dessa passagem bíblica, conhecida apenas como uma hemorroíssa, padecia de uma doença grave e devido a sua doença era humilhada e não podia aproximar-se ou tocar ninguém, pois era considerada impura. Ela era proibida pela Lei da época, mas a vontade de ser curada e a fé que tinha naquele Nazareno a levou a aproximar-se e tocá-Lo. 

A fé dessa mulher é uma fé verdadeira, na qual devemos nos espelhar, mas isso ainda não é o que me chamou a atenção naquela manhã. A pergunta de Jesus foi o que me inquietou. Como se Ele estivesse perguntando hoje para mim: “Você me tocou?” Em muitas situações de nossas vidas nos aproximamos de Jesus mas não temos coragem de, como aquela mulher, declarar que fomos tocados por Ele.

Enquanto meditava sobre isso, lembrei que em um momento importante de minha vida, quando descobri que tinha um nódulo no seio que precisava ser retirado, essa passagem me serviu de amparo. Os médicos que acompanharam o início do processo foram canal de Deus para mim, pois o tempo todo diziam para não me preocupar, e isso foi confirmado enquanto rezava com essa Palavra. A minha fé em Jesus, no Seu poder, na Sua infinita misericórdia, me deram essa certeza: que Ele estava sentindo o meu toque em Seu manto, o meu pedido de socorro.

E tudo vai se unindo como elos de uma corrente: é a coragem de tocar no manto de Jesus, de ouvir a pergunta que Ele nos faz e de declararmos sem medo que O tocamos. Por isso estou aqui, para declarar que um dia, a quase dois anos atrás, pedi socorro a Jesus, Ele se voltou e perguntou para mim: “você me tocou?” e hoje eu respondo: “sim, Senhor Jesus, eu te toquei”.

E Jesus disse: “Minha filha, tua fé te salvou; vai em paz”.

Louvado seja Deus!
 

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Como se escreve... ?

Quando Joey tinha somente cinco anos, a professora do jardim de infância pediu aos alunos que fizessem um desenho de alguma coisa que eles amavam. Joey desenhou a sua família. Depois, traçou um grande círculo com lápis vermelho ao redor das figuras.
Desejando escrever uma palavra acima do círculo, ele saiu de sua mesinha e foi até à mesa da professora e disse: 

- Professora, como a gente escreve...
Ela não o deixou concluir a pergunta. Mandou-o voltar para o seu lugar e não se atrever mais a interromper a aula.
Joey dobrou o papel e o guardou no bolso. Quando retornou para sua casa, naquele dia, ele se lembrou do desenho e o tirou do bolso. Alisou-o bem sobre a mesa da cozinha, foi até sua mochila, pegou um lápis e olhou para o grande círculo vermelho. Sua mãe estava preparando o jantar, indo e vindo do fogão para a pia. Como ele queria terminar o desenho antes de mostrá-lo para ela e disse: 

- Mamãe, como a gente escreve...
- Menino, não dá para ver que estou ocupada agora? Vá brincar lá fora. E não bata a porta.
Ele novamente dobrou o desenho e o guardou no bolso.
Naquela noite, ele tirou outra vez o desenho do bolso. Olhou para o grande círculo vermelho, foi até à cozinha e pegou o lápis. Ele queria terminar o desenho antes de mostrá-lo para seu pai. Alisou bem as dobras e colocou o desenho no chão da sala, perto da poltrona reclinável do seu pai, e disse: 

- Papai, como a gente escreve...
- Joey, estou lendo o jornal e não quero ser interrompido. Vá brincar lá fora. E não bata a porta.
O garoto dobrou o desenho e o guardou no bolso.
No dia seguinte, quando sua mãe separava a roupa para lavar, encontrou no bolso da calça do filho, enrolados num papel, uma pedrinha, um pedaço de barbante e duas bolinhas de gude. Todos os tesouros que ele catara enquanto brincava fora de casa. Ela nem abriu o papel. Atirou tudo no lixo.

Os anos passaram...

Quando Joey tinha 28 anos, sua filha de cinco anos, Annie fez um desenho. Era o desenho de sua família. O pai riu quando ela apontou uma figura alta, de forma indefinida e ela disse: 

- Este aqui é você, papai!
A garota também riu.
O pai olhou pra o grande círculo vermelho feito por sua filha, ao redor das figuras, e lentamente começou a passar o dedo sobre o círculo. Annie desceu rapidamente do colo do pai e avisou: 

- Eu volto logo!
E voltou. Com um lápis na mão. Acomodou-se outra vez nos joelhos do pai, posicionou a ponta do lápis perto do topo do grande círculo vermelho e perguntou: - Papai, como a gente escreve AMOR?
Ele abraçou a filha, tomou a sua mãozinha e a foi conduzindo, devagar, ajudando-a a formar as letras, enquanto dizia: - AMOR, querida, AMOR se escreve com as letras: 

T... E... M... P... O (TEMPO).

Conjugue o verbo amar todo o tempo. Use o seu tempo para amar. Crie um tempo extra para amar, não esquecendo que para os filhos, em especial, o que importa é ter quem ouça e opine, quem participe e vibre, quem conheça e incentive. Não espere seu filho ter que descobrir sozinho como se soletra amor, família, afeição.

Por fim, lembre: "Se você não tiver tempo para amar, crie. Afinal, o ser humano é um poço de criatividade, e o tempo... Bom, o tempo é uma questão de escolha."
 

Como as flores

Vivemos numa sociedade que tem grande necessidade de escutar de novo a mensagem evangélica a respeito da humildade. A corrida para ocupar os primeiros lugares, quem sabe esmagando a cabeça dos outros, a competição desenfreada, o arrivismo e outras expressões de desequilíbrio, todas originadas no orgulho, são atitudes por um lado desprezadas e por outro, infelizmente, seguidas. O Evangelho tem força social quando fala de humildade e modéstia: “Depois de lavar os pés dos discípulos, Jesus vestiu o manto e voltou ao seu lugar. Disse aos discípulos: “Entendeis o que eu vos fiz? Vós me chamais de Mestre e Senhor; e dizeis bem, porque sou. Se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros” (Jo 13, 12-14). Tal espírito de serviço é destinado a fermentar as relações sociais, com sadio realismo e coragem para estabelecer novos parâmetros no relacionamento humano.

Em tempo de intensa competição por cargos políticos, pode parecer estranho falar de humildade, pois a ordem do dia é mostrar as próprias qualidades em detrimento do comportamento “do outro lado”. Ao cristão, cabe a coragem de nadar contra a correnteza, propondo e experimentando em si um comportamento diverso.

A palavra “humildade” tem parentesco com “homem” e as duas derivam de “húmus”, solo, fecundidade. Humilde é aquele que está embaixo, perto do solo, e justamente por isso arrisca-se menos a perder o equilíbrio. Tem os pés firmes na terra! É, pois, “humano” ser humilde! A pessoa humilde não pretende ser maior nem menor do que realmente é. A fecundidade de sua existência depende de oferecer-se, em espírito de serviço, para realizar o que é capaz, na direção do bem dos outros. A modéstia faz mais belos os dons que foram concedidos a cada um. Mas humildade e modéstia só combinam com o amor de caridade! Quem escolheu viver para amar na medida do amor de Deus aceita ser apoio para os outros com humildade sem humilhação.

Para um pai ou uma mãe de família, humildade pode ser debruçar-se para escutar histórias de um filho, ir ao encontro do outro que faz mil perguntas desconcertantes, ou fecundar com sorriso o final de um dia. No trabalho, esta virtude pode significar iniciativa e criatividade. Uma pessoa descobrirá na capacidade de escuta seu caminho de humildade. Outra, no campo desafiador da política, poderá diminuir a arrogância de muitos dos discursos e tornar-se mais realista e mais simples, abrindo-se para a colaboração dos outros, propondo com realismo os passos em vista de uma mudança social mais consistente.

Jesus foi ao encontro de todos. Nós o vemos conversando com jovens e velhos, publicanos e prostitutas, justos e pecadores ou convidado a tomar refeição em casa de um fariseu (Cf. Lc 14,1-14). Já nas bem-aventuranças começavam os convites aos pobres, aflitos, mansos de coração, famintos, perseguidos! Ao contar os detalhes daquela refeição, o Evangelista São Lucas abre o horizonte da compreensão do grande banquete escatológico a que Deus convida todos os homens e mulheres.

É ocasião para duas pequenas parábolas. Aos convidados, Jesus parece ensinar normas de etiqueta social, mas na realidade desnuda as intenções com as quais ali se encontravam, propondo-lhes a entrada da festa do Reino de Deus pela estrada do serviço, já que muitos queriam entrar com os privilégios de eventuais indicações privilegiadas. Ao dono da festa, Jesus esclarece que um gesto aparentemente magnânimo pode esconder interesses! Dá muito trabalho – prática da virtude! – entender que será feliz quem fizer as coisas por absoluta gratuidade: “Serás feliz, porque eles não te podem retribuir” (Lc 14, 14).

Se existe entre nós muita competição e egoísmo, por outro lado, são muitos os testemunhos de pessoas gratuitas em seu relacionamento, gente alegre e feliz que dá tudo de si mesmo para o bem dos outros. Olhando ao nosso redor, veremos florescer esta magnífica espécie! São flores da virtude da humildade, daquela humildade das flores, que tiram da terra apenas e só aquilo que precisam para serem vivas e bonitas, como Deus nos quer!
Dom Alberto Taveira Corrêa - Arcebispo Metropolitano de Belém do Pará

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

A obediência nos preserva do erro e do pecado

Se o Filho do Homem se fez obediente até a morte, e morte de Cruz, que homem há a que se recuse obedecer? No mundo não há ordem nem vida senão pela obediência: ela é o laço dos homens entre si e seu autor, o fundamento da paz, e o princípio da harmonia universal. A família, a cidade, a Igreja, não subsistem senão pela obediência; a mais alta perfeição das criaturas não é mais que uma perfeita obediência: só ela nos preserva do erro e do pecado.

Quando obedecemos a um homem revestido de autoridade, obedecemos a Deus; ele é o único monarca, e todo o poder legítimo é uma emanação de sua onipotência eterna e infinita. “Todo o poder vem de Deus”, diz o Apóstolo, e está sujeito a uma regra divina, tanto na ordem temporal como na espiritual; de sorte que, obedecendo ao pontífice, ao príncipe, ao pai, a quem é realmente “ministro de Deus para o bem”, só a Deus obedecemos.

Feliz aquele que compreende esta celeste doutrina: livre da escravidão do erro e das paixões, dócil à voz de Deus e da consciência, goza “da verdadeira liberdade dos filhos de Deus” (Rm 8,21).

Deus e Senhor meu, contra cujos conselhos nada pode a humana malícia, dai-me aquele espírito de obediência e sujeição que tanto distingue vossos servos, pelo qual me assemelharei a vosso divino Filho que por minha salvação se fez obediente até a morte, e assim terei parte nos merecimentos do seu sangue preciosíssimo.

Do Livro "Imitação de Cristo"