terça-feira, 10 de abril de 2012

Uma indecifrável história de amor


Maria chorava sem parar. Queria abraçar seus pés e tirá-lo da cruz. Mas sabia que não podia. Queria acariciá-lo como sempre fez em sua infância, mas não conseguia alcançá-lo. Apenas bradava: “Filho, obrigada por você existir. Obrigada pelo privilégio de ter cuidado de você! Você é inesquecível. Jamais esqueça que te amo. Vai em paz”.

Mãe e filho se despediram. As palavras são paupérrimas para discorrer a eloquência do momento. A literatura torna-se insípida ao descrever a sublimidade da relação entre a maior educadora da história e o filho mais encantador que pisou nesta terra.

Foi a primeira vez que entre gemidos e sofrimentos poucas palavras disseram muito. Foi a primeira vez que uma belíssima e insondável história de amor foi finalizada com as gotas de sangue de um filho e gotas de lágrimas de uma mãe...

Do Livro “Maria, a maior educadora da História”, de Augusto Cury

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Mensagem de fé para meus filhos



Descobri um tesouro na família da minha amiga Lenôra Dantas: os escritos de sua mãe, Terezinha Paulino Dantas, conhecida por todos como Dona Terezinha de Joel. São mensagens de fé, amor e esperança, que chegaram até mim através de suas filhas Cida e Lenôra e, com a autorização de Dona Terezinha, a partir de hoje estarei postando algumas neste blog.



Em uma de minhas noites de insônia pensei em Deus. Pensei muito alto e peguei carona com a imaginação...

Viajei em Suas asas, subi, subi, e senti que estava acima da terra. Fechei os olhos, abri os braços e não senti firmeza.

Ao sentar os pés no chão compreendi que Deus está mais perto de nós do que podemos imaginar; e temos que buscá-Lo através da caridade. Até mesmo com um sorriso amigo, ao levantar aquele que caiu e não teve forças para ficar de pé; ao repartir o que você tem com quem precisa e depois sentir-se feliz... E principalmente perdoando quantas vezes for necessário.

Assim Deus está perto de nós!
Terezinha Paulino Dantas, 1999

"Vigiemos e oremos para não cairmos em tentação"


Nenhum homem está isento de tentações. Permite-as Deus para que nos provem, nos purifiquem, nos instruam e nos humilhem.

Não é só pela fuga ou por uma resistência violenta que venceremos, senão também por uma paciência sossegada, por uma inteira confiança em Deus.

“Vigiemos, contudo, segundo o preceito do divino Mestre: Vigiemos e oremos para não cairmos em tentação”.

Facilmente se vence a tentação quando nasce, mas se a deixarmos crescer e fortificar-se, não teremos força o bastante para resistir-lhe, e sucumbindo, seremos punidos por nossa negligência ou nossa presunção. Assim sucumbiu São Pedro, porque teve demasiada confiança em si mesmo, e se expôs ao perigo sem se fortificar com a vigília e a oração.

Se, como São Pedro, formos descuidados ou presunçosos, sejamos como ele pesarosos e arrependidos. Reconheçamos a nossa fraqueza e pouco préstimo, e humilhemo-nos cada vez mais. A humildade será o fundamento da nossa segurança, do nosso aproveitamento, da nossa paz e de toda a perfeição.

Bem sei, Senhor, que aos que vos amam e temem tudo se lhes converte em bem; não vos peço, Deus meu, ser isento de tentações, mas luz para conhecê-las, fortaleza para resistir-lhes, humildade para não confiar em mim, conforto para não desfalecer e vitória no combate; permite, Senhor, desarmem em vão todas as ciladas do inimigo e, vencedor dele, eu possa colher os saudáveis frutos da santa humildade, que são a paz interior neste mundo e a glória na pátria dos bem-aventurados.

Do Livro “Imitação de Cristo”

domingo, 8 de abril de 2012

O primeiro dia de um novo mundo

A princípio não foi tão luminosa assim… Depois, quando os olhos dos discípulos se abriram pela luz e para a luz da fé, as coisas mudaram. Esse primeiro dia da semana ficará para sempre na memória dos discípulos de Jesus. Maria Madalena não esperou o dia nascer, foi ao túmulo de seu amado muito cedo, de madrugada, quando as trevas ainda não tinham sido afastadas. A pedra que cobria a entrada do  sepulcro fora afastada.  E sai correndo… nada pode ser feito devagar, com lentidão, com indolência… afinal de contas se tratava do corpo daquele que havia dado sentido aos seus dias.  Sai correndo para avisar a Simão Pedro e ao outro discípulo. Houve o roubo do corpo do Senhor.  As coisas não podiam ficar assim. Os dois saem de casa e se dirigem ao sepulcro.

O relato evangélico faz questão de dizer que os dois corriam, mas que João corria mais ligeiro do que Pedro, o “discípulo amado” corria mais depressa…  o amor faz com que as pessoas não sejam inertes, indolentes, apáticas. O amor coloca fogo no coração e  agilidade nas pernas,  nas mãos e em todo o corpo.  E todos constatam a ausência do corpo, daquilo que os olhos podiam ou não podiam ver… Ainda não tinham entrado no universo da fé… A ressurreição de Jesus não consiste na reanimação de um cadáver, mas é  um mistério de fé. “Creio na ressurreição de Jesus”. O texto evangélico diz  claramente:  “Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo. Ele viu e acreditou. De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos”.

Mistério de fé e de vida!  Somos discípulos do Ressuscitado. Ele caminha conosco, transfigurado, com seu corpo espiritual que passa pelas portas fechadas, aquele que é o ressuscitado. Ele nos fala sempre por sua palavra viva,  faz com que sentemo-nos à sua mesa,  lava-nos com a água de seu peito e vive conosco. Cremos. Esta é a nossa fé. Desde o começo da vida da comunidade cristã  esta passou a se reunir no primeiro dia da semana, dia do sol, dia feito pelas mãos do Senhor. Dia em que todos entramos na estalagem de Emaús e reconhecemos o Senhor na fração do pão. Celebramos sua presença em todos os momentos, mas de modo especial nesse primeiro dia da semana.

A mensagem da Páscoa não é a do sepulcro vazio, mas de uma Presença misteriosa e firme atestada desde as primeiríssimas gerações cristãs.  “A pedra que os pedreiros rejeitaram se tornou a pedra angular. Pelo Senhor é que foi feito tudo isso: que maravilhas ele fez aos nossos olhos”.

“Responde, pois,  Maria: no teu caminho o que havia? ‘Vi Cristo ressuscitado, o túmulo abandonado. Os anjos da cor do sol, dobrado  ao chão o lençol’” (Sequência da Missa da Páscoa).

Nossos olhos não podem deixar de olhar para o alto.  Morremos com Cristo na sexta-feira das dores, estivemos no silêncio do grande sábado, nossa vida está escondida com Cristo em  Deus” (cf. Cl  3, 1-4).

Frei Almir Ribeiro Guimarães – www.franciscanos.org.br

sábado, 7 de abril de 2012

A descida do Senhor à mansão dos mortos


Que está acontecendo hoje? Um grande silêncio reina sobre a terra. Um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei está dormindo; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque o Deus feito homem adormeceu e acordou os que dormiam há séculos. Deus morreu na carne e despertou a mansão dos mortos.

Ele vai antes de tudo à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Faz questão de visitar os que estão mergulhados nas trevas e na sombra da morte. Deus e seu Filho vão ao encontro de Adão e Eva cativos, agora libertos dos sofrimentos.

O Senhor entrou onde eles estavam, levando em suas mãos a arma da cruz vitoriosa.


Quando Adão, nosso primeiro pai, o viu, exclamou para todos os demais, batendo no peito e cheio de admiração: “O meu Senhor está no meio de nós”. E Cristo respondeu a Adão: “E com teu espírito”. E tomando-o pela mão, disse:

“Acorda, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará. Eu sou o teu Deus, que por tua causa me tornei teu filho; por ti e por aqueles que nasceram de ti, agora digo, e com todo o meu poder, ordeno aos que estavam na prisão: ‘Saí!’; aos que jaziam nas trevas: ‘Vinde para a luz!’; e aos entorpecidos: ‘Levantai-vos!’

Eu te ordeno: Acorda, tu que dormes, porque não te criei para permaneceres na mansão dos mortos. Levanta-te dentre os mortos; eu sou a vida dos mortos. Levanta-te, obra das minhas mãos; levanta-te, ó minha imagem, tu que foste criado à minha semelhança. Levanta-te, saiamos daqui; tu em mim e eu em ti, somos uma só e indivisível pessoa. Por ti, eu, o teu Deus, me tornei teu filho; por ti, eu, o Senhor, tomei tua condição de escravo. Por ti, eu, que habito no mais alto dos céus, desci à terra e fui até mesmo sepultado debaixo da terra; por ti, feito homem, tornei-me como alguém sem apoio, abandonado entre os mortos. Por ti, que deixaste o jardim do paraíso, ao sair de um jardim fui entregue aos judeus e num jardim, crucificado.

Vê em meu rosto os escarros que por ti recebi, para restituir-te o sopro da vida original. Vê na minha face as bofetadas que levei para restaurar, conforme à minha imagem, tua beleza corrompida.

Vê em minhas costas as marcas dos açoites que suportei por ti para retirar de teus ombros o peso dos pecados. Vê minhas mãos fortemente pregadas à árvore da cruz, por causa de ti, como outrora estendeste levianamente as tuas mãos para a árvore do paraíso. 


Adormeci na cruz e por tua causa a lança penetrou no meu lado, como Eva surgiu do teu, ao adormeceres no paraíso. Meu lado curou a dor do teu lado. Meu sono vai arrancar-te do sono da morte. Minha lança deteve a lança que estava dirigida contra ti.

Levanta-te, vamos daqui. O inimigo te expulsou da terra do paraíso; eu, porém, já não te coloco no paraíso mas num trono celeste. O inimigo afastou de ti a árvore, símbolo da vida; eu, porém, que sou a vida, estou agora junto de ti. Constituí anjos que, como servos, te guardassem; ordeno agora que eles te adorem como Deus, embora não sejas Deus.

Está preparado o trono dos querubins, prontos e a postos os mensageiros, construído o leito nupcial, preparado o banquete, as mansões e os tabernáculos eternos adornados, abertos os tesouros de todos os bens e o reino dos céus preparado para ti desde toda a eternidade”.

De uma antiga Homilia no grande Sábado Santo, Séc. IV

Jesus ressuscitou: a prova é você!

Nos primeiros dias de março de 2012, alguns órgãos de imprensa – poucos, na verdade, já que o mundo do mercado se alimenta de outros interesses – informaram que «pesquisadores descobriram num túmulo localizado em Jerusalém, a mais antiga referência arqueológica à ressurreição de Jesus já registrada. A descoberta foi anunciada em Nova Iorque na última terça feira, dia 29 de fevereiro, pela equipe do professor James Tabor, diretor do departamento de estudos religiosos da Universidade da Carolina do Norte».

Ao longo da história, foram inúmeras as tentativas feitas por pesquisadores cristãos para encontrar provas “cientificas” que demonstrassem a ressurreição de Jesus. Uma das mais conhecidas é o Sudário de Turim, a mortalha que se acredita tenha envolvido o corpo de Jesus após a sua morte. Para inúmeros estudiosos, a figura que aparece no tecido não é obra de um pintor: a imagem aparece no negativo, uma técnica desconhecida na antiguidade. Nem foi formada por contato direto: a decomposição do corpo não permitiria a nitidez dos traços delineados. A resposta mais plausível seria a da irradiação: ao ressuscitar, o corpo de Cristo emitiu uma luz e um calor tão intensos, que sua imagem ficou impressa no Sudário.

Para a teologia cristã, porém, não é no Sudário ou em qualquer outra relíquia que fundamenta a certeza da ressurreição de Jesus. Nem mesmo nas descobertas feitas pela ciência ao longo da história. A prova decisiva da ressurreição de Jesus é dada pela Sagrada Escritura e, mais ainda, pelo testemunho de cristãos que a demonstram nas atitudes concretas de cada dia.

É o que procurava esclarecer São Paulo aos cristãos de seu tempo: «Se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto, não as da terra. Fazei morrer o que em vós é terreno: imoralidades, maldades, maledicências, mentiras, ódio, raiva, maus desejos e, sobretudo, a cobiça, que é uma idolatria. Vós vos despojastes da maneira de agir do “homem velho” e vos revestistes do “homem novo”, no qual não há distinção entre grego e judeu, circunciso e incircunciso, estrangeiro e bárbaro, escravo e livre: o que agora conta é Cristo, que é tudo e está em todos» (Cl 3,5ss).

“Homem velho” é «quem nasce da carne e age impulsionado pela carne». “Homem novo”, pelo contrário, é «quem nasce do Espírito e se deixa guiar pelo Espírito». «Por isso – conclui Jesus – é necessário nascer de novo e do alto» (Jo 3,1ss). Para “nascer de novo e do alto” o caminho apresentado por São Paulo é a prática do amor fraterno: se “o que conta agora é Cristo, o qual é tudo e está em todos”, o que importa é amar a todos, sem nenhuma distinção de pessoas. Ou então, fazer como Deus, para quem os únicos que merecem uma “distinção” são os “últimos” da escala social.

Por tudo isso, o testemunho mais evidente de que Jesus está vivo e ressuscitado são as atitudes do cristão: «A fé se manifesta em gestos concretos» (Tg 2,14ss), «revestidos de amor» (Gl 5,6).  É através dele – e não do Sudário ou de outras provas mais ou menos científicas – que o mundo acredita ou não na ressurreição de Jesus.

Assim, se você carrega a sua cruz sem se fazer de vítima; se paga o mal com o bem; se não teme as zombarias e os insultos de quem não crê na sua sinceridade; se não se deixa contaminar pela corrupção do mundo; se faz de sua vida um serviço gratuito; e se não desanima quando, de tudo isso, pouco ou nada consegue fazer, mas continua acreditando que Deus é maior do que a sua fraqueza... então, tenha certeza, o Ressuscitado está agindo em sua vida!

É o que garante o Papa Bento XVI em seu livro “Jesus de Nazaré”, ao explicar, no capítulo sobre a ressurreição e a ascensão de Jesus, a maneira como Lucas termina o seu Evangelho: «Lucas diz que os discípulos voltaram a Jerusalém cheios de alegria depois que Jesus se afastou definitivamente deles. Nós, pelo contrário, esperaríamos que tivessem ficado transtornados e tristes. Os discípulos não se sentem abandonados. Não pensam que Jesus tenha sumido num céu inacessível e distante. Estão seguros de que o Ressuscitado precisamente agora está presente no meio deles de uma maneira nova e com poder: uma presença que não se pode mais perder. É este motivo de sua alegria duradoura».

Dom Redovino Rizzardo, Bispo de Dourados/MS


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Para compartilhar da alegria de servirmos ao Senhor, por este meio, lançamos uma promoção: estaremos sorteando no dia 03/05/2012 um livro “O Espírito Sopra Onde Quer”, de Mons. Jonas Abib, entre os que postarem comentário(s) em alguma das matérias publicadas no blog. Estarão concorrendo todos os comentários publicados até as 15 horas do dia marcado para o sorteio.

Abaixo, relação das postagens mais acessadas até este momento: