segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Impressão das Chagas em São Francisco


Leituras para hoje: Gálatas 6,14-18; Lucas 9,23-26

Os franciscanos comemoram hoje uma festa que lhes é particularmente cara ao coração:  a impressão das chagas do Senhor Jesus em Francisco de Assis.  As leituras acima mencionadas são próprias do Lecionário Franciscano. Paulo faz uma declaração solene no final de sua carta aos cristãos da Galácia:  não quer gloriar-se de outra coisa senão da cruz de nosso Senhor Jesus Cristo.  Diz que está crucificado para o mundo. Quem não seja molestado por ninguém porque traz em seu corpo as marcas de Jesus.  Lucas, no evangelho hoje proclamado,  recorda que os discípulos carregam a cruz de Cristo.  Não há como escapar dela.

Francisco ia fazendo sua caminhada. O Senhor o chamara para uma vida de extremo seguimento de Jesus.  O Pobrezinho foi mostrando docilidade e ao longo do tempo e foi vivendo os mistérios de Cristo. Quase no final de sua vida, em 1224, volta do Oriente, cansado, adoentado.  Experimenta também um mal-estar ao ver que o grande número dos frades  fez com que o primeiro fervor se arrefecesse. Entrega a um frade o governo da Ordem. Retira-se da cena.  Quer viver mais em intimidade com o Senhor.  Resolve fazer a quaresma de São Miguel no Monte  Alverne que lhe havia sido dado por um benfeitor agradecido. Está por volta da festa da Exaltação da Santa Cruz.  Leva consigo Frei Leão, a “ovelhinha querida”, como dizia.  Na paisagem agreste e severa do Monte queria estar com o Senhor. Aos poucos, no silêncio do lugar, diante de paisagens deslumbrantes, com frio e calor, com verde e  folhas secas  vai fazendo vir à tona o melhor de sua história e de sua trajetória.  Procura estar com o Senhor, sempre com o Senhor, pede que  Leão reze com ele. Está debilitado, com as vistas quase extintas e cheio de dores.  Na proximidade da festa da cruz exaltada recebe uma visita do alto.  Há um anjo em forma de Cruz, o crucificado em forma de anjo, um serafim ardoroso em forma de Cristo.  A visão era ardorosa.  Falava por si de amor e de ardor.  Na contemplação de tal visão,  Francisco se dá conta que em suas mãos, nos pés e no coração  há vestígios das chagas de seu Amado Senhor.  Francisco poderia dizer com toda verdade, com Paulo:  “Trago em meu corpo as marcas de Jesus”.

Sim, ao longo de sua vida Francisco fora se identificando com Cristo, ganhando a forma do Filho de Deus. Com a impressão das Chagas não era mais Francisco que descia a montanha do Alverne.  Era Francisco feito Cristo, imagem do Cristo.

Frei Almir Ribeiro Guimarães

domingo, 16 de setembro de 2012

#FicaAdica 34



Coloque sempre seus sentimentos no lugar certo. Isso significa que eles devem estar a serviço de nosso crescimento como cristãos e como seres humanos.

Quando somos machucados, costumamos nos rebelar, invadir espaços, desrespeitar pessoas, perder o controle. Por isso, será nosso contínuo exercício educá-los e, isso significa colocá-los sempre a serviço de nosso crescimento, santidade e bem do próximo...

Eles podem ser, na verdade, o nosso caminho de perfeição.

O que você acha!?


Ricardo Sá

Leitura Bíblica: Marcos 8, 27-35


“Naquele tempo, Jesus partiu com seus discípulos para os povoados de Cesareia de Filipe. No caminho perguntou aos discípulos: ‘Quem dizem os homens que eu sou?’” (Mc 8,27)

A pergunta foi feita pelo próprio Jesus  lá na região de Cesareia de Filipe: “E vós, quem dizeis que eu sou?”. A questão fora dirigida aos apóstolos. Pedro, tomando a dianteira, proclamou  Jesus em sua realidade messiânica:  “Tu és o Messias”.

Cada um de nós, mormente nós cristãos, ao longo de nossa vida vamos elaborando uma resposta pessoal e comunitária a esta pergunta:  “Quem sou eu para você?”

Alguns de nós nascemos numa família católica, recebemos os sacramentos, vivemos  o ano litúrgico.  Conhecemos as origens de Jesus, sabemos detalhes de seu nascimento, de sua infância, de sua idade adulta.  Entramos em contato com  seu ensinamento.  Pode ser que, durante um bom tempo da vida, tenhamos tido apenas noções intelectuais, ou fortemente intelectuais.

Pode ser que, num determinado momento de nossa vida, tenhamos feito essa esplendorosa experiência de que  Jesus não é mero personagem do passado, mas antes de tudo o Ressuscitado que vive e atua em nosso meio…  Encontramo-lo vivo atrás da Palavra proclamada, tiramos as sandálias dos pés quando, na celebração da missa, nas aparências do pão e do vinho, ele se torna presente e nos apresenta ao Pai. Encontramo-lo presente no seio da comunidade porque ele mesmo garantiu que quando dois ou três estivessem reunidos em seu nome ele estaria presente. Assim, ao longo de nossa vida vamos encontrando o Senhor e formulando nossa resposta. Não queremos apenas ficar com esse Jesus frio e distante…

Jesus é a presença no Altíssimo na terra dos homens. Ele vem da Trindade, se instala seio transparente de Maria.  Toma a condição de servo aquele que cria os espaços e é de tudo Senhor.  Vive em tudo a condição humana,  menos  o pecado.  Come o pão de nossas mesas, bebe a água de nossas fontes,  deslumbra-se com o ondular dos campos de trigo e com a singeleza do rosto de uma criança.  Ele é caminho, vida, pastor, água, fonte, porta, pão, cordeiro.  Mas sobretudo ele é o Ressuscitado que,  de modo particular, nos sacramentos  da Igreja nos dá sua vida.


Frei Almir Ribeiro Guimarães

sábado, 15 de setembro de 2012

O que é mais importante: silenciar ou falar?


“Há quem, estando calado, seja tido por sábio, como se torna odioso quem é descomedido no falar” (Eclo 20,5).

A sabedoria nos ensina que precisamos saber a hora de falar e de calar.

Uma palavra certa, na hora certa, é um bálsamo para o coração, mas uma palavra errada pode causar grande estrago. Somente o Espírito Santo de Deus pode nos dar equilíbrio no falar e no silenciar.

Vamos ficar atentos às nossas inclinações, porque geralmente falamos muito e, em alguns momentos, até o que não devemos. Tomemos por modelo, para a nossa vida, a Virgem Maria, que está sempre pronta a escutar, e, ao fazê-lo bem, oferece respostas precisas e essenciais.

“Eu resolvi: ‘Vou controlar meus caminhos para não pecar com a língua; vou pôr um freio à minha boa, enquanto o malvado estiver à minha frente’” (Sl 39,2)


Jesus, eu confio em Vós!



 Do Livro “Comece Bem o Seu Dia”, Luzia Santiago

Dia de Nossa Senhora das Dores – Leitura Bíblica: Lucas 2, 33-35


“Quanto a ti, uma espada te traspassará a alma” (Lc 2,35b)

Os fiéis de todos os tempos veneram com carinho a Senhora das Dores perpetuada na  belíssima escultura da Pietà de Michelangelo. Ao pé da cruz ela é ao mesmo tempo a Senhora das dores e aquela que, com o Filho, entrega-se ao Pai na confiança.

Maria das Dores nos lembra tantas outras Marias que andam à nossa volta:  Maria José, Maria Clara, Maria da Penha.  Todas elas marcadas por dores doloridas e doídas.   Há a Maria que tem um filho na prisão.  Todas a semanas ela se dirige à cadeia para ver o filho, rezar meia dúzia de rezas e levar-lhe um bife à milanesa e  um pedaço de torta de limão ou de maracujá.  Cada vez que ela volta para casa  reza com confiança os  mistérios dolorosos do terço de Nossa Senhora.  Há a Maria mulher de um marido quase irresponsável, fraco, homem sem fibra.  Há essa Maria  que vai sozinha à missa, lamentando a ausência do marido e dos filhos que a classificam de beata e nunca mais se interessaram pelo evangelho.

Quando começou a se urdir o  drama do Calvário talvez Maria estivesse em Nazaré. Como era o tempo da Páscoa vem com parentas e amigas à capital religiosa de seu povo.  Passa, então, a acompanhar os últimos momentos da trajetória de Jesus. Está ao pé da cruz, como um soldado de prontidão. Tem o vento da planície a afagar-lhe o rosto. Aos poucos todos, diante do “fracasso” de Jesus, começam a se retirar… Ela e o discípulo permanecem no quadro da suprema realização da redenção.  Segundo João, Jesus lhe dá como filho à Mãe e a João, a Maria, como Mãe… Maria tem as mãos apoiadas no madeiro da cruz, cravando na cruz suas unhas.  Ouve o filho rezar o salmo: “Meu Deus, meu Deus porque me abandonaste?”.  Faz-se uma única oferenda com a oferenda do seu Menino das Palhas.  Depois que o Filho expira  entra no  mistério do silencio,  sem revolta, silêncio misterioso.  Dizer o que? Para que?   Pode-se imaginar que, depois que o Filho foi descido da cruz, tenha sido colocado em seu regaço.  Ela como que tenta aquecer o corpo gélido daquele que ela havia enrolado em paninhos quentes…  Maria poderia fazer suas as palavras da Escritura antiga:  “Ó vós que passais pelo caminho, vede se há  dor igual à minha dor”.  Talvez naqueles momentos finais ela se tenha lembrado das palavras do velho Simeão:  “Teu coração será traspassado por uma espada de dor”.  Maria, a  sublime e grandiosa  Senhora das Dores.


Frei Almir Ribeiro Guimarães