sábado, 22 de junho de 2013

Clamemos aos céus


Na Palavra de Deus, encontramos muitos testemunhos e orações que nos conduzem ao total abandono em Deus, os quais nos ensinam que a humildade, a fé e a perseverança são fundamentais para alcançarmos a santidade. Isso ocorre com Daniel, que eleva a sua oração aos céus pelos pecados de seu povo: ”Senhor, fomos reduzidos a nada diante de toda a terra: tudo devido aos nossos pecados [...]. Entretanto, que a contrição do nosso coração e a humilhação do nosso espírito nos permitam achar bom acolhimento junto a vós, Senhor [...]. Ó Senhor não haja confusão alguma para os que põem em vós sua confiança” (Dn 3,34-42).

É isso que nós cristãos de todo o mundo precisamos fazer: clamar aos céus por toda a situação mundial.

Oremos uns pelos outros e, de todo o coração, busquemos a face do Senhor, porque sabemos que não podemos confiar em nossas próprias forças. Busquemos refúgio no Senhor, pois um coração humilde e confiante no poder do Alto é o remédio que cura todas as feridas.

Quando rezamos tudo se torna possível e todas as portas se abrem. Mesmo que, hoje, estejamos numa “fornalha ardente”, lancemos um grito ao Todo-Poderoso, porque Ele vai enviar um anjo para nos socorrer, como nos ensinam as Sagradas Escrituras.
“Ó rei, vive para sempre! O meu Deus enviou seu anjo e fechou a boca dos leões; os leões não me fizeram mal, porque, na presença d’Ele, foi provada a minha inocência” (Dn 6,22-23ss).

Neste dia, exercitemos o precioso dom da oração e do louvor e levemos todas as nossas misérias e as dos nossos próximos aos pés de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Jesus, eu confio em Vós!

Luzia Santiago, Comunidade Canção Nova

(CIC) A liturgia como fonte de vida



Obra de Cristo, a Liturgia é também uma ação da sua Igreja. Ela realiza e manifesta a Igreja como sinal visível da comunhão de Deus e dos homens por Cristo; empenha os fiéis na vida nova da comunidade, e implica uma participação «consciente, ativa e frutuosa» de todos.
«A liturgia não esgota toda a ação da Igreja». Deve ser precedida pela evangelização, pela fé e pela conversão, e só então pode produzir os seus frutos na vida dos fiéis: a vida nova segundo o Espírito, o empenhamento na missão da Igreja e o serviço da sua unidade.

Catecismo da Igreja Católica, § 1071-1072

Leitura Bíblica: Mateus 6, 24-34

Nunca seja escravo do dinheiro, não se deixe dominar por ele, não se venda e nunca compre ninguém pela força do dinheiro; muito pelo contrário, que seja o Senhor o guia da nossa vida.

“Ninguém pode servir a dois senhores (…) Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro” (Mt 6,24).

Não podemos colocar a nossa vida a serviço do dinheiro, dos valores financeiros. É verdade que precisamos do dinheiro, e todos nós – para sobrevivermos, para alimentarmos nossa casa, para cuidarmos da nossa família – precisamos também dele para evangelizar.

O que não podemos é sermos dominados, sermos servidores do ‘senhor do dinheiro’. Nós temos de colocar o dinheiro a nosso serviço, nós temos que colocá-lo a serviço de uma causa nobre, do Evangelho, do bem do próximo. Nós não podemos gastar todas as nossas energias para, simplesmente, acumular nossas economias.

Precisamos viver nessa terra, cuidar dos nossos. Mas quando colocamos os bens materiais, a busca desenfreada por ganhar dinheiro e lucrar cada vez mais como prioridade, o nosso coração fica lá em baixo, porque pertence a Deus.

Estou convidando você a fazer uma reflexão sobre os valores na sua vida. Trabalhe honestamente, lute para conseguir um bem-estar para você, para sua casa e sua família, mas nunca seja escravo do dinheiro, não se deixe dominar por ele, não se venda e nunca compre ninguém pela força do dinheiro; muito pelo contrário, que seja o Senhor o guia da nossa vida.

Deus abençoe você nesse dia!

Padre Roger Araújo – Comunidade Canção Nova

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Leitura Bíblica: Mateus 6, 19-23


Num dos versículos da segunda carta aos  Coríntios  proclamada na  liturgia de ontem líamos:  “E quando, estando entre vós, tive alguma necessidade,  não fui pesado a ninguém, pois os irmãos vindos da Macedônia supriram minhas necessidades.  Em todas as circunstâncias, cuidei e cuidarei de não ser pesado a vós”(2Cor 11, 9).  Paulo se contenta com o mínimo e não deseja ser peso para seus ouvintes que, ao que parece,  não estão muito dispostos a serem generosos em seus dons.  Paulo leva uma vida digna e frugal, simples, modesta.  No trecho do Sermão da Montanha  Jesus faz uma séria advertência: “Não junteis tesouros aqui na terra onde a traça e  ferrugem destroem e os ladrões assaltam e roubam”.  Estamos diante do desejo desmedido de ganhar e guardar.  Vivemos uma sociedade da competição e do lucro, da complicação da  vida por causa da competição e do desejo do ter.

Muito se tem escrito e refletido sobre a necessidade de reduzir  nossas exigências e desejos materiais.  Vivemos  num processo de complicação da vida.  Se tivermos coragem será possível viver com maior simplicidade,  mesmo nas grandes cidades.  Compramos muito.  Compramos roupas demais, bebidas demais, coisas demais.  As coisas perdem sua validade.  Consumimos.  Não temos tempo de apreciar o perfume de um vinho, porque temos a adega cheia de garrafas.   Não  “curtimos”  as pessoas porque o face-book está  lotado de mensagens.  Respondemos sem colocar afeto nas palavras que formulamos, sem “degustar”  a riqueza  do outro.  Perdemo-nos em detalhes completamente dispensáveis e perdermos a visão do conjunto, porque  “queremos” demais.   Exigimos coisas das quais nem nos lembramos posteriormente. As pessoas precisam ir além do ter e da competição.  Precisam apreciar um por-de-sol, uma paisagem bonita pela paisagem,  um rio pela beleza do rio. Não podemos  querer comprar o terreno para construir uma casa para nós, para nós…para nós…

Liberdade, poesia,  busca do Absoluto,  tentar descobrir o tesouro do evangelho escondido no campo ou  buscar a pérola preciosa que não se compra com dinheiro, nem com poder ou  prestígio.  “Porque onde está o teu tesouro, aí está o teu coração”.

Frei Almir Ribeiro Guimarães
www.franciscanos.org.br

quinta-feira, 20 de junho de 2013

#FicaAdica 89

Encantar é seduzir, cativar, fascinar, provocar irresistível admiração. O encantamento está na alma, no coração, no sentimento… Ele é sensibilidade que faz acontecer uma nova realidade, um novo momento… causa rupturas, cria intervalos no ordinário da vida. Encantar é permitir que a energia do amor possa fluir na vida das pessoas; é proporcionar encontros transformadores, semear esperança, atingir os corações para que pulsem no mesmo desejo, no mesmo destinar…

Jesus sabia muito bem encantar as pessoas com seu anúncio, com Seu jeito de falar, com sua maneira de olhar nos olhos das pessoas… Com sua maneira simples, porém autêntica atingia os corações das pessoas, criava transformação em suas vidas. Hoje também devemos ter essa mesma capacidade de encantar, de criar brilho no olhar das pessoas, de falar desse amor divino que nos impulsiona a viver com mais alegria, como verdadeiros irmãos… filhos(as) do mesmo Pai do Céu!

www.franciscanos.org.br

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Pssssiiiiiiiu! Silêncio!

Se um homem deixa o barulho e a agitação do mundo e procura no silêncio o seu descanso, Deus se manifesta para ele. Deus prefere se mostrar na suavidade da brisa a se mostrar no estardalhaço do trovão. Para tomar consciência de Sua presença que nos envolve e escutar Sua voz, é necessário acalmar a tempestade, fazer calar as vozes que ribombam em nossa cabeça. Na oração, Deus fala. Deus escuta, mas também tem o que dizer a você, a mim, a nós.

Um dia, na Missa, logo após a consagração, alguém começou um solo de violão e o sacerdote interveio dizendo: “Silêncio! Diante do Absoluto…” Deus é o Absoluto, quando Ele se manifesta, a melhor oração que podemos fazer é calar. Quando o homem cala, Deus fala.

Assim, em nossa oração, devemos fazer tudo o que está ao nosso alcance para nos colocar na presença de Deus, que já estava ali à nossa espera, e quando percebemos que nos aproximamos do Senhor e estamos diante dEle, devemos calar porque as palavras já não são necessárias; então podemos contemplar e ser contemplados.

Não temos ideia do quanto Deus nos cura e liberta neste momento de silêncio, quando só o amor transita. Damos um amorzinho frágil, miserável e impuro e recebemos uma descarga avassaladora de amor inebriante que nos torna vencedores.
Ninguém mais do que Nossa Senhora ouviu a Deus, porque ninguém tanto quanto ela se calou. Muitos acham que Maria não é importante pois as Sagradas Escrituras mostram que ela quase não se pronunciou. Não percebem que é justamente aí que reside a sua importância. Ela deixou Deus ser Deus, calou para Ele falar… E por meio de Maria, Deus disse uma Palavra que de tão concreta se fez carne. Ela não precisava falar, outro falava em seu silêncio.

Na anunciação, a resposta de Maria foi basicamente um “sim”, com Isabel tudo o que fez foi cumprimentá-la. Quando ninguém deu lugar ao seu Filho para nascer, ela calou; entre os doutores, ela calou; na cruz, ela calou. Ela sabia que a vitória que temos sobre o sofrimento está no silêncio. Quem se cala ante o sofrimento guarda só para Deus o perfume deste sacrifício; quem fala dissipa-o.

Podemos dizer que São Tomás de Aquino seguiu à risca este exemplo de Maria.

Conta-se que por São Tomás de Aquino ser muito gordo e por falar pouco puseram-lhe um apelido: boi mudo, era assim que o chamavam e procuravam atormentá-lo. Um dia, um de seus professores ouviu quando o chamaram de boi mudo e fez uma observação: “Quando este boi mugir, vai tremer o mundo”, e assim aconteceu. Ele é um dos santos que abalaram o mundo pela sabedoria que adquiriu no silêncio.

Nossa Senhora falou pouco, mas quando abriu a boca a criação estremeceu. João Batista foi só um exemplo do que aconteceu à humanidade.

Que o Espírito Santo nos ponha no coração o desejo de guardar o silêncio sagrado, o mesmo que Maria honrou e guardou tornando-se a mestra, a educadora de todos os que de longe perceberam a profundidade deste mistério e agora anseiam por penetrá-lo!

Dê-nos, o Senhor, um anjo para nos guardar neste bom propósito.
“Senhor, eu vos chamo, vinde logo em meu socorro; escutai a minha voz quando vos invoco. Que a minha oração suba até vós como a fumaça do incenso; que minhas mãos estendidas para vós sejam como a oferenda da tarde. Ponde, Senhor, uma guarda em minha boca, uma sentinela à porta de meus lábios” (Sl 140,1-3).

Do livro "Quando só Deus é a resposta", Márcio Mendes

Não toques trombeta! (Mateus 6, 1-6.16-18)

Calma! Jesus não tem nada contra os trombonistas! Apenas usa uma expressão figurada para nos ensinar a discrição até no fazer o bem. Podemos estragar uma ação boa com o nosso exibicionismo. Dizem que os fariseus, ao lançar as moedas nos cofres do templo, deixavam que elas caíssem bem do alto: assim, com seu tilintar, todos olhariam naquela direção e veriam a cara do piedoso doador. Pois, sim...

A mãe de um amigo meu morava em uma pequena cidade do interior de Minas. O marido tinha um pequeno comércio, ou melhor, uma “venda”, como se dizia naqueles tempos. Toda manhã, discretamente, escondida do marido (ou ele fazia vista grossa?), a senhora pegava uma bolsa com dois ou três quilos de mantimentos e visitava uma família pobre. Somente após sua morte, veio à tona a sua caridade. E todos compreenderam por que motivo metade da cidadezinha era composta de afilhados e afilhadas daquele casal. Até Jesus Cristo aplaudiria esse tipo de caridade.

A caridade cristã não tem nada a ver com filantropia. Os filantropos e clubes de serviço não sabem fazer o bem sem anexar rumorosa propaganda: vejam só o que estamos fazendo! Das obras dos políticos, nem se fale! A placa chega a ser maior que a obra executada! Para nós, Jesus propõe um caminho de vida interior, sem máscaras e sem purpurinas. O Pai vê o que é secreto e nos recompensará por nossos gestos de amor. Ao contrário, se nós damos um jeitinho de aparecer aos olhos dos homens, “já recebemos nossa recompensa”, isto é: nossa goiaba já nasceu bichada!

Madre Teresa de Calcutá, contava que em sua infância, na Albânia, muitas vezes havia pessoas estranhas à mesa. Quando perguntava quem eram elas, a mãe respondia: “São parentes nossos que moram longe daqui”. Na verdade, eram pobres sem recursos, que passavam por lá, refugiando-se da guerra. A mesma mamãe ensinaria à pequena Teresa: “Se você fizer alguma caridade, que ninguém o perceba!”

Jesus fala concretamente do jejum e da oração, práticas louváveis que devem ser igualmente discretas. Deus aprecia a simplicidade. Mas deve tapar os ouvidos para não ouvir certas orações que fazemos, cheias de palavras eruditas, altissonantes, mas sem nenhuma ressonância interior... Puro exibicionismo! É preciso muito cuidado com a moderna tentação de promover a Igreja, vocações e Institutos através dos meios da sociedade pagã, como táticas de marketing e propaganda. Não precisamos de nada disso. Precisamos de santos.

Daí o conselho de Jesus: rezar em segredo, no quarto, onde apenas os olhos do Pai estão voltados para nós. Certamente, ali será mais sincera a nossa oração...

Orai sem cessar: “Como a criança no seio materno, como tal criança são meus desejos.”

Antônio Carlos Santini, Comunidade Católica Nova Aliança
http://www.nsrainha.com.br