terça-feira, 9 de julho de 2013

A Jornada no Brasil



 

A Jornada Mundial da Juventude será, com certeza, o evento do ano no Brasil. Atrairá muito mais gente ao Rio de Janeiro do que a Copa do mundo de futebol e as Olimpíadas. A Confederação Nacional do Comércio divulgou uma pesquisa estimando que a Jornada injete cerca de R$ 275 milhões na economia da cidade, especialmente em hotéis, companhias aéreas e supermercados. Tudo isso além da divulgação de uma imagem positiva da cidade, fazendo propaganda do seu potencial turístico e dos grandes eventos desportivos nos próximos anos.

Mas as maiores vantagens desta 28ª JMJ para o Brasil não são as quantificáveis. O evento vem sendo preparado há meses na maioria das cidades do país, gerando uma grande onda de otimismo e esperança, recrutando milhões de jovens para experimentarem sólidos valores morais, cívicos e espirituais. O Papa Francisco já acenou que vai mencionar, em seus discursos durante a Jornada, as recentes manifestações que a juventude brasileira tem feito pelo país criticando a corrupção na política e exigindo melhorias nos serviços públicos. O primeiro Romano Pontífice latinoamericano, que até o início desse ano era usuário do sistema público de transporte em Buenos Aires e atendia a comunidades em favelas, vai endossar o clamor das nossas ruas.

A experiência das JMJ’s anteriores mostra que no pós-evento costuma haver, nos países sede, um significativo crescimento de participação dos jovens nas comunidades eclesiais, um aumento notável das vocações sacerdotais e religiosas e o surgimento de várias iniciativas de voluntariado beneficente. A Jornada não é um evento isolado, mas uma alavancada no que a juventude tem de melhor para colaborar na construção de um mundo novo, mais justo, pacífico e fraterno. Portanto, não haveria momento mais propício do que esse para a Jornada acontecer no Brasil.

Lembro-me que o escritor ateu Mario Vargas Llosa, peruano prêmio Nobel de literatura, publicou um artigo no jornal El País logo após a Jornada Mundial da Juventude de 2011 na Espanha. Ele concluía dizendo: “Crentes e não crentes devemos nos alegrar pelo ocorrido em Madri nesses dias em que Deus parecia existir, o catolicismo ser a religião única e verdadeira, e todos como bons meninos marchávamos de mãos dadas com o Santo Padre até o reino dos céus”. Alguém o interpretou como irônico. Eu leio de outra forma: mesmo os agnósticos e ateus devem reconhecer que essa confraternização de povos e essa manifestação de alegria sóbria e esperançosa dos jovens só pode ser bom para o nosso país.

Juliano Ribeiro Almeida, Sacerdote da diocese de Cachoeiro de Itapemirim, ES

domingo, 7 de julho de 2013

JMJ: Um sonho do coração de Deus


A Jornada Mundial da Juventude (JMJ), como foi denominada a partir de 1985, continua a mostrar ao mundo o testemunho de uma fé viva, transformadora e a mostrar o rosto de Cristo em cada jovem.

São eles, os jovens, os protagonistas desse grande encontro de fé, esperança e unidade. A JMJ tem como objetivo principal dar a conhecer a todos os jovens do mundo a mensagem de Cristo, mas é verdade também que, através deles, o ‘rosto’ jovem de Cristo se mostra ao mundo.

A Jornada Mundial da Juventude, que se realiza anualmente nas dioceses de todo o mundo, prevê a cada 2 ou 3 anos um encontro internacional dos jovens com o Papa, que dura aproximadamente uma semana. A última edição internacional da JMJ foi realizada em agosto de 2011, na cidade de Madri, na Espanha, e reuniu mais de 190 países.

A XXVIII Jornada Mundial da Juventude será realizada de 23 a 28 de julho de 2013 na cidade do Rio de Janeiro e tem como lema “Ide e fazei discípulos entre todas as nações” (Mt 28, 19).

As JMJs tem sua origem em grandes encontros com os jovens celebrados pelo Papa João Paulo II em Roma. O Encontro Internacional da Juventude, por ocasião do Ano Santo da Redenção aconteceu em 1984, na Praça São Pedro, no Vaticano. Foi lá que o Papa entregou aos jovens a Cruz que se tornaria um dos principais símbolos da JMJ, conhecida como a Cruz da Jornada.

O ano seguinte, 1985, foi declarado Ano Internacional da Juventude pelas Nações Unidas. Em março houve outro encontro internacional de jovens no Vaticano e no mesmo ano o Papa anunciou a instituição da Jornada Mundial da Juventude.

A primeira JMJ foi diocesana, em Roma, no ano de 1986. Seguiram-se os encontros mundiais: em Buenos Aires (Argentina – 1987) - com a participação de 1 milhão de jovens; em Santiago de Compostela (Espanha – 1989) - 600 mil; em Czestochowa (Polônia – 1991) - 1,5 milhão; em Denver (Estados Unidos – 1993) - 500 mil; em Manila (Filipinas – 1995) – 4 milhões; em Paris (França -1997) – 1 milhão; em Roma (Itália – 2000) – 2 milhões, em Toronto (Canadá – 2002) – 800 mil; em Colônia (Alemanha – 2005) – 1 milhão; em Sidney (Austrália – 2008) – 500 mil; e em Madri (Espanha – 2011) – 2 milhões.

Além do fato de estar em outro país, com seus encantos turísticos, a participação na Jornada requer um corpo preparado para a peregrinação e um coração aberto para as maravilhas que Deus tem reservado para cada um. São catequeses, testemunhos, partilhas, exemplos de amor ao próximo e à Igreja, festivais de música e atividades culturais. Enfim, um encontro de corações que creem, movidos pela mesma esperança de que a fraternidade na diversidade é possível.

http://www.rio2013.com

A simplicidade nos aponta o essencial




A simplicidade é um dom e nós devemos pedir insistentemente a Deus, porque somente os corações simples são capazes de perceber além das aparências e do que se ouve dizer, sem contar que a sabedoria dos simples edifica e aponta para o único essencial: Deus.

Jesus enche-se de alegria por ver a manifestação amorosa do Pai na vida dos Seus discípulos, homens tementes a Deus.

“Naquele momento, Jesus exultou no Espírito Santo e disse: ‘Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado’” (Lc 10,21).
Quanto mais simples nós somos, mais agradáveis a Deus nos tornamos e entramos na profundidade do Seu mistério.

Jesus, ensina-nos a sermos simples como o Senhor o é.

Jesus, eu confio em vós!

Luzia Santiago, Comunidade Canção Nova

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Apertos do coração de um pai



Algum tempo depois de episódio de Moriá, Abraão poderia escrever uma carta a Isaac mais ou menos nestes termos:

Bem, querido filho Isaac! Quantas recordações, quantas lembranças.  Ah! Aquele dia… De imediato não compreendi o que estava acontecendo. Não podia e não queria entender. A voz me pedia que eu fosse contigo até o Monte Moriá e lá que eu te oferecesse em sacrifício, o meu filho, o filho da promessa, o filho da minha velhice e da velhice de Sara. Eu não podia, não queria acreditar. Não era possível que o Deus que me havia tornado pai quisesse te arrancar de mim… Mas contive minha resistência. Procurei não mostrar minha estranheza… Apresentei-me corajoso ao Senhor diante daquela incompreensível solicitação… Sacrificar meu filho único, o meu Isaac.

Não sei se te recordas dos pormenores… Penso que não. Mas talvez sim. De manhã bem cedo  arrumamos tudo o que era preciso  para  o  “sacrifício” de meu filho… tu serias oferecido… Caminhamos três dias, eu, tu e os dois servos… Tive muito tempo para pensar… Imagina… Não tinha condições de dormir… No terceiro dia de caminhada  vi ao longe o lugar.  Não queria que os empregados fossem conosco.  “Esperai aqui com o jumento, enquanto eu e o menino vamos lá.  Depois de adorarmos a Deus, voltaremos a vós”.

Tomei a lenha, o fogo… E a faca. Tu te voltaste para mim e me fizeste uma terrível pergunta.  Nunca esquecerei o tom ingênuo e inocente de tua voz: “Temos fogo e lenha, mas onde está a vítima para o holocausto?”  Deixei que tua pergunta parasse no ar. Levantei os olhos. Respirei fundo.  Respondi. Será que com toda convicção ou simplesmente para te responder?  “Deus providenciará a vítima para o holocausto, meu filho”. E tu te calaste. E continuamos a caminhar.

Chegara então o momento mais delicado. Ergui o altar, coloquei a lenha… e tive que te amarrar como amarramos os cordeiros para os sacrifícios. Meu Deus!  Quanta dor… e teu rosto franzido e teu  choro me penetraram  até  às dobras de meu interior.  Estive no limite do desespero.

Ergui a mão… E ali compreendi toda a trama daquele evento. Estava certo que Deus não podia ter querido que eu te matasse.  Ele queria provar até onde ia minha fidelidade. Como nada recusei ao Senhor, ele  me proibiu de erguer a mão contra a obra prima de seu amor que era tu, meu Isaac.

Naquele momento fiquei sabendo que estávamos sendo abençoados. Não esqueço as palavras do Senhor:  “Juro por mim mesmo, uma vez que agiste deste modo e não me recusaste  teu filho único, eu te  abençoarei e tornarei tão numerosa tua descendência como as estrelas do céu e as areias da praia do mar”. Graças e mais graças ao Altíssimo.

Isaac, tu és meu querido filho e um sonho de Deus.

Frei Almir Ribeiro Guimarães
www.franciscanos.org.br

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Leitura Bíblica: João 20, 24-29




 “Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio  (Jo 20,24).  Era o único  discípulo que estava ausente. Ao voltar, ouviu o que acontecera, mas negou-se a acreditar. Veio de novo o  Senhor e mostrou seu lado ao discípulo incrédulo para que o pudesse apalpar; mostrou-lhe as mãos e,  mostrando-lhe também a cicatriz de suas chagas, curou a chaga daquela falta de fé. Que pensais, irmãos caríssimos, de tudo isto? Pensais ter acontecido por acaso  que aquele discípulo estivesse ausente naquela ocasião, que, ao voltar, ouvisse contar, que, ao ouvir, duvidasse, que, ao duvidar, apalpasse, e que, a apalpar, acreditasse?



Nada disso aconteceu por acaso,  mas por disposição da providência divina. A clemência do alto agiu de  modo admirável a fim de que, ao apalpar  as chagas do corpo de seu mestre, aquele discípulo que duvidara curasse as chagas  da nossa falta de fé. A incredulidade de Tomé foi mais proveitosa para a nossa fé do que a fé dos discípulos que acreditaram logo. Pois, enquanto ele é reconduzido à fé  porque pôde apalpar, o nosso espírito pondo de lado toda dúvida, confirma-se na fé. Deste modo, o discípulo que duvidou e apalpou  tornou-se testemunha da verdade da ressurreição.



Tomé apalpou e exclamou:   Meu  Senhor e meu Deus! Jesus lhe disse; Acreditaste, porque me viste?  (Jo 20, 28-29).  Ora, como diz o Apóstolo Paulo:  A fé é um modo de já possuir o que ainda se espera,  a convicção acerca das realidades que não se veem  (Hb  11,1).  Logo, está claro que a fé é a prova daquelas realidades que não podem ser vistas. De fato, as coisas que podemos ver não são objeto de fé, e sim de conhecimento direto. Então,  se Tomé viu e apalpou, por qual razão o Senhor lhe disse: Acreditaste, porque me viste? É que ele viu uma coisa e acreditou noutra. A divindade não podia ser vista  por um mortal. Ele viu a humanidade de Jesus e proclamou a fé na sua divindade, exclamando:  Meu Senhor e meu Deus!  Portanto, tendo visto acreditou. Vendo um verdadeiro homem, proclamou que ele era Deus,  a quem não podia ver.



Alegra-nos imensamente o que vem a seguir: Bem-aventurados os que creram sem ter visto (Jo 20,29).  Não resta dúvida de que esta frase se refere especialmente a nós. Pois não vimos o Senhor em sua humanidade, mas o possuímos em nosso espírito. É a nós que ela se refere, desde que as obras acompanhem nossa fé. Com efeito, quem crê verdadeiramente, realiza por sua ações a fé que professa. Mas, pelo contrário, a respeito daqueles que têm fé apenas de boca,  eis o que diz  São Paulo:  Fazem profissão de conhecer a Deus, mas negam-no com sua prática (Tt  1,16).  É o que leva também  São Tiago a afirmar:  A fé  sem obras é morta” (Tg 2,16).



São Gregório Magno, séc. VI