terça-feira, 12 de novembro de 2013

#FicaAdica 102


  
É preciso povoar nossa mente de coisas boas, pois assim não teremos tempo de pensar coisas ruins ou negativas. Os ideais, as metas, os sonhos funcionam como catapultas a nos lançar para frente, a um futuro que desejamos ser melhor… Mas, também, é mister fazer os sonhos e o futuro acontecer no aqui e agora de nossas vidas, no presente que temos nas mãos.
 
Os ideais que iluminam o meu caminho são a bondade, a beleza, a paz, a verdade… Procuro, acima de tudo, ser uma pessoa boa; esforço-me para fazer o bem, mesmo que em alguns momentos fique na escuridão de fazer o mal… Insisto no bem e na bondade e acredito que, assim, vou atingindo outras metas, outros ideais… A vida tem me ensinado que vale a pena acreditar e lutar por um mundo melhor, semeando as lições do Evangelho…
 
Tenha uma iluminada e produtiva semana. Procure ser também amigo do bem e da bondade…
 
Frei Paulo Sérgio, ofm

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Levantar a cabeça


Dom José Alberto Moura
Arcebispo Metropolitano de Montes Claros (MG)

 

O olhar só para a terra, isto é, para o cotidiano, sem o ideal a ser buscado na vida, torna-nos pessoas de pequeno horizonte. Somente o que é passageiro não nos realiza como pessoas humanas. O tempo passa, os problemas nos afogam e não vemos a razão de ser da existência. Ao contrário, quando enfrentamos os desafios para uma convivência fraterna e com ideal de realização do bem ao semelhante, não temos medo de até nos desgastarmos pelo sacrifício de lutarmos por causas elevadas e de valores da dignidade humana.

O trabalho e a exercitação na prática do bem fazem-nos ter força suficiente para superarmos os limites pessoais e relacionais. O Apóstolo Paulo incita todos a superarem a preguiça e colocarem a mão na massa para trabalharem e se sustentarem: “Há alguns que vivem à toa, muito ocupados em não fazer nada... trabalhando, comam na tranquilidade o seu próprio pão” (2 Tessalonicenses 3, 11.12).

O desânimo é tentação para o descompromisso em se realizar um projeto de vida. É superado com o incentivo para a busca de um ideal elevado de vida. Se é verdade que os problemas, as incompreensões, os defeitos, as oposições, as críticas e a falta de colaboração acontecem, o ardor no assumir uma causa elevada faz a pessoa ter força e entusiasmo para um trabalho útil aos outros e a muitas instituições, como obras de assistência e promoção humana. Quanta gente que, depois, de decepções por doença ou morte de entes queridos, se colocam à disposição para o trabalho junto a essas organizações!

O próprio Jesus fala das calamidades que acontecem na terra e de efeitos nas pessoas e comunidade. Mas ele entusiasma seus discípulos a não perderem o ânimo. Pelo contrário, devem se colocar a caminho do serviço a todos. Mesmo nas perseguições perdem a coragem: ”Sereis presos e perseguidos; sereis entregues às sinagogas e postos na prisão; sereis levados diante de reis e governadores por causa do meu nome. Essa será a ocasião em que testemunhareis a vossa fé” (Lucas 21,12.13).

A cabeça voltada só para o “chão” do que é efêmero impossibilita a pessoa de enxergar a vida com o que ela tem de mais positivo e realização humana. Ela vale para colocarmos nossos talentos em funcionamento para servirmos à causa da vida e da promoção do bem de todos, a partir dos que nos circundam, da família, dos ambientes e da comunidade. Não adianta só o chão físico do ter bens materiais, intelectuais, espirituais, culturais, de bem estar físico e psicológico, como também de projeção pessoal na sociedade. Se não utilizarmos tudo para ajudar o semelhante a se realizar como pessoa humana, o tempo passa e não construímos nossa casa pessoal de sustentação do ideal do verdadeiro amor.

 

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

#FicaAdica 101


Quero nascer de novo juntamente com cada dia que nasce. Quero ser outra vez novo, puro, cristalino… Quero recomeçar o dia de hoje na luz que brilha do céu; quero buscar a paz do alto e, ao mesmo tempo, transmiti-la em meus caminhos e a cada pessoa que for encontrando… Quero deixar para trás as amarguras do passado e viver a alegria do hoje, pois faço do presente um tempo novo que brota das mãos de Deus!

Quero recomeçar a vida e restaurar a inocência perdida… a inocência da criança que acredita no amor do pai e da mãe, que se encanta com a natureza e acredita no anjo da guarda! Quero continuar minha missão, sem me perturbar com o mal que ronda a humanidade, pois acredito na força transformadora do bem. Por isso, inclino meus ouvidos ao Evangelho e me coloco à disposição para ser um bem aventurado da paz!

 

Frei Paulo Sérgio, ofm

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

O que essa mulher tem de especial?


"Certa vez, Madre Teresa de Calcutá viajava de avião. Logo que ela se sentou uma aeromoça se aproximou, fez uma confidência pessoal e pediu que ela a abençoasse. Saiu radiante e contando para suas colegas comissárias de bordo. Minutos depois, aconteceu o mesmo com outra aeromoça. Pouco mais tarde, fez a mesma coisa a outro comissário de bordo, e a outro, outro... E, numa corrente contagiosa, terminaram saindo até os pilotos da cabine para estar um pouco ao lado daquela mulher simples e receber dela a sua bênção. E também muitos passageiros fizeram o mesmo. O ambiente do avião mudou por completo.

Que atrativos humanos teria essa mulher simples, essa velhinha de rosto enrugado, de aparência insignificante e já curvada pelos anos? O segredo da sua atração era a sua santidade, sua bondade, a virtude da abnegação total, do amor aos pobres. Era o atrativo do “bom odor de Cristo” (2 Cor 2,15) de que falou São Paulo. Será que isso acontece também conosco? Será que as pessoas nos procuram porque encontram em nós o desprendimento pessoal e o amor aos outros?

Não podemos deixar passar por nós alguma pessoa sem dar-lhe atenção e carinho, pois talvez isso não se repita mais. Foi desse jeito que os apóstolos, depois da morte de Cristo, incendiados pelo amor do Espírito Santo, tais como “outros Cristos”, transfiguraram o Império Romano, o maior que a humanidade já conheceu. Santo Agostinho que viveu neste tempo disse: “Os teus pecados são a tua tristeza, deixa que a santidade seja a tua alegria”. É preciso aprender que a verdadeira felicidade está no bojo das virtudes; a decepção está nos vícios."



Professor Felipe Aquino

domingo, 3 de novembro de 2013

Em todo lugar podemos buscar a santidade


Buscar uma vida de santidade, fazendo escolhas por aquilo que realmente dá sentido a nossa existência, não cedendo as tentações e impulsos das soluções mais fáceis, pede de nós, sangue, suor e lágrimas. É uma constante vigília pela construção daquilo que queremos no mais intimo. Ser feliz dá trabalho, porém compensa todo esforço! Ser santo é ser feliz!

Contudo, deram um sentido pejorativo a expressão “Ser santo”. Fizeram parecer uma vivência de tristeza que elimina da pessoa a possibilidade de viver com intensidade. Quando alguém afirma “não sou santo”, geralmente está querendo significar: “não sou escrupuloso e me dou o direito de investir em minha alegria”.

Só que nessa dinâmica o indivíduo já incutiu, mesmo que inconscientemente, que ele deve ser politicamente correto – o que muitas vezes o leva a compartilhar das ideias da multidão, independente se é correto, ético, moral, ou o melhor para o ser humano; e que para ser feliz, ele terá que, caso for preciso, prejudicar quem estiver no meio do seu caminho, e que os prazeres devem ser desfrutados a todo custo, mesmo que após venha a ser prejudicial ao indivíduo.

Então, na sociedade de hoje, as pessoas, dizem comumente “não sou nenhum santo” excluindo de sua vida o desejo de investirem verdadeiramente na felicidade que Deus nos destinou. O resultado são pessoas condicionadas mais pelos impulsos que pela inteligência, ideologias que espalham um falso moralismo e o esvaziamento das dimensões mais intimas e profundas da pessoa. Basta prestarmos bem a atenção se, onde e no que a grande massa diz encontrar prazeres, existem pessoas realmente felizes?

Se dinheiro trouxesse felicidade não haveria entre os abastados materialmente, pessoas destituídas de sentido. Se o sexo, enquanto ato e enquanto pseudo ‘escolha de gênero’ fosse “tudo”, não haveria gente infeliz entre os chamados ‘profissionais do sexo’.

Se o uso de drogas, tanto as lícitas, quanto as que estão defendendo que sejam liberadas, quanto as não lícitas, resolvessem os problemas de alguém, essa pessoa não precisaria buscar novamente o alívio e recorrer outra vez ao entorpecente, assim correndo o risco, de no mínimo, investir contra sua integridade física.

Porém, quando estudamos a biografia de um Santo, o que podemos perceber? Felicidade! Alegria e sentido existencial.

Isso quer dizer que os santos não sofreram? Claro, que não! Os santos sofreram, lutaram, se decepcionaram, tiveram grandes desafios em suas vidas, como todo ser humano, igual a mim e a você, mas encontraram um motivo maior e mais nobre que justificava todo o esforço e significado em cada uma de suas labutas. Sabiam para onde caminhar, “porque” e “para que” continuar caminhando e isso preenchia seus corações e suas almas. Não há uma história de vida de santo(a) que mostre ele(a) infeliz ou sem rumo.

O amor é a maior força dentro do ser humano, até mais que a vida e a liberdade. Quando não usamos nossa vida e nossa liberdade para amar a vida perde seu significado. A vida e a liberdade voltada para si mesmo, nos deixará enfadados, porque a felicidade só acontece quando amamos e o amor se faz pelo serviço. Só ama plenamente quem faz algo pelo bem do próximo. Quem não serve o outro com o que tem de melhor, com seus dons, não cresce como pessoa, daí sente-se infeliz.

Santidade é agir pelo amor. Os santos foram os homens e as mulheres do amor. Por isso, a santidade nos dá as ferramentas para viver a vida intensamente.

Mesmo após tomar a decisão por querer ser santo, é claro que algumas tendências ainda continuarão presentes em nós. Um santo não se faz de perfeição, mas de luta para amar sempre e da misericórdia do Senhor. O importante é a cada dia descobrir como podemos transferir esforços dos nossos anseios, desejos e potencialidades, ao invés de usá-los para o pecado, investi-los no amor. Sempre será uma luta dos nossos instintos contra nossa razão. Contudo, somos seres racionais que com a ajuda do Espirito Santo e auxílio da Virgem Maria, podemos fazer escolhas.

Em toda situação podemos dizer: “Eu quero ser santo!”

 

 

Sandro Arquejada, Canção Nova

 

Qual a medida da felicidade?



Algumas pessoas – infelizmente, a maioria – mede a felicidade pelo tanto de festas que vai, pela quantidade de copos de bebida que ingere, pelas noites passadas em claro. E esses jamais vão entender a essência da felicidade, da verdadeira felicidade.

Posso discorrer por horas a fio em que consiste a minha felicidade hoje e, tenho certeza, muitos vão me olhar atravessado, vão duvidar das minhas palavras. Não importa. O que importa é que sou feliz por estar com Jesus, por poder comungar o Seu corpo todas as vezes em que participo do Santo Sacrifício, por estar em comum união com Aquele que tão bem soube expressar a felicidade.

Aos que pensam diferente, entrego-os em minhas humildes orações. Que a Virgem Maria nos ensine a sermos felizes, independentemente do momento pelo qual estamos passando.

“Reconcilia-te com ele e terás paz: desta maneira a felicidade virá sobre ti” (Jó 22,21)

 

domingo, 27 de outubro de 2013

A Família Cristã


As leituras deste domingo nos convidam a meditar sobre algumas características fundamentais da família cristã.

A primeira: a família que reza. O trecho do Evangelho coloca em evidência dois modos de rezar, um falso – aquele do fariseu – e outro autêntico – aquele do publicano. O fariseu encarna uma atitude que não exprime a gratidão a Deus pelos seus benefícios e a sua misericórdia, mas sim satisfação de si. O fariseu se sente justo, se sente no lugar, se apoia nisso e julga os outros do alto de seu pedestal. O publicano, ao contrário, não multiplica as palavras. A sua oração é humilde, sóbria, permeada pela consciência de sua própria indignidade, das próprias misérias: este é um homem que realmente se reconhece necessitado do perdão de Deus, da misericórdia de Deus. A oração do publicano é a oração do pobre, é a oração que agrada a Deus, que, como diz a primeira Leitura “chega às nuvens” (Eclo 35, 20), enquanto a do fariseu é sobrecarregada pelo peso da vaidade.

À luz desta Palavra, gostaria de perguntar a vocês, queridas famílias: rezam alguma vez em família? Alguns sim, eu sei. Mas tantos me dizem: como se faz? Mas, se faz como o publicano, é claro: humildemente, diante de Deus. Cada um com humildade se deixa olhar pelo Senhor e pede a sua bondade, que venha a nós. Mas, em família, como se faz? Porque parece que a oração seja algo pessoal e então não há nunca um momento adequado, tranquilo, em família… Sim, é verdade, mas é também questão de humildade, de reconhecer que temos necessidade de Deus, como o publicano! E todas as famílias têm necessidade de Deus: todos, todos! Necessidade da sua ajuda, da sua força, da sua benção, da sua misericórdia, do seu perdão. E é necessário simplicidade: para rezar em família, é necessário simplicidade! Rezar junto o “Pai Nosso”, em torno da mesa, não é algo extraordinário: é algo fácil. E rezar junto o Rosário, em família, é muito bonito, dá tanta força! E também rezar um pelo outro: o marido pela esposa, a esposa pelo marido, ambos pelos filhos, os filhos pelos pais, pelos avós… Rezar um pelo outro. Isto é rezar em família, e isto torna forte a família: a oração.

A Segunda Leitura nos sugere um outro ponto: a família conserva a fé. O apóstolo Paulo, no fim de sua vida, faz um balanço fundamental e diz: “Conservei a fé” (2 Tm 4, 7). Mas como a conservou? Não em um cofre! Não a escondeu sob a terra, como aquele servo um pouco preguiçoso. São Paulo compara a sua vida a uma batalha e a uma corrida. Conservou a fé porque não se limitou a defendê-la, mas a anunciou, irradiou-a, levou-a longe. Colocou-se do lado oposto a quem queria conservar, “embalsamar” a mensagem de Cristo nos confins da Palestina. Por isto fez escolhas corajosas, foi a territórios hostis, deixou-se provocar pelos distantes, por culturas diversas, falou francamente sem medo. São Paulo conservou a fé porque, como a havia recebido, doou-a, indo às periferias sem se apegar a posições defensivas.

Também aqui, podemos perguntar: de que modo nós, em família, conservamos a nossa fé? Nós a temos para nós, na nossa família, como um bem privado, como uma conta no banco, ou sabemos partilhá-la com o testemunho, com o acolhimento, com a abertura aos outros? Todos sabemos que as famílias, especialmente as mais jovens, muitas vezes são “apressadas”, muito ocupadas: mas alguma vez já pensaram que esta “corrida” pode ser também a corrida da fé? As famílias cristãs são famílias missionárias. Mas, ontem ouvimos, aqui na Praça, o testemunho de famílias missionárias. São missionárias também na vida de todos os dias, fazendo as coisas de todos os dias, colocando em tudo o sal e o fermento da fé! Conservar a fé na família e colocar o sal e o fermento da fé nas coisas do cotidiano.

Um último aspecto recebemos da Palavra de Deus: a família que vive a alegria. No Salmo responsorial encontra-se esta expressão: “os pobres escutem e se alegrem” (33/34, 3). Todo este Salmo é um hino ao Senhor, origem de alegria e de paz. E qual é o motivo deste alegrar-se? É este: o Senhor está próximo, escuta o grito dos humildes e os livra do mal. Escrevia ainda São Paulo: “Alegrai-vos sempre… o Senhor está próximo” (Fl 4, 4-5). É… eu gostaria de fazer uma pergunta hoje. Mas, cada um leve-a ao seu coração, a sua casa, como uma tarefa a fazer, certo? E se responda sozinho. Como está a alegria na sua casa? Como está a alegria na sua família? E deem vocês a resposta.

Queridas famílias, vocês sabem bem: a verdadeira alegria que se desfruta na família não é algo superficial, não vem das coisas, das circunstâncias favoráveis… A alegria verdadeira vem da harmonia profunda entre as pessoas, que todos sentem no coração, e que nos faz sentir a beleza de estar junto, de apoiar-nos uns aos outros no caminho da vida. Mas na base deste sentimento de alegria profunda está a presença de Deus, a presença de Deus na família, está o seu amor acolhedor, misericordioso, respeitoso para com todos. E, sobretudo, um amor paciente: a paciência é uma virtude de Deus e nos ensina, em família, a ter este amor paciente, um com o outro. Ter paciência entre nós. Amor paciente. Somente Deus sabe criar a harmonia das diferenças. Se falta o amor de Deus, também a família perde a harmonia, prevalecem os individualismos e se extingue a alegria. Em vez disso, a família que vive a alegria da fé a comunica espontaneamente, é sal da terra e luz do mundo, é fermento para toda a sociedade.

 

Papa Francisco, Jornada das Famílias, Vaticano, 27/10/2013