sábado, 24 de novembro de 2012

#FicaAdica 50



Uma das bases da prudência é não fazer por mal o que se pode fazer por bem. A prudência vai nos ensinando a refletir as situações e pesar as decisões. A prudência não consiste em ficar numa atitude cômoda, neutra, indecisa. Consiste muito mais numa autêntica busca humana, em crescer em equilíbrio, em aprofundar no caminho da sabedoria. A prudência se conquista, se adquire, se cultiva.

Não há nada que se possa fazer com pressa e prudência ao mesmo tempo. A pressa em decidir, em optar, em  escolher quase sempre nos levar ao erro ou ao arrependimento. Então, procure cultivar a prudência como uma verdadeira virtude. Comece por escutar sua consciência e o sábio que mora dentro de você. Com um pouquinho de meditação diária você poderá se conectar mais e melhor com sua própria alma!

Frei Paulo Sérgio, ofm

Jesus é o Senhor


A cena do julgamento foi bem preparada, começando nas tramas e armadilhas urdidas contra Jesus. Tudo serviu para compor o drama, dentro de um quadro bem definido no jogo do poder.

Alguém devia ser eliminado! De fato “os sumos sacerdotes e os fariseus reuniram o sinédrio e discutiam: ‘Que vamos fazer? Este homem faz muitos sinais. Se deixarmos que ele continue assim, todos vão acreditar nele; os romanos virão e destruirão o nosso Lugar Santo e a nossa nação’. Um deles, chamado Caifás, sumo sacerdote naquele ano, disse: ‘Vós não entendeis nada! Não percebeis que é melhor um só morrer pelo povo do que perecer a nação inteira’? Caifás não falou isso por si mesmo. Sendo sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus iria morrer pela nação; e não só pela nação, mas também para reunir os filhos de Deus dispersos” (Jo 11,47-51).

Jesus está diante de Pilatos (Jo 18,33-37), a multidão pede sua morte, as autoridades conspiram. Prefere-se Barrabás a Jesus. E este Jesus se proclama Rei! Aos olhos de todos, é um rei bufão. Está vestido com um manto vermelho certamente esfarrapado, sobre a cabeça uma coroa de espinhos e seu cetro é uma cana. Ridículo! Terão dito os passantes! No entanto, ele diz ser Rei e que seu Reino não é deste mundo! Há que se posicionar a favor do trono representado por Pilatos, ou daquele que, sendo Rei parece apenas fazer parte de uma comédia de mau gosto.

Mesmo distantes da cena, demos um jeito de entrar no palco ou na plateia. Ali, há dois mil anos os homens e mulheres de todas as línguas, povos e nações, podem participar e passar da comédia à tragédia, desta às ruas, dali à crua realidade do Calvário, diante do abandonado crucificado, para aguardar ansiosos a manhã da Ressurreição e proclamar que Ele é Rei e Senhor. Ninguém fique de fora.

De quem foi a vitória entre o Reino de Jesus e o Reino representado por Pilatos? Muitos poderes se iludiram nestes mais de vinte séculos, ao pretenderem escrever a palavra “fim” no processo chamado “Jesus”, pensando tê-lo liquidado culturalmente ou politicamente. Reinos políticos ou filosofias se alternaram na tentativa de reduzi-lo a personagem marginal da história, mas a pedrinha profetizada por Daniel (Dn 2,34s) não cessa de atingir, uma depois da outra, as muitas estátuas de argila que são os impérios terrenos, e estes ruíram estrondosamente (cf. Raniero Cantalamessa, La Parola e La Vita, Città Nuova, Roma 1990, Pág. 353). Sem adesão a ele, mais cedo ou mais tarde todos caem!

O confronto continua e não é possível buscar uma conciliação fácil e superficial entre Jesus, que é Rei e Senhor, com o espírito do mundo. Seu Reino continua não sendo do mundo, mas ele veio para ser Rei, para dar testemunho da verdade e provocar todas as pessoas, a fim de que escutem sua voz e tomem partido da verdade. Quando Pilatos lhe perguntou, em meio a distraído muxoxo, “que é a verdade?”, nem suspeitava que em Jesus se realizasse a palavra: “foi-lhe dada a soberania, a glória e a realeza. Todos os povos, nações e línguas hão de servi-lo. Seu poder é um poder eterno, que nunca lhe será tirado e sua realeza é tal, que jamais será destruída (Dn 7,14)!

Aquele que era ridicularizado pelas autoridades e pela multidão dali a pouco, Cordeiro imolado, abriria o Livro da Vida. Ele “fez de nós um reino de sacerdotes para seu Deus e Pai, a ele a glória e o poder, pelos séculos dos séculos. Amém. Ele vem com as nuvens, e todo olho o verá – como também aqueles que o traspassaram. Todas as tribos da terra baterão no peito por causa dele.

Sim. Amém! ‘Eu sou o Alfa e o Ômega’, aquele que é, que era e que vem, o todo-poderoso’ (Ap 1,6-8). Na oferta de sua vida, que tem nome de salvação, quis incluir a todos: “Pai, perdoai-lhes. Eles não sabem o que fazem” (Lc 23,34). E depois um dos ladrões lhe disse: ‘Jesus, lembra-te de mim, quando começares a reinar’. Ele lhe respondeu: ‘Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso’ ”(Lc 23,42-43). De fato, Jesus nos ama e nos libertou com o seu sangue. Esta é a Verdade oferecida a todos os homens e mulheres de todos os tempos, mesmo aqueles que o traspassaram ou os que carregam o fardo de seus muitos pecados!

Proclamar Jesus e reconhecê-lo Rei e Senhor, como faz a Igreja na Solenidade de Cristo Rei, tem consequências. É necessário fazer opções claras pelos valores do Reino de Deus e abandonar tudo o que a ele se opõe. Se o dinheiro, o poder, a vaidade e a insaciável busca de prazer ocuparem o espaço de nossas decisões cotidianas, tornando-se “deuses” – e falsos! – não haverá espaço para Jesus Cristo.
Faz-se cada dia mais necessário um caminho de discernimento, diante das “ofertas e oportunidades” que nos são oferecidas, como num grande mercado de religiões! Quem procura vantagens, confundindo Jesus Cristo com um fornecedor de carro do ano, casa nova, roupas de grife, oportunidades imediatas de emprego, elogios de todos, ou mesmo milagres fáceis como numa banca da feira da esquina, verá muito cedo a estátua de barro desmoronar.

Quem resolver crescer e fazer opções claras no seguimento de Jesus Cristo verá consolidada uma existência cheia de sentido, terá herança de dignidade e retidão para transmitir às gerações que se seguirem, terá construído sua casa sobre a rocha, proclamando que Jesus é o Senhor e vivendo sua Palavra (cf. Mt 7,21-27), no cumprimento da vontade de Deus, que liberta e salva.

Dom Alberto Taveira Corrêa

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Você já mentiu hoje? Seja honesto!


Que mal faz uma mentira? “Foi por uma boa causa”; “Eu não tinha outra escolha”; “Foi para proteger a pessoa”; “Teria sido muito pior se tivesse contado a verdade”.

Quantas desculpas são apresentadas para sustentar as pequenas mentiras do dia a dia! Diante de tantas desculpas, talvez até nos convençamos de que, afinal, mentir não é algo tão grave assim. Não existem aqueles que “mentem que nem sentem”? Esse é o resultado de nos acostumarmos de tal forma com as mentiras, com esse pecado de estimação. Mas, se acreditamos que “...Jesus é o caminho, a VERDADE e a vida”, o que nos impede de agir conforme aquilo que dizemos acreditar?

Você já mentiu hoje? Seja honesto. Já passou alguma informação distorcida, exagerada ou enganosa pela internet ou no meio em que convive? Já assinou o ponto fora de hora? Quantas desculpas você já deu de atrasos, pequenas infrações? E quando a mentira tem a finalidade de evitar que alguém se decepcione ou fique magoado contigo?

Mas como a mentira entra em nossas vidas? Como aprendemos a mentir?
Algumas questões são úteis para você deixar definitivamente a mentira de lado. Na sua família existe o hábito de justificar as coisas com pequenas mentiras? Quando alguém telefona para sua mãe e ela não quer atender, como você respondia a quem ligou? O que te orientavam falar? Pois é, são essas pequenas mentiras, aprendidas muitas vezes até mesmo em família, na orientação dos pais para os filhos, ou em seu modelo que formam a base do hábito de mentir. Um hábito que os próprios pais estabelecem, mesmo não querendo.

Talvez seja possível perceber, com um pouco de honestidade ao avaliar as situações em que mentimos, que muitas vezes isso acontece por não sabermos como fazer o certo. Mas será que essa é uma desculpa para não nos empenharmos em melhorar? E se nos propusermos a melhorar, o caminho é um só: aprender a falar sempre a verdade, por mais difícil que seja. Ouvi, certa vez, uma senhora dizer que “A verdade, quando dita com ternura, nunca prejudica a ninguém”.

A mentira serve para encobrir os fracassos. Fracasso que experimentamos quando erramos, quando optamos pelo “mal”, quando justificamos nossas incoerências, quando não conseguimos fazer o bem que gostaríamos (Cf. Rm 7, 19), quando não conseguimos expressar de forma clara, objetiva e direta o que sentimos, o que pensamos, o que esperamos, o que gostaríamos. Quantas vezes fugimos de situações constrangedoras dizendo estar ocupados, cansados ou doentes? Quantas vezes foi necessário recorrer às mentiras para esconder nossa dificuldade em dizer “não”?

Ser sincero parece ser mais difícil, nos expõe mais. Se você conhece a alegria de uma relação transparente com certeza iria optar por assumir suas fraquezas e dificuldades. Mentiras “brancas” ou “pretas”, “leves” ou “pesadas”. Não importa. Se você quer buscar a vida, é preciso buscar a verdade. Essa é a busca que nos abre as portas para descobrirmos o que há de melhor em nós, e que muitas vezes desconhecemos: os dons que nos foram agraciados para, com eles, lidarmos com todas as dificuldades (ternura, paciência, brandura, etc.). Não podemos mais ser coniventes com a mentira.

O principal problema para o mentiroso é a recusa em reconhecer-se um mentiroso. Assim, talvez seja o momento de rever as perguntas iniciais. Identificar as mentiras na sua vida, identificar as mentiras que você vive. As mentiras que você conta para si mesmo. Pensar nas causas, mas principalmente, assumir a sua responsabilidade por uma conversão, por uma mudança.

Observe-se. Identifique as mentiras. Analise o motivo, a dificuldade em se comprometer com a verdade naquela situação. Proponha-se então a enfrentar essa dificuldade.
A alegria consiste em viver reconciliado com sua realidade, sem fugas, sem esquivas, sem desculpas, portanto, sem mentiras. Ser livre consiste em assumir as consequências dos nossos atos.

Por pior que seja a realidade, as verdadeiras ervas daninhas são aquelas que você cultiva no seu coração, quando foge de viver o que sua realidade te oferece.
E só para finalizar: aquela história de “no dia que ele mudar, eu mudo” muitas vezes é um tipo de mentira também. Portanto, não olhe para o outro, mas para aquilo que hoje, em você precisa encontrar a verdade.


Cláudia May Philippi, Psicóloga Clínica

O menino e o cão


Um menino entra na loja de animais e pergunta o preço dos filhotes à venda.

- Entre R$30,00 e R$50,00, responde o dono.

O menino puxou uns trocadinhos do bolso e disse: - Mas, eu só tenho 3 reais... Poderia ver os filhotes?

O dono da loja sorriu e chamou Lady, a mãe dos cachorrinhos, que veio correndo, seguida de cinco bolinhas de pêlo. Um dos cachorrinhos vinha mais atrás, com dificuldade, mancando de forma visível..

- O que é que há com ele?

O dono da loja explicou que o veterinário tinha examinado e descoberto que ele tinha um problema na junta do quadril, mancaria e andaria de devagar para sempre...

O menino se animou e disse com enorme alegria no olhar: - Esse é o cachorrinho que eu quero comprar!

O dono da loja respondeu: - Não, você não vai querer comprar esse! Se quiser realmente ficar com ele, eu lhe dou de presente.

O menino emudeceu e, com os olhos marejados de lágrimas, olhou firme para o dono da loja e falou: - Eu não quero que você o dê para mim.
 

Aquele cachorrinho vale tanto quanto qualquer um dos outros e eu vou pagar tudo. Na verdade, eu lhe dou 3 reais agora e 1 real por mês, até completar o preço total.

Surpreso , o dono da loja contestou: - Você não pode querer realmente comprar este cachorrinho. Ele nunca vai poder correr, pular e brincar com você e com os outros cachorrinhos.

O menino ficou muito sério, abaixou-se e ergueu lentamente a perna esquerda da calça, deixando à mostra a prótese que usava para andar... Olhou bem para o dono da loja e respondeu: - Veja, não tenho um perna... Eu não corro muito bem e o cachorrinho vai precisar de alguém que entenda isso...

Ao desprezarmos certas pessoas por causa dos seus "defeitos", devíamos lembrar que, na verdade, muitas vezes agimos tão igual ou pior do que elas. Desconsideramos que essas mesmas pessoas precisam apenas de alguém que as compreendam e as amem.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

#FicaAdica 49



Feliz a pessoa que consegue ser honesta consigo mesma e, depois, utiliza também da honestidade para com as pessoas de seu grupo de convivência. A honestidade faz-nos caminhar para dentro de nossa individualidade, permitindo que sejamos também misericordiosos com nossos próprios limites e falhas. Ser honesto não significa não cometer erros. Ser honesto significa assumir as fragilidades e crescer na consciência de responsabilidade e hombridade.

Quem é honesto consigo mesmo é capaz de acolher as falhas das pessoas, permitindo que elas reflitam e cresçam a partir dos próprios erros. A honestidade é algo que vamos cultivando em nossa vida, não como algo que escraviza, mas como um compromisso para uma existência mais livre e responsável. Ser honesto é ter autonomia suficiente para discernir bem as escolhas, optar pelos caminhos que levam a uma vida coerente e comprometida com o destino maior da própria humanidade.

Frei Paulo Sérgio, ofm