sábado, 8 de dezembro de 2012

Leitura Bíblica: Lucas 1, 26-38


«Salve, ó cheia de graça»

«Bendito seja Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto dos céus, nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo [...]. Ele nos escolheu antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em caridade na Sua presença» (Ef 1,3-4) [...] A carta aos Efésios, falando da «riqueza da graça» pela qual «Deus Pai [...] nos tornou agradáveis em Seu amado Filho», acrescenta: «N'Ele temos a redenção pelo Seu sangue» (Ef 1,7). Segundo a doutrina formulada em documentos solenes da Igreja, esta «riqueza da graça» manifestou-se na Mãe de Deus, pelo facto de Ela ter sido «redimida de um modo mais sublime» (Papa Pio IX).

Em virtude da riqueza da graça do amado Filho e por motivo dos merecimentos redentores d'Aquele que haveria de tornar-Se seu Filho, Maria foi preservada da herança do pecado original. Deste modo, logo desde o primeiro instante da sua concepção, ou seja da sua existência, Ela pertence a Cristo, participa da graça salvífica e santificante e daquele amor que tem o seu início no «amado Filho», no Filho do eterno Pai que, mediante a Incarnação, se tornou o seu próprio Filho.

Sendo assim, por obra do Espírito Santo, na ordem da graça, ou seja, da participação da natureza divina, Maria recebe a vida d'Aquele ao qual Ela própria, na ordem da geração terrena, deu a vida como mãe. [...] E, uma vez que Maria recebe esta «vida nova» numa plenitude correspondente ao amor do Filho para com a Mãe e, por conseguinte, à dignidade da maternidade divina, o Anjo na Anunciação chama-lhe «cheia de graça».

Beato João Paulo II

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Ide ao encontro do outro



Pais e filhos, irmãos, amigos e colegas de trabalho ou companheiro de missão podem conviver décadas a fio, podem ter uma relação intensa, podem se divertir ou sofrer juntos… mas persistem o lado avesso, por trás das máscaras, que nunca se expõem e nem se dissipam.

Amor e amizade transitam entre esses dois "eu" que se relacionam em harmonia e conflito: afeto, generosidade, atenção, cuidados, desejo de partilha, vontade de fazer e de ser um bem, de obter do outro o que para gente é um bem, o complicado respeito ao espaço do outro, formam um campo de batalha e uma ponte.

No relacionamento afetivo, familiar ou amizade, acredito que partilhar a vida com alguém é enriquecê-la; permanecer numa relação desgastada é suicídio emocional, é desperdício de vida.

Cabe a cada um de nós decidirmos, isso, exige auto-exame, avaliação. Vale a pena apostar quando ainda existe afeto e interesse, quando o outro continua sendo desafio em lugar de um tédio, e quando, entre pais e filhos, irmãos e outros, continuam a disposição de descobrir mais e melhor quem é esse outro, o que deseja, de que precisa, o que pede e o que lhe é possível fazer.

O outro é desconhecido para nós. As pessoas podem conviver uma vida inteira e mesmo assim, não se conhecerem totalmente. Muitas vezes o máximo que conhecemos daqueles que estão próximos a nós é somente o olhar, seu jeito de ser e suas misérias. Este é o limite em que chegamos. Mas o seu interior é um mundo desconhecido, seus pensamentos, seus sentimentos… O máximo que conhecemos de algumas pessoas é somente seu exterior. Mas o verdadeiro ser é mais do que aparência, o verdadeiro ser está no interior.

É preciso romper barreiras, devemos ir ao encontro do outro e buscar conhecer verdadeiramente o seu interior. Não podemos viver indiferentes uns para com os outros. Pois somos imagem e semelhança de Deus.

Não é fácil ir ao encontro do outro, pois em nosso interior vive um leão que precisa ser domado a cada dia. Um leão que muitas vezes mata o outro, não com as mãos, mas com a indiferença e ingratidão. É preciso romper barreiras e ir além dos nossos limites, para conhecer e se dar a conhecer.

Quando não busco conhecer o outro ou não me dou a conhecer, vivo apenas na superficialidade. Enquanto você viver haverá partes deste ‘território’ para conhecer. Tantas coisas nos foram entregues, mas se elas não vêm à tona, e nem as investigamos, tudo o que temos dentro de nós fica sem uso. Quanta coisa preciosa temos dentro de nós e por egoísmo não deixamos o outro conhecer, ficamos só na superficialidade do conhecimento de si.

Leandro Couto - Com. Canção Nova

Leitura Bíblica: Isaías 29, 17-24; Mateus 9, 27-31


Todo este mês de dezembro tem perfume de esperança.  Ele vem. O Messias, na verdade, já veio. Estamos nos preparando para as grandes celebrações natalinas que revigoram nossa fé na encarnação do Verbo.  Tudo fala de esperança.

Isaías faz um elenco de eventos alvissareiros: os surdos ouvirão as palavras do livro e os olhos dos cegos verão no meio das trevas e das sombras. Os tempos messiânicos sempre foram descritos como aqueles que os cegos e os surdos seriam curados de suas limitações. E o texto continua  na leitura do Evangelho.  Jesus ali coloca um sinal do Reino. Dois cegos se aproximam dele. Querem a cura.  Antes de fazer o  gesto de cura, Jesus formula uma pergunta:  “Acreditais que eu posso fazer isso?”  Com a afirmativa, Jesus continua: “Faça-se conforme a vossa fé”. A cura é precedida de um ato de fé-confiança.  Toda essa simbologia nos remete para a cerimônia do batismo em que é dada a luz. Os que solicitam o batismo desejam uma iluminação. Luz, iluminação, círio pascal, abandono do pecado, do mundo das trevas, cura da cegueira mais profunda. Quando Jesus cura os dois cegos da leitura evangélica, toca os olhos e estes se abriram.

Toda esta simbólica nos remete, como afirmamos, ao sacramento do batismo. Muitos fomos batizados quando ainda não podíamos nos dar conta do que estava sendo em nós operado.  Em nossa caminhada de crescimento no conhecimento amoroso do mistério de Cristo, somos convidados a retomar tudo aquilo que constituiu nosso ingresso no universo da graça e da fé. Caminhantes e peregrinos nos damos conta que enxergamos mal. Não temos clareza no momento de fazer uma escolha fundamental.  Nossa inclinação para o mal perturba a limpidez de nossa visão. O pecado obscurece a razão. Sobretudo nos momentos em que a luminosidade de uma presença mais sensível do Senhor desaparece não sabemos que caminho tomar e que opção fazer.
Nos momentos de maior  lucidez buscamos pela luz.  Fazemos nossas as palavras do salmo:  “O Senhor é minha luz e salvação; de quem eu terei medo? O Senhor é a proteção da minha vida; perante quem eu tremerei?”

Isaías, na leitura hoje proclamada, continua  com palavras embebidas de esperança: “Os humildes aumentarão sua alegria  no Senhor, e os mais pobres dos homens se rejubilarão no Santo de Israel”.

Todas estas leituras quando ouvidas com as entranhas arrancam do mais profundo de cada um o desejo da iluminação e um sentimento de profunda gratidão ao Ressuscitado que vestido da luz a manhã da Páscoa nos tirou definitivamente das trevas.

Frei Almir Ribeiro Guimarães


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O Verbo de Deus virá a nós


Conhecemos uma tríplice vinda do Senhor. Entre a primeira e a última há uma vinda intermediária. Aquelas são visíveis, mas esta, não. Na primeira vinda o Senhor apareceu na terra e conviveu com os homens. Foi então, como ele próprio declara, que viram-no e não o quiseram receber. Na última, todo homem verá a salvação de Deus (Lc 3,6) e olharão para aquele que transpassaram (Zc 12,10). A vinda intermediária é oculta e nela somente os eleitos o veem em si mesmos e recebem a salvação. Na primeira, o Senhor veio na fraqueza da carne; na intermediária, vem espiritualmente, manifestando o poder de sua graça; na última, virá com todo o esplendor da sua glória.

Esta vinda intermediária é, portanto, como um caminho que conduz da primeira à última; na primeira, Cristo foi nossa redenção; na última, aparecerá como nossa vida; na intermediária, é nosso repouso e consolação.

Mas, para que ninguém pense que é pura invenção o que dissemos sobre esta vinda intermediária, ouvi o próprio Senhor: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos a ele (cf. Jo 14,23). Lê-se também noutro lugar: Quem teme a Deus, faz o bem (Eclo 15,1). Mas vejo que se diz algo mais sobre o que ama a Deus, porque guardará suas palavras. Onde devem ser guardadas? Sem dúvida alguma no coração, como diz o profeta: Conservei no coração vossas palavras, a fim de que eu não peque contra vós (Sl 118,11).

Guarda, pois, a palavra de Deus, porque são felizes os que a guardam; guarda-a de tal modo que ela entre no mais íntimo de tua alma e penetre em todos os teus sentimentos e costumes. Alimenta-te deste bem e tua alma se deleitará na fartura. Não esqueças de comer o teu pão para que teu coração não desfaleça, mas que tua alma se sacie com este alimento saboroso.

Se assim guardares a palavra de Deus, certamente ela te guardará. Virá a ti o Filho em companhia do Pai, virá o grande Profeta que renovará Jerusalém e fará novas todas as coisas. Graças a essa vinda, como já refletimos a imagem do homem terrestre, assim também refletiremos a imagem do homem celeste (1Cor 15,49). Assim como o primeiro Adão contagiou toda a humanidade e atingiu o homem todo, assim agora é preciso que Cristo seja o senhor do homem todo, porque ele o criou, redimiu e o glorificará.

Dos Sermões de São Bernardo, abade

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Mais vale...




Mais vale prever a tempo e cuidar de ir fazendo boas obras que confiar no auxílio dos outros!

Se não é cuidadoso para consigo mesmo agora, quem terá solicitude por você no futuro?

Agora é o tempo precioso; “agora são os dias da salvação; agora é o tempo favorável (2Cor 6,2).

Porém, ai! Que não emprega hostilmente esse tempo em que poderia merecer a vida eterna. Virá tempo em que desejará um dia ou uma hora, para se emendar, e não sei se conseguirá.

Ah! Caríssimo, de quantos perigos poderia se livrar, de quantos temores fugir, se estivesse sempre temeroso e na expectativa da morte!

Trate agora de viver de tal modo que na hora da morte possa antes se alegrar  que temer.

Aprenda agora a desprezar tudo, para que então possa ir livremente para Cristo.

Castigue agora o seu corpo pela insuficiência.

Do Livro “Imitação de Cristo”