quinta-feira, 28 de março de 2013

#FicaAdica 75




Viver a Semana Santa é entrar sempre mais na lógica de Deus, na lógica da Cruz, que não é antes de tudo aquela da dor e da morte, mas aquela do amor e da doação de si que traz vida. É entrar na lógica do Evangelho. Seguir, acompanhar Cristo, permanecer com Ele exige um “sair”, sair. Sair de si mesmo, de um modo cansado e rotineiro de viver a fé, da tentação de fechar-se nos próprios padrões que terminam por fechar o horizonte da ação criativa de Deus. Deus saiu de si mesmo para vir em meio a nós, colocou a sua tenda entre nós para trazer-nos a sua misericórdia que salva e doa esperança. Também nós, se desejamos segui-Lo e permanecer com Ele, não devemos nos contentar em permanecer no recinto das 99 ovelhas, devemos “sair”, procurar com Ele a ovelha perdida, aquela mais distante. Lembrem-se bem: sair de nós mesmo, como Jesus, como Deus saiu de si mesmo em Jesus e Jesus saiu de si mesmo por todos nós.

Papa Francisco

Lava-pés




Jesus “levanta-se da mesa, depõe o manto e, tomando uma toalha, cinge-se com ela. Depois, coloca água numa bacia e começa a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido” (Jo 13,4-5). Jesus presta aos seus discípulos o serviço do escravo, “humilha-se a Si mesmo” (Fl 2,7).

Aquilo que diz a Carta aos Filipenses, no seu admirável hino cristológico – isto é, que, num gesto contrário ao de Adão, que tentara com as próprias forças apoderar-se do divino, Cristo desceu da sua divindade tornando-se homem, “assumiu a condição de servo” e fez-se obediente até a morte de cruz (cf. 2,7-8) – tudo isso ficou visível aqui num único gesto. Com um ato simbólico, Jesus ilustra o conjunto do seu serviço salvífico. Despoja-se do seu esplendor divino, ajoelha-se por assim dizer diante de nós, lava e enxuga os nossos pés sujos, para nos tornar capazes de participar no banquete nupcial de Deus.

Quando, no Apocalipse, aparece a formulação paradoxal segundo a qual os redimidos “lavaram as suas túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro” (7,14), isso quer dizer: é o amor de Jesus até o fim que nos purifica, que nos lava. O gesto do lava-pés exprime isto mesmo: é o amor serviçal de Jesus que nos tira fora da nossa soberba e nos torna capazes de Deus, nos torna “puros”.

Do Livro “Jesus de Nazaré – Da entrada em Jerusalém até a Ressurreição”, de Bento XVI

quarta-feira, 27 de março de 2013

#FicaAdica 74




Um dos grandes trabalhos da existência é justamente este: refazer, recomeçar, reformar… ou até mesmo começar tudo outra vez! Trabalho intenso de saber quem somos, de decifrar um enigma, de se estruturar uma consciência mais ampla, mais forte, mais capaz de decidir sem os chicotes da culpa. E essa tarefa é pra vida inteira, pois é na dinamicidade da própria vida que vamos nos fazendo, nos construindo, nos impulsionando.
O hoje é esse tempo mágico que nos permite refazer tarefas, apagar escritos, escrever novas histórias… E no caderno da própria vida vamos escrevendo paginas e mais páginas, aperfeiçoando as experiências, crescendo nas relações interpessoais. Se ontem me depararei com portas fechas, hoje posso encontrar uma maneira de abri-las; se ontem não me doei ao máximo, hoje posso amar ainda mais e ser ainda mais feliz…
Frei Paulo Sérgio, ofm


Quarta-Feira Santa: Isaías 50, 4-9; Mateus 26, 14-25



Jesus fez o que tinha que fazer. Andou pelos caminhos da terra dos homens. Olhou nos olhos de pescadores e fez deles missionários.  Subiu ao monte e ensinou as bem-aventuranças dos pobres  e  dos mansos. Desdobrou o programa de um mundo de irmãos, de fraternidade, de harmonia, de serviço, de acolhida das diferenças, de êxtase diante do Pai.  Acercou-se dos  mais abandonados. Observou a limpidez do coração de uma mulher que colocava  no cofre tudo o que tinha. Olhou nos olhos de Levi e Zaqueu e tentou atingir a liberdades desses homens que queria perto dele. Pediu que as pessoas que ouviam se convertessem e acreditassem que um  mundo novo, o  Reino de Deus, estava em gestação com sua fala, seus gesto e agora com sua paixão e morte.

Isaías,  na primeira leitura desta quarta-feira santa,  fala das coisas do passado,  mas ouvimos  nas considerações do profeta  a voz de Cristo: “O  Senhor  abriu-me os ouvidos;  não lhe resisti,  nem voltei atrás.  Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba;  não desviei os rosto dos bofetões e cusparadas. Mas o Senhor Deus é meu auxiliador,  por isso não me deixei abater  o ânimo, conservei o rosto impassível como  pedra, porque sei que não sairei  humilhado”.

Jesus fez o que tinha que fazer.  Mais não era possível. O horizonte se torna escuro e não há mais saída.  Os  fiéis discípulos do  Senhor  se preparam para estar com o Mestre e, nesta quarta-feira santa, contemplam a fragilidade de  Judas. O Iscariotes resolve entregar o Mestre em troca de trinta moedas de prata. Depois de acertar  o preço da venda  Judas procurava um  modo de entregar o Mestre que, com sua fragilidade, o decepcionara.

“Ao cair da tarde,  Jesus pôs-se  à mesa  com os doze discípulos. Enquanto comiam, Jesus disse:  ‘Em verdade vos digo, um de vós vai me trair’. Eles ficaram muito tristes e, um por um, começaram a lhe perguntar: ‘Senhor, será que sou eu?’ (…) Então Judas, o traidor, perguntou:  ‘Mestre, serei eu?’ Jesus lhe respondeu: ‘Tu o dizes’”.

O mais belo dos filhos dos homens traído por um daqueles que estavam  sentados à mesa, em sua intimidade.

Frei Almir Ribeiro Guimarães

segunda-feira, 25 de março de 2013

#FicaAdica 73




Santo Agostinho ensina que nosso passado não é uma realidade estática; explica que quando orientamos nosso passado para o amor, ele pode alimentar o presente e iluminar o futuro!

Portanto, é orientando nossas experiências para o Amor o que concretamente significa rezar, perdoar, acolher com misericórdia, paciência e outras atitudes assim tão concretas, que vamos oferecendo um sentido a tudo o que até possa aparecer absurdo e mesmo o pecado.

Meu passado, orientado para o amor, será sempre um caminho para uma libertação vigorosa e continua! Não tenha medo e, se precisar, peça ajuda!


Ricardo Sá, Comunidade Canção Nova