segunda-feira, 4 de novembro de 2013

O que essa mulher tem de especial?


"Certa vez, Madre Teresa de Calcutá viajava de avião. Logo que ela se sentou uma aeromoça se aproximou, fez uma confidência pessoal e pediu que ela a abençoasse. Saiu radiante e contando para suas colegas comissárias de bordo. Minutos depois, aconteceu o mesmo com outra aeromoça. Pouco mais tarde, fez a mesma coisa a outro comissário de bordo, e a outro, outro... E, numa corrente contagiosa, terminaram saindo até os pilotos da cabine para estar um pouco ao lado daquela mulher simples e receber dela a sua bênção. E também muitos passageiros fizeram o mesmo. O ambiente do avião mudou por completo.

Que atrativos humanos teria essa mulher simples, essa velhinha de rosto enrugado, de aparência insignificante e já curvada pelos anos? O segredo da sua atração era a sua santidade, sua bondade, a virtude da abnegação total, do amor aos pobres. Era o atrativo do “bom odor de Cristo” (2 Cor 2,15) de que falou São Paulo. Será que isso acontece também conosco? Será que as pessoas nos procuram porque encontram em nós o desprendimento pessoal e o amor aos outros?

Não podemos deixar passar por nós alguma pessoa sem dar-lhe atenção e carinho, pois talvez isso não se repita mais. Foi desse jeito que os apóstolos, depois da morte de Cristo, incendiados pelo amor do Espírito Santo, tais como “outros Cristos”, transfiguraram o Império Romano, o maior que a humanidade já conheceu. Santo Agostinho que viveu neste tempo disse: “Os teus pecados são a tua tristeza, deixa que a santidade seja a tua alegria”. É preciso aprender que a verdadeira felicidade está no bojo das virtudes; a decepção está nos vícios."



Professor Felipe Aquino

domingo, 3 de novembro de 2013

Em todo lugar podemos buscar a santidade


Buscar uma vida de santidade, fazendo escolhas por aquilo que realmente dá sentido a nossa existência, não cedendo as tentações e impulsos das soluções mais fáceis, pede de nós, sangue, suor e lágrimas. É uma constante vigília pela construção daquilo que queremos no mais intimo. Ser feliz dá trabalho, porém compensa todo esforço! Ser santo é ser feliz!

Contudo, deram um sentido pejorativo a expressão “Ser santo”. Fizeram parecer uma vivência de tristeza que elimina da pessoa a possibilidade de viver com intensidade. Quando alguém afirma “não sou santo”, geralmente está querendo significar: “não sou escrupuloso e me dou o direito de investir em minha alegria”.

Só que nessa dinâmica o indivíduo já incutiu, mesmo que inconscientemente, que ele deve ser politicamente correto – o que muitas vezes o leva a compartilhar das ideias da multidão, independente se é correto, ético, moral, ou o melhor para o ser humano; e que para ser feliz, ele terá que, caso for preciso, prejudicar quem estiver no meio do seu caminho, e que os prazeres devem ser desfrutados a todo custo, mesmo que após venha a ser prejudicial ao indivíduo.

Então, na sociedade de hoje, as pessoas, dizem comumente “não sou nenhum santo” excluindo de sua vida o desejo de investirem verdadeiramente na felicidade que Deus nos destinou. O resultado são pessoas condicionadas mais pelos impulsos que pela inteligência, ideologias que espalham um falso moralismo e o esvaziamento das dimensões mais intimas e profundas da pessoa. Basta prestarmos bem a atenção se, onde e no que a grande massa diz encontrar prazeres, existem pessoas realmente felizes?

Se dinheiro trouxesse felicidade não haveria entre os abastados materialmente, pessoas destituídas de sentido. Se o sexo, enquanto ato e enquanto pseudo ‘escolha de gênero’ fosse “tudo”, não haveria gente infeliz entre os chamados ‘profissionais do sexo’.

Se o uso de drogas, tanto as lícitas, quanto as que estão defendendo que sejam liberadas, quanto as não lícitas, resolvessem os problemas de alguém, essa pessoa não precisaria buscar novamente o alívio e recorrer outra vez ao entorpecente, assim correndo o risco, de no mínimo, investir contra sua integridade física.

Porém, quando estudamos a biografia de um Santo, o que podemos perceber? Felicidade! Alegria e sentido existencial.

Isso quer dizer que os santos não sofreram? Claro, que não! Os santos sofreram, lutaram, se decepcionaram, tiveram grandes desafios em suas vidas, como todo ser humano, igual a mim e a você, mas encontraram um motivo maior e mais nobre que justificava todo o esforço e significado em cada uma de suas labutas. Sabiam para onde caminhar, “porque” e “para que” continuar caminhando e isso preenchia seus corações e suas almas. Não há uma história de vida de santo(a) que mostre ele(a) infeliz ou sem rumo.

O amor é a maior força dentro do ser humano, até mais que a vida e a liberdade. Quando não usamos nossa vida e nossa liberdade para amar a vida perde seu significado. A vida e a liberdade voltada para si mesmo, nos deixará enfadados, porque a felicidade só acontece quando amamos e o amor se faz pelo serviço. Só ama plenamente quem faz algo pelo bem do próximo. Quem não serve o outro com o que tem de melhor, com seus dons, não cresce como pessoa, daí sente-se infeliz.

Santidade é agir pelo amor. Os santos foram os homens e as mulheres do amor. Por isso, a santidade nos dá as ferramentas para viver a vida intensamente.

Mesmo após tomar a decisão por querer ser santo, é claro que algumas tendências ainda continuarão presentes em nós. Um santo não se faz de perfeição, mas de luta para amar sempre e da misericórdia do Senhor. O importante é a cada dia descobrir como podemos transferir esforços dos nossos anseios, desejos e potencialidades, ao invés de usá-los para o pecado, investi-los no amor. Sempre será uma luta dos nossos instintos contra nossa razão. Contudo, somos seres racionais que com a ajuda do Espirito Santo e auxílio da Virgem Maria, podemos fazer escolhas.

Em toda situação podemos dizer: “Eu quero ser santo!”

 

 

Sandro Arquejada, Canção Nova

 

Qual a medida da felicidade?



Algumas pessoas – infelizmente, a maioria – mede a felicidade pelo tanto de festas que vai, pela quantidade de copos de bebida que ingere, pelas noites passadas em claro. E esses jamais vão entender a essência da felicidade, da verdadeira felicidade.

Posso discorrer por horas a fio em que consiste a minha felicidade hoje e, tenho certeza, muitos vão me olhar atravessado, vão duvidar das minhas palavras. Não importa. O que importa é que sou feliz por estar com Jesus, por poder comungar o Seu corpo todas as vezes em que participo do Santo Sacrifício, por estar em comum união com Aquele que tão bem soube expressar a felicidade.

Aos que pensam diferente, entrego-os em minhas humildes orações. Que a Virgem Maria nos ensine a sermos felizes, independentemente do momento pelo qual estamos passando.

“Reconcilia-te com ele e terás paz: desta maneira a felicidade virá sobre ti” (Jó 22,21)

 

domingo, 27 de outubro de 2013

A Família Cristã


As leituras deste domingo nos convidam a meditar sobre algumas características fundamentais da família cristã.

A primeira: a família que reza. O trecho do Evangelho coloca em evidência dois modos de rezar, um falso – aquele do fariseu – e outro autêntico – aquele do publicano. O fariseu encarna uma atitude que não exprime a gratidão a Deus pelos seus benefícios e a sua misericórdia, mas sim satisfação de si. O fariseu se sente justo, se sente no lugar, se apoia nisso e julga os outros do alto de seu pedestal. O publicano, ao contrário, não multiplica as palavras. A sua oração é humilde, sóbria, permeada pela consciência de sua própria indignidade, das próprias misérias: este é um homem que realmente se reconhece necessitado do perdão de Deus, da misericórdia de Deus. A oração do publicano é a oração do pobre, é a oração que agrada a Deus, que, como diz a primeira Leitura “chega às nuvens” (Eclo 35, 20), enquanto a do fariseu é sobrecarregada pelo peso da vaidade.

À luz desta Palavra, gostaria de perguntar a vocês, queridas famílias: rezam alguma vez em família? Alguns sim, eu sei. Mas tantos me dizem: como se faz? Mas, se faz como o publicano, é claro: humildemente, diante de Deus. Cada um com humildade se deixa olhar pelo Senhor e pede a sua bondade, que venha a nós. Mas, em família, como se faz? Porque parece que a oração seja algo pessoal e então não há nunca um momento adequado, tranquilo, em família… Sim, é verdade, mas é também questão de humildade, de reconhecer que temos necessidade de Deus, como o publicano! E todas as famílias têm necessidade de Deus: todos, todos! Necessidade da sua ajuda, da sua força, da sua benção, da sua misericórdia, do seu perdão. E é necessário simplicidade: para rezar em família, é necessário simplicidade! Rezar junto o “Pai Nosso”, em torno da mesa, não é algo extraordinário: é algo fácil. E rezar junto o Rosário, em família, é muito bonito, dá tanta força! E também rezar um pelo outro: o marido pela esposa, a esposa pelo marido, ambos pelos filhos, os filhos pelos pais, pelos avós… Rezar um pelo outro. Isto é rezar em família, e isto torna forte a família: a oração.

A Segunda Leitura nos sugere um outro ponto: a família conserva a fé. O apóstolo Paulo, no fim de sua vida, faz um balanço fundamental e diz: “Conservei a fé” (2 Tm 4, 7). Mas como a conservou? Não em um cofre! Não a escondeu sob a terra, como aquele servo um pouco preguiçoso. São Paulo compara a sua vida a uma batalha e a uma corrida. Conservou a fé porque não se limitou a defendê-la, mas a anunciou, irradiou-a, levou-a longe. Colocou-se do lado oposto a quem queria conservar, “embalsamar” a mensagem de Cristo nos confins da Palestina. Por isto fez escolhas corajosas, foi a territórios hostis, deixou-se provocar pelos distantes, por culturas diversas, falou francamente sem medo. São Paulo conservou a fé porque, como a havia recebido, doou-a, indo às periferias sem se apegar a posições defensivas.

Também aqui, podemos perguntar: de que modo nós, em família, conservamos a nossa fé? Nós a temos para nós, na nossa família, como um bem privado, como uma conta no banco, ou sabemos partilhá-la com o testemunho, com o acolhimento, com a abertura aos outros? Todos sabemos que as famílias, especialmente as mais jovens, muitas vezes são “apressadas”, muito ocupadas: mas alguma vez já pensaram que esta “corrida” pode ser também a corrida da fé? As famílias cristãs são famílias missionárias. Mas, ontem ouvimos, aqui na Praça, o testemunho de famílias missionárias. São missionárias também na vida de todos os dias, fazendo as coisas de todos os dias, colocando em tudo o sal e o fermento da fé! Conservar a fé na família e colocar o sal e o fermento da fé nas coisas do cotidiano.

Um último aspecto recebemos da Palavra de Deus: a família que vive a alegria. No Salmo responsorial encontra-se esta expressão: “os pobres escutem e se alegrem” (33/34, 3). Todo este Salmo é um hino ao Senhor, origem de alegria e de paz. E qual é o motivo deste alegrar-se? É este: o Senhor está próximo, escuta o grito dos humildes e os livra do mal. Escrevia ainda São Paulo: “Alegrai-vos sempre… o Senhor está próximo” (Fl 4, 4-5). É… eu gostaria de fazer uma pergunta hoje. Mas, cada um leve-a ao seu coração, a sua casa, como uma tarefa a fazer, certo? E se responda sozinho. Como está a alegria na sua casa? Como está a alegria na sua família? E deem vocês a resposta.

Queridas famílias, vocês sabem bem: a verdadeira alegria que se desfruta na família não é algo superficial, não vem das coisas, das circunstâncias favoráveis… A alegria verdadeira vem da harmonia profunda entre as pessoas, que todos sentem no coração, e que nos faz sentir a beleza de estar junto, de apoiar-nos uns aos outros no caminho da vida. Mas na base deste sentimento de alegria profunda está a presença de Deus, a presença de Deus na família, está o seu amor acolhedor, misericordioso, respeitoso para com todos. E, sobretudo, um amor paciente: a paciência é uma virtude de Deus e nos ensina, em família, a ter este amor paciente, um com o outro. Ter paciência entre nós. Amor paciente. Somente Deus sabe criar a harmonia das diferenças. Se falta o amor de Deus, também a família perde a harmonia, prevalecem os individualismos e se extingue a alegria. Em vez disso, a família que vive a alegria da fé a comunica espontaneamente, é sal da terra e luz do mundo, é fermento para toda a sociedade.

 

Papa Francisco, Jornada das Famílias, Vaticano, 27/10/2013

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Prece dos humildes


Quem precisa de algo se coloca na atitude de carente ou necessitado. A demonstração de que não precisa de ajuda já bloqueia o possível favorecimento de seu pedido. Até o próprio Filho de Deus mostrou a maneira humana de se dirigir ao Pai. Ele não precisaria de se humilhar ou se colocar como inferior, por ter também a natureza divina. Se Ele deu exemplo de humildade, muito mais nós, meras criaturas humanas, temos que nos dirigir de modo completamente confiantes e mostrando nossa pequenez diante do Criador. Ao mesmo tempo, a atitude de reconhecimento da grandeza e prodigalidade dele nos impulsiona à demonstração do comportamento de filhos confiantes, como a do filho pródigo! Não à toa Jesus nos ensina a oração confiante do Pai Nosso!
Quem faz todo o esforço para realizar a vontade de Deus tem a seu favor, na oração, a demonstração de que não quer fugir de realizar sua parte para ir ao encontro do projeto do Criador a seu respeito: “Quem serve a Deus como ele quer será bem acolhido e suas súplicas subirão até as nuvens” (Eclesiástico 35, 20), Mas, quem ainda se encontra totalmente fragilizado devido à sua vida não conforme os desígnios do Senhor, deve pedir força para tentar ser melhor. Mostra a Deus suas carências e seu esforço para mudar de vida. Ele não apaga o pavio ainda fumegante e vem em socorro dos carentes que suplicam seus favores.
Quem é orgulhoso e usa da religião para se projetar, não se importando com o testemunho de vida ética e serviçal em relação ao semelhante, coloca-se à margem da fé autêntica e da oração eficaz. Na parábola do fariseu e do homem pecador Jesus dá a lição da oração válida e aceita por Deus (Cf. Lucas 18,9-14). No primeiro caso a oração é arrogante, cheia de orgulho e de desprezo pelo outro. Nâo é o fato de a pessoa fazer muitos atos religiosos, e até comungar da Eucaristia, que leva sua aceitação por Deus. Tudo isso é importante, com a condição de a pessoa ter as disposições necessárias para ser aceita por Ele. Até certas pessoas de projeção social fazem seus atos religiosos em vista de seus interesses de propaganda política e outros interesses para angariar simpatia da comunidade religiosa.
A oração do cobrador de impostos, tido como pecador, foi louvada por Jesus, por sua atitude de reconhecimento de sua pequenez, sendo verdadeiramente humilde e confiante na bondade de Deus.É importante chamarmos os humildes para suplicarem a Deus em bem da superação de tantos males e injustiças na sociedade. Muitos desmandos são feitos também por quem usa da religiosidade para trair o povo, com o mau exercício de suas lideranças. Precisamos unir os humildes para pedirmos a Deus que converta esses maus corações e tenhamos mais e melhores serviços prestados à população, que paga seus impostos e merecem ser melhor servidos em suas necessidades!
 
Dom José Alberto Moura
Arcebispo de Montes Claros (MG)
 

#FicaAdica 100



Uma poderosa ferramenta para nos ajudar a gerir com habilidade a nossa vida é perguntar antes de cada ato se isso nos trará felicidade. É muito importante lembrar que a felicidade não deve ser algo egoísta, mas um bem-estar comunitário e fraterno. Refletir ajuda-nos a ver melhor a situação e, assim, nossas ações serão mais acertadas… Não é possível uma realização, uma vitória ou momentos de alegria construídos sobre o mal ou sobre a infelicidade alheia…

O futuro se constrói sobre o presente, sobre o aqui e agora da vida! Nada garante que no futuro (imaginário) teremos uma vida melhor e mais feliz do que a que vivemos hoje. Daí a urgência de fazer as opções acertadas, de entender que é preciso compartilhar o bem hoje, conviver melhor com as pessoas hoje, buscar a Deus hoje… Tudo vai depender de nossa disposição de aproveitar cada instante e cada momento do tempo que se torna presente…

 

Frei Paulo Sérgio, ofm

 

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Leitura Bíblica: Lucas 12,35-38



Aquele que dirige a sua própria vida deve ter vigilância e cuidado com ela. Vigilância e cuidado com seus atos e suas atitudes, e nunca agir de forma irresponsável.

“Sede como homens que estão esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento, para lhe abrirem, imediatamente, a porta, logo que ele chegar e bater” (Lc 12,36).

A Palavra de Deus, meditada hoje por nós, nos ensina que devemos ser atentos, vigilantes, cuidadosos, responsáveis com a nossa vida com as nossas atitudes. Que não conduzamos a vida de forma desordenada, desregrada ou totalmente despreocupados como se o Senhor não fosse voltar, como se o Dono da casa, o Dono da vida, como se o Dono da nossa existência não fosse, um dia, nos chamar para prestar contas do que vivemos, do que fazemos, com esse maior dom que Ele nos deu, que é a nossa vida.

O estar com os rins cingidos e com as lâmpadas acesas significa estarmos de pé, atentos. Essa atenção, que devemos ter com relação à nossa vida, recebe o nome de “cuidado”. O cuidado aqui é sinônimo de delicadeza e responsabilidade. É o cuidar de todos os nossos atos, não sendo insensatos e fazendo as coisas como se elas não tivessem consequências.

Tudo aquilo que fazemos tem uma consequência, seja a curto ou a longo prazo, para a nossa vida, para a vida dos outros e, muitas vezes, para a vida da própria humanidade.

Talvez estejamos vivendo coisas desastrosas na humanidade ou entre nós, na nossa casa, na nossa vida, na própria família, porque não fomos atentos ou vigilantes nesta ou naquela circunstância. Porque fizemos as coisas de qualquer jeito. Imagine um motorista dirigindo, despreocupado na estrada, achando que pode fazer qualquer coisa.

A nossa falta de cuidado, de atenção ou de diligência, muitas vezes, pode provocar desastres com consequências horríveis para a vida de muitos.

 

 

Padre Roger Araújo, Comunidade Canção Nova