quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

#FicaAdica 57



Quem segue seu caminho sem saber por onde não deve ir corre um enorme risco de se perder!

Um caminho é seguro não somente quando se sabe aonde ir, pois, caminhos errados nos levam longe demais... Pior ainda é quando não se tem consciência do que acontece.

Uma sugestão delicada: procure listar os "nãos" que devem ser ditos, aqueles que já deveriam ter sido falados, aqueles esquecidos e os mais sinceros.

Será uma atitude corajosa e inovadora.

Ricardo Sá

Leitura Bíblica: João 1,19-28



João declarou: “Eu sou a voz que grita no deserto: ‘Aplainai o caminho do Senhor’” — conforme disse o profeta Isaías. (Jo 1,23)

Durante o tempo do advento tivemos a ocasião de meditar sobre   muitos aspectos da figura do Batista. Às portas do Natal lá estava ele, sua família, as graças que  receberam seus pais. Agora, neste tempo do Natal e antes da festa do Batismo do Senhor, novamente ele ocupa a cena. Faz questão de dizer que não é o Messias. Os judeus haviam enviado emissários ao deserto para colocarem uma pergunta fundamental a João: “Quem és tu?”

“Eu não sou o Messias. Não me tomem como tal. Eu sou o filho da velhice de meus pais. Nasci como uma graça do céu. Desde muito jovem aprendi a escutar a voz do Senhor. Vivi muito tempo no deserto. Longe dos ruídos e longe de mim mesmo. Não me assentei à mesa dos banquetes refinados. Não vesti de roupas sedosas. Procurei a austeridade. Foi assim que desejei viver. Ao longo dos tempos as pessoas haverão de me representar com os ombros caídos, vestido de peles de camelo, completamente despojado. Aliás, eu deveria me chamar  João, o despojado. Não digo isso para me gloriar. Mas porque de fato assim foi a minha vida.  Não andei buscando minha glória.
Sim, as pessoas logo compreenderam alguma coisa fundamental de minha vida e de minha missão:  batizar no batismo de conversão, preparar corações para o Messias. Por favor, tirem de suas cabeças essas ideias: eu não sou o Messias. Minha missão é a de apontar sua chegada e desaparecer.

Pode ser que eu tenha traços de Elias. Arde dentro de mim fogo e não tenho receio de denunciar aquilo que corrompe e destrói o homem… Vocês precisam levar uma resposta a respeito de minha pessoa: Eu sou a voz do que clama no deserto. Vim para aplainar os caminhos do Senhor.  Cumpro uma profecia de Isaias. Para mim, isto consistiu numa subida honra.  Sou apenas uma voz que anuncia a Palavra.

Aos poucos fui tomando consciência mais clara de minha missão.  Sou o pregador da transformação do coração, da conversão. O Senhor deseja que eu leve as pessoas ao seu interior e que lá elas descubram que precisam de uma purificação. Acolho-as  às margens do Jordão e faço com que mergulhem em suas águas… Sou o batizador… o Batista….o batizador dos pecados…. Prepara os caminhos do Senhor… Ele, o Messias é que importa…. Ele batizará na água e no Espírito.  Eu batizo com água, mas no meio de vós está aquele que vos não conheceis e que vem depois de mim. Eu não mereço desamarrar a correia de suas sandálias. Eu não sou o  Messias… simples e gloriosamente sou aquele que prepara seus caminhos.  Espero ter respondido aos seus questionamentos”

http://www.franciscanos.org.br

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Desejo demais o dom da sabedoria!

Hoje, amanheci cuidando da limpeza de casa. Vocês devem estar pensando: coisa mais sem graça para se fazer no primeiro dia do novo ano! Pois é, sem graça, mas pra mim necessária. Fiz isso com tão boa vontade! Quando comecei nem tinha ideia do que Deus estava preparando para mim, através desse ato.

Mas o que isso tem a ver com o meu desejo de “saber”? Numa leitura simples, descobri que o dom da sabedoria não se aprende nos livros, mas é comunicado à alma pelo próprio Deus, que ilumina a mente, o coração, a inteligência e a vontade. E essa manhã, limpando a sujeira que o dia de ontem deixou na nossa casa, por um momento me senti “entrando em sintonia” com Deus.

Já estava tudo limpinho, brilhando. Eu estava satisfeita com o resultado do meu esforço. Foi aí que, enquanto passava pela sala de jantar, ouvi o barulho de um aparelhinho que, de tempos em tempos, solta um ar perfumado (tem um desses aqui em casa...). E o que se encontrava limpo foi preenchido pelo perfume.

Nessa hora Deus me falou.

Assim é com a nossa vida. Por causa das nossas atitudes, acabamos sujando tudo. Às vezes não deixamos nenhum espaço limpo! De repente, uma luzinha brilha na nossa mente e sentimos a vontade de fazer uma limpeza, de jogar no lixo toda a sujeira acumulada. Fazemos isso. Nos sentimos aliviados porque conseguimos completar a limpeza. Mas ainda falta algo... Nessa hora, o perfume do Espírito de Deus vai adentrando, tomando o espaço que é Seu! Não falta mais nada! O odor da sujeira já não é sentido; apenas o perfume exalado pelo Sopro de Deus impera! Louvado seja Deus por tudo!

Senhor, dai-me a graça de, não apenas neste ano que se inicia, mas em todos os momentos da minha vida, entender o que queres me falar e a partir daí construir uma vida melhor.

Deus de nossos pais, e Senhor de misericórdia, que todas as coisas criastes pela vossa palavra, e que, por vossa sabedoria, formastes o homem para ser o senhor de todas as vossas criaturas, governar o mundo na santidade e na justiça, e proferir seu julgamento na retidão de sua alma, dai-me a Sabedoria que partilha do vosso trono, e não me rejeiteis como indigno de ser um de vossos filhos. Sou, com efeito, vosso servo e filho de vossa serva, um homem fraco, cuja existência é breve, incapaz de compreender vosso julgamento e vossas leis; porque qualquer homem, mesmo perfeito, entre os homens, não será nada, se lhe falta a Sabedoria que vem de vós.” (Sabedoria 9,1-6)








Santa Maria, mãe de Deus

Que graça para nós começarmos o primeiro dia do ano contemplando este mistério da encarnação que fez da Virgem Maria a Mãe de Deus!

Meu coração se alegra por este dia e com vocês quero partilhar este lindo texto, escrito por São Bernardo, Dr. da Igreja dizia e rezava assim:

“Seguindo-a não te desviarás. Maria é essa Estrela esplêndida que se eleva sobre a imensidão do mar,  brilhando pelos próprios méritos, iluminando por seus exemplos. Ó tu,  que te sentes,  longe da terra firme,  levado pelas ondas deste mundo,  no meio dos temporais e das tempestades,  não desvies o olhar da luz deste Astro,  se não quiserdes perecer. Se o vento das tentações se elevar,  se o recife das provações se erguer na tua estrada,  olha para a Estrela,  chama por Maria. Se fores sacudido pelas vagas do orgulho,  da ambição,  da maledicência,  do ciúme,  olha para a Estrela,  chama por Maria. Nos perigos,  nas angústias,  nas dúvidas,  pensa em Maria,  invoca Maria. Que seu nome nunca se afaste de teus lábios,  que não se afaste de teu coração; e,  para obter o auxílio da sua oração,  não te descuides do seu exemplo de vida. Seguindo-a,  terás a certeza de não te desviares; suplicando-lhe,  de não desesperar; consultando-a,  de não te enganares. Se ela te segurar,  não cairás; se te proteger,  nada terás de temer; se te conduzir,  não sentirás cansaço; se te for favorável,  atingirás o objetivo.”   

Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Mais uma porta que se fecha...

Chegamos ao final do ano de 2012.  Nas últimas horas deste ano que termina sinto-me invadida por um sentimento de gratidão. Não tenho palavras para descrever o que foi este ano, pois que de tudo aconteceu na minha vida. E dentre esse “tudo”, até mesmo o inesperado, o que não estava previsto e o que não era querido. Mas o sentimento de gratidão continua invadindo a minha alma nessas últimas horas...

Sou grata a Deus por cada um desses trezentos e sessenta e cinco dias, esse presente que se chama tempo. Sou grata por cada momento vivido com a minha família, no meu trabalho, com os meus amigos... sou grata pelas vitórias e pelas derrotas, pois elas fazem parte do meu crescimento. Sou grata pelas vezes em que neste ano pude sorrir, mas também pelas vezes em que chorei, pois, como o riso, as lágrimas me ajudaram a vencer algumas dificuldades. Sou grata pelos momentos em que pude ser luz na caminhada dos irmãos, mas também pelos abraços que só Deus sabe o quanto me fizeram bem.

Louvo pelas pessoas – parentes, amigos, conhecidos – que caminharam junto comigo no período em que estive me recuperando da cirurgia. Foram anjos enviados por Deus e não esqueço de que também contribuíram para que eu fizesse essa travessia com tranquilidade, tirando disso forças para confiar mais ainda no Senhor. Creio que tudo isso são mimos do Senhor e que Ele os fez (e faz) pelas mãos dos que me amam.

Sou grata a Deus por terminar o ano vivendo um momento tão especial que foi a celebração dos sessenta anos de união conjugal de Calixto e Josefa Veneranda, minha tia, a qual chamamos carinhosamente de Madrinha Dedé. Como minha mãe faleceu quando eu tinha apenas seis anos, esse casal foi o melhor exemplo que tive de família, de pai, mãe e filhos que se amam. Louvo e agradeço a Deus por ter me dado a oportunidade de viver com eles – a família – esse momento.

Por fim, louvo a Deus pela missão que Ele me confiou, que é de acordar para cada novo dia com o propósito de viver para Ele.

E nesse agradecimento, peço ao Senhor Deus que nesse ano que se avizinha, mais uma porta que se abre, estenda sua luz à frente dos nossos caminhos, para que não entremos no mundo das trevas. Somos filhos da luz e do dia e Deus nos destinou para a salvação (cf. 1Ts 5). Que a graça de Deus continue conosco em 2013.

“Que o próprio Deus da paz conceda a vocês a plena santidade. Que o espírito, alma e corpo de vocês sejam conservados de modo irrepreensível para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Quem chamou vocês é fiel e realizará tudo isso” (1Ts 5,23-24).

sábado, 29 de dezembro de 2012

Leitura Bíblica: Lucas 2, 22-35

Estamos vivendo o tempo do Natal. Na liturgia de hoje somos convidados a acompanhar os passos de Maria e de José que levam o seu Menino ao templo  para apresenta-lo ao  Senhor.  Conhecemos sobejamente a cena que é delicada, encantadora e profética.

Templo, espaço consagrado e dedicado ao Senhor que tudo cria, tudo vê e a quem tudo pertence.  O Deus dos pais, da fé dos antepassados, o Deus dos profetas e o Deus das  promessas  era ali cultuado.  Naquele espaço do templo cabem louvor e ação de graças. É para lá que sobem as tribos de Israel e para também se dirigem José e Maria levando o Menino nos braços e a oferenda de gente pobre: um par de rolas ou  dois pombinhos.  Ele, sereno e calmo, ela quase uma menina levando o Menino esperança.

À porta do  templo um figura veneranda: Simeão, o homem das barbas brancas, aquele que vivera alimentado pelo sopro da esperança, aquele que vinha do passado e com sua postura e suas palavras apontava para o futuro.  Com as mãos trêmulas e o coração agradecido ele toma o Menino nos braços.  Não cabe em seu peito gratidão e alegria.  Podia agora terminar a caminhada porque seus olhos estavam vendo a salvação que o Senhor havia preparado para todas as nações, essa luz  para irradiar claridade e glória para todas as nações.

E os pais do Menino apresentam o filho a Deus no meio do júbilo do coração do ancião.  Há muita coisa do natal na cena… Mas há também o mistério da passagem que será vivido por Jesus no futuro. Não se pode dizer que Maria tenha compreendido todo o alcance das palavras de Simeão:  “Este  menino vai ser causa tanto de queda  como de reerguimento  para muitos de Israel. Ele será um sinal de contradição. Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações.  Quanto a ti uma espada de dor traspassará a tua alma”.

Nestas poucas linhas estava o futuro do menino:  presença de Deus no meio dos homens, aceito por uns e solenemente rejeitado por outros.  Em  poucas palavras estava o mistério da páscoa, da passagem.  E se pode ver Maria, ao pé da cruz, com uma espada de dor a atravessar-lhe o coração.  Uma espada de dor haveria de traspassar o peito de Maria.

Naquele dia os pais levaram o menino ao templo para que fosse apresentado ao Deus todo santo e de todas as promessas.  Belo o costume dos pais de apresentarem seus filhos recém nascido ao Senhor presente em nossos tabernáculos…

Frei Almir Ribeiro Guimarães


sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Leitura Bíblica: Mateus 2, 13-18

Ouviu-se um grito em Ramá, choro e grande lamento; é Raquel que chora seus filhos, e não quer ser consolada, porque eles já não existem mais! (Mt 2,18)

No tempo de Herodes,  por ocasião da visita dos Magos, o rei com medo que o menino Jesus lhe fizesse sombra mandou matar todas as crianças do sexo masculino com menos de dois anos. Comemoramos hoje a festa destas crianças inocentes que deram a vida por Cristo ainda como recém-nascidos…

As crianças constituem um mistério. Correm, saltam, são vigorosas. Escondem nelas riquezas e valores. De outro lado são frágeis, precisam de todos os cuidados e, em nossos tempos, sofrem toda sorte de violência, inclusive, são objeto de chacinas.

Em vários lugares do mundo, em escolas, elas são assassinadas por loucos que matam os pequenos inocentes, matam-se a si mesmos, matam adultos. Drogados? Loucos? Temos tido ocasião de ver o horror estampado nos rostos das crianças que escapam aos massacres que se sucedem e diante dos quais os adultos se sentem impotentes.
Há essas crianças que nascem de adultos que não se amam de verdade. Crianças que moram com a mãe e recebem periodicamente a visita do pai, crianças dilaceradas, divididas interiormente  (ou que nunca recebem visita). São inocentes que precisarão, aos poucos, arrumar as coisas em seu interior para viverem com dignidade.

Há essas crianças que voltam à casa, que se encontram com pais preocupados com tanta coisa e nunca com aquilo que  borbulha no coração dos filhos, pais que têm ideias feitas a respeito das crianças, planos consumistas. Muitas delas giram em torno do pai e da mãe esperando a migalha de um sorriso, de uma manifestação de atenção.  São inocentes sem socorro.

Há essa delicada e  triste realidade da pedofilia.

Há essas quase crianças, essas crianças que vão entrando na adolescência que são objeto de cupidez por parte de adultos doentes, que usam seu corpo, pagam uma miséria e fazem com esses  fadados ao esplendor do existir se tornem seres arruinados, perdidos, seres em pedaços.

Realmente, ouve-se ainda choro e lamento. Os pais choram os filhos e na realidade eles não existem mais.

Frei Almir Ribeiro Guimarães