sábado, 23 de março de 2013

#FicaAdica 72





Nas relações humanas têm momentos onde ferimos as pessoas; noutros momentos, ferimos até aquelas que amamos. As rosas possuem espinhos para proteger sua delicadeza… E nós aprendemos a retirá-los para apreciarmos ainda mais sua beleza e seu perfume. Tal comparação também pode ser feita para nossas vidas: em algum momento da vida ferimos as pessoas para proteger a nossa fragilidade, nossa incapacidade, nosso medo… Desculpar, perdoar são atitudes que nos elevam, nos fazem crescer!

Quando desculpamos, estamos tirando o fardo que pesa sobre os ombros dos outros. Quando somo desculpados, são os outros que retiram os fardos que pesam sobre nós. O perdão é algo divino, pois nos ajuda a criar a semelhança de Deus em nós. Quando perdoamos crescemos em nossa humanidade, quando perdoamos ascendemos em nossa divindade. Desculpar e perdoar nos faz mais gente, mais humanos, mais generosos… E o divino brilha em nós!

Frei Paulo Sérgio, ofm.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Leitura Bíblica: Daniel 3



Sidrac, Misac e Abdênago não se dobraram às determinações de Nabucodonosor. Recusaram adorar os deuses do rei.  Este, então, os ameaçou: “E agora quando ouvirdes tocar a trombeta, flauta, cítara, harpa, saltério e gaitas, e toda espécie de instrumentos, estais prontos a prostrar-vos e adorar a estátua que mandei fazer? Mas, se não fizerdes a adoração, no mesmo instante sereis atirados na fornalha de fogo ardente; e qual é o deus que poderá libertar-vos de minhas mãos?” Os jovens se recusaram e foram lançados na fornalha ardente. Maravilhosamente, as chamas não queimaram os jovens e havia uma quarta pessoa  que parecia um filho de Deus circulando entre as labaredas. Deus se fez presente no meio das chamas e foi libertador e providência dos valentes jovens, corajosos e cheios de fé.

“A proteção de Deus não é sempre visivelmente maravilhosa e magnifica como na história  dos três jovens. Mas  é necessário dar tempo ao desígnio de Deus, a fim de poder vê-lo em seu conjunto, quer com relação a nós pessoalmente, quer na vida da Igreja. Então, aquilo que parecia casual, repetitivo, falho, provisório, assume seu posto e seu valor. Então, também de nossos corações pode prorromper, sincero e festivo, o cântico de louvor a Deus. Ele já estava presente, já agia e nos libertava, quando parecia inexistente, insignificante.  Às vezes, Deus “manda seu anjo”, ou seja, faz perceber exteriormente  sua intervenção, mas sempre e em toda parte os acontecimentos, em seu impulso fundamental, procedem  dele e a ele conduzem por caminhos misteriosos.  Esta foi a fé dos três jovens e de todos os mártires.  Esta deve ser a nossa fé”  (Missal Cotidiano da Paulus, p. 301).

A coragem dos mártires, a audácia de viver a fé cristã: como isso é importante neste tempo de incertezas. É mérito de cada pessoa, mas antes de tudo, é resultado de uma ação providencial do Senhor a fidelidade aos desígnios do Senhor no meio das tribulações. No coração de nossa vida, depois de termos atravessado vales difíceis e escalado altas montanhas sentimos que houve uma presença que nos tornou fortes para os embates e combates. Nem sempre distinguimos essa presença, mas temos certeza de que, no meio das labaredas da vida, “um anjo” esteve presente ao longo de nossa vida.

Frei Almir Ribeiro Guimarães

segunda-feira, 18 de março de 2013

#FicaAdica 71



Quem pensa nas consequências dos seus gestos sabe que as pessoas nos respeitam muito mais pelas imagens que construímos dentro delas do que pelas palavras que proferimos fora delas. E a construção que é feita dentro é que tem valor, pois é o que marca, é que fica, é o que permanece… E nessa experiência devemos ter a gentileza suficiente para não permitir que os cristais se quebrem…

Daí a importância fundamental do cuidado que devemos ter quando estamos pisando o chão sagrado da alma das pessoas. É aí que podemos ganhar o perder, elevar ou destruir… É aí que podemos construir um espaço amoroso onde o respeito, a igualdade e a liberdade devem reinar. Se você ama, então deve acolher a outra pessoa como ela é, ainda que você preferisse que ela fosse diferente…

Tenha uma ótima e produtiva semana!

Frei Paulo Sérgio, ofm

Leitura Bíblica: João 8, 12-20




“Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida”.

Jesus é uma eterna interrogação.  No evangelho de hoje, temos a continuação do processo que se vai instaurando contra o Mestre pelas forças do mal. Logo do início, o Senhor se declara luz do mundo.  Transcrevemos uma luminosa página do Concílio do Vaticano II  que fala dos questionamentos do gênero humano e aponta para Jesus como aquele que esclarece, que ilumina o  sentido de viver.

“O mundo moderno apresenta-se, simultaneamente poderoso e fraco, capaz do melhor e do pior; abre-se diante dele o caminho  da liberdade ou da escravidão, do progresso ou da regressão; da fraternidade e do ódio.  Por outro lado, o homem toma consciência de que depende dele a boa orientação  das forças por ele despertadas e que podem oprimi-lo ou servi-lo. Eis porque se interroga a si mesmo.

Na verdade, os desequilíbrios que atormentam o mundo moderno estão ligados a um desequilíbrio mais profundo  que se enraíza no coração do homem.

No íntimo do próprio homem, muitos elementos lutam entre si. De um lado, ele experimenta, como criatura, suas múltiplas limitações; por outro lado, sente-se ilimitado em seus desejos e chamados a uma  vida superior.

Atraído por muitas solicitações, é continuamente obrigado a escolher e a renunciar. Mais ainda: fraco e pecador, faz muitas vezes o que não quer e não faz  o que desejaria. Em suma, é em si mesmo que o homem sofre a divisão, que dá origem a tantas e tão grandes discórdias na sociedade.

Muitos, sem dúvida, que levam uma vida impregnada de materialismo prático, não podem ter uma clara percepção  desta situação dramática; ou, oprimidos pela miséria, sentem-se incapazes de  prestar-lhe atenção.

Outros, em grande número, julgam encontrar  satisfação nas diversas  interpretações da realidade que lhes são propostas.

Alguns, porém, esperam unicamente do esforço humano  a verdadeira e plena  libertação da humanidade e estão persuadidos de que o futuro domínio  do homem sobre a terra dará satisfação a todos os desejos de seu coração.

Não faltam também os que, desesperando de encontrar  o sentido da vida, louvam a audácia daqueles que, julgando a existência humana  vazia de qualquer significado  próprio, se esforçam por encontrar todo o seu valor apoiando-se apenas no próprio esforço.

Contudo, diante da atual evolução  do mundo, cresce o número daqueles que formulam questões mais fundamentais ou as percebem com nova acuidade.  Que é o homem?  Qual é o sentido do mal, do sofrimento, do mal e da morte que, apesar de tão grandes progressos, continuam a existir?  Para que servem semelhantes  vitórias, conseguidas a tanto custo? Que pode o homem dar à sociedade e dela esperar? Que haverá depois desta vida terrestre?

A Igreja, porém, acredita  que Jesus Cristo, morto e ressuscitado por todo o gênero humano, oferece ao homem, pelo Espírito Santo, luz e forças que lhe permitirão corresponder  à sua vocação suprema:  ela crê que não há debaixo do céu outro nome dado aos homens pelo qual possam ser salvos.

Crê igualmente que a chave, o centro e o fim de toda a história humana encontra-se em seu Senhor e Mestre.

A  Igreja  afirma, além disso, que, subjacente a todas as transformações, permanecem imutáveis muitas coisas que têm seu  fundamento último  em Cristo, o mesmo  ontem, hoje e sempre”.  Gaudium et  Spes,  9-10

Frei Almir Ribeiro Guimarães

sábado, 16 de março de 2013

Um homem que veio do "fim do mundo"





"Habemus Papam". Os prognósticos da mídia internacional foram por água abaixo; o conclave da Capela Sistina foi soberano, derrubando todas as hipóteses que eram "certas". E o Sumo Pontífice é argentino: o cardeal arcebispo de Buenos Aires, o jesuíta Jorge Mario Bergoglio, 76 anos, o sucessor de Pedro número 266, que escolheu como nome, Francisco.

A notícia, em poucos segundos fez o giro do mundo na noite - hora de Roma - da última quarta-feira, pouco depois de uma hora da fumaça branca ganhar os céus da Cidade Eterna anunciando que a Igreja de Roma e do mundo tinham um novo Pontífice. No segundo dia de conclave, na quinta votação os 114 eleitores - o cardeal não pode votar em si mesmo -, escolheram para Sucessor de Pedro, um homem que vem "do fim do mundo", como se referiu Papa Francisco ao seu lugar de origem, a Argentina.

No arco de poucos dias vivemos grandes mudanças e sentimos no ar o perfume de renovação. Um Papa que saiu e um novo Papa que chega do Novo Mundo; um jesuíta, que se chama Francisco, em cujo nome há todo um programa... De fato, Francisco é o santo da pobreza, da simplicidade, do amor aos pobres.

Papa Francisco, homem simples, modesto, que conquista com o olhar de pastor de quem conhece o seu rebanho. Depois da chegada à América, 500 anos atrás da Boa Nova, com os primeiros missionários, franciscanos e jesuítas, agora é a mesma América, desta vez Latina que oferece um de seus filhos para conduzir o barco de Pedro. Ele traz na sua bagagem uma Igreja viva, cheia de espiritualidade, com uma religiosidade que poderá ajudar a inflamar uma Europa que está perdendo a sua identidade cristã; uma Ásia que descobre o Evangelho; uma África que produz frutos sem igual na sua história com um crescimento importante no número de católicos.

Um homem-Papa que já nas suas primeiras palavras falou de um "caminho de Fraternidade, de amor, de confiança entre nós". Pediu para que "rezemos uns pelos outros, que rezemos por todo o mundo, para que exista uma grande fraternidade". Um pastor que sempre se preocupou pelo próximo, pelos necessitados, pelos últimos. Bergoglio, conhecido também como um homem muito humilde chegou a trocar os ambientes da cúria para viver em um simples apartamento em Buenos Aires; também dispensou o uso de um automóvel oficial e chegava cozinhar as suas próprias refeições.

Quando foi criado cardeal por João Paulo II em 2001, o então dom Bergoglio pediu aos fiéis que, ao invés de viajarem até Roma, com um gasto excessivo, distribuíssem o dinheiro da viagem entre os mais pobres. O mesmo pedido foi feito nesta semana aos argentinos que queriam vir a Roma para o início de seu pontificado; não venham, deem o dinheiro aos pobres. Os meios de comunicação locais confirmam ainda que durante a crise econômica que atingiu a Argentina, surgiu como "uma voz da consciência nacional" e, por várias vezes, alertou para as consequências da globalização desregrada para os que já sobrevivem com muito pouco.

Estes são alguns simples exemplos do comportamento do homem escolhido pelos senhores cardeais em conclave para conduzir a Igreja de Cristo, entre as intempéries hoje, entre as dificuldades e desencantos de uma Igreja que apesar do sofrimento, ainda está viva.

A América Latina, que viu crescer a sua fé com os missionários jesuítas, agora oferece um filho de Inácio para confirmar na fé os irmãos presentes em todos os ângulos da terra. Uma América latina que sofre pelas injustiças, pelas opressões, pelas desigualdades sociais terá certamente em Papa Francisco um ponto de referência, uma voz ímpar que recordará ao mundo o valor indiscutível e incomensurável de cada pessoa, de cada ser humano.

Esta é a primeira vez em dois milênios que é escolhido um Papa nascido no grande continente americano. Nos últimos 1300 anos, o eleito pelo conclave sequer era de fora da Europa.

Todavia, a eleição de Francisco no quinto escrutínio, faz ver ao mundo a unidade dos cardeais construída ao redor de Bergoglio. Unidade que o cardeal Ângelo Sodano, decano do colégio cardinalício tanto sublinhou na sua homilia na missa "Pro Eligiendo Pontifice Romano", no dia do início do conclave.

Francisco, um nome, uma opção, uma escolha não indiferente que recorda o pobrezinho de Assis, e a sua revolução de amor e simplicidade, mas também Francisco Xavier, homem de missão e evangelização.

Papa Francisco, é essa síntese, homem da simplicidade e da evangelização, que traz consigo, para o bem de toda a Igreja, os anos de pastor de uma das Arquidioceses mais importantes da América Latina, Buenos Aires.

Mas também é um homem de oração como pudemos notar nos seus primeiros momentos como Papa; pediu a oração de todos e disse que rezará por todos, para que no mundo todo haja uma grande fraternidade. O Papa do olhar simples e da voz macia, já entrou nos corações dos fiéis do mundo inteiro.

Silvonei José Protz, Colunista do Portal Ecclesia.