quinta-feira, 20 de junho de 2013

#FicaAdica 89

Encantar é seduzir, cativar, fascinar, provocar irresistível admiração. O encantamento está na alma, no coração, no sentimento… Ele é sensibilidade que faz acontecer uma nova realidade, um novo momento… causa rupturas, cria intervalos no ordinário da vida. Encantar é permitir que a energia do amor possa fluir na vida das pessoas; é proporcionar encontros transformadores, semear esperança, atingir os corações para que pulsem no mesmo desejo, no mesmo destinar…

Jesus sabia muito bem encantar as pessoas com seu anúncio, com Seu jeito de falar, com sua maneira de olhar nos olhos das pessoas… Com sua maneira simples, porém autêntica atingia os corações das pessoas, criava transformação em suas vidas. Hoje também devemos ter essa mesma capacidade de encantar, de criar brilho no olhar das pessoas, de falar desse amor divino que nos impulsiona a viver com mais alegria, como verdadeiros irmãos… filhos(as) do mesmo Pai do Céu!

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quarta-feira, 19 de junho de 2013

Pssssiiiiiiiu! Silêncio!

Se um homem deixa o barulho e a agitação do mundo e procura no silêncio o seu descanso, Deus se manifesta para ele. Deus prefere se mostrar na suavidade da brisa a se mostrar no estardalhaço do trovão. Para tomar consciência de Sua presença que nos envolve e escutar Sua voz, é necessário acalmar a tempestade, fazer calar as vozes que ribombam em nossa cabeça. Na oração, Deus fala. Deus escuta, mas também tem o que dizer a você, a mim, a nós.

Um dia, na Missa, logo após a consagração, alguém começou um solo de violão e o sacerdote interveio dizendo: “Silêncio! Diante do Absoluto…” Deus é o Absoluto, quando Ele se manifesta, a melhor oração que podemos fazer é calar. Quando o homem cala, Deus fala.

Assim, em nossa oração, devemos fazer tudo o que está ao nosso alcance para nos colocar na presença de Deus, que já estava ali à nossa espera, e quando percebemos que nos aproximamos do Senhor e estamos diante dEle, devemos calar porque as palavras já não são necessárias; então podemos contemplar e ser contemplados.

Não temos ideia do quanto Deus nos cura e liberta neste momento de silêncio, quando só o amor transita. Damos um amorzinho frágil, miserável e impuro e recebemos uma descarga avassaladora de amor inebriante que nos torna vencedores.
Ninguém mais do que Nossa Senhora ouviu a Deus, porque ninguém tanto quanto ela se calou. Muitos acham que Maria não é importante pois as Sagradas Escrituras mostram que ela quase não se pronunciou. Não percebem que é justamente aí que reside a sua importância. Ela deixou Deus ser Deus, calou para Ele falar… E por meio de Maria, Deus disse uma Palavra que de tão concreta se fez carne. Ela não precisava falar, outro falava em seu silêncio.

Na anunciação, a resposta de Maria foi basicamente um “sim”, com Isabel tudo o que fez foi cumprimentá-la. Quando ninguém deu lugar ao seu Filho para nascer, ela calou; entre os doutores, ela calou; na cruz, ela calou. Ela sabia que a vitória que temos sobre o sofrimento está no silêncio. Quem se cala ante o sofrimento guarda só para Deus o perfume deste sacrifício; quem fala dissipa-o.

Podemos dizer que São Tomás de Aquino seguiu à risca este exemplo de Maria.

Conta-se que por São Tomás de Aquino ser muito gordo e por falar pouco puseram-lhe um apelido: boi mudo, era assim que o chamavam e procuravam atormentá-lo. Um dia, um de seus professores ouviu quando o chamaram de boi mudo e fez uma observação: “Quando este boi mugir, vai tremer o mundo”, e assim aconteceu. Ele é um dos santos que abalaram o mundo pela sabedoria que adquiriu no silêncio.

Nossa Senhora falou pouco, mas quando abriu a boca a criação estremeceu. João Batista foi só um exemplo do que aconteceu à humanidade.

Que o Espírito Santo nos ponha no coração o desejo de guardar o silêncio sagrado, o mesmo que Maria honrou e guardou tornando-se a mestra, a educadora de todos os que de longe perceberam a profundidade deste mistério e agora anseiam por penetrá-lo!

Dê-nos, o Senhor, um anjo para nos guardar neste bom propósito.
“Senhor, eu vos chamo, vinde logo em meu socorro; escutai a minha voz quando vos invoco. Que a minha oração suba até vós como a fumaça do incenso; que minhas mãos estendidas para vós sejam como a oferenda da tarde. Ponde, Senhor, uma guarda em minha boca, uma sentinela à porta de meus lábios” (Sl 140,1-3).

Do livro "Quando só Deus é a resposta", Márcio Mendes

Não toques trombeta! (Mateus 6, 1-6.16-18)

Calma! Jesus não tem nada contra os trombonistas! Apenas usa uma expressão figurada para nos ensinar a discrição até no fazer o bem. Podemos estragar uma ação boa com o nosso exibicionismo. Dizem que os fariseus, ao lançar as moedas nos cofres do templo, deixavam que elas caíssem bem do alto: assim, com seu tilintar, todos olhariam naquela direção e veriam a cara do piedoso doador. Pois, sim...

A mãe de um amigo meu morava em uma pequena cidade do interior de Minas. O marido tinha um pequeno comércio, ou melhor, uma “venda”, como se dizia naqueles tempos. Toda manhã, discretamente, escondida do marido (ou ele fazia vista grossa?), a senhora pegava uma bolsa com dois ou três quilos de mantimentos e visitava uma família pobre. Somente após sua morte, veio à tona a sua caridade. E todos compreenderam por que motivo metade da cidadezinha era composta de afilhados e afilhadas daquele casal. Até Jesus Cristo aplaudiria esse tipo de caridade.

A caridade cristã não tem nada a ver com filantropia. Os filantropos e clubes de serviço não sabem fazer o bem sem anexar rumorosa propaganda: vejam só o que estamos fazendo! Das obras dos políticos, nem se fale! A placa chega a ser maior que a obra executada! Para nós, Jesus propõe um caminho de vida interior, sem máscaras e sem purpurinas. O Pai vê o que é secreto e nos recompensará por nossos gestos de amor. Ao contrário, se nós damos um jeitinho de aparecer aos olhos dos homens, “já recebemos nossa recompensa”, isto é: nossa goiaba já nasceu bichada!

Madre Teresa de Calcutá, contava que em sua infância, na Albânia, muitas vezes havia pessoas estranhas à mesa. Quando perguntava quem eram elas, a mãe respondia: “São parentes nossos que moram longe daqui”. Na verdade, eram pobres sem recursos, que passavam por lá, refugiando-se da guerra. A mesma mamãe ensinaria à pequena Teresa: “Se você fizer alguma caridade, que ninguém o perceba!”

Jesus fala concretamente do jejum e da oração, práticas louváveis que devem ser igualmente discretas. Deus aprecia a simplicidade. Mas deve tapar os ouvidos para não ouvir certas orações que fazemos, cheias de palavras eruditas, altissonantes, mas sem nenhuma ressonância interior... Puro exibicionismo! É preciso muito cuidado com a moderna tentação de promover a Igreja, vocações e Institutos através dos meios da sociedade pagã, como táticas de marketing e propaganda. Não precisamos de nada disso. Precisamos de santos.

Daí o conselho de Jesus: rezar em segredo, no quarto, onde apenas os olhos do Pai estão voltados para nós. Certamente, ali será mais sincera a nossa oração...

Orai sem cessar: “Como a criança no seio materno, como tal criança são meus desejos.”

Antônio Carlos Santini, Comunidade Católica Nova Aliança
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segunda-feira, 17 de junho de 2013

Amor é decisão!


Em nossa vida, constantemente precisamos tomar decisões: se vamos a um passeio ou à Missa, se permanecemos neste emprego ou buscamos outro, se usamos esta ou aquela roupa etc. Desde as mínimas coisas até grandes decisões, como a resposta a determinada vocação, em tudo devemos nos posicionar, fazer uma ‘cisão’, uma quebra, um rompimento com algo para assumir outro.

A Santíssima Trindade, por ser uma comunidade de amor, vive em perfeita harmonia nas decisões tomadas e assumidas. O Pai, com o Espírito Santo, decidiu enviar o Filho. O Filho, naquele momento ‘sem momento’, decidiu se apresentar ao Pai dizendo o eis-me aqui, envia-me, e sua aceitação levou-o até o sim da cruz e o sim que se perpetua na Eucaristia em todos os tempos. Jesus tomou decisões e nos ensina a fazê-lo. O Filho, junto com o Pai, decidiu enviar o Espírito Santo para nos santificar. A Palavra de Deus já nos alerta: Que o vosso sim seja sim e o vosso não seja não, porque se não és frio nem quente vou vomitar-te. Assim, o cristão se torna alguém que sabe o que quer e busca ser consequente com o que assume. O amor, eixo em torno do qual gira toda a vida humana e cristã, também é questão de decisão. Sou eu que escolho se quero ou não amar, a quem quero amar e como será o meu amor. As vezes, no atendimento às pessoas que batem à porta do nosso mosteiro pedindo orações ou conselhos, fico comovida ao escutar histórias verdadeiramente dramáticas, mas onde percebo, no meio de tanto sofrimento e ingratidão a dedicação e um amor total e incondicional de alguma pessoa. Quantas esposas que acolhem e aceitam seus esposos ingratos, alcoólatras, infiéis, agressivos e os amam a ponto de conseguirem de Deus sua conversão e libertação! Por outro lado, também quantos esposos abandonados, traídos e humilhados por suas esposas, mas que continuam fiéis a um sim pronunciado um dia! Quantos pais que insistem em amar seu filho que só traz desgosto e sofrimento!... E cobrem tudo com o amor, defendendo a pessoa amada com unhas e dentes. São pessoas que simplesmente decidiram amar. E muitos milagres acontecem como consequência deste amor.

Quando amo devo agir com a consciência de estar fazendo uma opção de vida. Não estou vivendo um sentimento que irá trazer-me apenas prazer ou alegria. Irei assumir toda a pessoa, com seus limites, seus defeitos, suas quedas, seus fracassos, mas também suas vitórias e triunfos. Aliás, é na hora da desgraça que se prova o verdadeiro amor.

Penso que muitos relacionamentos inclusive no matrimônio não se aprofundam nem perseveram por falta desta decisão de amar até o fim, para além dos sentimentos. Deus nos ama assim. Ele é fiel porque se decidiu a estar conosco sempre e nos ama em todo tempo, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, sempre! Quando Jesus decidiu ser amor entre nós, assumindo nossa humanidade e nos ensinando a ser humanos, todas as consequências foram assumidas juntamente, inclusive a cruz e a morte. Amar é dar a vida, e dar a vida não é sentimento, é ato de decisão. Quando amo alguém estou vivendo este mistério que Jesus vive na Eucaristia a cada momento. Ele está ali, no sacrário e em quem o recebe, independentemente da forma como é acolhido e venerado. É o mesmo para aquele que o ama intensamente como para aquele que o recebe com indiferença, em pecado ou para aquele que nem o quer receber. Ele continua o mesmo Amor que se dá na pura gratuidade. E este amor gratuito é que nos constrange a pagar amor com amor e a mudar nossas vidas.

Santa Teresa de Ávila, em seu livro Castelo Interior ou Moradas, descrevendo o itinerário espiritual da pessoa que se entrega à oração, diz várias vezes como se sentia pequena e como que ‘esmagada’ diante de tudo que Deus lhe fazia, de todas as graças que recebia do Senhor. Amor gera amor, dizia ela em outro lugar e era firme na formação das carmelitas descalças para serem pessoas decididas, pessoas de determinada determinação, na linguagem teresiana. Quando a pessoa que Deus coloca em nossa vida para que a amemos não nos agrada, quando temos de enfrentar lutas de nossa natureza, quando o outro se torna um peso, ou ele tem o dom de desagradar-me em tudo na expressão de Santa Teresinha então sim, estarei diante de uma excelente oportunidade para viver o verdadeiro amor, o amor gratuito que Jesus me pede e ensina.

Seja nosso amor para com cada pessoa este ato de decisão que nos leve a perseverar até o fim, ou seja, até a consumação de nossa vida no céu, onde tudo será amor, pois na tarde da vida seremos julgados pelo amor (São João da Cruz).

Irmã Maria Elizabeth da Trindade, OCD
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domingo, 16 de junho de 2013

#FicaAdica 88



Cada pessoa tem uma missão a realizar nesta vida. É Deus que nos concede os dons e talentos para serem desenvolvidos, para fazer a vida mais bonita e mais feliz. E nessa partilha das aptidões e talentos vamos aprendendo que o altruísmo e a solidariedade valem muito mais que o egoísmo e o isolamento. São aqueles que proporcionam uma vivência mais fraterna e permitem uma vida ungida pelo óleo do amor de Deus.

Santo Antônio nos convida a fazer aquilo que podemos fazer. Deus não espera de nós mais do que podemos. E, se assim fizermos, com certeza estaremos criando correntes de alegria, de amor e de esperança. Seremos lembrados pelo bem que fizermos, pelo amor que semeamos, pela alegria que compartilhamos. Então, vamos em frente, na certeza que Deus nos abençoe nos guarde no Seu amor de Pai…

Frei Paulo Sérgio, ofm



Leitura Bíblica: Lucas 7,36-8,3

Jesus impressionou a muitos que o ouviam. Havia, certamente os que o observavam à distância e nada mais. Outros queriam vê-lo mais de perto,  espreitar suas reações ao que lhe era dito.  Lucas  nos fala de um fariseu que convidou Jesus para uma refeição.

Certamente  tudo tinha sido cuidadosamente preparado.  O encontro era para “funcionar” bem.  Uma pessoa estranha ao círculo do fariseu, sabendo que Jesus estaria naquela casa,  para lá se dirigiu.  Tratava-se  de uma mulher conhecida na cidade como quem levava um vida má, indecente.  Ela veio preparada para homenagear esse Jesus do qual queria mais uma vez se acercar.  Mas sobretudo  dizer de sua gratidão através do presente de um perfume.  Afinal de contas ele tinha tocado profundamente seu interior.

Para esse encontro ela havia trazido um frasco de alabastro com perfume; molhava os  pés de Jesus com suas lágrimas e enxugava-os com os cabelos, cobria de beijos e os ungia com perfume.    E o fariseu observava a tudo.  A partir do fato ficou convencido de que esse homem  não podia ser um profeta. Se o fosse ele saberia quem era aquela mulher… uma perdida.  Lá estava acolhendo com agrado aquelas homenagens que se situavam no limite da decência.

Jesus chamou, então, o  fariseu num canto  e tentou esclarecer  as coisas.  Tratava-se de uma pobre criatura que precisava refazer sua vida… uma devedora de milhões que precisava ser perdoada para que sua vida fosse uma vida de verdade.  Os justos não precisam ver suas contas de dividas rasgadas… E nesse momento  Jesus fala das delicadeza do coração da mulher arrependida.  Ao lado do fariseu,  Jesus aponta para a mulher:  “Estás vendo esta mulher? Quando entrei em tua casa não tiveste a delicadeza de me oferecer água para lavar as mãos.  Ela banhou meus pés com as lágrimas do carinho e do arrependimento e os enxugou com seus cabelos… Por que queres ver malícia e maldade onde existe  delicadeza e gratidão.  Tu foste seco comigo…não me deste o beijo de saudação e ela… bem viste o que fez… Não me deste óleo perfumado e ela   ungiu meus pés…Por isso,  com tanta delicadeza e coração  ela merece ser perdoada, mesmo  que sua dívida seja enorme.  Mostra muito amor a quem se perdoa largamente”.

Jesus se volta para a mulher e declara seus pecados perdoados.  “Tua fé te salvou… vai em paz…”.  Belo desfecho!

Frei Almir Ribeiro Guimarães
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sexta-feira, 14 de junho de 2013

O olhar de Jesus



No evangelho de Lucas 22,60-62, lemos a seguinte passagem: «Mas Pedro disse: Homem, não sei o que dizes. Imediatamente, enquanto ele ainda falava, o galo cantou e o Senhor, voltando-Se, fixou o olhar em Pedro... E Pedro, saindo, chorou amargamente».

Eu tinha um relacionamento bastante bom com o Senhor. Conversava com Ele, pedia-Lhe coisas, louvava-O, agradecia-Lhe. Mas tinha sempre um sentimento ou sensação inesquecível de que Ele queria que eu olhasse bem no fundo dos Seus olhos... E isto eu não queria. Conversava muito, mas desviava os olhos, cada vez que percebia que Ele estava a olhar para mim. Sim, olhava sempre para outro lado. E eu sabia porquê! Tinha medo. Receava encontrar uma acusação nos olhos d´Ele: algum pecado não arrependido. Mas pensava também poder encontrar, naquele olhar, algum pedido: algo que Ele quisesse de mim.

Um dia, finalmente, juntei toda a minha coragem e olhei! Não havia acusação alguma. Nem exigência ou pedido. Aqueles olhos diziam-me, simplesmente: «Eu amo-te!». Nessa altura eu olhei-os ainda mais no fundo com a persistência de quem procura algo. Nada encontrei, apenas a mensagem de sempre: «Eu amo-te!». Como Pedro, também eu saí... e chorei.

O canto do pássaro, de Anthony de Mello