Há
regiões onde é costume convidar a entrar quem quer que apareça em sua casa à
hora da refeição, para partilhar aquilo que se está a comer. Sabe-se, no
entanto, que a pessoa convidada com a mesma educação irá pedir desculpas e
recusará. Ficar-se-ia desconcertado, e porventura secretamente contrariado, se
o convidado respondesse sem cerimônia: "Sim, aceito com todo o
prazer!". Por vezes, sem disso nos darmos conta, os nossos convites ao
Espírito Santo são semelhantes a este tipo de convites. São convites convencionais;
não são convites reais. Temos de repetir aqueles três convites - VEM, VISITA,
ENCHE! - e fazê-lo como quem tem a certeza de que eles vão ser levados muito a
sério e acolhidos.
Na
oração, temos de ser também "unânimes e perseverantes", como os
apóstolos com Maria no cenáculo, unindo-nos, quando possível, a outras pessoas
que já realizaram um novo Pentecostes e que podem nos ajudar a predispor-nos e
a vencermos qualquer temor.
Além disso, precisamos estar dispostos a que algo novo mude na nossa própria vida. Não se pode convidar o Espírito Santo a vir, para nos encher, contanto que deixe ficar tudo como estava. "O que o Espírito toca, o Espírito muda", diziam os Padres. Quem invocar: "vem, visita, enche!", por essa mesma invocação se entrega ao Espírito e Lhe entrega as rédeas da própria vida, ou as chaves da própria casa. Entregar-se ao Pai, para que o Pai nos entregue ao Seu Espírito! Tal é a condição.
Do Livro “Vem, Espírito Criador!”, de Padre Raniero Cantalamessa
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