sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Tende para Deus o desejo do coração

O que nos foi prometido? Seremos semelhantes a ele porque nós o veremos como é. A língua o disse como pôde. O coração imagine o restante.O que pôde dizer, até mesmo João, em comparação daquele que é? O que poderíamos nós dizer, homens tão longe do valor do próprio João?

Recorramos por isso, para sua unção, para aquela unção que ensina no íntimo o que não conseguimos falar. Já que não podeis ver agora, prenda-vos o desejo. A vida inteira do bom cristão é desejo santo. Aquilo que desejas, ainda não o vês. Mas, desejando, adquires a capacidade de ser saciado ao chegar a visão.

Se queres, por exemplo, encher um recipiente e sabes ser muito o que tens a derramar, alargas o bojo seja da bolsa, do odre, ou de outra coisa qualquer. Sabes a quantidade que ali porás e vês ser apertado o bojo. Se o alargares ele ficará com maior capacidade. Deste mesmo modo Deus, com o adiar, amplia o desejo. Por desejar, alarga-se o espírito. Alargando-se, torna-se capaz.

Desejemos pois, irmãos, porque havemos de ser saciados. Vede Paulo como alarga ocoração, para poder conter o que vem depois: Não que já tenha recebido ou já seja perfeito; irmãos, não julgo ter conseguido o prêmio.

Que fazes então nesta vida, se ainda não conseguiste? Uma coisa só, esquecido do que ficou para trás, lanço-me para a frente, para a meta, corro para a palma da vocação suprema. Diz lançar-se e correr para a meta. Sentia-se incapaz de captar o que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram, nem subiu ao coração do homem.

É esta a nossa vida: exercitamo-nos pelo desejo. O santo desejo nos exercita, na medida em que cortamos nosso desejo do amor do mundo. Já falamos algumas vezes do vazio que deve ser cheio. Vais ficar repleto de bem, esvazia-te do mal.

Imagina que Deus te quer encher de mel. Se estás cheio de vinagre, onde pôr o mel? É preciso jogar fora o conteúdo do jarro e limpá-lo, ainda que com esforço, esfregando-o, para servir a outro fim.

Digamos mel, digamos ouro, digamos vinho, digamos tudo quanto dissermos e quanto quisermos dizer, há uma realidade indizível: chama-se Deus. Dizendo Deus, o que dissemos? Esta única sílaba é toda a nossa expectativa. Tudo o que conseguimos dizer, fica sempre aquém da realidade. Dilatemo-nos para ele, e ele, quando vier, encher-nos-á. Seremos semelhantes a ele; porque o veremos como é.

Dos Tratados sobre a Primeira Carta de São João, de Santo Agostinho, bispo, séc. V

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O raio de luz

Todas as noites antes de fazer os filhos adormecerem, um pai muito carinhoso conversava com eles, enquanto afagava-lhes os cabelos anelados. Diariamente escolhia um assunto que encontrava no evangelho, ou em algum acontecimento do cotidiano.

Naquela noite sem luar, quando as nuvens encobriam as estrelas, ele arranjou uma forma diferente de chamar a atenção das crianças. Colocou-as no sofá da sala e disse-lhes que não se assustassem com a escuridão, porque apagaria todas as luzes da casa, de propósito.

E assim o fez. Deixou a casa às escuras e sentou-se no meio dos filhos que o aguardavam apreensivos. Perguntou-lhes o que eles eram capazes de ver em meio àquele breu. O menininho mais velho comentou que conseguia distinguir os contornos da cadeira que estava a sua frente, mas que não conseguia saber ao certo qual objeto produzia a sombra que se apresentava um pouco mais adiante.

O pai, aproveitando a oportunidade esclareceu: - nossos olhos acostumam-se com a ausência de luz e acabam conseguindo, com algum esforço, distinguir alguns objetos.
Porém, não é possível notar tudo quando a luz nos falta. Alguns contornos podem enganar nossos sentidos. Muitos detalhes passam despercebidos. As cores deixam de ser perceptíveis. A ausência de luz dificulta nosso caminhar, porque não conseguimos notar com segurança para aonde estamos indo.

Nesse momento, ele acendeu uma vela que trazia consigo. As crianças exultaram diante da claridade que se fez na sala. "Vejam!" - convidou o pai. "percebam como tudo parece diferente na presença da luz. As sombras já não mais nos confundem. Agora as formas assumem contornos mais exatos. Como é mais fácil buscar um caminho, quando há luz a mostrar a direção correta."

Encantadas com a singela, porém, inesquecível descoberta, as crianças concordaram com o pai, enquanto o cobriam de carinhos antes de serem levados para a cama.

A maior glória da alma que deseja participar na obra de Deus será transformar-se em luz na estrada de alguém.

Sejamos também um raio de luz, espraiando brilho e calor, beleza e harmonia, em todos os momentos, iluminando, assim, também, nossos próprios caminhos.

Fonte: internet

Paz interior

Muita paz teríamos se não nos importássemos com o que os outros fazem, e que não nos dizem respeito.

Como pode estar em paz muito tempo aquele que se intromete em cuidados alheios, busca ocasiões exteriores e recolhe?

Bem-aventurados os simples, porque terão muita paz.

Do Livro “Imitação de Cristo”

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Destinados à glória

Penso, com efeito, que os sofrimentos do tempo presente não têm proporção com a glória que deverá revelar-se em nós. Pois a criação em expectativa anseia pela revelação dos filhos de Deus. De fato, a criação foi submetida à vaidade – não por seu querer, mas por vontade daquele que a submeteu – na esperança de ela também ser libertada da escravidão da corrupção para entrar na liberdade da glória dos filhos de Deus.
Pois sabemos que a criação inteira geme e sofre as dores de parto até o presente. E não somente ela. Mas também nós, que temos as primícias do Espírito, gememos interiormente, suspirando pela redenção do nosso corpo. Pois nossa salvação é objeto de esperança; e ver o que se espera, não é esperar. Acaso alguém espera o que vê? E se esperamos o que não vemos, é na perseverança que o aguardamos.

Assim também o Espírito socorre a nossa fraqueza. Pois não sabemos o que pedir como convém; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis, e aquele que perscruta os corações sabe qual o desejo do Espírito: pois é segundo Deus que ele intercede pelos santos.

Eclesiástico 2,1-6

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Amizade é conquista e cultivo

Todos os anos nas nossas férias, meu pai levava a gente para um hotel fazenda no sul de Minas Gerais. Eu achava formidável porque havia um cavalo à disposição para quando eu quisesse andar.

Eu devia ter uns 9 anos, quando, numa dessas férias, fui banido do grupo pelos garotos com quem eu costumava brincar, nem me lembro do motivo, mas, com certeza, do jeito que eu era, devia ter merecido. Mas para minha surpresa, quando aqueles meninos me deram a ordem para não acompanhá-los, enquanto se distanciavam de mim, do meio daquele grupo uma criança decidiu ficar ao meu lado. Aquele menino escolheu a minha companhia em vez da de todos os outros, e o mais interessante é que ele nem me conhecia direito.

A partir daquele dia ficamos muito próximos, tomávamos café da manhã, almoçávamos e jantávamos todos os dias na mesma mesa. Tudo o que fazíamos, a partir de então, era juntos. Foram as melhores férias que eu já tinha passado naquele lugar, tinha ganhado um amigo.

Do nome daquele menino não me lembro, mas de sua fisionomia me recordo até hoje, porque quando eu fui embora vi seus olhos cheios d’água olhando o carro do meu pai partir. Não sei o que o levou a optar por mim, só sei que ele salvou minhas férias.

Por algum tempo, amizade para mim teve um conceito exigente demais, eu achava que amigo era somente aquele que soubesse até quantas colheres de açúcar você gostava no café, mas não demorou para esse conceito mudar.

Hoje eu sei que amizade é escolher o outro e salvá-lo dele mesmo, é optar por ele, mesmo sabendo que a partida será inevitável. Amizade é escolher aquele que seu coração já escolheu.

Amizade está longe de resumir-se em encontros diários, mas de certo, quando o encontro acontece, mesmo que tenham se passado anos, a sensação é como se tivessem estado juntos no dia anterior. Amizade é dom de Deus, não funciona quando "se força a barra", é Deus quem aproxima, quem une.

Por outro lado, amizade também é tempo, é conquista e cultivo, exige de nós um comprometimento. Naquele dia, o menino do hotel fazenda comprometeu-se mesmo correndo o risco de ter que brincar sozinho quando eu fosse embora.

A amizade é o lugar privilegiado que Deus escolhe para se revelar. “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor, mas vos chamo amigos” (Jo 15,15). Deus é o primeiro a permutar reinos por nós (cf. Is 43, 4c), a nos envolver com laços humanos (cf. Is 49).

Jesus é aquele que também escolhe Pedro, Tiago e João para estar com Ele em momentos únicos, que só aos amigos pertencem. Aprendamos com o Senhor a dinâmica da amizade, então, ensaiaremos com os irmãos a grande e definitiva amizade com Deus.

Tiba Camargo, Missionário da Comunidade Canção Nova

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

(CIC) A resposta do homem a Deus


Por sua Revelação, "o Deus invisível, levado por seu grande amor, fala aos homens como a amigos, e com eles se entretém para os convidar à comunhão consigo e nela os receber". A resposta adequada a este convite é a fé.

Pela fé, o homem submete completamente sua inteligência e sua vontade a Deus. Com todo o seu ser, o homem dá seu assentimento a Deus revelador. A Sagrada Escritura denomina "obediência da fé" esta resposta do homem ao Deus que revela.

A OBEDIÊNCIA DA FÉ
Obedecer ("ob-audire") na fé significa submeter-se livremente à palavra ouvida, visto que sua verdade é garantida por Deus, a própria Verdade. Desta obediência, Abraão é o modelo que a Sagrada Escritura nos propõe, e a Virgem Maria, sua mais perfeita realização.


* Abraão – “o pai de todos os crentes”
A Epístola aos Hebreus, no grande elogio à fé dos antepassados, insiste particularmente na fé de Abraão: "Foi pela fé que Abraão, respondendo ao chamado, obedeceu e partiu para uma terra que devia receber como herança, e partiu sem saber para onde ia" (Hb 11,8). Pela fé, viveu como estrangeiro e como peregrino na Terra Prometida. Pela fé, Sara recebeu a graça de conceber o filho da promessa. Pela fé, finalmente, Abraão ofereceu seu filho único em sacrifício.

Abraão realiza, assim, a definição da fé dada pela Epístola aos Hebreus: "A fé é uma posse antecipada do que se espera, um meio de demonstrar as realidades que não se veem" (Hb 11,1). "Abraão creu em Deus, e isto lhe foi levado em conta de justiça" (Rm 4,3). Graças a esta "fé poderosa" (Rm 4,20), Abraão tornou-se "o pai de todos os que haveriam de crer" (Rm 4,1 1.18)

O Antigo Testamento é rico em testemunhos desta fé. A Epístola aos Hebreus proclama o elogio da fé exemplar dos antigos, "que deram o seu testemunho" (Hb 11,2.39). No entanto, "Deus previa para nós algo melhor": a graça de crer em seu Filho Jesus, "o autor e realizador da fé, que a leva à perfeição" (Hb11,40; 12,2).

* Maria – “Bem-Aventurada a que acreditou”

A Virgem Maria realiza da maneira mais perfeita a obediência da fé. Na fé, Maria acolheu o anúncio e a promessa trazida pelo anjo Gabriel, acreditando que "nada é impossível a Deus" (Lc 1,37) e dando seu assentimento: "Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lc 1,38). Isabel a saudou: "Bem-aventurada a que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido" (Lc 1,45). É em virtude desta fé que todas as gerações a proclamarão bem-aventurada.

Durante toda a sua vida e até sua última provação, quando Jesus, seu filho, morreu na cruz, sua fé não vacilou. Maria não deixou de crer "no cumprimento" da Palavra de Deus. Por isso a Igreja venera em Maria a realização mais pura da fé.

Catecismo da Igreja Católica, §§ 142-149

Cristoval 2012: O Senhor é meu pastor, nada me faltará

Conduzir com segurança, propiciar os melhores pastos e proteger contra ameaças. Isso faz o bom pastor que ama suas ovelhas. O Cristo disse: “Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas e elas conhecem a mim”. As  ovelhas pastando, não se mordem, não dão coices e não se agridem. É uma completa paz, tudo acontecendo sob o olhar atento e reflexivo do bom pastor. “Um só rebanho e um só pastor”. É uma imagem forte de um simbolismo ímpar. Uma lição de vida em paz e harmonia que talvez dê caminhos para a construção de uma sociedade justa, equilibrada, respeitosa, harmônica, igualitária e cooperativa.

São as ovelhas o motivo do grande sacrifício de Jesus: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas”. “Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou”.

Será que o sentimento de separatividade e de grandeza pessoal, por menores ou por quaisquer razões que sejam, podem dar condições de ver e reconhecer o bom pastor? É preciso aprender a viver com a mensagem das ovelhas. Vivendo como irmãos, igualitariamente, amando e seguindo o bom pastor podemos encontrar e entrar pela porta das ovelhas do senhor.
   
Um só rebanho, um só pastor e um só pasto. Encontre o bom pastor. Encontrará, também, as ovelhas irmãs e muita paz. Sendo assim você hoje é convidado a ter um encontro pessoal com o BOM PASTOR... vindo participar conosco (suas irmãs ovelhas) do CRISTOVAL 2012, pois certamente você conhecerá ou quem sabe se reconciliará com o BOM PASTOR e tenho certeza que será um (re)encontro inesquecível!

Que o fogo do Espírito Santo aqueça o seu coração e você atenda ao chamado do BOM PASTOR... e viva uma alegria que definitivamente não tem fim.

Thays de Souza Alves
(vice coordenadora da RCC e coordenadora de Formação de Carnaúba dos Dantas)