quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O Verbo de Deus virá a nós


Conhecemos uma tríplice vinda do Senhor. Entre a primeira e a última há uma vinda intermediária. Aquelas são visíveis, mas esta, não. Na primeira vinda o Senhor apareceu na terra e conviveu com os homens. Foi então, como ele próprio declara, que viram-no e não o quiseram receber. Na última, todo homem verá a salvação de Deus (Lc 3,6) e olharão para aquele que transpassaram (Zc 12,10). A vinda intermediária é oculta e nela somente os eleitos o veem em si mesmos e recebem a salvação. Na primeira, o Senhor veio na fraqueza da carne; na intermediária, vem espiritualmente, manifestando o poder de sua graça; na última, virá com todo o esplendor da sua glória.

Esta vinda intermediária é, portanto, como um caminho que conduz da primeira à última; na primeira, Cristo foi nossa redenção; na última, aparecerá como nossa vida; na intermediária, é nosso repouso e consolação.

Mas, para que ninguém pense que é pura invenção o que dissemos sobre esta vinda intermediária, ouvi o próprio Senhor: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos a ele (cf. Jo 14,23). Lê-se também noutro lugar: Quem teme a Deus, faz o bem (Eclo 15,1). Mas vejo que se diz algo mais sobre o que ama a Deus, porque guardará suas palavras. Onde devem ser guardadas? Sem dúvida alguma no coração, como diz o profeta: Conservei no coração vossas palavras, a fim de que eu não peque contra vós (Sl 118,11).

Guarda, pois, a palavra de Deus, porque são felizes os que a guardam; guarda-a de tal modo que ela entre no mais íntimo de tua alma e penetre em todos os teus sentimentos e costumes. Alimenta-te deste bem e tua alma se deleitará na fartura. Não esqueças de comer o teu pão para que teu coração não desfaleça, mas que tua alma se sacie com este alimento saboroso.

Se assim guardares a palavra de Deus, certamente ela te guardará. Virá a ti o Filho em companhia do Pai, virá o grande Profeta que renovará Jerusalém e fará novas todas as coisas. Graças a essa vinda, como já refletimos a imagem do homem terrestre, assim também refletiremos a imagem do homem celeste (1Cor 15,49). Assim como o primeiro Adão contagiou toda a humanidade e atingiu o homem todo, assim agora é preciso que Cristo seja o senhor do homem todo, porque ele o criou, redimiu e o glorificará.

Dos Sermões de São Bernardo, abade

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Mais vale...




Mais vale prever a tempo e cuidar de ir fazendo boas obras que confiar no auxílio dos outros!

Se não é cuidadoso para consigo mesmo agora, quem terá solicitude por você no futuro?

Agora é o tempo precioso; “agora são os dias da salvação; agora é o tempo favorável (2Cor 6,2).

Porém, ai! Que não emprega hostilmente esse tempo em que poderia merecer a vida eterna. Virá tempo em que desejará um dia ou uma hora, para se emendar, e não sei se conseguirá.

Ah! Caríssimo, de quantos perigos poderia se livrar, de quantos temores fugir, se estivesse sempre temeroso e na expectativa da morte!

Trate agora de viver de tal modo que na hora da morte possa antes se alegrar  que temer.

Aprenda agora a desprezar tudo, para que então possa ir livremente para Cristo.

Castigue agora o seu corpo pela insuficiência.

Do Livro “Imitação de Cristo”

Ó admirável intercâmbio!


O próprio Filho de Deus, que existe desde toda a eternidade, o invisível, o incompreensível, incorpóreo, princípio que procede do princípio, a luz nascida da luz, a fonte da vida e da imortalidade, a expressão do arquétipo, divino, o selo inamovível, a imagem perfeita, a palavra e o pensamento do Pai, vem em ajuda da criatura feita à sua imagem, e por amor do homem se faz homem. Para purificar aqueles de quem se tornou semelhante, assume tudo o que é humano, exceto o pecado. Foi concebido por uma Virgem, já santificada pelo Espírito Santo no corpo e na alma, para honrar a maternidade e ao mesmo tempo exaltar a excelência da virgindade; e assumindo a humanidade sem deixar de ser Deus, uniu em si mesmo duas realidades contrárias, a saber, a carne e o espírito. Uma delas conferiu a divindade, a outra recebeu-a.

Aquele que enriquece os outros torna-se pobre. Aceita a pobreza de minha condição humana para que eu possa receber os tesouros de sua divindade. Aquele que possui tudo em plenitude, aniquila-se a si mesmo; despoja-se de sua glória por algum tempo, para que eu participe de sua plenitude.

Quais são essas riquezas da bondade? Qual é esse mistério que me concerne? Recebi a imagem divina mas não soube conservá-la. Ele assumiu a minha condição humana para restaurar a perfeição dessa imagem e dar a imortalidade a esta minha condição mortal. Assim estabelece conosco uma segunda aliança, muito mais admirável que a primeira.

Convinha que a santidade fosse dada ao homem mediante a humanidade assumida por Deus. Convinha que ele triunfasse desse modo sobre o tirano que nos subjugava, para nos restituir a liberdade e reconduzir-nos a si através de seu Filho, nosso Mediador; e Cristo realizou, de fato, esta obra redentora para a glória de seu Pai, que era o objetivo de todas as suas ações.

O bom Pastor, que dá a vida por suas ovelhas, veio ao encontro da que estava perdida, procurando-a pelos montes e colinas onde tu sacrificavas aos ídolos; tendo-a encontrado, tomou-a sobre seus ombros – os mesmos que carregaram a cruz – reconduzindo-a à vida eterna.

Depois daquela tênue lâmpada do Precursor, veio a Luz claríssima de Cristo; depois da voz, veio a Palavra; depois do amigo do esposo, o Esposo. O Senhor veio depois daquele que lhe preparou um povo perfeito, predispondo os homens, por meio da água purificadora, para receberem o batismo do Espírito.

Foi necessário que Deus se fizesse homem e morresse, para que tivéssemos a vida. Morremos com ele para sermos purificados; ressuscitamos com ele porque com ele morremos. Fomos glorificados com ele, porque com ele ressuscitamos.

Dos Sermões de São Gregório de Nazianzo, bispo

sábado, 1 de dezembro de 2012

#FicaAdica 52



As grandes pessoas que marcaram a história souberam transmitir seus conhecimentos e, principalmente a sabedoria que puderam colher em suas vidas. E esse é o verdadeiro sentido da tradição: passar para frente aquilo que realmente tem valor, aquilo que poderá transformar vidas! E, assim, também seremos lembrados quando atingirmos os corações das pessoas com a semente do bem que pudermos lançar.

Infelizmente pessoas más também são lembradas, porém para não serem seguidas. Ficam como exemplos negativos a nunca serem copiados. Podemos e devemos atingir as pessoas com nosso exemplo, com nossa ética, com nosso valores. Quando fazemos comunhão de vida com as pessoas, temos a possibilidade de entrar no espaço sagrado de cada uma delas. E neste chão sagrado podemos celebrar o amor mais sublime que é capaz de ficar para sempre, pois deixam marcas indeléveis… Então, prossiga semeando e, no fim, terás o que colher!

Frei Paulo Sérgio, ofm

Quando as coisas chegam ao fim


Dica de leitura para meditar neste dia: Apocalipse 22, 1-7

Estamos celebrando o último dia do ano litúrgico.  Na tarde deste sábado já colocaremos os nossos pés na estrada santa do advento. As leituras e as orações deste dia apontam para o fim.  As coisas vão chegando a seu termo.

Muitos dos textos dos evangelhos que falam do fim das coisas, do fim dos tempos, do fim de Jerusalém  usam uma linguagem apocalíptica e forte nem sempre compreensível  numa primeira abordagem. Os céus se escurecerão, o sol e a lua, os astros e as estrelas despencarão do firmamento.  Há  qualquer coisa de terrificante que produz medo.  Por isso faz bem meditar o texto da antífona de entrada: “O Senhor fala de paz a seu povo e a seus amigos e  a todos os que voltam para ele” (Sl  84,9).

A leitura do Apocalipse nos coloca diante de um dos mais belos textos do Novo Testamento.  O vidente fala de rio de água viva  que brotava do trono de Deus e do Cordeiro…Tudo é vida, tudo é vitalidade.  A água que vem de Deus e do peito do Cordeiro  levam vida a todos.  Fala-se da árvore  dá vida, uma  nova árvore, diferente da árvore do paraíso da qual os primeiros pais comeram no fruto que os levou à  morte.  As folhas agora servem para curar as nações.  Folhas de vida!

Tema da vida e tema da luz.  “Não haverá mais noite;  não se precisará mais da luz da lâmpada  nem da luz do sol, porque o Senhor Deus vai brilhar sobre eles e eles reinarão por toda a eternidade”.  O  Senhor anuncia sua vinda para breve.

Ah!  Essas vindas todas do Senhor.  A vinda do Senhor na carne do Menino das Palhas e a vinda nas inspirações,  a vinda nos sacramentos e a vinda no final de nossa história pessoal, a vinda no final de todos os tempos.  Estamos começando a sentir  no canto da boca  um gosto de advento e sentir no olfato um perfume da vinda do  Senhor. Uma das mais importantes posturas do cristão é a da vigilância.  Somos salvos pela graça, por iniciativa de Deus.  Mas cabe a cada um adotar um postura de vigilância.

Fim de um ano litúrgico!  Acabamos de percorrer uma longa estrada que começou com a promessa da vinda do Messias, com o nascimento do menino na simplicidade do presépio.  Estivemos no deserto com o Senhor antes de sua vida pública. Acompanhamos os passos do Senhor na Semana Santa e estivemos junto do sepulcro vazio com Madalena. Estivemos com apóstolos no tempo da ascensão. Percorremos meses de escuta da Escritura e de tempo de renovação de nossos propósitos e de educação  de nosso coração de discípulos. Tudo termina.  A partir da tarde deste sábado tudo  recomeça.

Frei Almir Ribeiro Guimarães